lunes, 5 de abril de 2021

COISAS DA VIDA - CHOSE DE LA VIE

 

                                         COISAS DA VIDA

                                       CHOSES DE LA VIE

 

Gerard estava no seu elemento, água.  Tinha chegado a dias de sua casa em Aix em Provence, a cabana aonde tinha desfrutado os melhores momento de sua vida com seu companheiro á vinte anos Jean.   Hoje faziam exatamente cinco meses que Jean tinha morrido num acidente brutal, voltando de Marseille aonde trabalhava.   Não conseguia tirar de sua cabeça que o destino era as vezes muito duro.   Justamente quando os dois pensavam em deixar seus negócios, saírem pelo mundo para realizar seus sonhos, conhecer lugares que tinham sonhado desde jovens, Austrália, Nova Zelândia, Hawái, enfim se deixarem levar.

Na sua cabeça era como que o fundo melódico fosse a música preferidas dos dois que tinham escutado na primeira viagem que fizeram a Itália, estavam em Capri, quando escutaram Capri C’est Fini, de Hervé Vilard, estavam num barco que tinha alugado.   Se amaram numa gruta dentro do barco.

Estando dentro da água, as lagrimas se misturavam com a água do mar.  Merda o puto destino nos sacaneou.  Agora que iam realizar seus sonhos, as longas conversas que tinham na cabana, traçando roteiros nos últimos anos.    Os guias de viagem ainda estavam jogados por cima da mesa de centro da sala.  Nem tinha coragem de tocá-los.

A cabana numa pequena enseada das Calanques, tinha que ser ir por Cassis, depois por pequenas estradas subindo a montanha, sua pequena enseada nem constava no mapas, quem o tinha trazido foi Jean, antes de chegar disse, feche os olhos, obedeceu, ele amava dar surpresas, até sua morte foi uma.  Quando abriu os olhos estavam junto a uma pequena cabana, escondida entre as árvores, tomaram seu primeiro banho de mar nus.  Passavam todos os fins de semana do verão por lá.  A mesma estava cheia de lembrança dos dois, livros, cds, tudo que levavam para um fim de semana.  Mesmo no inverno algumas vezes vinham porque tinham uma pequena lareira, no quarto tinham mandado colocar um desses de metal, podiam inclusive dormir nus, como gostavam.

Nesse momento em sua cabeça, estava falando com ele, o via nadando ao seu lado, os dois tinham se conhecido numa competição de natação em Marseille, adoravam a água, o mar, a vida ao ar livre.    Infelizmente por trabalho, passavam o dia inteiro fechado nos escritórios.

Mas isso tinha acabado a duas semanas, sem querer começou a rir.

Escutou uma voz quase ao seu lado, vejo que a água do mar faz bem ao senhor, levou um susto, chegou a engolir água.   Tossindo olhou quem estava ali. Era o menino Paul, filho de Matthieu, seu melhor amigo desde que começaram a estudar juntos, sócio na empresa.

Que passa Paul?

Meu pai pediu que viesse buscá-lo, não está bem, quer falar com o senhor de qualquer maneira, sei que está de férias, mas ele insistiu muito que eu viesse, afinal parece ser que sou o único que conhece o caminho.

Quando era um garoto, Matthieu sempre vinha com ele, escapava assim de sua família que odiava, Paul era filho dele com Gemma, uma italiana lindíssima, ele tinha herdado a beleza da mãe.    Quando ela morreu, tiveram uma grande discussão, pois o colocou num colégio interno, inclusive sugeriu que fosse viver com ele, com Jean, mas ele queria que o filho tivesse uma boa educação.    Levava o sobrenome do pai, pois o tinha reconhecido, Paul Largaderé, mas sua mulher nunca lhe deu o divórcio, para se casar com Gemma, ela não se importava, afinal ele passava mais tempo em sua casa, que na da família.

Subiu no barco, o que está acontecendo Paul, piorou?

Sim tio, piorou, desde ontem tem uma febre altíssima, o médico está o tempo todo lá em casa, mas não melhora, ele se nega a tomar qualquer coisa que lhe faça perder o uso da razão.

Pensou para si mesmo, esse é meu amigo de alma.

Chegaram a pequena praia, viu que ele tinha vindo de moto.  Devia estar tão dentro de sua cabeça que não tinha escutado o ruído da mesma.

Entrou correndo em casa nu, tomou um banho para tirar o sal, se vestiu, qualquer coisa depois iria a sua casa em Aix para trocar de roupa.  Saiu Paul, estava sentado na sala, com um dos guias na mão.    Parece que estou vendo tio Jean falar dessas viagens, eu ao lado me incluía nelas, muitas vezes no meu quarto no internato, sonhava com isso.

No carro, lhe pediu, me conta como vocês dois conseguiram enganar os outros sócios para vender a empresa.

Eu passei uma semana, depois que Jean morreu em casa, um deles aproveitou para assumir meu lugar.  Mas quando voltei, foi uma briga, pois teu pai e eu temos cada um 40% da empresa, eles só tem 20, dividido entre os três.  Me arrependo do dia que consenti que teu pai vendesse essa parte, pois necessitávamos de Capital.

O alemão, como chamava um velho dono de uma fábrica na Alemanha, com o qual competiam em produtos pelo Sul da eurozona, a muito tempo fazia ofertas boas, mas nos dois vinhamos dando margem.    Mal cheguei à reunião, atirei umas pastas em cima da mesa, dizendo que era das merdas que tinham feito na minha ausência.   Tínhamos combinado que eu acusaria teu pai em primeiro lugar, depois a eles.  Fiz um momento dramático, dizendo que tinha vendido minha parte por causa disso ao Alemão.  Ficaram todos com a boca aberta, quero ver vocês aguentarem esse mão de vaca, dirigindo a empresa, eu sempre fui o administrativo dela.

Começaram a falar ao mesmo tempo, devia nos ter consultado, com certeza, compraríamos tua parte. 

Eu repliquei que com o que, se estavam os três falidos, mostrei os dossiers, aqui está a prova de tudo, querem ver?

Era um Blefe, minha secretária tinha preparado, a primeira página eram textos as seguintes papel em branco.  Ninguém fez o menor movimento.  Me virei, aconselhei teu pai a vender a parte dele também, pois com esses três não chegaras ao final do mês, se puseram ofendidos.

Teu pai muito calmo, o Alemão me procurou, me contou que tinhas vendido tua parte, me convenceu, me pagou mais que a ti, vendi minha parte também, quero viver a vida.

A cara dos três foi de tragédia, saíram correndo para vender para o Alemão, esse disse que não se interessava pois tinha a maioria absoluta da empresa, que eles eram uma cagada que vinha com a mesma, que teriam que trabalhar se queriam ver dinheiro.

Eu e teu pai, as gargalhadas na sala de reunião.    Na verdade, vendemos, pois estávamos fartos de trabalhar, arrumar as merdas que esses três faziam.      Ele me procurou, me contando do seu problema, das decisões que tinha tomado.   Não queria passar pelo mesmo que tua mãe, os anos de sofrimento, com esse câncer, vê-la fenecer, foi para ele uma dura prova.  A amava acima de tudo.  Conseguiu um divórcio a revelia, deu todo dinheiro que tinha para sua mulher e suas filhas, conseguiu casar com ela em extremis.   Admirei sua coragem.  

A mim não me deixava ficar aqui, só nos últimos dias, fiquei esse tempo todo segurando as mãos dela.  Me lembro que o senhor e tio Jean, vinham sempre a visitar, ele a fazia rir, com alguma coisa do passado.

É verdade, disfrutamos muito convivendo os quatro, por isso a megera me odeia, pensou que eu ficaria de sua parte.   Mas teu pai é meu amigo desde que tínhamos 12 anos, fomos para um colégio interno como tu.   Por isso era contra que te mandasse para fora.

Minha mãe já estava com câncer, ele não queria que eu sofresse.

Estavam chegando a Aix, foram para a casa de Matthieu, nada a ver com a mansão que tinha ficado com sua ex-mulher.    Entrou rapidamente com Paul, atrás dele, correu ao amigo, o beijou na testa que estava suada, Paul passou um pano húmido.

Paul, me deixe falar com teu tio sozinho.

Pensou que Paul fosse obedecer, mas tinha o direito de saber seu futuro, sabia que era isso que ele queria me falar.    A tempos tinha feito um documento que Paul ficava sobre minha guarda, no momento que tomou a decisão, não faria qualquer tratamento para seu não.

Fiz sinal que ficasse.

Matthieu, ele tem direito a saber de tudo, que escute tudo o que tens a dizer.

Ok, como sempre estas contra mim, riu, isso o obrigou a tossir, cuspindo sangue.

Os documentos estão todos com o advogado, a megera nem minhas filhas têm direito a mais nada, esta casa, o dinheiro que está no banco é do Paul, o resto que está em Monte Carlo, naquela conta que fizemos os dois, minha parte é dele. 

Paul meu filho, eu dei a tua guarda até os 20 anos ao teu tio, ele cuidará de ti, lastima que Jean não esteja, mas ele te adora, embora nunca saiba demonstrar seus sentimentos com ninguém.  Imagina que começou a me beijar no rosto, só porque o Jean fazia.       Mas é como meu irmão, sei que sabes que faço o melhor para ti.    Deixei com o advogado as instruções, como quero que seja, cremado, que minha cinzas descanse ao lado de tua mãe.    As ordens são estritas, pois essa jararacas, irão querer me enterrar no panteão da família.   Ia odiar estar ali.

Podem chamar até a polícia, se elas encherem o saco, assim provoco um escândalo final.  Ficaram rindo os três imaginando a cena.

Passaram os outros dois dias ali, só saiam para ir ao banheiro, mal comia, se revezavam para dormir.  Mas nenhum dos dois ficou longe do amigo e pai.

Quando morreu, o primeiro que fizeram foi avisar o advogado que era amigo deles, também tinha sido advogado da empresa.   Ele preparou tudo como Matthieu tinha pedido, só no último momento, quando já estava incinerado, para uma cerimônia pública, elas apareceram vestidas de negro.  Queriam levar a urna, o advogado disse que não, que ele depois de morto, ia para aonde queria.   A filha mais velha que era dramática, começou a criar problemas, entraram dois policiais a retiraram, a outra perguntou o que era isso?

Ordens dele, estava farto de vocês se meterem na vida dele.  Ah não precisam vir a leitura do testamento, pois ele já deixou tudo que tinha para sua mãe dividir com vocês.

Mas a fábrica?

Ah essa foi vendida, justamente para pagar a parte de vocês, portanto não tem direito a mais nada.

Ela se virou ofendida, segurando a mão do idiota do marido que não sabia o que fazer, via sim o que esperava para o futuro, uma boa vida, se esfumarem.   Esse bastardo fica com o que.

Não é da tua conta.

A cerimônia, finalizou como Matthieu dizia, abaixo de escândalo, deve estar rindo do outro lado comentei com o Paul.  Nos deixou como sempre, gargalhadas para o final.

Tio, mas elas podem reclamar alguma coisa? 

Só a casa, não sabem do dinheiro que está fora do país.   De qualquer maneira não se preocupe, agora eres meu filho.  Vamos a tua casa, recolha algumas roupas, vamos para a cabana, só o advogado saberá aonde estamos.

Levaram as cinzas para o nicho aonde estava sua mãe, foram para Calanques.

No dia seguinte pela manhã, quando se levantou, viu que Paul estava com as guias, o roteiro que Jean tinha feito, era detalhado, como chegar, a motorhome que iriam alugar, para rodar toda Austrália, depois o mesmo em Nova Zelândia, por último Hawái lá chegariam por Honolulu, depois iriam de passeio pelas ilhas.

Tio, porque não realizamos o sonho do Jean, eu estarei três meses de férias, além de não ter decidido que universidade irei.  Acredito que alguma aqui em Aix, pois não pretendo me afastar daqui.   Meus amigos todos querem ir para Paris, para viverem de férias, mas eu quero ficar na minha casa, se é que vou ter uma.

Tens a minha meu filho, tudo que é meu, é teu.

 Fez café, estendeu uma caneca para ele, ficaram ali horas discutindo, foi vestir uma sunga para um banho de mar.   Paul soltou, que isso tio, o senhor, tio Jean, meu pai, sempre nadaram nus, agora vai ficar com vergonha, sempre quis fazer isso.

Foram até a praia, tiraram a roupa se jogaram na água.    Paul tinha a mesma altura do Matthieu, mas a pele e os cabelos de sua mãe, era moreno, os olhos do pai, azuis como água.

Agora tenho um filho pensou, emprestado do meu melhor amigo, mas meu filho, creio que vale a pena desfrutar com ele esse tempo.

Nos dias seguintes desceram a Marseille para Paul tirar seu passaporte, ele também necessitava de um, pois o seu estava caducado, foram ao Banco, transferiram com o testamento todo o dinheiro que tinha o Matthieu ali, para o nome do Paul.  Lhe deram uma visa sem limites. Depois foram olhar passagens, entrou na agência de viagem de um conhecido.  Este saiu do seu escritório para abraçá-lo.   Sinto muito o do Jean, bem como do Matthieu, teu marido vinha aqui, quase todos os dias, para me encher o saco com seu roteiro. Mas dizia ao final que esperava livrasse da empresa para ir com ele.

Pois é os dois resolvemos fazer essa viagem, pegamos o último roteiro do Jean, que está mais enxuto vamos realizá-lo.   Precisamos dos bilhetes, acabamos de tirar passaporte, zero quilômetro, agora vai depender de ti.

Venham a minha sala. Gritou aos funcionários, finalmente vou vender a esses dois, a viagem que o Jean me deixava louco, pois sempre queria mais informações.    Eu sei tudo sobre esses lugares.

Bom pelo último roteiro, entramos por Sidney, iremos até Darwin, seguiremos todo o roteiro pelas praias, parando aonde ele escreveu, inclusive nos guias tem fotos dos lugares, chegaremos a Melbourne, de lá a Nova Zelândia, diretos a Wellington, iremos até Hamilton, depois a Auckland, um voo até Honolulu.   A volta é que não está prevista, poderíamos voltar por Tokyo ou pela Martinica.   Acho que um banho de cidade nos fará bem para voltar a realidade.

Posso conseguir que as datas seja mais ou menos em aberto.  Agora toca a olhar as motorhome, descobri na Austrália, um lugar que os vende, quando terminam te compram outra vez, mas dá trabalho, acho melhor alugar, assim se tem problemas, as empresas trocam.

Creio que uma não muito grande para os dois estará bem.   De qualquer maneira, levaremos tendas, se o tempo estiver bom acampamos aonde seja possível.  No deserto, atravessando Austrália esse era nosso sonho, podemos dormir olhando o céu.

As filhas tinham entrado com uma ação para recuperar a casa do pai.  Paul deixou uma procuração para o advogado o defender, nós vamos por aí foi o que disse, não conseguira nos localizar.

Quando chegaram em Paris, ele tinha algumas coisas para resolver do Jean.  Coisas que ele queria que ficasse com sua irmã.   Era um envelope fechado, não sabia o que tinha dentro.

Marcaram um jantar com ela, depois de terem passado o dia, comprando roupas, seguindo a lista do Jean.   No jantar entregou a sua irmã o envelope, que ela abriu ali na frente dele, era joias que tinham pertencido a mãe dos dois, com um bilhete dele, para tuas filhas quando ficarem grandes.    Ele sempre dizia isso, que tinha algo para as meninas, eu nem me lembrava disso.

Contou que iam fazer a viagem do sonhos dele, creio que em espírito estará conosco.

Embarcaram no dia seguinte, chegaram a Sidney mortos era uma viagem pesada.  Descansaram saíram para conhecer a cidade, estavam fazendo tudo como Jean tinha imaginado, claro tinha restaurantes que já nem existiam mais, mas se divertiram mesmo assim.

Uma garota no restaurante que comeram, perguntou se eram pai e filho.   Sim somos família, vamos fazer uma viagem incrível.

Ela ainda soltou ao Paul que ia ser complicado, com um pai mais velho, teriam coisas que ele iria querer fazer sozinho.

Aproveitaram falaram no assunto. Tens total liberdade, de saíres com os da tua idade se for o caso, nunca se preocupe por mim, estou acostumado a me virar.

Depois de virarem a cidade do avesso, inclusive saindo de noite, discotecas etc. dois dias antes foram ver a motorhome, no último momento optaram por uma mais nova, pois tinham medo de que tivessem problemas nas estradas, que o homem avisou que não eram uma maravilha.  Acertou o roteiro deles, dizendo aonde seriam os pontos que se acontecesse alguma coisa, teriam ajuda.

Quando saíram da cidade um deu a mão para o outro, ai vamos na nossa aventura, tinham renovado inclusive carta de condução do pais.

No primeiro dia, pararam no deserto, esse era o grande sonho do Jean, a noite estava estrelada totalmente.  Ficaram primeiro sentados, olhando as estrelas, depois fizeram uma fogueira meio enterrada na terra.   Ele as vezes chegava a escutar as gargalhadas do Jean, que eram sonoras.

Nessa primeira noite sonhou com ele.  Tinham sido anos maravilhosos, todos perguntavam sempre se tinham aventuras fora do relacionamento deles.   Nunca tinha sentido necessidade disso.  Ele pelo menos não. 

De manhã, despertou com o cheiro do café, tinham se abastecido bem, Paul sabia que ele adorava tomar café.   Comeram alguma coisa, seguiram em frente, teriam que aguentar tomar menos banhos, para terem água para o banheiro, mas nos lugares mais desertos, fariam suas necessidade no campo.   Paul ria disso, meu pai dizia que nunca tinha tido coragem disso, mas que o senhor uma vez cagou embaixo da mesa de um professor.

Isso foi verdade, era um monge que estava sempre de mal humor, de noite me levantei, compartilhávamos quarto, por isso ficamos amigos.  Ele viu que eu saia, quando voltei rindo, queria saber o que tinha feito.  Lhe disse que esperasse o dia seguinte.  Quando entramos na sala o professor estava uma fúria, só faltava cheirar os alunos para saber de quem era a merda.

Explodiu com sua famosa gargalhada, o professor pensou que tinha sido ele.

Estavam sempre falando do Matthieu ou do Jean, de coisas que tinham compartido.    Matthieu foi o primeiro a saber que estava apaixonado pelo Jean, lhe contou tudo.   Teu pai me apontava com o dedo dizendo nunca me enganaste seu viado de merda.  Talvez tenha sido a única vez que se referiu assim.   Quando conheceu o Jean, me disse que se eu não tomasse cuidado ele ia querer esse homem para ele, para ver se eu tinha ciúmes, mas os dois se deram bem desde o início.   Sem querer foi o Jean que apresentou tua mãe para ele, mas só soubemos que tinham um romance, quando estava gravida de ti.

Mais parecia filho do Jean, pois ele ia te ver no berçário mil vezes, foi o teu padrinho.  Te adorava, era incapaz de ir a casa da tua mãe sem um presente para seu menino.

Paul estava chorando, é verdade, algumas vezes, eu até queria que ele fosse meu pai, pois me escutava como ninguém.   Quando meu pai me colocou no colégio interno, aonde vocês se conheceram, vocês dois ficaram contra.  Que eu ficasse na casa de vocês, mas ele queria me proteger de ver minha mãe se definhando.   Agora quando me mandou chamar, para ficar com ele, entendi o que tinha me poupado.

Tua mãe era de uma beleza incrível, eu gozava teu pai dizendo, o que ela tinha visto nesse homem feio.   Mas os dois se amavam com loucura.   Ele quase perdeu a fábrica por causa disso, para conseguir se divorciar, para casar com ela.

Falando contigo as vezes sinto que falo com ele, entre nós não existia segredos, por isso tivemos sucesso nos negócios.

Quando chegaram a Darwin, ficaram num camping ao lado da praia.   Agora tocava aprender a fazer surf.  Estava nos planos do Jean também.   Os dois procuraram quem lhes ensinasse.  Foi interessante, quem se ofereceu, foi um homem, sua pele não tinha mais lugar para tantas sardas, ensinou o Paul que aprendeu rapidamente, eu levei mais tempo.   Me soltou que eu queria era que ele me abraça-se.  Não deixava de ser verdade, me sentia atraído por ele, contei do que estávamos fazendo, uau, eu adoraria fazer isso, mas sou professor na universidade daqui breve estou de férias, senão iria com vocês até Melbourne.   Acabou indo, como acabamos na cama. Quando fui falar com Paul, ele, ria, tio só seu eu fosse tonto para não perceber, o senhor aproveita.

Ele estava encantado com a amizade que tinha feito com os outros jovens, claro era um estrangeiro, o enchiam de perguntas, bem como ele aos outros.   Patrick só lhe advertiu das drogas, cuidado, alguns acham que porque usam tens que usar.

Aproveitávamos que ele saia de noite com os amigos para fazer sexo.  Não tinha nada a ver com o que eu tinha com Jean, era uma aventura, estávamos aberto a tudo.  No dia que fomos embora, ele apareceu com duas pranchas que colocamos junto com as nossas em cima da Motorhome, ele mesmo tinha perguntado ao Paul se não se incomodava.

Nos divertimos muito, falávamos sem parar, nas praias aonde acampávamos, Paul sempre fazia amizade com os da sua idade, depois ia anotando o nome de todos, percebi que fazia como um diário.   Lhe perguntei o que escrevia, suas experiencia.   Sim também os assuntos que eles falam, é interessante, pois tem uma outra maneira de pensar.

Numa das parada, não veio dormir no motorhome, no outro dia apareceu com um cara de sem-vergonha total.   Sorriu, já não sou mais virgem, foi genial.

Minha primeira pergunta foi se tinha tomado precauções, ele disse que o rapaz tinha de tudo, mais tarde nos apresentou, era da mesma idade dele, um lindo rapaz loiro, queimado do sol, Paul ao contrário estava mais moreno, faziam uma bela combinação, ficamos mais dois dias nesse lugar para que ele pudesse desfrutar.

Seguimos viagem, agora ele estava mais livre para ir conhecendo as pessoas, antes de chegarmos a Melbourne, um dia conheceu uma garota, que fazia surf, avisou que ia dormir fora, no outro dia disse que tinha conhecido o outro lado, que gostava dos dois, agora só terei que me apaixonar pela pessoa certa.

Eu vinha desfrutando do Patrick, mas a aventura tomava fim.  Ia sentir falta dele, das largas conversas.  Lhe disse que quando quisesse aparecer na minha praia, mostrei aonde era, era só avisar.

Nos despedimos, partimos para Wellington, era outra coisa, ficamos dois dias disfrutando da cidade, antes de pegar a motorhome, seguimos viagem, eram contrastes incríveis, tínhamos abandonado as orientações do Jean, seguíamos agora orientações das pessoas que íamos conhecendo.  As conversas entre os dois também eram diferentes, pois ele falava de suas aventuras, eu do Patrick.

Se tivesse ficado mais tempo iria acabar apaixonado por ele, tínhamos a mesma idade, maneiras de pensar opostas, mas conciliatórias.   Tinha sido um romance intenso.  O mais interessante era ele perguntar por isso, como era viver com uma pessoa, será tio que terei uma pessoa assim na minha vida?

Claro meu filho, eu sempre o chamava de meu filho, pois era meu sentimento por ele.

Amamos as paisagens tão diferentes que as da Austrália, as vezes tudo ao mesmo tempo o dia começava com um temperatura amena, terminávamos com frio.

Quando chegamos a Auckland, tinham mudado nosso voo para dias depois, pois tinham feito contato conosco, mas não tínhamos respondido, acabaram por causa da confusão nos oferecendo dois lugares na primeira classe.   Cansado como estávamos, aproveitamos.

Honolulu, foi a culminação de tudo, apesar de ser uma cidade grande, os dois já nos desenvolvíamos bem no Inglês, Paul logo estava cercado de amigos, eu fazia meu surf mais solitário, um dia estava sentado na praia, se aproximou um homem com uns cabelos brancos mas com um corpo fantástico, me soltou, é o que acontece quando vamos de férias com os filhos, nos deixam sozinhos, se apresentou, vivia em NYC, estava ali com seus dois filhos, era do grupo do Paul, eu sempre quis vir, mas ao me divorciar, perdi a custodia deles, tive que esperar que fossem mais adultos para contornarem a mãe.   Fui viver minha vida com um homem que tampouco gostava do mar, seu negócio era as grandes cidades, museus, teatro, eu fui ficando para segundo plano.  Até que também me fartei.  Um belo dia resolvi desfrutar da minha vida, vendi tudo que tinha, vim viver aqui.    Se apresentou, Marc, tenho um restaurante, me divirto cozinhando, misturando comidas daqui, com francesas, coisas assim.

Fomos nessa noite comer no seu restaurante, reparei que Paul, conversava mais com um dos garotos.  De noite me contou, o fato do pai deles ser gay, a princípio os traumatizou, mas um é mais fechado, o mais bonito deles, o outro não, acha que seu pai esta certo, o veem menos por que vive aqui.   Amanhã nos convidaram para ir a uma praia do outro lado da Ilha, vens.

Ia dizer que não, mas soltou o pai dele vem.   Continuamos a conversar, Marc contou que tinha tido um romance com um das ilhas, mas que era complicado pois era casado.   Amanha vou te apresentar meu melhor amigo.

Fiquei literalmente encantado com o homem, era moreno, cabelos compridos, quando contou que era da polícia, coloquei um pé atrás, mas sorriu dizendo, sou de NYC, sou detetive, essa e as primeiras férias que tiro a muito tempo.   Marc sempre foi meu amigo.  Durante muito tempo todo mundo pensava que tínhamos alguma coisa, mas nos conhecemos desde garotos, éramos da mesma turma, passamos anos sem nos ver, um dia fui a um bar gay, o encontrei, rimos muito, nenhum dos dois sabia do outro.

Macky, nos acompanhou a todos os lados, conversamos mais que eu fazia com o Patrick, ele não avançava, eu tampouco, tinha medo.  Estava apaixonado era a verdade.  Falei da minha vida, ele pensava que Paul era meu filho, lhe contei a história.  Falei muito da cabana, eu adoraria viver num lugar assim.   Me falta pouco para me aposentar, estou farto da vida que levo.

Acabamos na cama do seu hotel, foi incrível fazer sexo com ele, era como eu gostava, estar com outro homem como eu, sem medos.  Na primeira noite quando acabamos, ficamos rindo, disse que não tinha um sexo assim a muito tempo, ficamos conversando, quando vimos estávamos fazendo sexo de novo.  rimos, já não temos idade para isso, soltei. 

Deixa disso, somos jovens, podemos aproveitar muito da vida.  Paul estava encantado com os novos amigos, agora na praia, eram um grupo grande, foi passar um final de semana, com uns dez desses novos amigos, iam surfar do outro lado da ilha, Marc ia com eles, nos ficamos para trás desfrutando do fim de semana.   Porque não voltas por NYC, quando lhe disse que tinha que resolver rápido por aonde voltávamos, eu te ensino a cidade.

Não queria estragar os planos do Paul.   Mas tudo mudou, pois ele voltou com o braço quebrado, num cabresto, pois se atreveu com uma onda imensa, apesar dos outros terem lhe avisado, olha o resultado.  Não poderia mais fazer surf.

Quando lhe contei a ideia do Macky, ele riu, estas apaixonado, vejo nos teus olhos, não brilham assim desde que estavas com tio Jean.   Com o Patrick estavas bem, mas com esse, vejo que pareces até mais jovem.

Antecipamos a viagem, fomos para NYC, foi genial, ficamos em sua casa, nos mostrou a cidade inteira, fomos a lugares gays, outros não, museus, musicais, mas a noite eu sempre dizia para ele que sentia falta da cabana, acabei mostrando uma foto que tinha.   Me perguntou se eu o convidaria para ir para lá.

Sem dúvida nenhuma lhe respondi, estou apaixonado por ti.

No dia seguinte, disse que tinha umas coisas para resolver na delegacia, quando voltou ria, me faltavam um ano para me aposentar, negociei, estou livre, posso ir contigo.  Me beijou dizendo que nunca tinha pensado nisso se apaixonar por alguém, não conseguia pensar em viver sem mim.  Terei que aprender a falar francês direito, mas se queres vou contigo.

Primeiro quando chegamos em Paris, ele gostou, mas disse que já tinha vindo antes, que ele queria ir para a cabana.   Fomos primeiro para Aix.   Mal chegamos o advogado apareceu, as filhas tinha conseguido convencer o juiz de lhes dar a casa.  Retirei tudo que era teu, inclusive as fotos tuas com teu pai.  Não conseguia me colocar em contato com vocês, parecia uma metralhadora falando, lhe disse que respirasse fundo.

Melhor que tinhas transferido o dinheiro para tua conta, tens que ficar quieto agora, pois se descobrem o de Monaco, a coisa fica preta.

Paul tinha que decidir se ia ou não a Universidade, tomou uma decisão que me surpreendeu, iria fazer a universidade em Milão, queria estudar outras coisas, designer, ele tinha desenhado a viagem inteira, poderia estudar belas artes em Paris, mas queria fazer na terra de sua mãe.

Eu concordei, fomos com ele, para arrumar apartamento, íamos uma vez por mês.  Sentia sua falta, mas estávamos falando sempre por telefone.

Macky se apaixonou pela cabana, nas noites de lua adorávamos tomar banho nus, fazendo sexo no mar.  O advogado dizia que eu tinha remoçado nessa viagem.  Descobrimos um lugar em Cassis, pensei em abrir alguma coisa, mas não deu certo.   Paul, me chamou, tinha se metido em problemas, sem saber se meteu com um professor, o mesmo era casado, deu merda, estava apaixonado, mas o outro só queria uma aventura.   O trouxemos conosco para lamber suas feridas, um dia na praia, lhe contava eu precisávamos fazer alguma coisa, para ocuparmos, ele disse que tinha pensado em abrir um restaurante, como o do Marc, aqueles sanduiches deliciosos com frutas misturadas, creio que os jovens iam gostar.

Marc, mandou uma foto de uma casa que um amigo estava vendendo, entre a montanha e o mar, mostrei ao Paul, ficou como louco, meu braço já está bom, sinto falta disso de fazer surf, da camaradagem com o pessoal.  O que o senhor acha de experimentarmos, pela primeira vez me chamou de pai.   Macky ria, eu ia gostar também, posso arrumar um emprego de polícia por lá assim me ocupo, estou ficando gordo com essa boa vida.

Falamos com o Marc, o proprietário vinha viver na Europa, lhe propus pagar com dinheiro que tinha no Luxemburgo, assim ele não teria problemas quando chegasse.

Quando chegamos, depois de passar por NYC, para Macky conseguir um contato com as ilhas, bem como mandar algumas coisas suas para lá.   Paul aproveitou comprou muito material para pintar.

A casa era impressionante, ficava no meio da montanha, havia uma estrada estreita que descia até o mar.  Com boas ondas, aonde ia todo os dias me ocupar.  Sem querer comecei a desenhar com material roubado do Paul, flores tropicais, logo as estava vendendo no restaurante do Marc, tomei gosto, logo estava expondo, os turistas amavam minhas flores.   Paul, ria, vou te denunciar pai.   Ele fez uma exposição de seus trabalhos, tínhamos os dois um studio nos fundo da casa. 

Comecei a me lembrar de paisagens da Austrália, fui procurar fotos que tinha feito de flores do deserto, comecei a pintar isso.  

Convidaram o Paul para fazer uma exposição em NYC, Macky lhe disse para usar seu apartamento que estava vazio.

Ele foi, queria que fosse independente.   Marc soltou um dia, que Macky tinha frustrado seus sonhos, quando pensei que ia acontecer alguma coisa entre nós, ele chegou te roubou.

A culpa é tua, nos apresentaste, ele roubou meu coração, como é polícia, não pude reclamar.

A nova vida me fazia bem, vendi tudo que tinha na França, não pensava em voltar, estava feliz ali.   Nos dávamos bem, Paul ia bem em NYC, logo faria exposições na França, tinha triunfado ao contrário, primeiro fora, depois em seu próprio pais.

Macky se aposentou definitivamente, mas ajudava Marc no restaurante, fazendo a parte de contabilidade.   Um dia Mac de brincadeira lhe perguntou se não podíamos fazer sexo a três, ele não gostou, amo meu companheiro, o quero só para mim.

Pensei que ia brigar com Marc, lhe disse que isso nem pensar, eu sempre tinha sido só de uma pessoa, nunca nos cansávamos de fazer sexo um com o outro.  Ainda conversamos sobre isso, pois volta e meia alguém se aproximava.

Fui claro, minha vida é contigo, se estas cansado de mim, bem vou embora, mas caso contrário, não.    Nunca soube o que aconteceu, mas algo se azedou entre ele é Marc.  Se aborrecia em casa, como Paul estava definitivamente em Paris, vendemos tudo, voltamos, fomos viver na cabana, eu já não tinha casa em Aix.

Ali realmente estávamos felizes.  Ele finalmente descobriu uma coisa que gostava, escrever, disse que seus relatórios eram os melhores, começou a escrever novelas policiais, logo as vendia. 

Seguimos vivendo na cabana, Paul de vez em quando aparece, diz que a saudade de seu pai aperta, vem conversar comigo, sobre o que está fazendo, olhas minhas pinturas, faz fotos, mostra nas galerias,  na volta as levava com ele, depois me avisa que tenho dinheiro no banco.

Não quero sair daqui, fui feliz aqui, como sou agora outra vez.

Na última vez que veio, chegou de noite com seu novo namorado, nos pegou fazendo sexo na praia.  Ria muito dizendo, dois velhos fazendo sexo na praia, vou chamar a polícia, é uma indecência.  O rapaz que vinha com ele achou engraçado nossa liberdade, de sair nus da agua, abraçar meu filho.

Agora vinha sempre com o rapaz.  Consegui recomprar minha casa, para ele transformar em studio, me contou que um dia estava na feira, se aproximou um rapaz, lhe perguntando se era seu tio Paul, admiro muito a sua obra.   Agora aparece escondido da mãe no studio, para que eu lhe ensina a pintar, tem possibilidades.

Espero que a mãe, não descubra, reclama muito dela e do pai, que são muito quadrados, que só pensam em dinheiro.    Sabem que vivo na casa que foi tua.  Mas tem que me engolir.

Agora ia sempre com o namorado ao tumulo dos pais, eu não tinha aonde ir pensar no Jean, a não ser na água.  Os dois agora estávamos beirando os 80, mas nossa vida era ali, nem no inverno íamos para Aix, embora Paul oferecesse a casa, gostávamos da nossa vida.  Eu tinha o homem que queria, bem como ele a mim.   As vezes nossa sintonia era tanta, que eu o olhava entendia o que queria, como ele a mim.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

lunes, 29 de marzo de 2021

BRIAN NOTE

 

                                                  BRIAN NOTE

 

Estava encostado na parede esperando a polícia que ele mesmo tinha chamado, para levar o homem que tinha tentado lhe matar, tinha que manter os olhos abertos, espero não morrer até a mesma chegar.   Fazia um esforço tremendo.

O homem tinha surgido do nada, era um antigo armazém de ocupas, ali viviam muitos homeless, homens que tinham servido ao exército de seu pais, para a glória do mesmo, como ele dizia, mas que em seguida virava as costas para os mesmos.

Ah, se ele soubesse disso, mas agora era tarde para chorar o leite derramado, talvez tarde para recuperar sua própria vida, depois de tudo que tinha feito para sobreviver.

Levava sóbrio a quase um ano, analisando toda sua vida, ia regularmente ao hospital de veteranos para conversar com um psicólogo, porque normalmente o psiquiatra o que faria seria lhe receitar um medicamento que o retornaria ao vício, isso ele não queria.  Quando lhe doía a perna, o que fazia era deslocar seus pensamentos para outra coisa.   Tampouco já se atirava a loucuras sexuais, para afundar mais ainda no charco da miséria.

Tinha caído tão fundo, mas tão, fundo, que quando olhava no espelho, mal se reconhecia, para quem estava beirando aos 50 anos, ele aparentavam 10 mais.   Os seus cabelos, já sequer tinham brilho.

Quando a polícia chegou, disse que o homem tinha surgido do nada com um revolver na mão, nem sei se esta carregado, na outra tinha, apontou mais ao longe uma navalha.  Me atacou, o filho da puta sabia que eu usava prótese, pois a primeira coisa que fez, foi dar um golpe na minha perna, com esse tubo, nem sei aonde está minha prótese, essa é a terceira neste ano, agora só querem me dar as mais baratas.

Já sabemos quem é esse sujeito, ele agride as vezes consegue ferir, a todos os homens que aparecem ou apareceram em filmes pornográficos.

Então deve ser isso, eu apareci em uns quantos por dinheiro.    A pensão de ex-combatente nunca é boa.

O levaram até uma ambulância, não se via por ali, nenhum dos ocupas, pois se estivessem seriam desalojados, então o melhor era fugir.

O levaram para o hospital, mas claro antes pediu que localizassem sua prótese.  Com ela posta, viu que as enfermeiras o olhavam com nojo, sabia que precisava de um banho.

Pediu se podia fazê-lo, um médico o olhou de cima a baixo, mandou que sentasse numa cadeira de rodas, deu uma ordem, a um enfermeiro que estava por ali.  Levou pelo menos meia hora embaixo do chuveiro, se lavou todo, a cabeça perdeu as contas, precisava era raspar a mesma, viu o mesmo enfermeiro, perguntou se tinha uma máquina de cortar cabelo, esse disse que sim, a trouxe, raspou para ele seus cabelos, teve noção que estavam imensos, aproveitou, passou pelo sovaco, pelo sexo, no resto do corpo não tinha pelo. Tornou a tomar um banho. Agora se sentia limpo.  Sentou-se na cadeira de roda, o enfermeiro o levou de novo para urgências, de lá o mandaram para um exame geral como sempre.

O médico apareceu, soltou, é um prazer em vê-lo apesar das circunstâncias Brian.

Me conheces?

Sim servimos juntos, tu eras polícia militar em Kandahar, eu médico que estava aprendendo a profissão, por isso trabalho em urgências, sou melhor aqui.

Depois de todo os exames, soltou, fui eu que fiz tua amputação, tua perna tinha evaporado, do joelho só estava um troço de osso destroçado.

Pensei que não ias subsistir, te mandamos para a Alemanha imediatamente, pelo ataque tínhamos tantos mortos feridos, que nem te vi partir.

Depois algumas vezes soube de ti.

Ele ficou olhando o médico, começou a rir, agora me lembro de ti, atrás do barracão de alimentos fizemos sexo uma vez.   O outro começou a rir, é verdade, o sem vergonha do Mattei, mandou que eu tirasse o pau do cu dele para por o teu que era maior.   Olhei para o teu, realmente era maior, depois encontrou um jeito de estarmos os dois dentro dele.  Era muito louco aquele rapaz.

O mataram, fomos juntos para a o Hospital na Alemanha, ele foi embora antes, mas eu fiquei, te ocupaste da perna, mas quando cheguei lá uma parte de metal, tinha entrado nos rins, tiveram que retirar um, além de cortarem meus ovos fora, fiquei impotente para sempre.

Que merda, sinto muito, mas agora se quiseres posso te encaminhar para um médico que serviu também, ele me operou, pois tiver um problema também, esqueci que estava ferido, passei a atender todo mundo, quando ao final quase morri.

Anos depois ele me ajudou com um enxerto, consigo ficar excitado outra vez.   Começou a rir, tu dizes fizemos sexo uma vez, mas não é verdade, um dia estava de baixo astral, tu estava percorrendo o acampamento, me viste sentado atrás do hospital, vieste falar comigo, ficamos conversando, te deixei me penetrar, foi fantástico.   Eu pensava, sou feio, baixinho, meio gordo, como esse homem tão bonito pode querer fazer sexo comigo.

Era a única maneira que me aliviava do stress, dos ruídos da guerra, das merdas todas que via, não me importava, precisava descarregar.  Se te conto que fiz depois, coisas que não tenho orgulho, mas tampouco vou ficar chorando por isso.

Viu os resultados todos, estas bem, tens é que cuidar da alimentação.    Vai te parecer uma proposta com duplo sentido, mas se quiseres podes ficar na minha casa.  Meus pais a deixaram para mim, as vezes alugo para alguém que está fazendo práticas aqui, mas não misturo as estações, aprendi que não estamos no campo de batalha.   Se espera, vou trocar de roupa te dou alta, te levo.

No caminho, soltou, teu carro está com um ruído estranho, amanhã dou uma olhada para ti, naquele dia fui atingido, pois passava minhas horas vagas na oficina da unidade de motorizados, adoro fuçar os carros, coisa que fiz desde criança.  Tentei ser dessa unidade, mas como era alto, forte, me colocaram de polícia militar.

Era uma casa dessas antigas, desceu do carro com dificuldade, terei que arrumar outra prótese, essa está mal.

Amanhã, tiro a referência, consigo uma mais moderna para ti.

Por que estas fazendo tudo isso comigo?

Queres a verdade, ou uma mentira, daquelas, tipo, temos que estar unidos pelo país.

A verdade, tenho asco dessas história todas que nos faziam engolir.

Bom, naquele dia que te conheci, me apaixonei por ti, por isso depois ficava como um louco atrás de ti, mas estava sempre com o Mattei, ainda pensei em te contar que o vi muitas vezes fazendo sexo, com dois ou três.   Mas pensei, não posso me meter nessa história.

Sim é verdade, mas eu sabia disso, até entendia, ele estava como uma bala perdida, sem saber aonde chegar.   Me contou o porquê disso.   Sempre tinha sido bonito, vivia em Venice Beach, abusaram dele, desde que era garoto, não tinha coragem de contar ao seu pai, pois esse era muito severo.   O conheci a anos atrás, um homem simpático, sofrendo porque o filho tinha sido assassinado.  Tentou de tudo com ele, para livrá-lo das drogas, não conseguiu.

Mas como te dizia, ele acabou se acostumando, gostando disso, quando começou a fazer surf na praia, ao mesmo tempo exercícios nas barras, era capaz de passar horas num ginásio fazendo exercícios, para o corpo ficar como era, ao mesmo tempo fazia sexo três a quatro vezes por dia, estava sempre pronto, desde que o sujeito fosse bruto com ele.

Por isso se metia com o pessoal da pesada, adorava se meter numa briga, dava porrada em todo mundo, os que sobravam, levava para trás de algum armazém para fazerem sexo no meio das porradas.    Uma vez dois soldados da polícia militar, lhe desceram o cacete, depois quando o fui ver na cela, pediu para chupar meu pau, com a boca ainda saindo sangue.  Eu acabava me excitando com isso, pois estávamos como se o mundo estivesse acabando.

Ficaram no salão conversando.    Giorgio contou, que tudo o tinha afetado também, não consigo ter um relacionamento, pois se não estou cansado depois do trabalho, tento ficar acordado, pois sei que terei pesadelos, que não consigo salvar algum companheiro, muito sangue sempre, acordo aos urros,  por isso tive que mandar insonorizar meu quarto.   Quando voltei foi um inferno, pois ainda fui trabalhar num hospital militar, ver toda essa gente com problemas, piorou muito.  Comecei a tomar drogas, para que nos momentos que estava sozinho a cabeça não explodisse.  Um dia disse basta, fui para a outra ponta do pais, me internei voluntariamente, numa clínica, fiquei lá pelo menos dois anos.  O melhor é que trabalhava também, mas fui fazendo terapia, foi lá que fui operado também como te falei.

Creio que ao poder voltar a poder fazer sexo, melhorou minha vida um pouco, mas necessito desse stress da urgência para seguir vivendo, me chamam para trabalhar em outros setores, mas não quero.  Tampouco suporto ficar muitos dias livres, se vou de viagem tenho que me ocupar muito, andar tudo que posso para ter depois sono.

Preparou comida para eles, sentaram-se para comer, em forma de agradecer, colocou sua mão sobre a dele, viu que ficava nervoso. Não me provoque, faz muito tempo que não faço sexo, isso seria uma maldade de sua parte.

Mas foram dormir juntos, deixou que ele o penetrasse, se sentiu bem nisso, normalmente precisava de vários lhe penetrando, por isso agora entendia o Mattei. Dormiram agarrados, mas despertou quando viu que ele estava tendo um pesadelo, o acalmou.

Era uma boa pessoa, se levantou, tinha visto na garagem ferramentas, quando Giorgio se levantou, o encontrou lá arrumando o carro.

Pensei que tinha ido embora?

Prometi arrumar teu carro, tinha algumas peças sem lubrificar, bem como dois parafusos soltos. Nunca olhas teu carro?

Era do meu pai.  Eu me lembro que tinhas paixão por motocicletas, não era assim, porque me contaste a respeito.

Como te sentiste de noite? 

Como não tenho como ejacular, necessito de muito sexo, agora estou tentando controlar isso, mas gostei, me relaxou.

Espera, vou falar com o médico que te disse, para saber aonde esta no momento, ele está sempre em movimento.

O escutou falando muitos palavrões, rindo ao mesmo tempo, depois falando tranquilo com a pessoa do outro lado, explicando o caso, ele tinha examinado seus exames, sabia do que se tratava. Ok, anotou alguma coisa, mando ele te procurar.

Tome o endereço, ele estará esse mês num hospital em Washington, depois irá para a Europa.

Tens dinheiro para ir até lá?

Sim tenho um pouco.

Passamos num banco, eu tiro dinheiro para que possas pegar um voo.

Não, irei na minha moto, eu a tenho sempre num guarda moveis, quando estou em alguma cidade.  Não se preocupe.

O deixou na frente do guarda moveis que ele disse, apesar da quantidade de gente passando, ficaram se beijando no carro.   Uma pena que não queiras ficar, eu poderia me apaixonar outra vez por ti.   Pelo menos me entenderia.

Ele sabia que se ficasse, tudo acabaria mal, melhor era sempre seguir seu caminho.

Foi até o armazém que usava, trocou de roupa, colocou roupas negras, botas, tirou uma jaqueta de couro de uma caixa, ali estava tudo que tinha, inclusive escondida uma caixa com dinheiro, nem sempre tinha ganhado esse dinheiro honestamente, mas isso não importava.

Amarou uma bandana na cabeça para proteger sua cabeça raspada do capacete.   Parou num posto de gasolina para encher o tanque, saiu em rumo a Capital.   Odiava a cidade, mas se esse homem podia ajudar, ele gostaria de ver seu pau empinado outra vez.   Talvez se sentisse melhor.

Chegou de noite, pois tinha parado várias vezes, para descansar.   Levava os exames que o Giorgio tinha lhe dado num envelope.

Ficou num motel na entrada da cidade, falou por celular com o médico, se via que era judeu, pelo sobrenome, André Coen.  

Este perguntou em que hotel ele estava, gostaria de conversar com ele essa mesma noite, eu durmo pouco.  Lhe deu a direção.   Como entendia que era judeu, imaginou uma pessoa baixa, peluda, nada mais longe da verdade, tinha sua altura, era magro, pelo sim tinha, um belo bigode, uma cabeleira imensa, parecia um leão enfurecido, quando falava, gesticulava muito, a cabeça parecia estar em eterno movimento.

Viu todas os exames, leu atentamente, lhe disse, sei que não é um hospital, tire a roupa, deite-se perto do abajur.  Examinou sua ferida, lhe perguntando se doía em algum lugar.  Tenho que examinar se tens próstata, colocou uma luvas, tinha os dedos largos de uma mão ossuda, perguntou o que ia sentindo.  Vejo pela tua dilatação, que passaste a usar o anus, para teres prazer, mas está muito dilatado, se te opero, posso reduzir isso também, rindo soltou, desde que me deixe estrear, caiu numa gargalhada que ele acompanhou.

Ele também ficou rindo imaginando a cena.

Caralho é a primeira vez que alguém, entende meu humor.

Me sacaneiam muito pelo tipo de especialização que tenho, mas já consertei tanta gente, quando comentam algo, digo, arrumei o piru do teu pai, mas aproveitei comi o cu dele em pagamento, ficam furiosos comigo.  Na mesa do quarto tinha comida, o convidou para comer com ele.

Pelo que examinei, pode ser que consiga, mas amanhã de manhã, tens que vir comigo a clínica, vamos fazer o seguinte, eu tenho que operar dois senadores, colocarei toda tua despesa nas contas deles.  Não te vai custar nada, como meus honorários são altos, nem vão perceber.

Deixou a moto na garagem do hotel, as chaves como André, este perguntou se podia usá-la, pois adorava andar de moto.   Nessa noite tinha dormido na mesma cama que ele, viu que ele também tinha pesadelos, se encostou nele quando começou a resmungar.  Ele se virou o abraçou, tinham dormido a noite inteira assim.  O contato era super agradável.

Na clínica, falou com a chefe das enfermeiras, que ao parecer lhe conhecia, está mandou fazer uma bateria de provas com ele, desde exame de sangue, tudo o necessário para uma operação, como era particular, tudo ia rápido.   As seis horas da tarde o André apareceu, fiquei com vontade de cortar o escroto do senador, o sujeito filho da puta.

Vamos agora começar a primeira operação, não te preocupes, tudo correra bem, como estavam sozinhos, veio até ele, não te agradeci, o fato de ter-me acalmado esta noite, as vezes os vizinhos de quarto reclamam dos meus gritos.   Lhe deu um beijo demorado na boca.

Em seguida, quando ia falar alguma coisa, entraram dois enfermeiros, o levaram.  Ia dizer a ele, que gostava de seus beijos.

Depois mergulho na escuridão total.

Era a primeira vez que sonhava com sua juventude, no Texas, eram uma família imensas, tinha pelo menos mais quatro irmãos, seu pai dizia, pelo menos nessa família não temos mulheres, pois sua irmã, só tinha filha mulheres.

Viviam na fazenda, mas ele os obrigava a ir à escola, tinha que descer um caminho, até a estrada para pegar o ônibus.    Seu irmão mais velho era brilhante na escola, ele na verdade só gostava de aulas de história, geografia.   Imaginava-se indo pelo mundo.  No domingo, seu pai dizia era um dia santo, não trabalhavam, os trazia a cidade para comer em algum italiano, depois se estava passando algum filme de faroeste iam ao cinema, o velho adorava isso.  Ele também.   Uma vez se escapou com um amigo, pelas montanhas, nas férias, montados a cavalo, acamparam, de noite faziam experiencias sexuais.   Foi aí que descobriu que gostava de homens.  Era seu melhor amigo.  Os dois tinham as mesmas paixões, mecânica, o pai deste tinha a melhor oficina da cidade.  A única diferença era que ele queria ir pelo mundo, o Bob não, ele sonhava em herdar a oficina do pai, seguir trabalhando.   Mas adoravam fazer sexo um com o outro, lhe dizia ao ouvido o homem mais bonito da cidade gosta de mim.   Não tinham barreiras um com o outro, faziam de tudo.

Um dia no meio de um filme, apareceu um vídeo chamando para o exército, venha conhecer o mundo.  Ele tinha acabado de fazer 18 anos.  Tinha dois metros de altura, loiro, olhos azuis, forte pelo trabalho no campo ou na oficina.  Se alistou sem seu pai saber, seus dois irmãos mais velhos estava na universidade, seu pai insistia que fosse também, mas não tinha objetivos.

Foi para um forte perto de Dallas, ali começou seu treinamento, um pouco chateado porque seu pai ficou furioso com ele, ainda lhe soltou, prefiro que fiques, que continue fazendo sexo com esse teu amigo, que vaias para o exército.

Mas era tarde, no dia marcado compareceu, embarcou com outros rapazes da cidade no ônibus militar.   Se destacou logo, estava acostumado a exercícios pesados, lutar com os irmãos, tudo lhe parecia fácil, pediu para ir para a unidade motorizada, disse que tinha experiencia em oficina, mas pelo seu porte o mandaram treinar com a Policia Militar, sob o mando de um sargento, mais baixo que ele, forte como um touro, com ele aprendeu tudo.

Estavam para ir para sua primeira saída do pais.  Fazia um calor infernal no acampamento, resolveu tomar um banho, quando estava ali embaixo d’água, apareceu o sargento, levava uma toalha na cintura.  

Perguntou o que estava fazendo ali?

Disse que tinha muito calor, que não conseguia dormir, o homem tirou a toalha, tinha um corpo perfeito, se aproximou dele, o provocando, fizeram sexo ali, disse ao seu ouvido, já me masturbei muitas vezes pensando em ti.    Era pelo menos uns 10 anos mais velho do que ele.

O escolheu para chefiar o grupo.   Na véspera tinham dia e noite livre na cidade, passaram esse tempo todo num motel, fazendo sexo.   Este contou que era casado, que tinha filhos, mas que estava louco por ele.  

Quando embarcou, ele lhe entregou uma lista de soldados conflitivos de outras unidades, fique de olho neles, na lista constava o Mattei.    Ficou impressionado com sua beleza, mas viu que suas brincadeiras com os companheiros, estava carregada de brutalidade, coisa que não gostava.

Quando o surpreendeu com o Giorgio, ele estava de quatro, como o outro por detrás, pedia baixinho gemendo, mais por favor.  Quando o viu, o chamou, estava excitado, abriu suas calças colocando seu piru na boca, lá pelas tantas, disse ao Giorgio, tire o teu piru do meu cu, quero este que é maior.   Depois mais tarde sem parar nem um minuto, juntou os dois sentando em cima dos mesmo.   Estava alucinado.  Pensou esse garoto está drogado.  Depois lhe pediu se podia dormir numa cela, senão sairia em busca de mais.

Nos dias seguinte tentou conversar com ele, mas quando estava sóbrio, queria estar com ele, mas qualquer descuido, com alguma droga que conseguia não sabia a aonde, a coisa ficava feia, pior ninguém se atrevia a fazer gozação com ele, porque descia porrada.

Mas se apaixonou, o tentava manter o mais tempo possível perto dele, quando estava perturbado, pedia para dormir numa cela, assim se comportaria.  Quando foram feridos, na Alemanha, acabaram mandado para casa, pois simplesmente não se comportava, um dia o pegaram na farmácia do hospital, roubando drogas.

Nunca mais o viu.

Ele ao voltar para casa foi outra merda, claro vinha perneta como dizia um sobrinho, seu pai lhe fez serias acusações, tipo eu te avisei, se sentia vigiado 24 horas do dia, de noite urrava de dor, ou nos pesadelos, o colocaram para dormir no celeiro.

Descobriu que seu amigo levava a oficina mecânica do pai, quando o viu, o abraçou, mas não o beijou.  Logo lhe apresentou sua mulher, seus dois filhos.  Começou a trabalhar para ele, dormia no fundo da oficina, até que uma vizinha reclamou dos gritos.

Um dia o amigo apareceu, ele estava dormindo, no meio de um pesadelo, começou a gritar, o outro lhe abraçou, acabaram fazendo sexo.   Por duas vezes foi assim.  Mas chegou um dia, lhe disse que tinha que ir embora, gostava da sua mulher e dos filhos, com ele ali, não conseguiria, comprou uma moto foi embora.   Em San Francisco se meteu em mil confusões, mas precisando de dinheiro, começou a fazer vídeos de sado masoquismo, drogas.  Até que foi preso.

Guardou a moto num armazém, foi fazer reabilitação, a primeira de muitas, mas sempre voltava a recair.   Basicamente de moto rodou o pais.

Foi a Venice Beach, já sabia pelos conhecidos que Mattei estava morto, mas queria deixar o que estava com ele, com a família.   Lá conheceu o rapaz que trabalhava com seu pai, ficou alucinado por ele, mas no sexo, viu que seria impossível se controlar ali.  No dia seguinte foi embora, tentou de novo se controlar, mas sempre resvalava na tentação de dinheiro fácil, como não sentia já nada sequer nas penetrações, as coisas foram ficando mais duras.

Despertou num quarto branco, com o André olhando sua cara, tomando a pressão.   Estava falando enquanto dormia, quem é Mattei.

Uma larga história, talvez o homem que me fez cair nesse buraco, mas o amava.

Bom agora ficaras em observação uns quantos dias, depois volto a te operar, vais urinar sangue, mas não te preocupe.  Eu esta noite dormirei aqui contigo, assim tento controlar teus pesadelos.

Ficaram foi conversando a noite inteira, quando chegou de manhã estava morto de sono, queria tomar banho, não que o lavassem.   Dois enfermeiros, o colocaram de pé embaixo do chuveiro, ia passar a mão neles, mas se controlou, queria respeitar o André, o fato de o estar ajudando.

De tarde apareceu outro médico, o examinou junto com o André, lhe perguntou se aguentaria outra operação, ia operar seu reto, bem como o anus. Teria que ficar de lado na cama.

Escutou o médico falando, não sabe quantos casos já vi assim, as pessoas voltam da guerra destruídas, não tem medidas para encontrar uma escapatória no prazer.

Despertou de madrugada com o André dormindo segurando sua mão, ficou rindo, ele era até bonito assim dormindo, pela primeira vez em muitos anos fez um gesto de carinho em alguém, só escutou sua voz rouca dizer, continue.

Agora era aguentar um sem fim de exames, curativos, uma rotina que tomava todo o dia, comer só coisas liquidas.   Até que se sentiu melhor.  Uma enfermeira sempre vinha lhe perguntar se queria morfina.  Desde o primeiro dia lhe disse, se tomo uma gota, caio de novo no vicio de drogas, tenho que aguentar.

Todas as noites André vinha dormir ali, tinha mandado colocar uma cama perto da sua, segurava sua mão, quando ele começava a se agitar, a apertava.

Finalmente 10 dias depois, agora vamos para o final, o abriu outra vez, colocando um enxerto, quando ficares excitado, que vai depender de tua cabeça, o membro ficara duro, poderás ter relação sexual, embora não tenha esperma, pode ser que teu corpo volte a fabricar como um liquido no lugar disso.

A recuperação foi mais dolorosa que as outras, esteve tentado a tomar morfina, mas aguentou.

André o levou para o hotel, dormiram juntos outra vez, este o começou a provocar, mas nada, o deixou dormir, de madrugada o excitou, ele ficou como louco, sentia seu sexo outra vez duro, queria gritar.    André, começou a lhe masturbar, perguntando o que sentia.  Não podes ainda penetrar ninguém, pois pode abrir os pontos internos.     Fazia muito anos que não tinha prazer, se agarrou a ele para dormir.

Lhe avisou que iria para a Alemanha, trabalhar um tempo no hospital militar, se ele queria ir junto?

Vou fazer o que lá?   Ficarei chateado, logo me meterei em confusão.

Nas suas viagens, tinha ido até o Oregon, resolveu voltar, atravessando todo o pais, quando fez o último exame, lhe deram ok.   O médico que substituía o André, quando soube que ia de moto, lhe disse, que o melhor seria que fosse devagar.  Isso não era com ele, entregou a moto numa transportadora, foi de avião, assim quando esta chegasse ele já teria encontrado uma casa, um emprego.

O conseguiu fácil, agora, usava sempre a cabeça raspada, pois tinha os cabelos brancos, a bandana tinha virado um elemento de seu corpo.  A moto chegou, ia ao trabalho com ela, as vezes ia a praia, embora a agua fosse fria.   Ia todos os dias a uma piscina climatizada nadar, foi recuperando sua figura.   Mas não se interessava por ninguém, fazia exames periódicos com um médico que lhe tinham recomendado.

André as vezes o chamava, para saber como estava, me acostumei tanto contigo, que as vezes sonho que estou conversando.   Já fizeste sexo com alguém.

Não André, prometi ao meu médico que ele seria o primeiro.   Ele se matava de rir, agora ia para a França, fazer um curso num hospital.   Não posso parar dizia, me deprimo.

Ele ao contrário, estava levando uma vida normal.  Tinha menos pesadelos, estava sempre ocupado, quando caia na cama dormia como um bebê.

Ia agora, as secções de terapia de grupo de excombatente, escutavas seus casos, bem como ele os seus.    Fez camaradagem com alguns, outros se insinuaram para ele, mas ficou quieto.

Um dia apareceu um homem forte na oficina, para arrumar sua moto, já tinham feito sexo em San Francisco.   O homem o convidou para jantar.   Conversaram, este comentou o que tinha feito, ganhei dinheiro fazendo sacanagens, agora tenho umas terras aonde crio cavalos, desenhou como se ia até lá, se um dia queres vá até la.

O provocou, mas só de se lembrar das loucuras que tinha feito com esse, nessa noite teve pesadelos.    Sabia que não podia ceder à tentação.

Uma ano depois, até ria, levava uma vida de casto, dizia brincando ao André que pensava entrar para um mosteiro, se masturbava quando sentia desejo, algumas vezes pensando nele.

André disse que estaria em San Francisco, por uns três meses, ficarei trabalhando num hospital da marinha, venha ver-me, gostaria de estar contigo.

Pediu demissão do emprego, o dono tinha justo um irmão com outra oficina de motos em San Francisco.   Alugou um apartamento pequeno, quando André chegou, o apertou, vejo que estas ótimo, perdeste aquele jeito de derrotado, pela tua cara, vejo que tens paz.

Lhe contou como tinha feito esse tempo, do sujeito que tinha aparecido, consegui me conter para não cair na mesma esparrela.

Nessa noite, os dois fizeram sexo, com ele era diferente, tinham o mesmo tamanho, se encaixava a perfeição, André pediu que o penetrasse, queria saber como ele se sentia, ficou como louco, uau, mostrou depois, a ele como que um liquido saído do pênis, como se fosse um esperma.   Isso é teu corpo reagindo.  Nesse tempo trabalharia menos, quando chegava em casa os dois jantavam, conversavam como tinha ido o dia.   Era o que tinha sonhado com seu amigo de infância.   Ter um relacionamento a sério.   Tinha poucos pesadelos, tanto um como o outro.

Chegou à prova dos nove, André disse que tinha possibilidade de ficar ali trabalhando, estou cansado de estar de um lado para o outro.   Gostaria de estar contigo para sempre, aprendi a te amar.

Num primeiro momento, seu instinto dizia que devia ir embora dali imediatamente.  Mas passou dois dias tristes, mas claro dessa vez, comentando tudo que pensava, os seus medos, a cidade cheia de tentações,

Acabaram indo para uma cidade pequena, André podia seguir operando.  Vivia pela primeira vez um relacionamento, as vezes olhava pais com filhos, sentia vontade disso ser pai.  Mas depois pensava no seu passado, era como empurrar a ideia para o fundo da sua cabeça afinal não tinha mais idade para isso.

Um dia na oficina, um rapaz que vivia ao lado, se aproximou, lhe mostrando um celular, aonde ele era penetrado por vários homens.  Lhe disse na cara que queria fazer isso com ele, que tinham um membro que não se cansava.   Olhou para o rapaz, lhe deu dez minutos para sair dali, antes que quebrasse sua cara.   Bom posso mostrar isso para todo mundo.   Justo nesse momento, um cliente que era da polícia, estacionou o carro, segurou o rapaz, chamou o outro, lhe disse o que acontecia, estava sendo ameaçado.  Este levou o outro para a delegacia.

O policial, voltou, soltou que o entendia, mas que ele sempre fizesse isso, os erros do passado servem para que os acossem.   Não se deixe vencer.   Contou que tinha um filho, que por ter matado um traficante, falaram para seu filho que ele era um assassino.  Mas eu lhe expliquei que cuidar e proteger as pessoas era minha profissão.

Vinha sempre falar com ele, apresentou seu filho, o garoto queria andar de moto, deu uma volta com ele. Correu para o pai rindo, me sinto como se tivesse voado.

André tinha ciúmes, dizia esse homem vai te roubar de mim.   Queria voltar para San Francisco ou NYC, pois sentia que a cidade era pequena para ele, a relação dos dois também estava em campo morto.  Já não era a mesma coisa.   Acabou indo embora, ele resolveu ficar, o dono da oficina, lhe ofereceu sociedade.

Um dia jantando com o policial, esse disse que não tinha precisado ver o vídeo do garoto, o conhecia, o tinha reconhecido desde que chegara na cidade.   Fiquei te observando para saber que tipo de pessoa eras.  Meu filho te adora, um final de semana venha passar conosco, vivia fora da cidade numa pequena sítio.  Tinham inclusive cavalos.

Dormiu lá, de noite Henry, o policial, veio ficar com ele, tiveram um sexo sensacional, ele pensou agora que terminamos, ele se vai levantar ira para o outro quarto, nada disso, se agarrou a ele, esperei isso muito tempo.   Agora levavam anos assim, vivia ali no campo, aonde tinha reencontrado seu amor pela terra, tinha uma horta, um filho que adorava.   Saiam os dois a cavalo, quando Henry estava era melhor.

O garoto entendeu o que se passava, agora tenho dois pais.  Nunca se preocuparam com o que as pessoas podiam falar, levavam a vida deles, o resto para eles era resto.

Finalmente tinha paz de espírito, era raro ter pesadelo.   Nunca mais viu o André, mas agradecia o ter curado de seus problemas.