lunes, 17 de enero de 2022

OUTLIVE - SOBREVIVER

 

                            OUTLIVE – SOBREVIVER

 

Com a cabeça apoiada no respaldo de sua cadeira, pensava no passado, queriam lhe nomear para um cargo importante, ninguém entendeu por que se negava, normalmente os jornalistas iam rebuscar a vida inteira do filho da puta que aceitasse.   Simplesmente respondeu que estava no momento de parar sua vida para reflexionar, o que estava fazendo agora, mudar o rumo.

Mudar o rumo, era o que tinha feito a vida inteira.

Um negro como ele, acostumado a que lhe chamassem de negrata imundo, outras coisas piores, mas que tinha sobrevivido, aonde será que estão os outros se perguntava, pois ao longo de sua vida nunca tinha cruzado com nenhum que disse-se te conheço, sei do buraco imundo que saíste, ou sei que foste um dos que comandaram tudo.

Na verdade o comandante tinha sido Abraham, o negro que mais levava chibatadas do diretor do orfanato, porque não se dobrava.

Nesse orfanato no meio de um campo no Louisiana, pouco aparecia gente que quisesse adotar alguma criança, eram 80 por cento garotos negros, que se chegassem à idade de 16 anos quando deviam sair dali, eram muito poucos.   A maioria morria antes, tinham de tudo, desnutrição, doenças simples matava os mais fracos, era como um lugar, ou sobrevives ou morres.    Ele tinha voltado lá, muitos anos depois, já não existia nem sobra do lugar, o encontrou, porque sabia aonde estava.

Quando atingiam a idade de uns 10 anos, ou mesmo se antes já fosse grandes, eram colocados a disposição do melhor postor, para fazer a colheita do algodão, milho, qualquer outra coisa, o diretor do orfanato montado em cima de sua caminhonete, ficava fiscalizando, sempre ia com seu capanga, que levava um fuzil.   Não se podia parar, ao meio-dia lhe serviam um rango, que mataria até uma mosca de ruim que era.   Mas tinham que comer, não havia outra maneira, ou morrer ali mesmo de insolação.  A água que serviam era uma merda, tinha gosto de podre.

A única coisa que isso servia, era para chegar, cair numa cama que nem lençol tinha, dormir morto de cansado.

Um dos últimos lugares da temporada, era sempre o mais cuidado, pois ao lado passava uma linha de trem.  Alguma vezes algum louco se atrevia, a se esconder por ali, para tentar fugir num trem de carga, mas sempre o pegavam na cidade mais próxima aonde o trem parava.

Abraham tinha falado com um dos rapazes que tinha sido recapturado, tinha levado uma surra de fazer gosto para servir de exemplo.

Segundo o rapaz o erro era esse, havia que descer antes, dar a volta na cidade, se esconder, pegar o trem seguinte. Mais adiante.

Esse sonho de fugir era de todos.

Ele achava que nesse ano tinha feito 16 anos, mas quando foi falar com a secretaria do filho da puta, disse que não, que ele tinha 13 anos.  Sabia que mentia, pois quando tinha feito cinco anos, começou a marcar na cabeceira da merda da sua cama, cada ano que passava.

O mesmo acontecia com Abraham, tinha certeza de ter 17 anos, eles mal sabiam ler ou escrever, o professor tinha sido mandado embora pois discordava dos métodos do diretor.

Ali, um ensinava ao outro o pouco que sabia, desenhando na terra.   O pior era o inverno, o frio de rachar, de vez em quando um pequeno amanhecia morto, era enterrado num lugar, que nem uma cruz colocavam.

Esse ano vamos escapar disse o Abraham.  Quando chegaram na última fazenda, o dono tinha comprado um trator, estava ali, para aproveitar, arrancar as pedras que dificultavam a plantação.   Ele disse para o Abraham, se o trator estava ali em cima, fazia uma linha reta aonde estava a caminhonete do diretor com seus dois homens em cima, era uma ribanceira, ele irá em cima deles.

Num determinado momento, Abraham desapareceu do seu lado, quando disfarçadamente olhou para trás, o viu justamente lá em cima, dando um soco no proprietário, o trator não podia estar em melhor sitio, motor ligado, ele só teve que soltar o freio, veio limpando tudo que estava na sua frente, os meninos começaram a fazer ruído, gritando, isso, não deixou que os da caminhonete escutassem o trator que passou por cima deles, o Abraham ainda veio correndo atrás, pegou a primeira espingarda que voou, jogou uma segunda para mim, corremos até aonde estavam, matamos um a um.

Foi uma debandada geral, os meninos não sabiam para que lado correr, nos dois com outros mais velhos, corremos para a via de trem, fomos seguindo, em breve sentimos a terra tremer, era o trem que se aproximava, todos corremos até os vagões, o rapaz que tinha fugido antes, disse, teremos que saltar, assinalou mais ou menos o lugar.

De qualquer maneira, sabíamos que não dariam falta da gente até o anoitecer, que era a hora que eles voltavam para o orfanato.

Mas claro tinha o dono da fazenda.

Fizemos o combinado, saltamos mal o trem começou a se aproximar da cidade.  Mas não podíamos ir em grupo.  Eu fui com dois mais, Abraham foi pelo outro lado.  Fui talvez mais esperto, porque fui marginando a cidade, quando me dei conta de madrugada, tínhamos caminhado muito, um dos que me seguiam ficou para trás, pois tinha cortado o pé, não tínhamos como ajudar, ele fez sinal que seguíssemos.    Nos escondemos embaixo de uma ponte, de noite não aconteceu nada, aproveitamos para nos lavar, como fazia muito calor, lavamos a roupa, as deixamos secando.   Mas de manhã, aquilo parecia uma loucura, mas já estávamos do outro lado, tínhamos feito uma coisa, o rio ali era baixo, descemos o rio mais um pouco aonde se podia atravessar andando, tiramos a roupa toda, assim o fizemos, se escutava ao longe o ruído dos carros, nos embrenhamos numa mata, subimos com dificuldade uma arvore muito alto, para ficar observando.   Passaram muito longe, a barrica roncava de fome, mas aguentamos, a isso estávamos acostumados.

No segundo dia, tínhamos visto desde cima que a linha do trem fazia uma curva, fomos por esse lado.   Ficamos esperando escondidos, Quanto o trem passou subimos.

Esse só foi parar em San Antonio, para carregar lenha, saímos pelo lado contrário, pois vimos que uns controladores verificavam os vagões, mas nem chegaram aonde estávamos, pois era noite, creio que já tinham carregado.   Depois parou outra vez em El Passo, para a mesma coisa, creio que trocaram de pessoal, era um largo caminho, estávamos desesperado para comer,

Vimos que descarregavam caixas de um vagão mais adiante, eram poucas pessoas, me arrisquei, fui correndo peguei uma caixa que estava no chão, voltei correndo.

O trem seguiu, vimos que o pessoal discutia que faltava uma caixa. Rimos, quando abrimos a caixa, eram latas de feijão, passamos a noite comendo aquele feijão, mas controlando, tinham que aguentar. Cada um comeu duas latas, depois tivemos que colocar a bunda para fora do trem para irmos cagando.  Riamos muito pois fazia frio.

Quando ele parou em Tucson, fizemos a mesma coisa, mas desta vez examinaram tudo, encontraram a caixa, falaram muitos palavrões, mas tínhamos feito uma coisa, tínhamos saído pela outra porta, deixado encostada sem fechar, quando o trem começou a andar novamente corremos, abrimos a porta estava um homem armado ali, eu me joguei para trás, mas ele pegou meu companheiro.

Respirando profundamente pois me doíam as costelas, fui me esconder por ali, encontrei um barracão que caia os pedaços, fiquei ali escondido.

Como o trem não parou, fiquei quieto.

De manhã sai pelas redondezas, numa casa vi roupa num varal, eram quase do meu tamanho, só não tinha sapatos, roubei uma calça, uma camiseta, fui embora, joguei a roupa velha, suja numa lixeira.   Mais adiante, tinham um homem dormindo bêbado num beco, vi que seus sapatos davam para mim, com muito cuidado tirei o primeiro, vi que se despertava, arranquei o segundo, sai disparado, quase que um carro me pega.

Olhei numa loja, parecia ter crescido muito, parecia um homem.  Vi que todos os vagabundos iam a uma direção ali perto da estação, davam comida, um lugar para dormir, tomar banho, riram de mim porque não tinha cuecas.

Mas pude comer duas vezes, mas tive que levantar de noite para cagar.  Estava ali cagando, vi um cartaz que li com certa dificuldade, era o famoso carta do Tio Sam, chamando homens para defender a pátria.

Arranquei o mesmo guardei no bolso, o dia começava a amanhecer, dava café com pão, peguei o meu, comi, perguntei aonde era a direção que dizia ali, a mulher riu, disse que duas ruas mais a frente, mal sai, vi que a polícia vinha fiscalizar os homens que estavam ali.

Mas eu já estava mais a frente.  Olhei para trás, o nome que dizia em cima da placa era “Abrigo Dawson”.  

Já tinha um nome, todo mundo me chamava de Carter, acrescentei o Dawson, encaixava perfeitamente, enquanto esperava que abrisse o lugar, fiquei sentado na numa praça em frente, como fazíamos no orfanato, fiquei escrevendo o nome na terra, até saber fazer direito.

Quando abriu, fui um dos primeiros.  Dei meu nome, disse que tinha saído do orfanato, mas que não tinha papeis, isso não pareceu importar, me fizeram exames, eu era forte pelos trabalhos pesados, alto, magro, mas tinha músculos.  Passei no exame, mandaram me raspar a cabeça, logo apareceu um ônibus, vi que todos eram mais ou menos como eu, gente pobre procurando uma oportunidade.

Fomos para uma base da marinha, eu que nem sabia nadar, quando vi o mar em San Diego me deu medo.

Mas no dia seguinte, foi essa mesma pergunta que fizeram, quem sabia nadar, ninguém dali sabia, vinham todos do interior.  Foi nossa primeira lição, gostei, os exercícios não me assustavam, gostava era do rancho, não era uma comida maravilhosa, mas melhor que a do orfanato era.   Viram que não tinha medo de nada, fui trocando de grupos, estava mais alto, como se a desnutrição me tivesse colocado freios para crescer, por sorte aparentemente estávamos em tempo de paz.

Nas primeiras saída, aproveitava para conhecer a cidade, meus companheiros, quase todos iam encher a cara, ir de putas.  Eu queria guardar dinheiro, me informei com o sujeito que nos pagava no final de semana.    Era boa gente, abri uma conta num banco que tinha uma filial ali mesmo no quartel.   Depois comecei a estudar de noite nos cursos que davam ali mesmo, foi um achado, tinha ânsia por aprender, tudo que tinha me sido negado.  De vez em quando tinha pesadelo com o trator vindo para cima do pessoal da caminhonete, no momento que demos os tiros, vi que alguns garotos não tinham corrido, estavam mortos.

Quando começaram as aulas de tiro, me sai bem, não tinha medo da arma, tinha usado uma. Logo era campeão, foram me treinando para atirador, me fizeram exames de vista, pois diziam que eu tinha uma ligeira desvio na retina, passei a usar óculos, minhas notas nas aulas chamaram a atenção de um sargento que falou com seu comandante, nunca tinham visto alguém aprender assim.   Dois anos depois eu era assistente do comandante, quando fomos a primeira vez para a frente, era a guerra do Golfo, agora tinha mais experiencia, tinha ido de putas, sabia como era a coisa, mas não bebia, nem me metia em confusão, estava sempre com o uniforme impecável. Me levantava cedo, para fazer minhas necessidades, tomar um banho tranquilo, quando os outros se levantavam, eu já estava pronto, era um dos primeiros na cantina, para tomar o café, estava recém feito, era melhor, também os outros pratos pareciam melhor, depois era um deus nos acudam.

Da guerra não vi nada, pois estávamos na retaguarda, no quartel general, reparei que eu era um dos poucos negros ali, mas meu comandante era um mulato claro, creio que por isso não se incomodava.  Nossa conversa era normalmente, bom dia senhor, sim senhor, até amanhã senhor.  Não íamos mais longe nisso.

Fazia o meu trabalho com atenção, sabia toda terminologia que usavam ali, quando não entendia, anotava num papel para saber, depois consultava um dicionário.  Entrou um dia depois da reunião, me viu fazendo isso, me perguntou o que estava fazendo.  Lhe expliquei quando alguém usava uma palavra diferente, consultava o dicionário, não queria passar por um idiota.   Ele riu, esse que usou essa palavra, foi porque veio do West Point, se crê mais esperto que os outros, note que ele sempre usa palavras complicadas, a maioria ri dele por isso.

Fiquei com pena do sujeito, mas depois descobri que era filho de um deputado, por isso estava ali, na retaguarda, o que ele falava não se escrevia, como dizia meu comandante, ele se estivesse no campo de batalha, ia ser o primeiro a levar um tiro.

Mas chegou o momento é claro que tive que enfrentar a dura realidade, fui como o comandante visitar os postos avançados, hospitais de campanha, com os rapazes mutilados, algumas vezes, mortos, esperando que alguém o tirasse dali.

Era chocante.  Quando voltávamos, o comboio foi atacado, tive a oportunidade, talvez pelos meus reflexo, salvar o comandante que tinha levado um tiro, o arrastei para fora do carro, o escondi, me preparei para enfrentar o famoso inimigo.

Creio que imaginaram que era um comboio de armas, ao não encontrar nada, foram embora, todos os carros pegavam fogo, o único que não, era um jeep que estava adiante, como estava numa curva, tinham esquecido dele. O motorista estava morto, o coloquei atrás, coloquei o comandante ao meu lado, tinha feito um torniquete como tinha aprendido a fazer em primeiros socorros, peguei estrada, quando cheguei ao quartel, avisei do que tinha acontecido, como tinha sido rápido, acompanhei o comandante até a sala de operações, pois tinha entrado com ele nos braços.

Fiquei esperando, nem vi que sangrava também, quem viu foi uma enfermeira, me arrastou com ela, o herói sempre tem isso, a adrenalina não o deixa sentir dor.

Rasgaram a minha roupa, a bala tinha me atravessado, talvez por isso não sentia dor, mas me levaram para ser operado, a anestesia me fez sentir no céu.  Era isso que pensava, vendo as pessoas desde cima, tinha saído do meu corpo.

Depois fui puxado outra vez para ele, quando me deram choques para voltar ao corpo. Tinha estado morto por segundos.

Quando despertei, estava numa cama ao lado do comandante, queriam me tirar dali, ele não permitiu, esse rapaz quase morre para me salvar, tem que ter o mesmo tratamento que eu tenho.

A partir desse dia, conversávamos.   Os dois voltamos para casa.  Ou seja ele para a dele, eu para o quartel, fui promovido, agora tinha um quarto só para mim.  Ficava num barracão com outros que tinham o mesmo privilegio.  Agora podia retirar livros da biblioteca, enquanto me recuperava, passei a ler jornais, me informar do que existia no mundo.

Escutava falar de protestas contra a guerra, que os governos sempre estava em guerra para ganhar dinheiro, essas coisas, foi quando escutei pela primeira vez falar em “Bucha de Canhão” que eram os jovens como eu, que não tinham aonde cair morto, eram treinados para morrer.

Fiquei chocado, meu comandante quando falei isso com ele, me disse, tiveste sorte, tua ânsia de estudar, aprender, te ajudou.   Me indicou para cursos de carreira.  Não tinha nada a perder, inclusive ostentava uma medalha no uniforme, bem como meu grau.  Na minha turma erámos só dois negros, eu é um sabe tudo, que era filho de um deputado negro.

Mas ele não se enturmava comigo, seu grupo era outro, dos filhos de protegidos, mas não me importava, não queria que me distraíssem do que queria alcançar.

O comandante me elogiou pelas notas, me promoveu a seu ajudante formal. Discutia agora os assuntos comigo, gostava da minha perspectiva.

Voltamos outra vez ao frente, agora já em Bagdá, era como viver numa cidade, dentro de outra cidade.  Quando saia, era sempre para acompanha-lo a alguma coisa.

Quando as coisas ficaram calmas, ele foi designado para Washington, me levou com ele, agora ganhava suficiente, para ter dinheiro para viver fora da base.  Consegui um apartamento pequeno, coisa que era difícil lá, mas chegava rápido no Pentágono. Diziam que eu era sério demais para tudo.  Me convidavam para noitadas, mas sempre tinha uma desculpas, quando estava necessitado, ia a algum puteiro de negras, diziam que eu parecia um bebe na cama, não sabia realmente fazer sexo.

Aprendi informática ali mesmo, nos cursos que davam, fui ascendendo, logo fui trabalhar afastado dele, mas com um coronel, duro de roer, no serviço de informações.   Quando fui designado para a embaixada de Londres, fiquei assustado, falei com meu antigo comandante, que riu, não tenha medo, faça o que te pedem, tens futuro.

Passei dois anos lá, nas minhas folgas ia conhecendo a cidade, mas agora não saia vestido de militar, tinha observado o pessoal da embaixada, comentavam aonde compravam roupas, como ganhava mais podia me dar esse luxo.   Talvez tivesse um gosto inato, pois me vestia bem, olhava a loja aonde tinha comprado, depois procurava pelas outras mais baratas.

Tinha que economizar para o dia que saísse dali.

Agora servia ao embaixador, ele conhecia o comandante, que tinha me recomendado, as vezes me consultava para alguma coisa, mas sabia o que se falava ali, não saia.  Tinha por hábito, trocar de roupa, sair pela saída de empregados, um dia um homem se aproximou, se identificou como jornalista, queria que eu roubasse informação para ele.  Marquei com o sujeito no dia seguinte, mas avisei ao embaixador, creio que me confundiu com algum funcionário normal, montamos uma arapuca.  O MI5 com os agentes da embaixada conseguiram pegar o homem.

Em seguida fui transferido para Paris, uau, foi o máximo.   Tinha visto em filmes pela televisão, mas era mais bonito ali ao vivo.  Passei as primeiras semanas conhecendo a cidade, um dia um dos homens do serviço secreto me chamaram, havia uma fuga de informação na embaixada, queria minha ajuda, que eu ficasse de olho aberto, passei a fazer a mesma coisa, saia pela saída de empregados, ficava observando, notei que uma das funcionárias, saia sempre muito nervosa, que um homem a esperava na esquina, entravam num carro, avisei aos do serviço  secreto, não deu outra.   Logo queria que trabalhasse para eles, mas não era a minha, falei inclusive com o comandante.   Isso vai te desviar do teu caminho.

Ele arrumou um jeito de voltar para Washington, ele depois de um tempo no Pentágono, estava na Casa Branca, não gostava muito, mas me levou como seu assessor, sabia que podia confiar em mim.  Meu salário era alto, mas meus gastos eram mínimos, pois passava todo dia fechado lá dentro, comia grátis, como eu dizia até o papel higiênico era grátis, o melhor dos que tinha usado na vida.   Um dia estava cagando, comecei a rir, pois me lembrei da historia do trem depois que tínhamos comido feijão da lata, tínhamos que nos agarrar a porta, colocar a bunda para fora, a cena agora na distância parecia divertida.  Quando sai, estava um dos funcionários do gabinete do presidente, fiquei esperando para saber o que era divertido.  Aqui dentro nada é divertido.

Me lembrei de uma história da minha infância.  Comentei com ele, o seguinte, que o papel higiênico era de primeira qualidade, que na minha casa era jornal, isso era um fato do orfanato, que muitos limpavam no mesmo papel, ficavas procurando um pedaço que não tivesse sujo, até ele riu da imagem.

Ficamos amigos, por duas vezes coincidimos na hora de sair.  Ele achava interessante eu sair a paisana.  Me convidou para beber alguma coisa, pedi desculpas, mas eu não bebia, nesse dia devido a um contratempo só tinha tido tempo comer um sanduiche.

Então vamos comer alguma coisa.  Ficamos conversando, ele disse que acompanhava o secretário do presidente, mesmo antes das eleições, na universidade me interessei por política, assim foi como comecei.

Eu lhe disse que sentia lastima, mas não tinha podido fazer uma universidade, tudo que tinha aprendido tinha sido no exército.  Inclusive quando vim para cá, aprendi informática, lhe disse que tinha trabalhado nessa área antes de ir para Londres, depois Paris.

Dias depois o comandante me chamou, parece que estão invadindo o sistema da Casa Branca, podes dar uma mão, os ajudei a pegar o hacker.  A merda, era um garoto de uns 15 anos, pensei, este está fudido, lhe mandei um mensagem em código, corra que a polícia vai chegar.

Quando chegaram no armazém que usava, já não tinha ninguém lá.    Dias depois ao sair, foi abordado pelo mesmo, ele tinha me visto, bem como eu a ele.

Por que me avisaste?

Lhe dei uma bronca monumental, sabe o que ia acontecer contigo, ia te mandar para a prisão, lá dentro iam abusar desse seu cuzinho branco até não poder mais, depois te obrigar a trabalhar para eles.   Isso queres para ti.

Ficou parado me olhando, estás falando sério?

Experimente mais uma vez, depois me conta como te viras.

Me contou sua vida, era uma merda, quase lhe contei a minha, pois aproveite essa merda, faça tijolos como os africanos, vá à luta, mas honestamente, não precisa fazer essas coisas para te sentir o maior.

Volta e meia nos víamos.  Lhe disse que parasse com isso, pois podia ser um problema para mim, ele era um menor de idade, eu já tinha trinta e tantos, pelas minhas contas no exército.

Parou, desapareceu no mapa.

Voltei a trabalhar de novo no pentágono.

Agora saia do trabalho, exausto, era como um serviço de vigilância, continuo.  Chegou um momento que estava estressado, pedi ajuda ao comandante que agora tinha um posto clave, me ajudou mais uma vez.   Fui com ele para a China, um trabalho complicado, ele era o adido militar da embaixada, eu seu assessor entre aspas, o trabalho era vigiar se não tínhamos interferências nas comunicações.   Mas isso era continuo, eles tinham hackers invadindo totalmente o sistema.  Por mais que se usasse corta-fogos, era quase impossível, pois era uma coisa continua.

Os funcionários tinham proibido usar celulares dentro da embaixada, um dia peguei um fazendo fotos de um mapa.  Fechei a porta, chamei a segurança, tinham oferecido uma fortuna ao sujeito.   Fiquei com pena dele, mas se aposentava dentro em breve, tinha dois divórcios nas costas, pagar as pensões alimentícias dos filhos tudo isso.

Como não tinha vazado nada, o mandaram para casa.  Era difícil saber como conseguiam se aproximar, resolvi com o comandante, ser a isca, combinamos tudo.  Logo se aproximou um sujeito me convidando para jogar.  Entendi que era uma isca, fui, ganhei horrores, muito dinheiro, no outro dia perdi tudo, me ofereceram muito dinheiro para fazer isso.

Tinha nesse meio tempo colocado, microfones na sala de jogo, bem como na sala aonde tinham me levado para fazer a proposta.   Eram micros.

A coisa agora era como proceder.  Mas isso ficava nas mãos da CIA. Eu fui transferido, me fizeram sair da embaixada algemado, mas no aeroporto, dentro do avião me soltaram, fui promovido outra vez.

Me queriam em dois lugares.  Um dia fui ao banco, para olhar minha conta, o gerente ria, o senhor é um cliente importante, pois é nosso cliente desde que é soldado, gasta um mínimo, aplica o dinheiro me disse quanto tinha.  Fiquei com a boca aberta, nunca tinha dado atenção a isso, quando estava nas embaixadas, meu salário que já por si só era bom, dobrava.

Mas vivia modestamente sempre.  Nada de luxos, roupas caras, carros caros, me movia como o resto das pessoas, ônibus, metro, coisas assim.

Com isso podia fazer uma faculdade.

Fui falar com o meu comandante, lhe contei tudo.   Ele ria, chegou a tua hora, eu estou louco também para deixar tudo. Acabo de me divorciar, minha mulher se fartou de ficar vivendo cada x tempo em um lugar, diz que assim as crianças não têm uma educação como deve.  Mas sei que é uma desculpa, nosso matrimonio foi para o brejo a muito tempo.

Apertou minha mão, ficou segurando mais do normal, obrigado todo esse tempo por estar comigo, bem como por ter-me salvado a vida, nunca te esquecerei.

Pedi a demissão, os cursos todos que tinha feito na marinha, serviam como base para entrar na universidade.   Fui estudar direito, sempre tinha querido fazer isso.

Eu era como o avô da turma, o mais velho, com mais experiencia, segui levando a mesma vida de sempre, o bom foi que a Marinha me deu uma bolsa de estudos pelos excelentes serviços que tinha prestado.   Assim podia estudar confortavelmente.

Quando fui fazer as práticas, fui trabalhar com um fiscal, daqueles que querem subir na vida para fazer política, vi muita coisa errada.   Estava numa sinuca de bico, não sabia o que fazer.

Estava almoçando num restaurante com um advogado que queria me consultar sobre algo, quando vi o comandante sem uniforme almoçado com um rapaz.  Fui até, ele, apertamos as mãos, o rapaz era seu filho.  Disse que tinha que ir para a universidade, já te vi pelo campos, dizem que eres o avô da tua turma.

Veja lá como fala garoto, chamou o pai atenção.

Espere um momento, pedi desculpas ao advogado, mas precisava conversar com esse senhor, era muito importante.

Ficávamos conversando um tempo, me disse que tinha aberto um escritório de advocacia, a pouco tempo, mas que as coisas não iam bem.  Pensei que com meus contatos, seria mais fácil.

Contei o problema que tinha.  A primeira coisa que me perguntou se tinha provas.  Lhe disse que sim.    Peça para sair, porque isso vai explodir, esse sujeito deve estar sendo observado pelo FBI, venha trabalhar comigo.

Nem precisou falar duas vezes, acabei as práticas, disse que não seguia, que iria para uma trabalho fora.   Entreguei os papeis a ele, foi um deus nos acuda, pois tinham uns quantos políticos no meio, mas esses como sempre caem em pé.   O puto fiscal foi para a casa do caralho.

Vi o que tinha errado no seu escritório, ele tinha pensado em atender a seus velhos conhecidos, esses trabalhavam com grandes escritórios, isso nunca ia dar certo.

Tens razão, falou, errei meu direcionamento.

Paramos para analisar, o que podia ser contornado, mas não dava certo.  Na verdade era para passar seu tempo, estava aposentado, inclusive ria dele por estar defasado com as leis.

Mas lhe indicou para um escritório de San Francisco, aonde tinha muito relacionamento.  O melhor foi chegar, me examinaram de cima a baixo, aquele negro retinto, bem vestido, com cara limpa.  Falei com uma secretária, disse meu nome Carter Dawson, tenho uma entrevista com o chefe.   Este saiu, quando me viu, fez a mesma cara, mas num esforço estendeu a mão, eu comentei o comandante não lhe disse que eu era negro, é isso.

Sim, 99% dos nossos clientes são brancos, queres experimentar para saber como funciona, me ofereceu um salário baixíssimo, eu lhe disse que nem pensar, ganhava pelo menos três vezes mais no Pentágonos, além dos convites que tinha da CIA, lhe disse o nome de um agente que vivia me chamando para trabalhar, peça informação a ele, lhe deu meu número de celular, qualquer coisa entre em contato comigo.

Sai pelas ruas, ruminando, ou seja ali a aparência era importante ou melhor dizendo ser branco era importante.  Vi um protesto na rua, fui me aproximando para ver. Me interessei, era uma ONG que protestava por um abuso cometido pela polícia, me aproximei, escutei o que um deles dizia.

Depois me aproximei, me fale do que vocês reclamam.  Ele me contou o caso, eu lhe disse que era advogado.    Me levou a um edifício antigo, que usavam como quartel general, na rua foi dizendo, trabalhamos com todos os tipos de problemas, defendemos, gays, transexuais, qualquer pessoa, branco ou negra que tenha problemas, sem recursos para pagar.

Mas quem banca tudo isso?

Ele riu, uma larga história.  Entramos numa sala, mas o ruído era muito, lhe disse pode fechar a porta para que eu possa ler tranquilamente todos os documentos.

Me indicou uma sala do lado.   Achei estranho, lhe disse, confias em mim assim?

Tens cara de honesto, nunca me engano com as pessoas, só pedi um bloco, lápis.

Fui anotando tudo que via de errado, nem percebi o tempo passando, só parei quando senti meu estomago roncando.  Da porta alguém riu, era ele.

O advogado que conhecemos, não que seja má pessoa, chegou olhou, disse que era uma causa perdida.

Pois eu acho que não.  Veja, se ampliarmos as fotos, podemos ver as placas dos policiais, isso teríamos alguém a quem alcançar, aqui diz que tem um vídeo, aonde está a cópia.  Teriam que ter pedido o mesmo, fui dizendo tudo que estava errado.

Me perguntou se eu tinha emprego.  Lhe contei o que tinha acontecido, vivi muitos anos atrás aqui, mas conheço pouco a cidade.  Estou num hotel, para ficar teria que ter um lugar para viver, um lugar para trabalhar, necessito silêncio.

Lhe entreguei meu curriculum, ficou com a boca aberta.

Se não te incomoda, no meu apartamento tenho um quarto, mas aviso, sou gay, atualmente vivo sozinho.   Quando começaste a falar comigo, pensei que estavas ligando comigo.

Ri, meu amigo, tua vida é tua, como a minha é minha, não me interessa me meter na vida de ninguém.  Preciso sim trabalhar.

Saímos para comer, justo nesse momento, tocou o telefone, era o diretor da firma de advocacia,

Quando escutou seu nome meu companheiro de mesa, Jonatan Schiver, escutou a proposta que me faziam, pediu o telefone, olá papai, vejo que continuas igual, pois esse homem, em segundo destrinchou um processo que vocês preferiram ficar com o outro lado.  Vamos a pôr todas, eu o contratei.

Fiquei rindo. É teu pai?

Sim, um idiota emproado, mas não pode comigo, me expulsou de casa, meu avô me deixou uma herança, me ensinou a administrar a mesma, eu gasto o que ganho nessa ONG, posso pagar o que queres.  Mas aviso, temos batalhas impressionantes.

Aceitei, conseguimos um vídeo que estava trucado, anotei de aonde era o vídeo, eles tinham um hacker, conseguimos o original, se via que o homem, um negro jovem, estava sentado no meio fio.   Tremia, estava mal fisicamente, chegou a polícia, os dois simplesmente lhe desceram porrada.  Anotou o nome e a matricula de cada um.

Preciso de alguém que investigue esses dois, pois tem cara que sempre são violentos.

Fui viver no seu apartamento, era imenso, meu quarto ficava basicamente isolado do seu, com uma vista maravilhosa da Bahia.   

Um mês depois, fomos a julgamento, quem defendia os policiais era seu pai.  Na primeira vista, olhei os dois que estavam ali.  Protestei imediatamente, senhor Juiz, esses dois não são os policiais do vídeo, veja, as caras não correspondem, nem as placas.  O Juiz ficou furioso, a polícia mais uma vez tenta enganar este velho juiz.  Virou-se para o advogado, disse, te dou uma hora para se apresentar esses dois aqui, senão dou ganho de caso o lado contrário.

De fato, uma hora depois os dois estavam ali.   Apresentei a prova do vídeo, comentando que o que nos tinham fornecido estava manipulado, que tínhamos conseguido o original.  O advogado tentou impugnar, mas já tinha o juiz contra ele.

Depois fui apresentando todos os antecedentes dos dois policiais, documentados com vídeos, fotos, reportagens.

O juízo que seria a portas fechadas, com o que tinham feito, o juiz deixou entrar jornalistas, televisão, toda uma maquinaria.

Os dois policiais foram condenados, perderam suas placas, tudo, o juiz me chamou até seu gabinete, me perguntou quem eu era, lhe apresentei meu curriculum.

Preciso de uma pessoa como tu, para trabalhares comigo.  Podes seguir com a ONG, mas assim até posso julgar esses processos sabendo do que estou falando.

 Na saída encontrei pai e filho conversando. O pai ameaçava o filho de cortar o dinheiro que recebia de sua herança, se não parece de besteiras.

A mim me perguntou se queria um cargo de advogado Sênior.

Sinto muito acabo de ter outra oferta de emprego, vou trabalhar com o Juiz.

A cara do homem foi um esgar horroroso, sabes aonde está te metendo, esse juiz é horroroso.

Por isso mesmo aceitei.

Agradeci ao meu amigo, lhe contei depois que assim agora seria mais fácil, pois estaria dentro da máquina.

No seguinte caso, eu já estava numa sala ao lado do juiz, com direito a uma secretária, bem como um detective, para pesquisar o que eu achasse conveniente.

Era como uma suprema corte do estado.  Os julgamentos normalmente não tinha jurado.

Analisei o caso seguinte, apontei todos os erros, ele gostou, que eu não registrasse no computador, era da velha escola, escrevia mão suas decisões.

Era justamente sobre um Hacker, tinha entrado no sistema, justamente porque tinha sido maltratado pela polícia.  Conversei com o rapaz, disfarçadamente me passou um pen drive, aqui encontrarás tudo que descobrir, por isso querem me tirar de circulação.

Os detetives que o tinha interrogado, tinha usado violência, mas não deixaram que fosse analisado por um forense.   Ele sem que os dois soubesse, tinha gravado todo o interrogatório.

Analisou tudo.  Quando chamou os detetives para conversar, se colocaram na defensiva, esperavam encontrar um sujeito branco, quando me viram ali, um negro pomposo, um deles murmurou entre os dentes negrata, não sabia que estavam sendo gravados em vídeo.

Se negaram a falar comigo. Quando saíram, soltaram desde a porta vamos te fuder negrata, bem como esse garoto, verá que a surra que lhe demos, não foi nada como será a próxima.

No julgamento, estava de novo o pai do meu amigo, bem como todo o alto mando do departamento de polícia, convidado pelo juiz.

Meu assistente, atuara como advogado de defensa do rapaz, já que o advogado de oficio, foi espantando pela polícia.    Ali estavam os dois policiais sentados calmamente ao lado do advogado.  Apresentei a primeira prova, que era tudo que tinham feito no interrogatório.

O hacker depois tinha entrado no sistema da delegacia, recuperou em vídeo tudo.

O advogado deles objetou.

O juiz muito calmo, soltou, aqui não estamos num julgamento com júri, sim num de apelação, essas objeções não têm sentido, realmente estamos usando material de um hacker, mas isso não impede sua validez, pois se tivesse pedido na delegacia essa gravação, chegaria adulterada até aqui.   O seguinte foi mostrar o registro do local do Hacker, ele tinha sido gravados destruindo tudo, segundo o hacker, era porque os tinha gravado recebendo suborno.   Pensaram que as provas estavam aí.  O pen drive que me tinha passado era isso.

Depois mostrei pois não sabiam que eu gravava, toda a má vontade da delegacia em ajudar, o alto mando da polícia se mexia desconformemente nas cadeiras.

Por último, mostrei o que tinham feito na minha sala.  O advogado não podia fazer nada, eles mesmo tinham se condenado.

O juiz, chamou o mesmo, com o chefe do alto mando policial, para sua sala junto comigo.

Ou vocês melhoram essas delegacias, ou serão obrigados a ficarem pagando altas somas de dinheiro a todas as pessoas maltratadas, nesse caso, o rapaz pede 20 milhões de dólares, por danos morais, isso porque eu conversei com ele, para ele desistir do resto.

O advogado disse que era um absurdo.

Bom o senhor quando conversou com seus clientes, sabia de alguma coisa destas?

Menor ideia.

Vê, se eu fosse o senhor, entregaria seu diploma imediatamente, mais, penso demandar seu escritório, por negligência. Quando será que o senhor vai entender, que esse departamento de justiça, agora mudou, aqui não tem ninguém que frequente a sociedade, que conviva com seus amigos.  Mais, posso mostrar o vídeo para o departamento da Policia, em que o senhor foi tão relapso que disse a esses homens que não tinha problema nenhum.    Mas os tratou como clientes mafiosos que estas acostumado a defender na justiça comum.   Achando que o dinheiro pode com tudo.   Se fosse o departamento de polícia, retiraria os seguintes casos do seu escritório, para que quando venham aqui, não percam tempo.    Que vejam realmente que na justiça tem um lugar decente.

Por isso, condeno que seu escritório pague a metade desse dinheiro, a central de polícia outro tanto.   Mas virou-se para o chefe do departamento, creio que chegou a hora de moralizar tudo isso.

Jonatan, telefonou depois para ele, cuidado, meu pai está uma fera contigo, andou fuçando tua vida em Washington, tuas amizades, tudo isso, mas parece que o que lhe irrita, que não tem nada, pois todos falam bem de ti.

O seguinte caso, era de um policial gay, que tinha movido uma ação contra o departamento de polícia, por tinham invadido sua intimidade, bem como a delegacia que trabalhavam, o chefe tinha lhe mandado dar um corretivo.

Ele muito esperto, disse o nome de todos, ao serem chamados por mim, cada um já sabia o que acontecia ali, ou a verdade, ou iam buscar a fundo a mesma.

Dois que tinha participado do corretivo, não estavam mais nessa delegacia.

Abriram o jogo, tinham pedido transferência, pois imagina, esse delegacia, ficava em pleno Castro, o Chefe era um homófono ferrenho.   Chegou perseguindo todos que o desafiavam.

Nesse momento o chefe do departamento de Policia querendo escapar de uma caça as bruxas renunciou, pois tinha sido ele que tinha dado essa ordem de moralizar a delegacia de qualquer maneira.

Tudo acabou com um escândalo monstruoso, que o governador, ordenou que essa delegacia fosse a primeira delegacia, em que os policiais gays podia trabalhar livremente.

Mais uma vitória para o Juiz, bem como o Carter.

Assim foram até o final do mandato do Juiz, agora o queriam colocar no lugar do mesmo, disse que nem pensar, tinha trabalhado dez anos juntos para isso dar resultado, os candidatos eram poucos, ninguém queria esse cargo, a partir que era para um trabalho especifico, um juiz de recursos, que analisava profundamente as causas.

Seu contrato também tinha chegado ao final, a quantidade de gente que o queria ver pelas costas era imenso, ao mesmo tempo uma grande porcentagem de pessoas que acompanhavam sua carreira, lhe pedia para aceitar.

Mas ele sabia que ia buscar, sabia pelo seu amigo comandante, que tinham tentado descobrir tudo em sua ficha de ingresso na Marinha, mas isso era confidencial.   Como ele, muita gente entrava para o exército, sem saber sua real procedência.    Isso significaria, criar todo um regulamento que não existia.

Se alguém chegava sem documentos, dizendo seu nome, idade, sendo considerado apto, era aceito sem restrições.   Não tinham por aonde pegar.

Foi quando um granjeiro comprou as terras aonde tinha sido anteriormente o orfanato, arando encontrou o cemitério.   Foi um escândalo sem precedentes.  Pior, não existiam registro do mesmo, não podiam dizer nada.   O governo da região, tinha sempre omitido todos os dados desses orfanatos, bem como não faziam registros de nenhuma criança de proposito, a maioria era negros, os outros filhos de emigrantes que não vinham o caso.

Ficou se debatendo sobre se devia botar a boca no mundo, contando tudo que passava ali, ou calar-se.

Foi falar com o velho Juiz, que nesse momento, estava na corte suprema em Washington, falaram fora de qualquer circuito, contou sua história, a do orfanato.

Ninguém sabe que saíste de lá.  Vou pedir que o caso seja meu, que tu sejas o fiscal do mesmo, assim podes desentranhar tudo.  Esses governos sulista, sempre se acharam acima do bem e do mal.

No dia que ele foi designado como fiscal especial do caso, os jornais falaram do assunto, mas ele se achava nesse momento em férias em lugar desconhecido.

Tinha desmontado sua imagem de Dândi, como era chamado, pela maneira como se vestia, para se transformar num simples negro, que vai a um estado conflitivo.  Andou por toda essa zona, ninguém o conhecia.  Foi ver as terras, ali estava abandonado o cemitério, bem como o homem que tinha encontrado o mesmo estava na justiça, contra o governo que tinha vendido essas terras para ele.

Em seguida, chegou uma equipe enorme de forenses, comandadas por ele, foram analisando todo o terreno, andou com eles, pelos restos da construção, aguentou firme, embora pelas noites dormia mal.  Num subterrâneo, encontraram finalmente os arquivos, enterrados, graça a um sistema moderno.   A terra seca, tinha mantido todos esses arquivos a salvo.

O tremendo eram as anotações nas fichas das crianças mortas.  Algumas diziam assim “menos um”.

Nas analises dos esqueletos, demonstravam desnutrição a um grado impressionante. Quando os arquivos estiveram todos organizados.  Encontraram os mandantes das ordens.  Conseguiram abrir os arquivos do Governos daquela época.  Foi um escândalo impressionante.

Mas nunca apareceram os que tinha escapado dali.  Os que ficaram pela região, se descobriu que tinham sido caçados a tiro, só encontraram dois garotos que foram escondidos por pessoas de bem.

Esses declararam tudo que tinham visto.  Relataram o que tinham sofrido nesses lugares, o desencadeante de tudo, o Abraham, a história do trabalho que eram obrigados a fazer. Foram interrogados todos os granjeiros que usavam essa mão de obra.   Jogavam a culpa nos dirigentes do município que os obrigavam a contratar essa mão de obra, alguns ainda eram vivos, era como uma cascata, um ia jogando a culpa no outro.

Os dois rapazes, foram colocados sobre proteção policial.  Quando dois anos depois tudo terminou, estava exausto.  O mais interessante, foi descobrir, fichas com o nome de Carter, pelo menos existiam uns dez ali.   Todos eram negros, de sua mesma idade.

Todos que acobertavam isso, foram julgados, alguns ainda eram políticos, hoje senadores, deputados.  Foi um escândalo nacional.

Quando o supremo fechou o caso, em que todos esses perderam seus cargos, sendo obrigados a permanecer confinados em um presidio de máxima segurança, aonde tinha uma vida parecida com os meninos.

Ele, saiu para uma largas férias, saiu do pais, se refugiou num lugar em que não destoasse, foi para o Senegal, mas no momento que enfrentou a realidade Africana, sentiu, vim para o lugar errado.

Voltou para San Francisco, procurou usar um perfil baixo, vivendo modestamente, nenhum de seus vizinhos tinha noção de quem ele era.

Mais uma vez o chamaram para algum caso específico.   Mas se recusava sair de seu retiro.

O seu próprio caso tinha sido demais para ele.   Eles tinham escapado, mas os outros, tirando esses dois, a maioria na verdade tinha sido caçados como animais, para desaparecerem do mapa.

Escreveu um livro, que foi considerado como ficção, contando a história imaginaria dos que teriam escapado.    Analisou a roteiro que teria seguido Abraham com os seus, fez pesquisas nessa região, nada constava em registro.  Até que deu com uma zona pesqueira.  Alguns tinham chegado ali, arrumaram emprego, família.

O que tinha escapado com ele, se ferido no pé, não constava nada na região, o outro companheiro que tinha sido preso no trem, esse sim tinha ido parar num reformatório, aonde saiu com 18 anos, sua ficha policial era imensa, cumpria prisão perpetua, por assalto e assassinato de dois policiais.

Aparentemente ele era o único que tinha escapado de tudo isso, se lembrou da cena de estar cagando, olhando a imagem do Tio Sam, o chamando a armas.   Nunca poderia se esquecer disso, aquilo o tinha salvado.

O livro fez um sucesso incrível, dizia que estava baseado nas pesquisas que tinha feito para a Corte Suprema, mas era sua história registrada.

Já com idade avançada, foi procurado por um casal, que se diziam filhos de Abraham, esse tinha escapado num barco, ido para o México, quando aonde construiu uma família, que hoje em dia era imensa.   Nosso pai morreu com a idade de 70 anos, decorrente de toda má nutrição de sua infância e juventude.  Mas falava dos que tinham conseguido escapar.

Ele na verdade não sabia o nome de nenhum, dizia que como era o mais velho, os chamava de meus meninos.

Tampouco sabia nada dos que tinham escapado com ele, contava para os seus como tinha idealizado a fuga, a partir do que tinha contado para ele, como o tinham pegado, falava sempre no trator, dos que tinha matado, infelizmente muitos morreram ali, aonde o trator despencou.

Nunca deixou de ser semi analfabeto, o orgulho que tinha quando seu primeiro filho se formou, numa escola secundária, depois um neto que foi a universidade.

Quase disse a eles, sou o que estava ao seu lado nisso tudo.   Mas pensou para que. Já fiz minha parte, levantando todo esse horror.

Foi quando descobriu que tinha falhas mentais.  Quando fez o exames todos, lhe disseram que tinha principio de Alzheimer, entendeu que em breve sua memoria se borraria, que apagaria todo seu sofrimento todos esses anos.  Quando morreu, aparentemente jovem, ele nunca soube sua idade verdadeira.  Foi homenageado na Suprema Corte americana.

Sua amigo o velho Juiz, que também se retirava aos quase 85 anos, ainda pensou como ele, acabou borrando definitivamente tudo o que tinha sofrido da sua memória.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

lunes, 10 de enero de 2022

EASY

 

                                            EASY

 

É muito importante saberes quem eres sempre, isso devo ao meu pai, porque nunca teve vergonha de ser o que era.   Eu sempre vivi com minha mãe, numa cidade pequena do México, um dia nos mudamos para Rosarito, meu pai dizia que era muito importante, que fossemos para uma cidade maior.

Estava acostumado que ele só aparecesse nos finais de semana, dizia que o resto do tempo estava trabalhando.  Fomos viver num edifício ao lado de velho hotel, que normalmente usavam as putas.  Só anos depois vim entender o porquê da localização.

Minha mãe conseguiu um emprego numa loja de um chinês, conhecido dele, ficava no caixa atendendo as pessoas.   Era muito bonita.

O apartamento era peculiar, pois além da entrada principal, tinha uma saída por detrás, quando se saia pela cozinha, também se podia subir para a parte de cima, que tinha uma vista boa da rua.  Tudo estava bem planejado, descobri muito tempo depois.

Eu nunca devia entrar pela frente, me ensinou ele, devia entra por um beco, tampouco me assomar na parte da frente, perguntou se eu entendia, se ele podia confiar em mim, algumas vezes o contrariei, mas olhava através da cortina.  Era um segundo andar, dava para se ver a rua.  Meu quarto ficava para os fundos, as janelas eram altas, não se via desse corredor detrás.

Eu tinha dez anos, quando ele começou a me preparar, no domingo pela manhã era nosso dia, saiamos por detrás, me ensinou como devia vigiar, olhe sempre para o fundos do hotel se não tem ninguém bisbilhotando, só então te movas.  A principio me parecia um filme desses de detective que passavam na televisão.  Ele me fazia ver em inglês.

Um detalhe no principio sofri na escola, porque era americana, as aulas todas eram em inglês, me colocou em classe particular ali mesmo, para que eu falasse bem a língua.

Na primeira vez que subimos sua montanha, como ele dizia, nos sentamos em duas pedras, ele me disse quem era.  Já eres um homem, posso te dizer quem sou.  Fui da DEA, um serviço secreto contra as drogas, fui mandado para cá para vigiar um grupo que passava drogas pela fronteira.  Mas antes de tudo, o porquê, sou filho de Navajos, índios americanos por isso passo por mexicano.  Com o tempo ganhei tanto dinheiro, que mudei de bando, não tenho vergonha de dizer isso, pois me arriscava por um salário de merda.

Agora sou procurado lá, aqui também, vivo andando no fio de uma navalha.   Me apaixonei por tua mãe, que sabe de tudo.  Por isso agora vou te preparar para saberes sempre quem és, além de se defender, nunca comente nada com ninguém.

Olhei para ele, era alto como ele, a única diferença que meu cabelo era mais crespo que os dele.  Mas tinha os olhos negros como os seus, nariz afilado.

Nesse dia me deu a primeira classe de como atirar com um rifle, na montanha, tinha uma cabana, encaixada entre as pedras.  Na escola me meteu em todas as classes de ginasticas, jogos, enfim, para que tivesse músculos, que meu corpo crescesse forte.

Nos finais de semana me ensinava a lutar, inclusive aplicando golpes baixos se fosse preciso.

Com 12 anos me ensinou a dirigir, inclusive motos, pois aparecia as vezes com uma.  Mas o mais interessante, nunca parava na frente de casa, tinha vários esconderijos.

Eu sabia que minha mãe, tinha uma caixa, que estava escondida embaixo do armário do meu quarto.   Sabiam que podiam confiar em mim, nunca abra até teu pai te dizer que podes.

Com 13 anos, finalmente me fez entrar na cabana, me mostrou como funcionava, tinha acabado de realizar o que queria, era um sistema de fuga, tinha uma porta como se fosse de um navio, a partir que passavas, se fechava por dentro, era impossível abrir, dava numa pequena gruta, que descia até uma pequena enseada, aonde ele tinha um barco escondido.

Com 14 vi pela primeira vez como entrava, o fazia pelo hotel, como se estivesse com uma puta, essa era conhecida de minha mãe, várias vezes as vi falando, minha mãe lhe dando dinheiro.

Dali ele pulava para o nosso corredor, era fácil, eu estava entrando em casa, quando o vi fazer isso, voltei atrás, sem dizer nada, fui para um dos esconderijos que tínhamos os dois, ficava a uns dois quarteirões.   Estava me ensinando a arrumar os motores dos carros que usávamos.

Quando cheguei em casa fez muita festa, vi que os dois tinham estado na cama, afinal eram casados, pensei comigo.

Quando fiz quinze anos, me adiantaram na escola, pois eu me aborrecia nas aulas, depois de uns testes, os professores riam, por isso sempre tirava as notas mais altas, alguns suspeitavam que eu fazia alguma coisa para isso, pois sempre era o primeiro em entregar as provas.  Me passaram para o último curso, aonde apesar de ser uma pessoa quieta, me provocavam.   Um dia usei o que tinha aprendido com ele, um idiota filho do dono de um hotel de luxo na praia, metido a surfista, sempre estava me provocando, nesse dia vinha enfezado com alguma coisa, passou por mim me atirando no chão.  Se armou como um pavão, numa posição de karatê, de aonde estava no chão dei um salto que o assustou, desarmando, lhe dei um murro na cara, foi a vez dele cair de costa no chão, fui até ele estendi a mão para se levantar, me desculpe, as vezes salto alto demais.

Ficou me olhando com raiva, depois no pátio me cercou com seus amigos, me disse que ia me dar uma surra.  Lhe respondi que ele tivesse cuidado, pois sabia com quantos paus se fazia uma canoa.  O idiota não entendeu.   Lhe dei uma surra de fazer respeito.

Quando o pai apareceu na escola, acabou levando um sermão do diretor, pois seu filho era o pior aluno da escola, vivia provocando brigas com todo mundo.

Saíram pai, filho com a cabeça baixa, no dia seguinte soubemos que o pai o tinha mandado para os Estados Unidos.

Nessa semana justamente meu pai, começou a ensinar uma roteiro para seguir, caso acontecesse algo.  Tínhamos começado falando o que eu gostaria de estudar, me dizia que era importante.

Nesse dia começou como um doutrinamento, o que devia fazer, pegar a caixa do armário, deixar sempre uma mochila com uma muda de roupa diferente da que usava para ir à escola, como devia sair do beco, aonde devia ir buscar um carro.  Dentro da caixa, tem um passaporte, com teu nome americano, eu te registrei assim que nasceste, todos os anos suborno alguém para atualizar.   Vai aparecer um advogado, para te entregar um passaporte, nunca use este, pois te pegarão no passo de fronteira de Tijuana.

Que eu devia ir com o carro, até um motel, antes de chegar a San Diego, ao lado deste tinha uma garagem com outro carro, que trocasse por esse, que a porta-malas, sempre estaria cheio de coisas que me serviriam para escapar.   Observe bem antes de usar.

Um dia me mostrou essa garagem, ficava a uns dois quarteirões de casa, indo só por becos.

Dentro, tinha um carro destes usados por surfistas, inclusive com uma prancha em cima, me mostrou o porta-malas, aqui tens uma barraca de montar, uma bolsa com roupa de Neoprene, tudo que um surfista usa.   Vê, se levanta, tens o pneu de reposição, nem se atreva a usar, pois esta cheio de dinheiro, para ires em frente.

Eu deveria procurar em San Francisco, um advogado que era parente dele, me ajudaria, teria uma bolsa mais para mim.

Nunca te hospede aonde vivem os mexicanos, ou as pessoas da América do sul, fique num lugar que seja completamente diferente, me deu um guia de San Francisco, nem eu quero saber aonde decides ficar.

Meses depois começou a me dizer que as coisas estavam ficando pretas. Estão desconfiando de mim, acredito que a DEA me denunciou para eles.

O primeiro que aconteceu, caiu a primeira vítima, minha mãe, estava trabalhando, quando entraram uns homens para assaltar, lhe deram um tiro na cabeça, bem como no chinês que tentou se defender, mas claro não levaram nada.

Meu pai, não me deixou ir ao velório, nem tampouco no enterro.  Não sabem que existes.

Nesse dia veio o tal advogado, entregou o passaporte como ele tinha falado, se não sabia que eu existia, tinha chegado a hora, de madrugada tirei a caixa debaixo do armário, a mochila que tinha preparado, levei tudo para o carro com a prancha em cima.

Ele tinha deixado um fúsil com mira telescópica, estávamos conversando, quando ele escutou um ruído, me disse chegou a hora, me contou estão em dois carros o da frente está o chefão, me levarão no segundo, subas a terraço, atire no carro da frente umas quantas vezes, para que eu possa escapar pelo lado esquerdo, ok.

Me deu um abraço apertado, falou no meu ouvido, saia antes que batam na porta, cuide-se, te proteja sempre, tinha me dito depois do enterro de minha mãe, que eu nunca fosse a reserva aonde viviam meus avôs, pois podiam estar vigiados.

Subi rapidamente, observando tudo, ele tinha me ensinado todos os truques, que a observação era a coisa mais importante.  Coloquei na ponta do rifle um sistema para não se escutar o som.

Vi que saia de casa com um homem com uma arma atrás dele, o levava ao carro da frente, o homem se afastava da janela, sentava-se mais ao meio como se tivesse medo dele.

O levaram para o carro detrás, fizeram justo como ele tinha falado, ficaria na porta da esquerda, atrás do motorista.

Mal o carro começaram a se mover, eu foquei na nuca do chefe, quando ia chegando ao beco, disparei, mais duas vezes aonde sabia que estava o motorista, o motor, o carro foi para a esquerda subindo na calçada, imediatamente os do carro detrás saíram olhando para cima, me retirei, vi que meu pai corria pelo beco, um homem ia atrás dele, fiz pontaria acertei justo na coluna do sujeito, parecia um boneco que rompem as pernas.

Desci correndo, sai pelo beco, corri tudo que podia em direção, ao meu passaporte, ou seja o carro.

Dali sai disparado, tomei rumo ao Tijuana, me enfiei na fila para passar a fronteira, tinha deixado o passaporte a mãos, sabia que iriam abrir o porta-malas, colocar o cachorro para cheirar drogas.

Fiz uma coisa que ele tinha me ensinado, a respirar fundo muitas vezes me acalmar, falarão contigo em inglês, responda.  Inclusive perguntaram pelas garotas, etc.

Não deu outra, olharam meu passaporte, depois minha cara, eu nem sabia o nome que estava ali, pediram para abrir o porta-malas, o fiz, perguntaram pelas ondas, eu sabia que nessa época não eram fantásticas, respondi que dava para quebrar o galho, me perguntaram das garotas, um deles ainda soltou, um índio navajo fazendo surf por ai, é raro.

Soltei que estava aborrecido na universidade em San Diego, sabia que no passaporte, tinha uma carteira da universidade, queria algo diferente.   Aqui parece que estou em casa.

Riram, realmente, podes passar por um mexicano.

Me mandaram passar, o policial fechou o porta-malas, agradeci, segui em frente.

Fiz exatamente o que ele tinha me falado, fui até o tal motel de estrada, esperei chegar a noite, deixei o carro com a prancha num lugar muito escuro, tirei o outro, que era quase igual, mudei tudo para o outro, tirei o que dinheiro que estava dentro do pneu, coloquei na bolsa que estava o traje de Neoprene, parecia ter sido tudo calculado, pois era perfeito. Tirei o carro da garagem coloquei o outro, tinha me dado umas pastilhas, abra o motor, coloque dentro, saia correndo para o outro carro não olhe para trás.

Foi o que fiz, em seguida vi um estrondo, olhei pelo retrovisor, a garagem estava pegando fogo, ri, pois sabia que o fogo apagaria minhas impressões digitais.

Tenho que tomar cuidado com essas pastilhas.  Vi que o clarão do fogo era alto, se ao lado tinha outros carros, com certeza estavam fudidos.

Passei por San Diego, cheguei de madrugada a San Francisco, ia seguindo o mapa, tinha memorizado mais ou menos tudo, quando entrei na cidade, tinha pensado muito bem aonde era mais raro eu me esconder.  Escolhi Castro, sabia que era o bairro gay porque já tinha escutado falar nele.  Nisso me lembrei do homem do controle, que me perguntou das garotas, quase tinha respondido sou virgem ainda.  Tinha comentado com meu pai, que riu dizendo não sejas apressado, a tua hora chegara, não importa com quem.

Consegui um hotel pequeno, tirei dinheiro da carteira, tudo era dólares, tinha feito como ele tinha falado, nada de abrir a bolsa na frente de ninguém.

Deixei o carro no estacionamento do hotel, que era um estacionamento pago, mas que do hotel tinham direito.

Aproveitei que os bares estavam abertos, o café da manhã do hotel, ainda ia demorar um pouco, me sentei, quase falo com o garçom em espanhol, pois vi que era mexicano.   Fiz o meu pedido, café forte, ovos com torradas, estava com fome.   Depois fui para o hotel, pedi que me chamassem as 10 da manhã, para ir ao advogado.

Antes de sair, liguei para ele, marcou comigo num bar perto do escritório, achei estranho, mas atendi, me disse que estaria sentado na última mesa.

Nunca se sabe me disse, estendendo a mão.  Creio que estão me vigiando, por isso há que tomar cuidado, nem se atreva ir em direção da reserva, se estas aqui, significa que aconteceu alguma coisa com George, quase lhe pergunto quem era George.  Conhecia meu pai como Juan Martinez.   Devo ter sorrido, ele pensou que era em respeito a Washington, quando dizemos todos olham assim, mas metade da tribo tem esse nome, George Washington então são muitos, mas teu pai na verdade se chama Wolf, te chamarei de Little Wolf, assim nos entenderemos, quando me chames ok.

Me entregou um pacote, saiu por detrás, me disse, daqui dez minutos saia, eu antes fui ao banheiro, com o pacote que tinha me dado.

Vi que era uma caixa. Apesar de não ver nada estranho, sai por uma lateral que tinha no bar.

Fui andando, olhando as vitrines, para ver se estava sendo vigiado.  Voltei ao hotel, abri a caixa, além de documentos, havia um bilhete do Wolf.

Meu filho, se estás em poder dessa caixa, sinal que já estas a salvo, mas nunca confie em ninguém, em seguida saia da cidade.  Eu te aconselharia, inclusive a mudar de carro, sugestão, vá até Las Vegas, venda esse compre outro, não podes viajar de avião, a não ser que queria ir de trem para algum lugar.   O melhor para o outro lado do País.

Me lembrei de uma conversa que tinha tido com ele sobre o melhor lugar, me falava sempre que o sul, era mais complicado, pois estava cheio de mexicanos, muitos eram dos carteis de droga, embora não saibam que existes, sempre é complicado.

No norte tens essas terras em que todo mundo te observa, o melhor seria uma grande cidade, ou mesmo sair do País, pense aonde gostarias de ir, para se safar.

Mas o que deves fazer antes, é abrir contas em um ou dois bancos, para poder guardar esse dinheiro sem chamar atenção, por isso sugiro Las Vegas, diga que ganhaste num cassino, um amigo fazia isso, depositava o dinheiro dizendo que antes que gaste tudo.  Pegue um apart-hotel, assim podes ficar alguns dias para que te mandem o cartão, ou avisar que passa para pegar o mesmo, depositando mais dinheiro, faça isso várias vezes, mas que te vejam saindo de casinos diferentes, jogue mas pouco.

Quando tiver tudo depositado, só com dinheiro para um mês, tome um avião, vá para o outro lado do pais.

O banco deve ter agência no País inteiro.  Depois tome o rumo que quiser.

Achou que essa opção era excelente.  Se deslumbrou com Las Vegas, costumava jogar poker com seu pai, entrou num casino, sentou-se numa mesa, mostrou os documentos que era maior de idade, no passaporte e no bilhete de identidade, aparecia como tendo 21.

Jogou, primeiro perdeu, mas depois entendeu o funcionamento, logo ganhou um bom dinheiro, seguiu o que seu pai dizia, vá troque as fichas, veja se prestam atenção em ti.

Vá para outro casino, jogue em outra coisa, fez isso, jogou nas maquinas, por incrível que pareça, ganhou, foi andando pelo casino, viu uma mesa de Black Jack, prestou atenção como era, quando viu a mesa cheia de dinheiro, apostou, talvez sorte de principiante raspou a mesa.

Trocou as fichas outra vez.  Acho que tenho sorte de principiante, começou a conversar com a senhora que atendia, melhor parar, verdade, senão perco o que ganhei, creio que posso pagar a matricula da faculdade.    Ela deu um sorriso triste, se meu filho como tu, não estava sempre metido em confusões.

Voltou para o apart-hotel, pediu para ver como funcionava o cofre do quarto, o homem o ensinou, ganhei dinheiro no jogo hoje, creio que é sorte de principiante, mas já dá para pagar a universidade.

Ou seja estava construindo uma historia em torno dele. Para se tornar acreditado.

No dia seguinte de manhã, tirou uma boa bolada, mais um pouco do que tinha ganho, foi a um banco disse que queria abrir uma conta, primeiro perguntou se o banco tinha agencia em todos os lugares, porque esse dinheiro ele tinha que guardar para a Universidade, senão gasto tudo.

Perguntaram se queria cartão de crédito, perguntou se demorava muito, lhe responderam que um dia.    Não, melhor deixo para pedir antes de ir embora, assim não gasto esse dinheiro.

Fez a mesma coisa em outro banco, com um valor igual, disse quais os casinos tinha jogado, vim ver se conseguia dinheiro para a matricula na universidade, falou em Oxford.

Combinou o mesmo, no dia seguinte passou o dia na piscina do hotel, voltou no terceiro dia, fez a mesma coisa, acho que tenho sorte de principiante.  Nessa noite foi ao casino mas com o dinheiro que tinha ganhado, se lembrou o que tinha jogado no primeiro dia, fez igual, primeiro observou uma mesa de Black Jack, jogou a primeira vez perdeu, fez cara de desanimado, uma senhora lhe disse olhando para ele, tens estrela, experimente outra vez.  Ganhou cinco vezes seguidas.   Melhor parar, assim tenho dinheiro para um apartamento na universidade.

Foi a outro casino fez igual, achava o jogo interessante, lhe fazia a cabeça funcionar, ele sempre tinha sido brilhante em matemática.  Prestou atenção num sujeito que estava fazendo trapaça, se afastou, não deu outra, os detetives do hotel, o retiraram, aquela mesa já não valia a pena.

Com um pouco de fichas jogou na roleta, em sua cabeça veio um número que seu pai sempre falava que adorava.  Pois jogava esse na loteria do México, foi o que fez, saiu duas vezes seguida, recolheu as fichas, saiu, escutou outro número.

Menos mal que parei, sabia que tudo era controlado, por isso seu pai dizia que ali era mais fácil depositar o dinheiro, qualquer coisa verificavam no casino.  Depositou o resto do dinheiro, ainda comentando do sujeito que fazia trapaças, como tinha ficado deslumbrado com o luxo do último casino, mas me hospedar lá nem pensar, pois valeria pelo menos uns meses de aluguel num pequeno apartamento perto da universidade.  Irei a Oxford, com o dinheiro que ganhei.

A mulher sorria, fazes bem, eu não estudei tudo que devia, olha aonde estou.

Pediu o cartão nos dois bancos, no dia seguinte foi buscar.  Nessa tarde foi para o Aeroporto, viu vários voos para NYC.  

Mas antes voltou a cidade, vendeu o carro, agora só tinha sua lata com os documentos, roupa suja na bolsa, voltou para o aeroporto, pegou o último voo do dia, chegou de manhã.  Primeiro, olhou uma lista de hotéis baratos, no centro, perto do Times Square, tinham hotéis de luxos, como mais baratos, queria conhecer a cidade, ao mesmo tempo pensar.

Nunca tinha se decidido o que gostaria de fazer em termos de Universidade.  No hotel vendo um canal de televisão do México, falavam do assassinato do chefe do cartel da costa oeste, não falava era de seu pai.  Apesar de ter passado dias, recuperavam como tinha ficado o carro, culpavam a DEA do acontecido, um franco atirador.

Queria por terra por meio, mas para aonde, consultou o dinheiro que tinha ganho no casino, sem querer tinha um bom dinheiro, sem mexer no do Banco, quiça se passo um tempo fora do pais, possa encontrar uma solução, o problema era para onde.  No dia seguinte andando pela cidade, passou por uma agência de viagem, viu um cartaz, talvez para atrair jovens, viagens de trem por vários países.  Entrou para se informar, um jovem lhe deu várias opções, vou te dar um exemplo, eu fiz, Berlin, Praga, Viena, de lá fui a Münich, em seguida fui para Paris, para fechar a viagem, recomendo pelo menos uma semana em cada lugar, podes comprar a viagem de ida até Berlin, depois quando resolva resolver, de aonde termine, podes voltar.

Fico com esse tramo, daqui a Berlin, posso comprar os bilhetes na própria estação verdade, ir fazendo o que quero, tempo tudo isso.

Claro que sim, perdes o tramo completo por ser mais barato, mas a diferença não é tanta.

Pensou, comprou o de avião para Berlin, lhe indicaram um hotel em Mitte, de aonde ele podia se mover pela cidade. Era um hotel de gente jovem, estudantes, mas podia ter um quarto só para ele.  Preferia assim.   Marcou para dias depois, leu todos os documentos que tinha na caixa, pensou no assunto, retirou só sua certidão de nascimento com o nome de Jeremy Washington, o resto eram coisas de seu pai.  Documentos da DEA, que não vinha ao caso, foi ao banco que tinha conta, perguntou como fazia para deixar alguma coisa guardada.   Lhe disseram pelo valor que tinha no banco podia alugar uma caixa.  Foi o que fez, guardou tudo ali, depois aproveitou para se informar como fazia, ia fazer uma viagem de estudante, um roteiro pela Europa, que lhe aconselhavam, para não ficar andando com dinheiro no bolso.  Lhe concederam um cartão de estudante com um bom limite, disseram como podia ir carregando o mesmo.  Ele em todo caso levaria o normal de Visa, qualquer coisa era só transferir.

Embarcou, relaxado, ao apresentar o passaporte, o homem perguntou se era da tribo de seu pai, disse que sim.  Nada mais.  Ia perguntar por que, mas se lembrou que o primo tinha falado do nome.

Chegou a Berlin cansado por causa das turbulências durante o trajeto, achei o hotel diferente, era tudo muito simples, gente jovem como ele.  Inclusive a estação de trem era perto, o que facilitaria.  Depois de um bom banho, pediu uma caixa forte para guardar documentos, isso era dentro de uma sala, lhe disseram um código para abrir, depois mudava para um seu.

Saiu tranquilo para a rua, o tempo estava estupendo, era final do verão, lhe avisaram que de noite esfriaria, comprou outra calça, cuecas, meias, duas camisetas, queria seguir viajando assim, sem compromisso, tinha visto quando lhe ensinaram os serviços do hotel que podia lavar sua roupa, quando voltou ao final do dia, retirou a que estava, juntou com a suja da mochila, lavou tudo. Ficou ali lendo um guia de viagem que tinham esquecido ali.

Foi anotando tudo que poderia ir vendo, seria uma viagem cultural, como sempre tinha escutado falarem.

Apareceu o dono do guia, era um estudante da Finlândia, ficaram conversando sobre o que o outro ia fazer, era mais ou menos o mesmo roteiro, com algumas diferenças, iria descendo até Munich de furgão, depois de lá decidia o que fazer.  Saíram para comer alguma coisa, o outro explicou que com as fronteiras abertas agora não se tinha problema, era raro pararem alguém.

O outro explicou que tinha comprado esse furgão da Volkswagen, assim que cheguei, vou buscar amanhã, se vais ficar mais tempo, eles tem um sistema que podes comprar, depois revender no último país, para um revendedor deles, te dão uma lista.

Gostou da ideia, irei contigo amanhã assim me informo, mas tenho que comprar um guia para fazer um roteiro, isso era bom pois tomaria mais tempo.

No que o outro continuou falando, da outra vez fiz ao contrário que agora, fui daqui a Hamburgo, depois Amsterdam, Haya, Amberes, Bruxelas, Paris, mas claro tinha tempo limitado de férias, venha vamos comprar um guia para que tu possas ir viajando.

Comprou um guia como ele queria com as duas opç4oes, além de mapas.

Nessa noite no quarto se dedicou a estudar o roteiro, acabou dormindo em cima do mesmo, no café da manhã, se topou com o mesmo, foi com ele ver a historia do furgão, quando o viu, o rapaz tinha inclusive levado sua bagagem, retiraram os bancos, ele poderia dormir ali, em algum camping, só não ia cozinhar, pois não sabia.  O homem disse que justo ali na frente tinha uma loja que tinha futon, edredons para as noites frias. Ele poderia se apanhar bem.  Ficou encantado com a loja, acabou comprando um abrigo polar, que não tinha, com isso se apanharia, fez uma extravagância, comprou dois lenços que viu para o pescoço.  Riu sempre tinha visto os outros com isso, mas nunca tinha tido um.

Comentou com o rapaz, esse disse, eu sempre tenho para o frio, por causa da Finlândia, um gorro para a cabeça.  

Reservou o furgão, o homem perguntou se queria bancos, explicou como ele também poderia montar uma cama como os bancos.  Mas gostava mesmo era da outra maneira.

Fez uma coisa, depois de se despedir do rapaz que seguia viagem, passou num salão, cortou o cabelos rente a cabeça, assim não teria problemas para usar um gorro, o outro tinha lhe dado um com um logo do pais.

Andou pelos museus que lhe interessaram, mas queria algo mais moderno, lhe informaram de um de Arte Contemporâneo na antiga estação de trem.  Gostou mais, depois de andar muito pela cidade, finalizou com um passeio de barco pelo rio.

Não tinha feito nenhuma foto, resolveu usar seu celular novo, para isso.  Afinal não tinha para quem ligar.   Tinha sido entregue pelo seu pai no último dia.

Nem tinha dado atenção ao mesmo.  Não tinha cobertura ali, afinal funcionava nos estados unidos, mas poderia fazer fotos.

Estava se sentindo livre como um pássaro.  Nunca tinha criticado seu pai pelo que fazia, mas não gostava muito, talvez por quere-lo tanto, não tinha feito nunca nenhuma censura.  Agora também estava fazendo tudo isso, com seu dinheiro.  Riu pensando, seu dinheiro foi inicial, mal tinha tocado nele, essa viagem estava fazendo com o dinheiro do casino.

Realmente a velha disse que tinha sorte.

Oito dias para ele bastaram de ir pela cidade, foi buscar o furgão, o homem tinha guardado suas coisas ali, a roupa estava limpa, não tinha do que se preocupar.

Tomou rumo a Hamburgo, foi gostando da paisagem, por ser outono, era diferente as cores, no México nunca tinha isso, era outro clima.

Resolveu ficar num pequeno hotel, tinha visto um folheto no hotel, da mesma cadeia, ficou no mesmo, inclusive tinha um estacionamento ao lado para deixar o Furgão, adorou a cidade, era diferente de Berlin, explorou bem a mesma, chegava de noite no hotel cansado, mas feliz, escutou a conversa de dois rapazes americanos, que falavam de que tinham vindo para uma coisa, ir sempre de putas.

Riu um pouco achou idiota fazer uma viagem só para fazer sexo. Mas ele mesmo era um imaturo nisso.   Iam para o bairro perto do porto aonde diziam que tinham putas, foi atrás deles, viu os bares que entravam, a maioria das mulheres eram mais velhas, até que viu um com mulheres mais jovens.  Uma jovem loira, pensou que ele era Finlandês como ela, a achou agradável, foi franco, era virgem.   Ela riu, não se preocupe, tenho camisinhas.

Não foi nada como ele imaginava, era aqui te pego aqui te mato. Achou meio sem graça, mas era o que tinha. Pagou, foi embora.

Ela disse que ele era uma criança.

Talvez sim, nunca tinha beijado ninguém na boca, nem sentido desejo, não sabia o que era isso ainda, se lembrou da conversa com seu pai.

Terei que dar tempo ao tempo.

Tomou rumo a Amsterdam, tinha já feito reserva na mesma cadeia. No meio da viagem pegou neve, se lembrou que o homem tinha avisado caso necessitasse de cadeias para as rodas, aonde estavam, mas só colocasse se na estrada indicasse que sim.

Amou a cidade, fez todos os passeios possíveis, andou a torto e direito, comeu todos os tipos de comidas diferentes que viu. Mesmo as mais picantes, estava acostumado com o chili de seu pais.

Conheceu pessoas nos bares, saiu pela noite a primeira vez, andou pelo bairro da Luz Vermelha, riu muito de alguns como ele que queria experimentar.  Mas nenhuma lhe atraiam, foi quando viu uma novidade, vitrines com homens também.

Um senhor lhe disse não precisas disso, eres jovem, garanto que consegue nessas discotecas, disse aonde eram.  Foi para experimentar.  Começou a dançar coisa que nunca fazia, um jovem moreno como ele, com um loiro começaram a dançar com ele.  Perguntou se estavam juntos, os dois queria fazer sexo com ele.   Teve um ataque de riso, se nunca tinha feito com um, como faria com dois, mas um homem mais maduro o chamou a parte, disse, cuidado, isso é para te roubarem, pois eres estrangeiro.

Agradeceu ao homem, ficou no balcão tomando uma coca cola, viu que o mesmo tinha uma cara meio triste.  Lhe perguntou o que lhe passava.   Perdi um amigo disse, o idiota se suicidou por amor.  Ficaram conversando, saíram, para andar pelas ruas.  O outro era operário numa fábrica nas aforas da cidade, gostou do sujeito, este o levou para sua casa de carro, como volto amanhã?

Te coloco no trem.  Foi uma experiencia mais interessante que com a mulher, não teve vergonha de contar, o outro ria, sempre se tem que começar por algum lado, se sentiu super bem com ele, no momento que ele o deixou super excitado e sentou-se em cima do seu caralho, ficou como louco, não tinha sentido isso com a mulher.

Foi genial, dormiu agarrado ao outro, que pena lhe disse, amanhã, tens que ir trabalhar?

Mas posso te buscar de noite, contou o roteiro que estava fazendo.

Se queres posso ir contigo até Rotterdam, ias gostar.  Tenho quatro dias livres a partir de amanhã, ok

Ele fez a reserva para Rotterdam, para duas pessoas.  De noite, se encontrou com Hans, ele adorou dirigir até aonde vivia.  Fez mil coisas com ele, já tinha aprendido alguma coisa no dia anterior, o deixou tão excitado que quando o penetrou, primeiro sentiu dor, mas depois gostou. Isso faziam ao mesmo tempo que se beijavam.    Estava contente, não sabia se seu pai aprovaria, mas se lembrou que ele era quem tinha que escolher.

Pediu para carregar o celular, o outro lhe fez colocar seu Hi-Fi, viu que tinha uma mensagem, alucinou quando escutou a voz de seu pai, estou bem consegui escapar, mas estarei fora de circulação algum, tempo, espero que estejas longe.   Respondeu a mensagem, dizendo que estava no outro lado do mundo, mas não disse aonde.

Hans não fez pergunta nenhuma, cada vez que chegues a um hotel, peça o Hi-Fi do mesmo, assim economizas.

No dia seguinte sem pressa, passaram por Haya, a capital, passearam, depois foram para Rotterdam, comentou que tinha sido totalmente destruída, que pouca coisa tinha sobrado, muita gente morreu por aqui, mas a maioria foi para o interior.

Passearam pela cidade, de noite saíram, o levou a lugares gays, Hans lhe chamou a atenção o pessoal olha para ti, mas não prestas atenção.

Não estou interessado, estou desfrutando estar pela primeira vez com uma pessoa.

Lhe deu a dica de ir primeiro a Guante, depois Brujas, assim veria mais coisa, eram antigas, olhou se tinha o mesmo hotel.

Melhor passa por uma, dorme na outra, se pudesse ia contigo, gosto também de estar contigo, mas posso me apaixonar.  Nessa noite ao fazerem sexo, sabes que foste meu primeiro homem, verdade.

Sim garoto sei, mas sou muito mais velho que você, mas se voltar, sabes que pode me procurar.

Era um homem simples, lhe contou o que fazia na fábrica, era especializado em manutenção de maquinas, dai seu corpo, sua força.

Se despediram no dia seguinte na estação de trem, aonde o tinha ido levar, para voltar para casa. 

A principio ficou chateado, mas entendeu o que o outro tinha dito, ele era mais velho queria uma coisa séria, ele não sabia o que queria.

Acabou dormindo num posto de gasolina, pois no motel não tinha lugar, se meteu no futon com o edredom por cima, ficou confortável.

No dia seguinte depois de tomar um café da manhã diferente, seguiu viagem, fez a primeira cidade, dormiu na seguinte, perguntou se em Paris tinha esse tipo de hotel.  O homem explicou que podia conseguir um simples para ele, explicou o do furgão, tinha que ter um estacionamento perto.

Conseguiu um que tinha um estacionamento público, perto.  Agradeceu, vou fazer meu roteiro, depois de digo para a reserva.   Ficou três dias em Bruxelas, fez um roteiro entrando pela Normandia, indo a dois lugares que lhe interessaram, depois de Paris, faria passeios, talvez fosse para o sul.

De novo carregou o celular, colocou o Hi-Fi como tinha ensinado o Hans, escutar a voz de seu pai foi o máximo, obrigado por ter salvado minha vida, estou procurando me encontrar para seguir adiante, fico contente que estejas longe. Pois podem te encontrar, se puderes troque de documentos.

Nem sabia como fazer isso, mas por enquanto não se importava.   Quando chegou a Paris, o hotel era super simples, antigo, perto da escola de medicina, ali tinha um estacionamento subterrâneo.   Comprou uma guia de viagem, para poder descer para o sul.

Passou 15 dias em Paris, só tirou o furgão, para ir ao vale do Loira, conhecer os castelos, depois o resto fazia andando.

Um dia teve a sensação de que estava sendo seguido, mudou de rumo três vezes.   Já era de noite, se escondeu num desvão, quando o homem passou o agarrou por detrás. Retirou sua arma, o homem disse que sabia que ele era filho do George.

Perdão não conheço ninguém com esse nome.

Olhe no teu passaporte, conseguimos te seguir pelo registro em hotéis.

Deu uma cacetada na cabeça do sujeito, levou sua arma com ele, bem como o reposto, entrou no hotel, pagou a conta, pegou suas coisas, se mandou, como furgão.

A partir de hoje dormirei em gasolineiras, pensou. Nada que registre com meu nome.

Buscando entre suas coisas, encontrou num bolso da mochila, o outro passaporte que tinha lhe dado o advogado.  Esse era também americano, mas o nome que constava era o de sua mãe.

Entrou num hi-fi de um restaurante, deixou um recado para o pai de a DEA, o estava seguindo, por causa do nome do seu passaporte, Jimmy, se podia usar o do advogado.

De noite recebeu a mensagem, podes, mas só para voltar para cá.

Mas ele já estava na estrada, tinha certeza de que no aeroporto de Paris o estariam vigiando.

Foi descendo tranquilamente, parando em vários lugares.

Ficavam em cidades pequenas, aonde podia tomar banho nos postos de gasolina como faziam os motoristas de caminhão, deu uma volta completa tranquilamente, mas sempre atento.

Atravessou a fronteira, mas antes fez uma coisa, deixou o carro numa cidade muito antes, tomou um trem que ia para Barcelona, depois de conhecer a cidade pegou um voo para NYC.

Lá avisou ao pai aonde estava.

Dois dias depois respondeu, que ele devia tomar rumo ao Canadá, entrar para a reserva por cima, vindo do Canadá, lhe disse um nome de uma cidade, antes da fronteira te espero lá.

Em seguida, lhe mandou outra instrução, que tirasse fotografia, lhe deu um endereço, que falasse com um homem chamado Humberto Eco, pensou, parece o nome de um escritor.

Quando chegou ao lugar, no fundo de uma galeria, perguntou pelo senhor Humberto, o homem disse, o nome completo, repetiu Humberto Eco.

Era o próprio, tinha quando muito 1,60 de altura, era extremamente agradável, sou amigo de teu pai, trouxeste as fotos, vou te fazer dois passaportes, assim fica mais tranquilo.

Seu pai tinha lhe dito para trocar de celular, que destruísse esse, lhe deu um código para dar com ele.

Pagou o homem, ia arriscar uma coisa, tirar dinheiro do banco, mas usou uma maneira fácil, foi a um pequeno, fechou a conta retirou todo o dinheiro que estava lá, o mesmo que tinha a caixa.

Com o novo passaporte, alugou um carro pequeno, desse que usam os velhos, guardou o dinheiro no pneu de reposto.  Foi embora, entrou pelo Canadá, foi seguindo o roteiro que tinha feito para chegar aonde seu pai tinha dito.

Só ficava em motéis de beira de estrada. Nunca com o mesmo passaporte.

Deixou a barba crescer, raspou a cabeça, assim ficava diferente. A arma tinha jogado num rio na viagem pelo sul, se pelo menos tivesse uma.

Num lugar que parou, viu um grupo de caçadores, tinham vindo de algum lugar, as caminhonetes estavam com alces mortos, eram descuidados, deixaram rifles com caixas de munição nas cabines, examinou a que tinha mais armas.   Roubou uma, com mira telescópica, bem como balas.   Afastou seu carro o máximo possível, para ver se desconfiavam, nada, estavam como uma cuba, tomaram a direção contraria a dele.

Foi embora vigiando a estrada, já estava quase chegando, parou num posto de gasolina para tomar café, quando viu vários carros de polícia.  Era uma operação de um contrabando de drogas, ficou quieto só observando, alguns usavam casacos do DEA nas costas, quase se encolheu.   Voltou atrás na estrada, parou num motel, alugou um quarto, bem próximo à saída.

Esperou, dois dias, quando parou novamente no outro lugar, escutou a conversa, era um blefe, o caminhão que queriam pegar, já estava vazio.

Mandou um mensagem para seu pai. Estava perto da fronteira, esperava instruções.

Este respondeu como ele devia fazer.

Seguir até um povoado no meio de uma floresta, que ficava justo na fronteira, que passasse pelo povoado, disse o km, aonde estaria esperando por ele.

Assim fez, passou pelo povoado, quando viu o numero do km, tinha uma entrada, a estrada estava vazia. Parou mais a frente. Foi quando o viu, estava mais magro, com uns cabelos brancos imensos. Correu para ele o abraçando.

Me siga com teu carro. 

Foram subindo a montanha, uma estrada super estreita, entendeu por que, dali se poderia ver qualquer carro que subisse, bem como um helicóptero, mas a floresta fechava inclusive aonde passavam os carros.

Seu pai guardou os dois carros na garagem, ele aproveitou para tirar a arma. O velho se surpreendeu, contou para ele o que tinha acontecido em Paris.

Claro pegaram o primo, ele contou o teu nome verdadeiro.  Mas pelo menos o soltaram.

Me avisou só depois.  Mas aí já estavam atrás de ti em Paris, mas não deve ter sabido aonde estavas antes.

Essa ele contou como tinha feito, nada como um treinamento.   Vivo aqui desde que consegui escapar.  Pertencia a um companheiro a muitos anos, me devia favores.

Passaram uma semana ali, nunca fico muito tempo aqui, tenho outros pousos.

Nas terras da reserva, meu pai, o teu avô tem uma cabana na montanha, essas por detrás tem grutas, aonde se pode esconder.

Estão loucos para te conhecer.

Contou como tinha feito com o dinheiro, o de mais valor, está num banco em Las Vegas, esse não toquei, contou como tinha feito. Que a viagem pela Europa tinha feito com o dinheiro que tinha ganho nos cassinos.

Só retirei esse do banco de NYC, porque tinha essas coisas tuas na caixa do mesmo.  São provas que tenho contra eles.  Assim me deixam em paz.

Mudaram de lugar, deixaram o carro dele na garagem, atravessaram a fronteira depois de esconder o a caminhonete, andaram meio-dia pelo meio da floresta, até chegarem na montanha.      Ali se esconderam numa gruta, muito profunda.

O lugar era fantástico, de tarde apareceram seus avôs, o abraçaram, beijaram muito.

Mas foram embora de tarde, tinham que voltar para o povoado.  Para todos efeitos vim caçar, deixou dois coelhos com eles.

Levava outros dois com ele.

Ficaram dois dias ali. Depois voltaram pelo mesmo caminho.  Seu pai era um homem experto, fez um sinal para ele. Que ficasse escondido, deu a volta, tinham dois homens fuçando a caminhonete. Ele ficou por detrás alguma coisa podia defender seu pai. Mas este tinha algemado os dois, falou com eles, que se o perturbassem os iria matar, além de entregar os documentos ao congresso.   Estava bem escondido.

Fez um sinal como dizendo para ele ir descendo pela mata, chegaram até aonde estavam o carro dos outros dois, furou todos os pneus, foram embora, o melhor que fazes, é ir para Toronto, ou Alberta, eles não sabem que estas comigo. De qualquer maneira, prendeu a os documentos embaixo do carro, numa caixa de metal, o abraçou muito.

Mas como te localizaram, pode ter sido por minha causa.

Acho que seguiram teus avôs, deviam ter mais do outro lado, já saberemos. O beijou muito.

Filho tome cuidado.

Ele fez uma coisa ao contrário do que seu pai tinha falado, seguiu rumo a Vancouver, lá tinha muitas mistura de raça.

Usava agora ora um ora outro passaporte para qualquer coisa.

Quando chegou a Vancouver, um dia deu de cara com um rapaz como ele, mas com os cabelos loiros, eram muito parecidos.  Fez a mesma coisa que o outro, descoloriu seu cabelo, o usando bem curto, viu como faziam, anotou os produtos mentalmente.

Ficou dois meses ali, até que viu que a DEA, tinha matado seu pai.  Filhos da puta, quando abriu a lata, seu pai tinha colocado num envelope, dizendo para quem devia enviar.

Foi o que fez.  Trocou de carro, atravessou a fronteira, foi descendo até Las Vegas outra vez, fez o que tinha feito da outra vez, mas desta vez, procurou um banco que fosse internacional, foi ganhando dinheiro, não exagerava, hoje jogava num, no outro dia no outro, foi depositando tudo nesse banco, com agencia em Frankfurt.  Nunca tinha deixado de pensar no Hans, fez contato com ele, disse que estava com saudade, que voltava, se ele estava livre.

Como um pássaro te esperando, foi o melhor da minha vida te conhecer.

Quando tinha suficiente, mudou sua roupa, comprou uma peruca, mais ou menos como tinha o cabelo, antes, entrou no banco, pediu para fechar a conta, viu que a DEA, não tinha descoberto nada ali, pois senão teriam se negado a fechar a conta.  Levou tudo ao outro depositou, já não lhe perguntaram nada.    Fez um roteiro diferente, tomou um avião para Boston, com um passaporte, de lá para Frankfurt com outro.   Aeroporto mesmo clareou seus cabelos, ficava diferente, embarcou sem problemas.   Foi ao Banco de Frankfurt, transferiu todo o dinheiro para lá.   Fez uma consulta, tinha dinheiro, uma parte boa que tinha ganhado nos casinos desta vez, o que transferiu, mandou aplicar, nada de ações.   De lá tomou um voo para Amsterdam, Hans não o reconheceu com os cabelos tão curtos, loiros.   Se abraçaram, beijaram. 

Nunca senti tanta saudade de alguém. Mas não tinha como te mandar mensagens.

Já te contarei toda a história.  Hans arrumou um emprego para ele na fábrica, ele gostava, mas queria estudar.   Depois de levaram quase um ano juntos, um dia contou para ele sua história.

Nem fale eu vim de uma família muito complicada.

Não me importa, quero sim seguir contigo.

Tempos depois resolveu o problema, casaram-se ele passou a ter o sobrenome do Hans, foram viver em Róterdan, ele descobriu que podia fazer um modulo de engenharia mecânica, arrumou um documento dos curso que tinha feito, ele tinha dinheiro, compraram um pequeno apartamento, só estranhava no inverno o vento. Mas isso era o de menos.

Hans nunca gostava de saber das coisas, lhe perguntou se no resto da viagem tinha feito sexo com muita gente, teve que se confessar.

Com ninguém, quando muito me masturbava pensando em ti.  Creio que não sou dessas pessoas que vai de flor em flor.

Hans abriu uma pequena loja na parte debaixo aonde viviam.  Como dinheiro que tinha rendendo na Alemanha, viajavam de vez em quando.

Quando acabou o curso, conseguiu fazer a universidade de engenharia mecânica, montou nos fundos da loja, um lugar para construir e consertas coisas, isso lhe bastava.

Foram anos super felizes.  Hans não tinha família, ele tinham mas nem sabia aonde estavam.

Portanto o negócio era seguir adiante.

Viu que o que seu pai tinha feito, não tinha surtido efeito, até que viu um livro anunciado, contando detalhes da DEA, entrevistavam o escritor, era o homem para quem ele tinha mandado os documentos.   Comprou leu o livro.

Contava a história de seu pai, que tinha acabado morto, para não falar, mas os documentos tinham chegado até ele, bem como de outros.

O homem tinha sem querer limpado o nome de seu pai.  O que o tinha assassinado, morreu pouco depois, ninguém sabia como, tinha levado um tiro na nuca.

Isso aconteceu durante uma viagem que ele fez com Hans aos Estados Unidos.  Disse que tinha que resolver um pequeno problema.   Hans nunca lhe perguntou o que.

Voltaram para suas vidas.