lunes, 18 de mayo de 2020

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Essa bendita música de Bach, ele detestava, perguntou ao monitor, se não podia colocar outra, a desculpa era que essa música relaxava.
Pois a mim me faz ficar tenso, pois me irrita muito, esse violino, é muito chato, alcança meu celular, escolherei a música que quero para fazer fisioterapia.                        Escolheu a música, o fisioterapeuta ficou alucinado, como gostas desse tipo de música?
Necessito de energia, essa música me dá isso, vontade de lutar, era sua música preferida, Tannhaüser de Wagner, era vibrante, deixou de escutar o homem falando, sabia todos os exercícios que tinha que fazer.  Só falou quando pediu que o pusesse na barra paralela, queria experimentar, para ver se podia se colocar em pé.
Fazia isso numa base militar, graças a sua tia.  Ela era comandante da Marinha, médica, no momento estava de viagem a uma base militar, para dar orientação, sobre um novo sistema de amputação aos médicos que trabalhavam ali.   Esse novo sistema, fazia com que fosse mais fácil depois o uso da prótese.   Era uma mulher respeitada.
Ele tinha tido sorte, quando a avisaram o que tinha acontecido, foi o mais rápido possível a cidade aonde vivia com sua mãe, seu pai.  A tragédia estava consumada.
Ele tinha sido gestado para salvar sua irmã,  seria o doador de medula óssea,  para ela, era a paixão dos pais, uma garota linda,  o único jeito de salva-la era ter um irmão compatível com ela, depois de todas as pesquisas para encontrar um compatível.  Por azar, ela morreu antes de ele nascer, tinham feito contas erradas, ele nasceu quase um mês depois dela partir.
Seus pais nunca o perdoaram, como se culpa fosse dele.  Era quando pequeno, duas pessoas complicadas, bebiam muito, tinham brigas homéricas, um acusando o outro, era um inferno, ele ao contrario era um garoto tranquilo.  Inteligente desde pequeno, quando percebia o que ia acontecer, se escondia, por mais que o procurassem não eram capaz de encontra-lo.  Só aparecia depois da tormenta passar, ou seja, quando caiam na cama, bêbados de tudo.
Tudo foi a pior com o passar dos anos, a polícia chegar diante da casa, chamada pelos vizinhos que escutavam os gritos, coisas quebradas, já era uma coisa habitual.  Ele aprendeu a chamar a mesma, sabia inclusive com quem falava.   Infelizmente não tinham serviços sociais da cidade.
Quando entrou na secundaria, era um bom atleta, estudioso, seus trabalhos que fazia na biblioteca era sempre os melhores, mas amigos nenhum, quem queria ser amigo de um sujeito que os pais viviam indo presos, estavam sempre bêbados.
Na frente de sua casa vivia a melhor amiga de sua tia, avisava a esta do que estava acontecendo, mas ela não interferia, pois seu cunhado não a suportava, tampouco sua irmã, porque era lesbiana.   Militar ainda por cima.
Seus dias, eram sair para a escola, tomando café que ele mesmo preparava desde os 10 anos, um pedaço de pão que normalmente estava velho, mas tinha que forrar o estomago, quando saia, a amiga de sua tia, o estava esperando na esquina, com um lanche para a escola, ela trabalhava na biblioteca.   O deixava ficar ali, todo o tempo possível.  Depois de treinar natação que adorava, pois na água se relaxava.  Podia ficar horas na piscina, depois das classes, comia as sobras do lanche, ia para a biblioteca.  Estudava, fazia as tarefas, conseguia sempre aprovar com louvor.   Como as vezes não tinha o que fazer, passava a pesquisar os trabalhos do ano seguinte.   Se adiantou tanto, que com 16 anos, estava pronto para ir a Universidade.   Sua situação era precária, se sua tia não mandasse dinheiro para ele, pela amiga, ele não sabia o que faria.   Escondia esse dinheiro.  Ela sempre lhe mandava uma carta junto, pedia desculpas, mas no momento estava fora do pais.  Assim foram passando os anos até que a situação chegou ao limite.    Não havia semana que os pais não fossem parar na cadeia, era ele que chamava a polícia quando a coisa passava dos limites.
Chegou em casa, ia se esgueirar para seu quarto, quando sentiu que o pegavam por detrás, desta vez, não vais escapar.  Seu pai era tremendamente forte, quando estava nessa situação era incontrolável.   O jogou no chão da cozinha que estava cheia de sangue.   Ali estava sua mãe, cheia de marcas na cara, pelo visto tinham brigado antes dele chegar.
Ai estão os dois culpados de minha menina ter morrido, agora irão pagar caro, começou a gritar a ela, que era uma idiota, que não sabia nem contar, era sempre a mesmas acusações, que o tinha enganado, os tiros ele sabia por aonde iam, se esgueirou até o telefone, quando viu o revolver em cima da mesa, ficou apavorado, quando a mulher atendeu, ele disse do revolver, que estava descontrolado, mas já era tarde o primeiro tiro foi na cabeça de sua mãe, o segundo em direção a ele, tentou escapar, mas foi pior, o tiro o atingiu, tudo ficou negro.   Segundo soube depois, o terceiro tiro foi para ele mesmo, colocou a arma debaixo do queixo disparou. Quando a polícia chegou tudo era um mar de sangue.    Um policial viu que ele ainda tinha pulso, foi para o hospital, mal chegou ao fazerem um scanner, viram que a bala estava alojada na coluna, que teriam que operar, mas não havia nenhum médico especialista nessa área.
A amiga de sua tia, a chamou, contou o que tinha acontecido, como ele estava esperando por alguém que o pudesse operar.  Sua única resposta, a cavalaria, vai chegar.   Na pequena cidade, não estavam acostumado que um helicóptero do exército descesse ao lado do hospital, dele saíram várias pessoas, direta para a sala de operações, estavam contendo uma hemorragia.   Nita, ou Anita, sua tia, tomou rapidamente conta da situação, tinha trazido com ela uma enfermeira especializada, bem como um médico amigo dela, treinado especialmente para esses casos, ele olhou rapidamente os scanners, tomou providências.
Abriu sua maleta de cirurgia de emergências,  sabia que os hospitais dessas cidades lhes faltava de tudo, teriam que opera-lo de lado, pois a hemorragia era na parte da frente por aonde tinham entrado a bala.  Viu que a coluna estava inchada, com sumo cuidado, muita paciência, numa operação de horas, conseguiu retirar a bala, bem como parar a hemorragia, mas claro, nada era perfeito, nesse tipo de operações, sempre se afetava os nervos em volta.
Quando ele saiu de coma dias depois, a pessoa que viu ao seu lado, foi sua tia, segurando sua mão.  
Olá meu garoto, agora já estas fora de perigo.  Avisou a enfermeira, para chamar o médico, eles estavam aproveitando esses dias para atenderem todos os casos que haviam no hospital, que no momento não contava com médicos para operação.
Quando esse saiu da sala de operações, foi dar uma olhada no paciente.  Ele olhou ao médico, pensou, parece um deus.  Alto, com os cabelos loiros imensos, rebeldes, uns olhos azuis cristalinos.
Me olhas assustado, por quê?
Pensei que estava no céu, que tinha morrido. Pareces a imagem de um santo.
Sua tia riu, como sempre fazia, sua risada era um escândalo, esse senhor é o maior pecador que conheço.   Estas em terra firme, marujo.
O médico se sentou, primeiro se espreguiçou, estou morto de cansaço, primeiro olhou os aparelhos,  que eram velhos,  bom, já podemos ir embora, o preparam para levar para a base em San Francisco.
Ela o tranquilizou, mandei enterrar teus pais, aos lados dos avôs, embora não merecessem estar ali.  Esse dois nunca foram certos da cabeça.
Ele não fez, nenhum comentário.  Nunca tinha recebido carinho, um gesto sequer, tinha sido o filho que chegou tarde demais para salvar sua irmã.
O transportaram numa maca, até o helicóptero, foi para o outro hospital.   Lá o médico, lhe contou como ele estava, quando comentou que não sentia as pernas.  
Se tivéssemos sabido ao momento, não como aconteceu, quando cheguei, os tendões, os nervos estavam todos inflamados, pode levar pelo menos uns dois anos, para que possas outra vez andar.  Mas isso não te impedira de estudar, de viver.  Nesse tempo terás que usar cadeira de rodas, fazer fisioterapia, mas chegaras ao porto.
A princípio foi duro, o que como sempre gostava, era quando o colocavam na piscina para fazer exercícios, aprendeu rapidamente a sobreviver a sensação que ia se afogar.
Agora que sua tia estava fora, ele se movia pela base, diretamente a fisioterapia, em cadeiras de rodas especiais, ia falando com as pessoas, todo mundo o tinha recebido bem.
Sua tia teve que mover os papeis, conseguir que o juiz lhe desse a guarda dele, bem como a adoção por parte dela, para que ele pudesse seguir usando o sistema médico da marinha.
Convivia com os soldados que voltavam da guerra, mutilados, com problemas maiores que o dele.    Com isso entendeu que ele estava em melhor situação.  O que ajudava era que ninguém sentia pena dele, estavam preocupados mais com seus problemas para não ficarem em cima dele.     Fazia terapia, seu psicólogo dizia que pelo menos com ele escutava outros problemas que não fosse os complicados, como dos rapazes que voltavam da guerra.
Um em particular lhe chamava atenção, era um soldado que tinha voltado sem as duas pernas, mas era fortíssimo, da mesma maneira que era violento.  As vezes os enfermeiros tinham que usar força com ele.   A primeira vez que o encontrou na piscina, o olhou com indiferença, ele fez o mesmo, fez seus exercícios do outro lado, sem se importar com a presença dele, num determinado momento se voltou, viu que o mesmo estava no fundo, se afogando, nadou até lá mergulhou o trouxe a tona, ajudado pelos enfermeiros que tinham se distraído, o colocaram para fora da piscina.
Na vez seguinte, o olhou com um olhar dolorido, dizendo por que não me deixaste morrer?
Porque tua vida é importante, deves superar toda tua dor, seguir em frente, poderás andar antes de mim.
Mas tens tuas pernas?
Mas não me servem muito, pois estão mortas.
Lhe estendeu a mão, Howard, o meu é Bruce, como o homem morcego.
Ficaram rindo disso.  Levaram um tempo para falarem do que lhes tinha acontecido.  Quando disse a Howard que seu pai tinha atirado nele, que tinha tido uma infância horrorosa, deixou de reclamar.  
Em breve Howard, estava experimentando próteses, realmente começou a andar antes dele, ele continuava não sentindo as pernas, mas não se importava, ia a universidade, tinha hesitado muito que carreira queria seguir.   Tinha pensado em medicina, mas viu que seria difícil, por isso optou por outras das coisas que gostava, matemática pura, física.   Mas o que mais lhe apaixonava era a matemática.
Nos primeiros dias de aula, o professor foi colocando um teorema no quadro, quando terminou, ele já tinha a resposta, pois tinha feito o mesmo.  Pediu para falar, o senhor cometeu um erro de proposito para que os alunos não encontrem a solução. 
Levante-se venha até aqui, corrija o meu erro.  Ele foi em cadeiras de rodas, o outro não tinha percebido, como havia um estrado o professor pensou que ele não iria subir, mas nem por isso, seus braços eram fortíssimos pelos exercícios que fazia.  Inclinou a cadeira, deu um impulso, foi até aonde estava o erro, mostrou,  pediu a um colega, venha aqui, me ajude, não tinha vergonha de pedir ajuda.  Indicou como tinha que seguir, bem como a resposta.
O professor disse que tinha ganhado dois pontos, pois tinha percebido o raciocínio, bem aonde estava o erro proposital.
Quando ele disse ao professor, que já tinha resolvido todos os teoremas, as teorias que seriam a classe esse ano.   Lhe fez um exame, ele acertou tudo, inclusive um que o professor, tinha escrito errado, ele consertou, foi aprovado,   Acabou terminando a Universidade em dois anos, agora com 23 anos, se questionava o que fazer.  Continuava não sentindo as pernas, o médico no último exame, lhe tinha dito que suas reações eram normais, mas que talvez fosse uma coisa psicológica.
Por isso hoje queria tentar a barra. Ficar em pé para ele era fundamental.  Dois enfermeiros o ajudaram a se colocar na barra.  A sensação de estar em pé, com sua música preferida de fundo, eram fantástico, sentia vontade de vencer.  Apoiou  os braços na barra, tinha força suficiente, seu corpo musculoso, era impressionante.  Levou o direito para frente, depois o esquerdo, nem que se arrastasse iria até o final.  Qualquer coisa o distraiu, retirou o braço direito da barra, mas continuava em pé, a perna se deslizou para frente.  Tinha dado o primeiro passo. 
Semanas depois já conseguia mover as pernas na piscina.  Até mesmo sair dela sozinho, se sentar na beira da mesma, conversar com seu amigo Howard, que disse que o psicólogo lhe daria alta em breve.   Estava louco para voltar para sua cidade no interior do Texas.   Nada me segura aqui.
Ia dizer para ficar, mas não se atrevia, ia perder um amigo, talvez seu primeiro amigo na vida.
Howard riu, dizendo, precisas ver tua cara, não queres que vá embora, diga, mas tens que dizer por quê?
Vou perder o primeiro amigo que tenho na minha vida, vai ser difícil, vou sentir muito tua falta.
A resposta tampouco esperava.
Eu de ver esse corpo incrível que tens, estavam só os dois na piscina, sentados lado a lado, caramba vou ter que tomar iniciativa de tudo. O puxou para ele, lhe deu um beijo na boca, sem ti, não sei o que faria.  
Foi melhor do que pensou, mas ainda era difícil se manter em pé, a não ser com muletas, o médico tinha lhe falado que em breve ele poderia usar bengalas.
Estava sozinho em casa, o convidou para ir até lá, teve a primeira relação sexual de sua vida, mas de qualquer maneira Howard foi embora, de um dia para outro disse que tinha que partir, pois sua família necessitava dele.   Foi uma despedida cruel.
Ele precisava encontrar um emprego, mas claro, tinha escolhido uma profissão difícil, se candidatou uma pós graduação no MIT, Massachusetts Institute of Technology, mandou todos os trabalhos, esperou ansiosamente.
Sua tia nessa época voltava de uma viagem, em que tinha estado mais de seis meses fora, o apoiou para conseguir o que queria.   Em breve estarás andando normalmente, nada mais natural que sigas tua vida.   Eu poderia me aposentar daqui uns três anos, mas penso em seguir trabalhando, afinal foi o que fiz a vida inteira.
Ele foi aceito, isso encheu seu coração de esperança, lá continuaria sua reabilitação, bem como podia usar a piscina da universidade.
Se dedicou com afinco, buscou uma coisa que fosse interessante para a pós graduação, embora num primeiro momento ficasse decepcionado com os professores, esses mantinham uma distância considerável com os alunos.  As perguntas, as dúvidas, eram tudo com hora marcada, com antecipação.                 As vezes quando chegava seu momento de falar com o professor, ele mesmo tinha resolvido sua dúvida,  mas nem assim recebia uma felicitação, finalmente entendeu que esse era um procedimento de todos.           Aproveitou seus momentos livres para fazer cursos de língua, para ajudar nas suas pesquisas.          Viu num quadro, um chamamento a uma análise matemática de alto rango para o exército, por curiosidade foi, era para a agência espacial.   O salario era bom, mas falou antes com sua tia.  Ela lhe disse para pensar muito era uma vida sacrificada, isolada, continuaria tendo poucos amigos, lhe passou um número de celular, levou dois dias para conseguir falar com a pessoa.   O homem que o atendeu, um amigo dela, lhe disse que depois o chamava, pois vinha de dois dias sem descanso, estou muito cansado, preciso dormir.
Realmente devolveu a chamada, quando lhe fez a pergunta que o preocupava, o outro foi claro, viveras num gueto, estou aqui a cinco anos, mal sei os nomes dos meus  companheiros, embora passemos o dia inteiro fechados numa sala.  As vezes como ontem, quando me chamaste, faziam dois dias que não dormia, estou esperando acabar o meu contrato para cair fora, estou totalmente isolado, os outros tem família, eu não, chego a uma casa vazia, como comida congeladas, ou sanduiches.  Pode ser interessante a nível intelectual, mas chegas a uma idade que o nível intelectual só não compensa.
Quando pediram sua resposta, declinou, tinha vivido toda sua infância e juventude fechado em si mesmo, precisava de gente para viver, nem ali no MIT, tinha feito amizades,  começou sim a sair, procurar viver.   Mas como as pessoas estavam todas viradas para seu mundo particular, era os famosos romances de uma noite, depois era capaz de encontrar a pessoa, esse sequer dizer bom dia.
Recebeu uma oferta para a Universidade de Nova York, aceitou, era um contrato de dois anos, para substituir um professor que fazia pós-graduação na Alemanha.
Seu primeiro dia de aula, foi um desastre, todos alunos, ali com um celular na mão, esperando tudo de mão beijada, fez o que seu professor tinha feito, colocou no quadro um teorema com dois erros,  ficaram desesperados, mas não encontraram a solução.    Ele parou no meio da sala, fez a pergunta, vocês analisaram tudo que está no quadro.  Todos responderam que sim.
Nada estranho, silencio, levaram até o final da aula para descobrirem os dois erros.  Um dos alunos reclamou que isso era ter que pensar muito.   Que o professor anterior, lhes dizia o exercício do livro, nada mais. 
Bom eu como não sou o professor antigo, aviso, minha aulas são para pensar, não quero ver nenhum celular, em cima das mesas.   Estão aqui para pensar, não para passar o tempo.
Com alguns funcionou, ele ficou surpreso, pois pensava que os que escolhiam essa matéria, era porque gostavam de matemática.   Deu um exame surpresa, só dois podiam dizer que teriam sido aprovados.   Abriu sua sala para consultas, nenhum aluno.
A única vantagem que tinha, era que começava a ter vida social, saia para jantar, conheceu gente nos bares, teve aventuras, ia aos museus pela primeira vez, a aprender arte.  Enfim tinha seu lado bom.
Agora as turmas que tinham três aulas na semana, um dia usava para dar uma prova.  Resolveu fazer uma coisa, colocava a teoria inteira, com final, tinham descobrir um erro colocado ali de propósito.  A maioria começou a mexer a bunda como ele dizia, um deles, que se achava um sabe-tudo, disse que isso não era motivação.   Então o desafiou a encontrar os erros.  Esse por mais que revisava não encontrava.  Mostrou que eram duas besteiras, uma virgula, uma letra mal posta.  Se vais te dedicar a pesquisa, um pequeno erro será uma tragédia.
A que pensas em te dedicar. O rapaz disse que pensava em entrar para a Nasa.
Bom eu fiz o teste de seleção da Nasa,  não aceitei por muitos motivos pessoais, me lembro perfeitamente do exercício principal, vou colocar no quadro, todos tem uma semana para resolver, podem vir me consultar para qualquer dúvida.
Pela primeira vez, alguns alunos foram a sua sala.  Aproveitou para conversar com eles, para saber a meta de cada um.  A maioria era ambiciosa, mas desmotivada.  Procurou saber aonde estava o problema.   Não foi difícil, a maioria era de família rica, na verdade eram inteligentes, mas não tinham problemas a curto prazo.
Entendeu, aonde estava o problema, a muito custo, buscando motivar os alunos, aguentou os dois anos de contrato.   Quando o professor voltou, conversou com ele, como fazia.
Não me preocupo muito, tenho meu trabalho a parte, o que quiser aprender que se esforce, os que não, deixo irem ver a vida.
Se sentia frustrado com a vida de professor.   Um conhecido, com quem tinha saído duas vezes, lhe disse que ele vinha do sul, de Georgia.
Pensou muito, mandou seu curriculum, para o Instituto de Tecnologia de Georgia, foi aceito para o semestre seguinte.  Nesse tempo o contratavam para ser um professor com a obrigação de consultas para os alunos.   Decepcionado com o de NYC, quase não aceitou, mas depois pensou, esse tempo eu poderia ir me adaptando a cidade.   Lhe ofereceram um alojamento, num edifício para professores, ele era o único que não tinha família.
Foi interessante.  Ele tinha que assistir aulas com os alunos, depois os recebia, sabendo o que o professor tinha proposto.   A ânsia de aprender, principalmente dos bolsistas, a maioria eram negros, era diferente.  Tinha paciência de reexplicar numa linguagem coloquial, a teoria, dizia sempre vocês tem uma arma excepcional, a cabeça, façam com que funcione, questione o porquê, recomessem o exercício quantas vezes façam falta.  Descobriu no meio deles um de uma inteligência impressionante, mas cometia falhas por sua ansiedade.
Conversou muito com ele, era um mulato sarará, levou um tempo para entender, pois não o via em nenhum grupo.  Este lhe explicou, para os brancos, sou negro, para os negros sou branco, então não sei aonde me situar.
Contou a ele, seu exemplo, eu fui em minha época de estudante um paira na escola, meus pais eram alcoólicos, volta e meia o carro de polícia estava em frente a minha casa, os alunos recebiam ordens dos pais para não se misturarem comigo.  Passei todo esse período em silencio, passava meu dia na biblioteca estudando.  Hoje até agradeço essa gente não se aproximar de mim, pois eu fui em frente, eles ficaram para trás.
Se precisas falar com alguém, fale comigo, estarei aqui pronto para tirar dúvidas, conversar contigo.  Tinha uma aluna, negra, muito especial, era inteligente, agora vinha sempre tirar dúvidas, disse que sentia uma pressão impressionante, pois tinha que ser a melhor, sou a primeira da minha família a ir a uma universidade.
Tens que pensar que isso é uma carga fútil.   Es a primeira, mas nem por isso a única, quantas outras mulheres fora a primeira a dar um passo em alguma direção.  Também sofreram dúvidas, angústias, tudo ao mesmo tempo.   Não tinham ninguém em quem se apoiar, mas você tem, suas amigas, faça amigos.
A resposta foi que a maioria das mulheres que estavam ali, procuravam um casamento, com algum homem que tivesse futuro, quanto aos homens, o primeiro que queriam era se aproveitar para fazer sexo. 
Ele foi juntando um grupo de pessoas que tinham um objetivo, mas tinha um problema, não eram práticas.   Os reunia uma vez por semana, para conversarem, trocarem ideias, as vezes ria muito, porque avançavam o sinal, agressivamente.    Isso ele cortava rapidamente, voltando ao raciocínio que não tinham que provar nada a ninguém, a não ser a eles mesmos.
Sempre falava com a tia, volta é meia, falavam dos problemas que encontrava, nunca deixava de perguntar pelo médico que o tinha operado.  Estava sempre pelo mundo.
Estava corrigindo os últimos exames, teria agora 3 meses de férias, quando foi chamando dizendo que sua tia tinha sofrido um enfarte muito perigoso.         Pegou o primeiro voo para San Francisco, foi direto ao hospital, foi cumprimentando enfermeiras, seguranças, todo pessoal que tinha conhecido em sua estadia ali.   Caminhava bem, apoiado numa bengala.    Quando chegou ao quarto aonde estava a tia, lá estava o médico.                      Agora, com muitos cabelos brancos misturados com os loiros.  Se abraçaram, meu salvador, meu herói, foi dizendo de brincadeira, como está a paciente.
Rebelde como sempre, mas já está melhor, um pequeno contratempo com o braço direito, mas com fisioterapia vai melhorar.
Foi ficando cuidando dela, fazia a comida, conversavam, as vezes o médico vinha vê-la, o que para ele era um prazer.  Escutava o que dizia, reclamava que não aguentava mais ver as merdas que via nos hospitais de campanha.   Esses meninos não têm culpa dos governantes que temos que por qualquer motivo provocam uma guerra.
Tenho dinheiro guardado, vou tirar uma licença sem vencimento.  Não sei como consegues seguir trabalhando?  
Ela respondeu que era o que gostava.
Se virou para ele, por que ficas sempre me olhando desse jeito?   Nunca falas nada, estás satisfeito com tua carreira.
Bom a primeira, eu quando acordei da operação, quando te vi, pensei que estava no céu, que eras um anjo que vinha me ajudar, por isso não me canso de te olhar.
Segundo, estou tão frustrado como tu, tive que inventar sistemas para incentivar a gente jovem a pensar, a querer alguma coisa.               Cheguei a conclusão que os que sofreram, os que tem problemas são os que vão a luta, os jovens de hoje estão mal acostumados, tem tudo de bandeja, com seu celular pensam que são reis do mundo, não fazem um esforço para usar a cabeça, perceber nada em sua volta.             Então reúno os poucos que querem ir à luta, a eles ensino realmente como buscar algo.   No último semestre, esse grupo se resumia a 3 pessoas, é muito frustrante.       Creio que procuram que sejam como eu.
Nunca tinham se dado a mão, quando o acompanhou até a porta, ao apertarem a mão, sentiu algo, não sabia explicar, ficaram os dois ali, um olhando para o outro, foram se aproximando, acabaram se beijando.    Bob disse que voltava no dia seguinte para ver a paciente.
Mas no dia seguinte a paciente estava morta,  tinha morrido durante a noite, um outro enfarte fulminante a levou.   Ele pela primeira vez sentia a dor real de pena de perder alguém, quando soube que seus pais tinha morrido, a sensação foi de alívio, não de pena.
Bob o ajudou a resolver tudo, disse depois que tinha alugado uma casa na praia, que iria passar uns dias ali, se ele queria ir junto.
Tinha vontade de dizer, contigo, vou até o inferno.
Bob, falou muito da amizade dele com sua tia, nem sei como ela sobreviveu nesse mundo cheio de homens com preconceito, mas nunca a escutei reclamar de nada.   Sempre foi batalhadora, a pessoas a seguiam no trabalho, como uma messias.
Pois é eu pensei em estudar medicina por causa dela, por ti também é claro, mas estava numa cadeira de rodas, ficava me imaginando numa sala de operações, não me convencia.
Bob disse que o mar tinha sempre lhe fascinado, venho de uma família de pescadores, fui o primeiro ir a universidade, na minha área de especialização, só no exercito encontrei uma saída, foi quando conheci tua tia.                Virei seu escudeiro, íamos a lugares terríveis, quando voltava necessitava de um psicólogo para colocar tudo para fora.    Ela ao contrário, guardava  tudo, dizia que em sua juventude tinha visto merdas também, que podia aguentar.
Quanto a sua vida pessoal, era como bater contra um escudo de aço puro, nunca ouvi falar de relação nenhuma, nada.
Eu ao contrário, a romance frustrado, corria para contar para ela.  Ela percebeu que tu gostava de mim, me disse que eras uma criança, que eu não me aproximasse.   Mas te vigiei todos esses anos, ela me contava todas vossas conversas, algumas vezes estava na casa dela, te escutava falando de tua vida.  Ela me dizia para participar, mas achava que não tinha esse direito.  Mas nosso beijo de outro dia, me fez ver, que apesar da diferença de idade, eu também me sinto atraído por ti.
Sempre serás meu anjo, isso tenho certeza, pois as vezes sonho com isso, principalmente se me lembro alguma coisa do meu passado, apareces no final para me ajudar.
Nessa noite na casa da praia, tiveram seu primeiro encontro sexual.   Nunca tinha acontecido nada com ele a esse nível.  Foi emocionante.    Passaram os dois rápidos demais, pois falavam sem parar.  O que vais fazer afinal, não quero te perder.
Nem eu a ti.   Creio que aceitarei qualquer convite para ser médico num hospital aonde tu vivas.
Isso não vale, eu ia dizer a mesma coisa, ficaram as gargalhadas.   A universidade de Georgia queria que seguisse dando aulas, mas ele queria ter a liberdade de dar aulas de outra maneira.
Bob disse que mandaria um curriculum seu ao hospital da cidade.  Foi aceito, mas antes foram até lá para ver.  
Ele propôs a universidade, fazer uma coisa diferente, daria um teste aos alunos, escolheria os mesmo, para um curso de como pensar a matemática, que isso pudesse fazer com que esses alunos pudessem ir em frente.
Concordaram, dizendo que seu tempo ali, tinha aumentado o número de alunos, interessados, que ele podia fazer como queria.
Colocou um anúncio,  pelo menos cinquenta alunos se inscreveram, ele elaborou os exercícios como pensava, tinham não só que procurar os erros, mas como pensar.   Os que passassem teriam uma entrevista.
No dia do teste, um aluno chegou alucinado, tinha tido um problema na sua comunidade, chegava 10 minutos atrasados, era um mulato com os cabelos Black Power, parecia a juba de um leão, lhe disse que teria que correr.   Foi o melhor teste, estava perfeito.
Dos cinquenta, selecionou, 30 que tinham mais ou menos resolvido as questões, as entrevistas nem tanto, a maioria das respostas eram, queriam fazer o curso com ele, pois lhes daria prestígios.  Os que lhe diziam isso, os mandava para casa, para trabalhar no campo, porque prestígio se ganha trabalhando, não porque o professor tem um curriculum bom.
O tal aluno, disse que em primeiro lugar, precisava escapar do gueto que vivia, preciso ser alguém, amo a matemática, as vezes dormindo resolvo as questões que não pude durante o dia pois tenho que trabalhar.   Lhe lançou um teorema complicado, terás que pensar, resolver  mentalmente, se fazer cálculos, usando somente a tua cabeça.   O rapaz fechou os olhos, 10 minutos depois deu a resposta certa.
Não te candidates-te a nenhuma bolsa de estudos?
Não tive nenhum professor para me apoiar, aqui se necessita disso. 
Pediu o curriculum dele, discutiu com o reitor, até que conseguiu uma bolsa de estudo completa para ele.
O problema dele, era aonde morar.  Ele dividia seu apartamento com o  Bob, embora ele sempre estivesse em urgência dos hospital, pois era aonde gostava de trabalhar, disse que precisava de adrenalina.
Fale com ele, explique que vivemos juntos, se ele quiser um quarto, o outro está vazio.
Foi o que fez com, chamou o aluno para conversar, ele não escondia que vivia com o Bob, ninguém tinha nada a ver com sua vida.
Disse que só podia lhe ajudar dessa maneira, lhe oferecer o quarto que sobrava de sua casa, contou que vivia com o Bob, mas que era uma casa diferente,  a maior parte da sala, esta ocupada com meu lugar de trabalho, um pequeno espaço, com um sofá, para ver televisão quando preciso sair da minha cabeça, tudo muito simples, não preciso de nada mais que isso, Bob é igual, vive para trabalhar na Urgência do hospital, passou a vida viajando de hospital em hospital do exército, de guerra em guerra.  É uma pessoal especial.
Se quiseres amanhã, ele está livre, venha jantar, conversar com a gente. Se aceitares, pode ficar lá em casa.
Foi um jantar descontraído, riram muito, pois gostavam de coisas parecidas, quando contou aos dois a música que gostava, apesar que quando estava em casa, pouco escutava música.
Geo, ou Geoffrey, amava o Jazz, sempre que posso vou a algum lugar escutar.   Um dia se quiserem podemos ir juntos.
Na semana antes de começar as aulas, trouxe suas poucas coisas, disse que até esse momento vivia na casa de sua tia.  Ela deve estar contente em se ver livre de mim, ao mesmo tempo vai sentir minha falta, pois apesar de ter filhos da minha idade, eu era o único que levava dinheiro para casa.    Os dois estão metidos com bandas.
A convivência, não foi difícil, gostava de escutar os dois conversando, debatendo algum assunto, as vezes entrava na discussão com um ponto de vista diferente.
Começou as aulas, desta vez, avisou ao reitorado, a matéria, levei meses preparando, não admito interferências. Quero que eles sejam os alunos mais brilhantes da universidade.
Só uma pessoa desistiu no meio do caminho, o resto seguiu em frente, quando acabaram o curso todos puderam optar por excelentes pós graduações.   Geo, disse que preferia que ele o orientasse na tese que pensava fazer.  Se o aceitasse, seria a primeira tese em matemática pura na universidade.
Logo outras universidades se interessaram no seu método de trabalho.  No ano seguinte, uma série de professores se interessaram de assistir ou mesmo receber aulas com ele de como dar o curso.    Começou a escrever sobre isso.   Agora seu tempo estava quase todo ocupado, menos para o Bob, este disse que tinha perdido tempo, antes tivesse te procurado antes, mas eras muito jovem, tinha medo.
Estava fora dando um curso para professores em San Francisco, quando Geo lhe chamou, Bob tinha tido problemas no trabalho, tinha sido raptado por uma banda, para tratar de um chefe que tinha levado tiros.    Apareceu duas semanas depois, o tinham ameaçado de todas as maneiras.   Eu achava que na guerra era pior, mas a guerra aqui da cidades é horrenda.
O pior foi que a polícia o passou a pressionar, para dizer aonde tinha estado, ao mesmo tempo que uma outra banda queria saber a mesma coisa.   Um dia saindo do hospital, se viu no meio de um tiroteio entre a polícia, uma banda, morreu no mesmo instante que uma bala perfurou sua cabeça.
Foi enterrado ali mesmo na cidade, com honras militares.
Ficou lhe faltando uma parte dele, Geo se preocupava, as vezes o via respirando com dificuldade.    Lhe dizia que era a pressão que sentia pela falta do Bob.           Mas foi levando sua vida em frente, agora era convidado para dar seminários.    Chegou a conclusão, que isso pouco funcionava, pois encontrava sempre a maioria dos professores desmotivados.             Alguns não estavam preparados para dar aulas, buscavam um porto seguro para suas vidas, se conformavam com isso.
O duro era chegar a conclusão dos conflitos de gerações, o mundo andava rápido demais, muitas novas tecnologias, que a maioria nem entendia, usava sem fazer um esforço para pensar, para discutir.   Quando se sentava no campus da universidade, o que notava era isso, a maioria nem conversava entre si.
No ano seguinte quando entrevistava os alunos, falava disso, que não permitia o uso de acessórios.  Quando perguntavam o que era acessórios, lhes indicava o celular que tinham na mão, estas numa entrevista que vai definir tua vida, ao mesmo tempo, esperas que esse animal viva um segundo para ti.  Isso não é permitido.
Agora estava preparado, exigia que os alunos, apresentassem propostas, análises de como eram escritos os algoritmos, que eram desenvolvidos matematicamente para fazerem os computadores funcionar, bem como os celulares.  Fazia os exercícios de matemática pura em cima disso.   Ele mesmo teve que ler uma quantidade imensa de textos, livros, junto com Geo para entender tudo, colocou na sala de sua casa, um quadro aonde desenvolvia as questões, voltava a vibrar com a matemática.
Os alunos ficavam loucos.         Quando alguém ousava a consultar o celular, ele exigia ver qual programa estava usando.               O aluno devia decifrar o  algoritmos do mesmo, com pena de suspensão.  
Convidava gênios dessa nova safra de homens de computadores, de aplicações, embora a maioria nem soubesse desenvolver um trabalho matemático em cima do tinha construído, analisavam o programa, aonde por não ter usado a matemática, a coisa deixava passar segurança.    Muitos desses novos gênios agora vinha fazer aulas com ele.
Conseguiu que as companhia dessem bolsas de estudos para esses jovens, depois fariam estágios nas empresas.   A maioria voltava frustrada, pois tudo era feito nas cochas como ele dizia, havia uma necessidade de alimentar a fome do ser humano em novas tecnologias  que eles jamais saberiam usar em profundidade.
Geo um dia lhe disse que se prepara-se que iam sair de noite, pensou que era para ir a um concerto de Jazz em algum bar.  Já tinha uma desculpa na ponta da língua, quando Geo lhe disse ao ouvido, pois estavam na universidade.  Vamos a um encontro de hackers da internet profunda, a negra.
Foi um amor à primeira vista, todos ali eram jovens, por si só tinham desenvolvido processos de trabalho, através da intuição, ali encontrou alunos que realmente gostavam de matemática na informática.  Ele mesmo aprendeu a trabalhar.    Se reunia com eles duas vezes por semana, cada lado trazendo uma informação diferente.
Entravam nos espaços livres dos programas do governo, isso o divertia, pois não tinham ideia de que esses buracos eram criados por não saberem usar a matemática.
Escreveu um livro, sobre os buracos justamente num programa usado por uma das grandes empresas, essa o tentou de todas as maneiras o fazer calar-se.  Estava sendo vigiado em sua casa, se sentiu jovem outra vez, se escapou, se reuniu com o grupo, bloquearam todo o programa, fizeram a empresa reconhecer as falhas, que nunca eram testadas, embora os usuários reclamassem.
No porão do edifício, descobriu um lugar longe de tudo, ali criou sua internet profunda, já que o estavam sempre vigiando.   Divulgou por ali, o dia que o FBI, entrou em sua casa, que reviraram sua mesa de trabalho, no dia seguinte todos os jornais de internet divulgavam o fato, a Corte suprema foi chamada para se pronunciar a respeito.  Um dos jovens tinha gravado as escutas que os juízes tinha sido ameaçados pelas agências do governo, em nome da santa pátria.
A confusão foi grande, ninguém sabia aonde ele estava.  Ficou desaparecido dois meses, mas estando ali mesmo, nunca tinha saído do edifício de sua casa.
Quando o FBI, encontrou o local da rede profunda dos jovens, ele que estava interligado, conseguiu borrar tudo antes que conseguissem alguma informação, fez aparecer como se fosse um lugar de encontro de jovens para jogar, nada mais.
Conseguia ver os agentes furiosos, pois não tinham conseguido nada.
No momento, ele desviava tudo, através de China, Índia, outros países vulneráveis.  Mas claro, sabia que chegaria sua hora.  Se dedicou simplesmente a trabalhar o conceito matemático dos programas, aonde não se conseguia entrar.   Testava sempre o sistema, para ver se havia alguma lacuna.   Descobriu que um deslizamento dos próprio uso dos programas causava isso, quando chamou Geo para ver como tinha descoberto, este lhe trouxe comida, como fazia todo dia.   A única observação que fez, você já se olhou num espelho?
Realmente não.  Tudo que fazia era trabalhar, ir dormir, tomar comprimidos, porque lhe doía a coluna.  Precisava de movimento. 
Depois do achado, passou a informação a todos os hackers do mundo oculto.  A matemática não tinha nada a ver com os buracos ocasionados, sim o sistema de energia, bem como o uso sucessivo de programas, como esses se moviam na rede, causava isso.
Combinou com Geo, este o retirou de seu esconderijo uma noite muito escura, o levou para um novo lugar.   Só levava um disco duro externo, com todos seus descobrimentos.
Numa casa de praia, afastada do centro urbano, se dedicou a escrever um livro sobre isso, Geo o ajudava.  Discutiam as conclusões.  Agora era encontrar um meio de lançar isso nas redes, resolveu que primeiro faria uma edição digital, ao mesmo tempo que negociava com uma editora.
Foi uma bomba no mercado, algumas grandes empresa quiseram tomar para si o achado, mas claro, tinham medo da reação.  Já que tinha sido divulgado antes digitalmente na internet.
Deu por terminado essa etapa.   Resolveu fazer um exame médico, se constatou que devido a falta de exercícios, justamente aonde tinha se operado, formava uma espécie de tumor, fizeram uma biopsia, não dava como canceroso, coletaram material para mais biopsia.   Teria que ser operado, mas claro,  o risco de ficar outra vez em cadeira de rodas era grande.
Pensou muito a respeito, conversou com os médicos, afinal já estava numa idade, na qual importava a qualidade de vida, voltar a cadeira de rodas, cortava isso, bem como a possibilidade que ir perdendo os movimentos.
Decidiu que não.   Voltou para a casa de praia, ficou ali retirado, escrevendo seu livro de memorias.  Entregou tudo ao Geo, um belo dia, a praia estava vazia, fazia um dia horrível, cinzento, ondas altas, saiu para caminhar, ao longe avistou carros negros do FBI, tinham descoberto sua localização,  como quem não quer nada, foi entrando no mar, sabia que se desta vez o pegavam, ficaria muito tempo sem liberdade.
Isso ligado a qualidade de vida, era essencial, liberdade.  Foi entrando, deixando-se levar pelas correntes.  Quando os homens que estavam em sua casa se deram conta, já era tarde demais, ele um exímio nadador, se deixou levar.











   









lunes, 11 de mayo de 2020

MORALES


                                                           MORALES



Eram conhecidos os irmãos Morales, eram os heróis da garotada do bairro, quando entravam numa quadra de basquete, ninguém podia com eles. O mais interessante se olhassem seus pais, que eram de estatura mediana, ninguém ia imaginar esses dois homens de dois metros de altura.  Eram fantásticos. Tinha nascido com uma diferença de poucos minutos um do outro.

Na altura Jeronimo ou Gero, nem Maria, tinham ido ao médico pois não tinham dinheiro para isso, ela só foi a uma clínica aonde lhe fizeram os exames periódicos.  A parteira se assustou, pois no momento do parto, como era prematuro, chamou uma ambulância a levou para o Hospital.    Lá nasceram os dois.   Ninguém daria os vendo agora, que tinham sido dois meninos pequenos, mas o fato que chamou a atenção, era que vinham de mãos dadas.  A posição do segundo quase mata Maria, mas conseguiram inverter sua posição, soltar as mãos, assim Marco nasceu berrando como um louco, só ficou quieto na hora que o puseram ao lado de Ricardo. Os nomes dos dois, eram os de seus avôs.  Maria não dava abasto para dar de mamar, logo tiveram que passar para a mamadeira.  Tinham uma fome de fazer gosto.  As pessoas vinha olhar os dois no berçário, pois se fossem separados, berravam, choravam, o jeito era os ter juntos.  Um adivinhava o que o outro fazia.  Eram tão iguais que era difícil identifica-los, mas Maria o sabia, um tinha uma pequena marca no braço era uma coisa ínfima, mas por ali, ela os identificava.

O pai, que babava pelos dois, seu maior prazer era chegar em casa da oficina mecânica que trabalhava, se lavar, sentar-se no sofá, ficar com um em cada braço, conversando, foi assim a infância deles inteira, juventude, sempre que o pai chegava, estavam em casa o esperando para ver um telejornal, ou um jogo de futebol.   Nenhum dos dois gostava de futebol, gostava de nadar, algo de beisebol, mas amavam jogar basquete.  Quando a primeira vez que viram um partido, ficaram alucinados, no dia seguinte com uma bola pequena, começaram a treinar passar bola um para o outro.    

Por mais que um tentasse enganar o outro, era impossível.  Era como se o outro lesse no movimento do corpo do irmão, o que este ia fazer.

Quando queriam uma coisa, eram capazes de levar os pais a loucura.  Antes de tudo, sabiam todos os truques, para convencer o pai, tinham que saber a utilidade do que queriam, nada que fosse uma besteira.   Tinha que servir para alguma coisa.

Com dez anos, de uma hora para outra, começaram a esticar, a mãe não dava abasto de aumentar o comprimento das calças, as camisetas ficavam pequenas em seguida.  Por sorte Maria tinha uma família imensa, todos seus parentes tinham filhos homens, então as roupas usadas eram sempre benvindas.               Eles só pediam no natal, um tênis próprio para jogar basquete.  Nunca pediam brinquedos, nada eletrônico.          Mas esse tênis era sagrado, só o colocavam na hora de jogar, depois voltava para a mochila, tinham um pé imenso.  Com 17 anos já tinham 1,90 de altura, o jogo era tudo para eles, mas eram além disso uns estudantes impressionantes.   Os professores os amavam, pois eram fascinados por aprender, nada de obriga-los a estudar.  Chegavam em casa, sabiam que antes de sair para jogar uma partida nos fundos da casa, teriam que ter a tarefa pronta.   Um ensinava o que o outro não sabia, a única diferença estava nisso, um era apaixonado por matemática, outro por geografia, botânica.  Voltavam todos os dias com livros da biblioteca. 

O mais interessante como dizia a bibliotecária, eram os únicos alunos que procuravam livros de física, biologia, matemática, nada de besteira, romance coisas assim.                Isso eles levavam sempre um para sua mãe, esta adorava romances.

Os dois economizavam tudo que podia, seu preocupação era como os poderiam mandar a universidade?   Era um sonho que eles tiveram que abandonar no meio do caminho.

A partir dos 15 anos, quando chegava o verão os dois arrumavam um trabalho, mas tinha que ser juntos.  Trabalhavam em algum que pagasse bem, davam todo o dinheiro para a mãe, para o futuro diziam eles, sabia que ela tinha um conta no banco para isso.

Faziam parte da equipe de basquete do instituto, não arrumavam namoradas, como estavam todo momento juntos, os companheiros até gozavam os Morales, devem inclusive cagar juntos, o que no fundo era uma verdade.  A casa tinha dois banheiros, Gero teve que fazer outro fora, pois os dois queriam ir ao mesmo tempo.    Ele dizia agora, quem chegasse primeiro no banheiro de dentro ganhava.  Quase sempre empatavam.

Essa união dos dois, fazia felizes seus pais, ver os dois conversando, já com 17 anos, eram incrível, tinham metido na cabeça que teriam que conseguir uma bolsa de estudo para serem jogadores de basquetes para irem juntos a universidade, mas nenhum dos dois sabia ainda o que queria.   Eram as notas máximas em todas as matérias.  Nunca sofreram bullying porque quem ia buscar uma briga com os dois.  Ninguém era tonto.

Quando os olheiros das universidades, começaram a procurar em Santa Fé, possíveis jogadores, deram com eles.  O que era difícil, nas equipes tinham normalmente negros, principalmente pela costa oeste, mas por ali, procuravam alunos brancos, deram com os dois jogando.   Um inclusive, quando percebeu, estava torcendo pelos dois, como só existissem eles na quadra.

Foi quando brigaram pela primeira vez.  Tiveram uma discussão monumental, cada um queria ir para um lugar diferente.   Um queria estudar, matemática, física, o outro queria estudar o que lhe entusiasmava Botânica,  biomédicas.    Um queria ir para MIT Massachusetts Institute of Tecnology, o outro ali em Santa Fé mesmo, na cidade deles.   A bronca dos dois foi imensa, com direito a chantagens inclusive.  Depois de tanto tempo vais me deixar sozinho, era o que perguntava um ao outro.    Os pais não se intrometeram, estavam contentes, pois tinha bolsas de estudos, não só na área de esportes, como no educativo, visto os dois terem excelentes notas, nada abaixo do notável.

Inclusive tinham ganho sempre juntos os concursos da escola, eram sempre juntos que ganhavam.   Nas provas os professores os colocava cada um num extremo da sala de aula, depois comparavam as provas, era basicamente idênticas, inclusive no uso das palavras.

Afinal chegaram um acordo, que sim iriam, mas se falariam todos os dias por celulares, as pessoas riam, pois podiam passar uma ou duas horas falando um com o outro, falando sobre o que tinham feito.

No MIT, Marc como o chamavam os da faculdade, dividia quarto com um ao extremo contrário dele, filhinho de papai, que estava ali para gozar da vida.  Basicamente não se viam, o outro chegavam, quando ele se levantava.  No fundo riam dizendo que isso era bom, pois não atrapalhava o Marc estudando.

Seu grande problema estava nas quadras, sentia falta do seu irmão, disse ao entrenador, prefiro ficar na retranca, do que jogar na frente, vai ser difícil encontrar em outro jogador o que eu tinha com meu irmão.  Passou a treinar, jogar a bola de muito longe, todo tempo livre, ele estava na quadra sozinho, lançando a bola do outro extremo da quadra.  O que era Capitão não gostava, pois dizia que não jogava em equipe, porque na posição que estava, capturava a bola, a atirava na cesta do outro lado da quadra, ganhando pontos duplos ou triplos.   Isso faziam com que os outros não brilhassem como ele.  Queriam ir jogar na NBA, mas claro os olheiros vinha olhar a ele.

Na verdade, o odiavam,  quando faziam festas ele nunca comparecia, pois era a hora da noite, que estaria falando com o irmão, entre uma festa, falar com o irmão ganhava sem dúvida, depois não bebia, não fumava, não tinha vícios.

Resolveram fazer uma maldade com ele, a festa estava rolando, o capitão mais dois, saíram de fininho da festa,  o encontraram dormindo em cima de um livro, o dominaram dando-lhe uma pancada na cabeça, abusaram dele, lhe encheram de porradas, o mesmo tinha cheirado cocaína, estava totalmente fora de controle, pegou uma cadeira, rompendo a perna dele.

Quando o companheiro de quarto chegou de manhã de uma festa, levou um susto, pois ele mal tinha pulso, chamou imediatamente a ambulância,  por pouco ele não morre, os pais vieram como loucos.   A universidade tentou abafar o caso, afinal o capitão da equipe era de uma família que doava dinheiro a universidade, o outro não passava de filho de mexicanos.

O pai ficou uma fera, a polícia da universidade, recebeu ordem de abafar o caso.  Depois de quase uma semana em coma, finalmente Marco abriu os olhos, a primeira coisa que viu foi o irmão com uns cabelos imensos, cheio de caracóis, de óculos, riu, estas diferente, mal te reconheci.  Recebeu abraços dos pais, mas queria mesmo era ficar de mãos dadas com o irmão.

Quando soube que a Universidade não faria nada, ficou uma fera, se descontrolou totalmente, voltou a estar em coma.    O irmão, se aproximou do seu ouvido, lhe dizendo, não se preocupe, eu me vingarei.

Maria tinha um irmão com quem quase não se falava.  Vivia no tráfico de drogas, com bandas de chicanos.   Os deixou tomando conta do irmão disse que precisava tomar ar.   Os dois sempre tinham sido os queridos do tio, nunca o marginaram, quando ele aparecia numa festa, corriam para ele, quando ficaram altos, o levantavam do chão, pois não era muito alto.

Falou com o tio o que tinha acontecido, que a Universidade, tentavam tapar o sol com a peneira, mas que ele queria vingança, já que a justiça não fazia nada.

Tinha ido a delegacia, mas diziam que se a polícia da Universidade tinha fechado o caso, era porque não era importante.  Um ainda soltou, um mexicano falando de justiça, aonde pensa que está.

O tio ficou uma fera, espera, vou falar com um amigo que tenho aí, sempre mando coisas para ele.  Coisas ele queria dizer drogas, mas não se preocupou.  Tinha um plano em mente, chamou um colega, com o qual desenvolvia um projeto, com relação, as plantas alucinógenas,  lhe pediu que lhe enviassem um extrato delas, que as queria mostra nos laboratórios dali.   Ao que tinham chegado, era que bastava uma quantidade mínima, para que a pessoa entrasse num estado paranoico, contando toda a verdade, bem como depois tinha espasmos, babando, entrando em estado paranoico.

O tio, perguntou aonde ele estava, espere aí, um furgão negro, ira até você, farão o que você queira.   Foi o que ele fez, pediu que sequestrassem os três, que conseguissem um lugar que não pudesse ser encontrados.  Pediu homens que se atrevessem a currar todos os três, deviam não ter tatuagem nenhuma, que fossem negros, pois ele ia filmar tudo.

Por sorte os três, saiam ao mesmo tempo da universidade, como se nada tivesse acontecido, sequestra-los foi fácil.  Todos estavam de negro, mascarados, sem tatuagem que o pudessem ligar com nenhuma banda.

Os levaram a um velho armazém, primeiro com uma agulha, molhou no líquido, lhes picou na base da coluna. Colocou o celular de tal maneira, que se vissem que lhe estavam fudendo, mas não quem.

Na hora pensou, até hoje fomos bons,  agora vão ver a parte negra de nossa personalidade.

Com a droga, eles ficaram loucos, o que era o capitão, pedia que todos o fudessem, que ele gostava disso de levar no cu.  Gritava de prazer.   Quando foi perguntado, porque tinham feito maldade com seu irmão, respondeu, que ele não passava de um mexicano, que tinha aprendido com seu pai, que eram uma sub-raça, como o outro se atrevia a querer ser melhor do que eles que eram brancos, ricos, que devia morrer por isso.

Em seguida, foram levados para um hospital, aonde foram jogados na calçada, sem documentos, sem nada, nus,  um desses de subúrbio que os médicos estão vendo merdas todos os dias.  Os levaram a emergência.

Ao mesmo tempo ele subia os vídeos na internet, para que escutassem as confissões, bem como sendo fudidos, as cena que o capitão da equipe, pedia sempre mais, um lhe colocava o pau na boca, ele chupava com gosto, pedia sempre mais.

Claro finalmente a polícia tomou conta do caso, foram até o hospital, lá estava ele com a família, em volta do irmão em coma.    Lhe pediram o celular.   Não tinha nada, tinha usado um de pré-pago, fornecido pelo traficante.

O mesmo tinha sido destroçado bem como qualquer vestígio que o pudesse ligar a qualquer coisa.

Como sempre estavam os três no quarto, as enfermeiras disseram que ele sempre tinha estado ali.

Quando a polícia foi embora, ele disse ao ouvido do irmão, nossa vingança foi consumada.  Agora vamos exigir da universidade uma fortuna por ter tentado acobertar tudo isso.  Arrumou imediatamente um advogado, as provas estavam no ar, um dos criminalista da cidade aceitou o caso, acusavam a Universidade de acobertar tudo, bem como proteger os alunos criminosos.

Esses quando foram finalmente encontrados, pois uma das enfermeiras viu o vídeo, chamou a polícia.  Eles tomaram alguma droga, que não aparece nos exames de drogas, não conseguimos encontrar nada.  Mas estão ainda em estado de alucinação, tudo que encontramos, é que os três tem uma picada na base da coluna.  Algo foi administrado via venosa.   Mas não sabemos o que.

Quando Marco saiu do estado de coma, foi melhorando, lhe contou o que tinha feito, que estava movendo uma ação contra a Universidade por não ter feito nada, ter escondido o assunto embaixo do tapete.   Agora o assunto é nacional, esses filhos da puta, estão fudidos, todo mundo sabe, saiu nos jornais, o caso está no tribunal, nem precisamos mover um dedo.  Quanto queres pedir por tudo isso?

A resposta do Marco o surpreendeu, pensou que ia negar pedir dinheiro.   Quanto precisamos para terminar na melhor universidade do pais, pagando,  uma pós graduação, tudo incluído para os dois. Esse é o valor exato.

Falaram com o advogado, esse disse que tinham tentado tirar o vídeo do ar, quanto mais tentavam mais se divulgava.  Os três rapazes continuam internado.  Terão que ir a julgamento, embora no vídeo estão soltos, inclusive o capitão esta sentado em cima de um negro, ao qual não se vê a cara, ou seja, eles fizeram porque quiseram, o argumento que foram coagidos não funciona.   Alegam que alguém injetou alguma droga, mas a policia descobriu que são clientes de um traficante de drogas da cidade, clientes regulares, algumas vezes inclusive pagam em cartão de crédito.    Nesse dia tinham comprado uma quantidade grande de pastilhas que liberam o libido, isso estava no sangue deles.

O pior é que o juiz é amigo do pai do capitão, inclusive desses de jogarem golfe juntos, toda semana, o fiscal também é amigo, ai está o problema.  

Não podemos fazer nada, todos os sábados, se reúnem num clube para almoçar.   Neste sábado agora, inclusive podem tramar como vão fazer.

Teria que descobrir qual o clube, falou de novo com o traficante, esse disse que devia muito ao seu tio.   

Preciso estar na cozinha na hora que forem servidos o pedido desses três homens.

Sem problema nenhum, uma das minhas empresas fornece coisas para o restaurante.

Estavam os três confabulando quando ele passou por perto, anotou o pedido dos três, mal levantaram a cabeça, como dizendo quem é esse merda que ousa interromper nossa conversa, sequer o olharam na cara, um outro serviu a bebida, cada uma continha uma micro gota do produto dele.

O escândalo foi monumental,  primeiro tiraram a jaqueta que usavam, depois os tênis, depois as calças, as camisas, cuecas, ficaram inteiramente nus, quando foram chamados a ordem, subiram em cima da mesa, falando mal de todos que estavam ali, nos somos a raça pura de América, fulano tem negros na família, assim foram falando de todos que estavam ali, claro sendo filmados ao mesmo tempo por todos os celulares dos presentes, ao mesmo tempo subidos na internet, inclusive quando a policia chegou, o juiz agrediu um policial negro.  Gritando que odiava os negros, por isso os condenava sempre, o fiscal balançava o pau na direção de todas as mulheres, todas as mulheres são putas, o pai do capitão, gritava a plenos pulmões que ele como o filho gostava muito de um caralho grande, tentava pegar o do fiscal.

No final do dia, o advogado apareceu no hospital,  não sei o que aconteceu, a polícia está fudida, os três, ingeriram cocaína, creio que através da comida, por isso ficaram desse jeito, o juiz é conhecido, por condenar qualquer um que tenha qualquer coisa de drogas,  prejudica todo mundo.  Contou para a policia todos os subornos que recebeu para prender pessoas, o mesmo fez o fiscal, ao escutar o outro falando, um queria contar mais coisas que o outro, o empresário, contava como subornava todo mundo do governo.

Pior já está nos telejornais, de qualquer maneira, o caso será julgado por uma juíza negra, muito séria.   Inclusive sua filha estuda na universidade.

Vamos ver como nos saímos.  Quanto vocês querem pedir, estivemos conversando sobre o assunto, queremos dinheiro que nos sirvam para estudar na melhor universidade do pais, bem como pós graduação,  que paguem os seus direitos de advogado.

O julgamento não durou nem dois dias, o advogado dos três, aconselhou que se reconhecessem culpados,  para aliviar a pena.  Mas se deram mal, pois isso os condenava ao presidio, a juíza ficou de dizer por quanto tempo.  Quanto a Universidade, concordou em pagar o que pediam sem dizer nem um pio, mas o advogado que tinha inflado o valor que eles tinham pedido, pensando que teria que negociar para chegar ao acordo, ficou rindo, era muito dinheiro.

Ao mesmo tempo que o reitor, perdia seu cargo, bem como o juiz, o fiscal, o empresário viu de uma hora para a outra, fecharem as portas da sociedade para ele e sua família.  Além do pedido de divórcio de sua mulher.

Isso diziam os irmãos, para nunca mais ninguém fazer qualquer sacanagem com um Morales.

Ricky de qualquer maneira destruiu todo seus estudos do produto, por saber agora que se caísse em mãos de quem não devia seria uma catástrofe.

Com o dinheiro, como sobrava, compraram uma oficina para o pai, que adorava sua profissão, assim poderia trabalhar mais à vontade.

Os dois, sabiam que o ano na universidade estava perdido, resolveram fazer uma viagem para tentar esquecer do que tinha acontecido.

Na verdade, não foram longe, alugaram um rancho, perto do deserto, enquanto Ricky pesquisava sobre as plantas da região, ele se preparava para já chegar preparado a universidade.   Iriam agora os dois a mesma, mas na França, ao mesmo tempo estudavam francês para se saírem bem.

A Sorbonne os recebeu de braços abertos, visto os dois estarem preparados no que queriam.

Os pais vinham sempre visita-los, cobravam dos dois que se casassem, queriam netos.  Mas isso nem passava pela cabeça deles.







 

 



 

lunes, 4 de mayo de 2020

CAIXA DE PANDORA


                                                                  CAIXA  DE  PANDORA



Porra, despertar numa cama desconhecida, despertou resmungando, odiava isso, ter ido parar depois de uma bebedeira na cama de alguém.

Olhou em volta, escutou barulho de alguém tomando banho de chuveiro, se levantou meio tonto, recolheu sua roupa, sapatos, saiu de fininho, a chave estava na porta, no corredor se vestiu rapidamente, pois podia aparecer algum vizinho.  Apalpando suas calças, viu que tinha a chave, carteira, mas porra aonde estava o celular.  Tinha esquecido dentro, voltou, abriu a porta bem devagar, quando estava no meio do corredor já chegando ao quarto alguém saiu do banheiro.

Quando se virou, era um homem do seu tamanho, com o peito todo cabeludo, com uns cabelos, imensos negros, com a cara mais bonita que podia imaginar.

O outro riu, dizendo, feche a boca, dormiste comigo essa noite, não podes negar.

Ele se encostou na parede, estava zonzo, a dois dias atrás, véspera de seu casamento, sua noiva tinha rompido com ele, dizendo que ele não estava preparado para ter uma família, que era um homem infantil. Agora isso, estava dormindo com homens quando bebia.

Não te lembras de nada de ontem à noite?

Não, só que estava puto da vida, sai para beber com meus amigos, me abandonaram dizendo que estava chato demais.  Pode ser, mas como te encontrei.

Pois eu estava com umas amigas que trabalham para mim, te aproximaste, começaste a conversar, contando para elas tua tragédia.  Elas foram embora, tu mal te aguentavas em pé, perguntei se querias dormir na minha casa, disseste que sim.   Chegaste aqui, vomitaste horrores, te deitei na cama, fui limpar o banheiro, quando voltei dormias, tirei tua roupa, só isso, depois me deitei do teu lado para dormir, te agarraste a mim.

Realmente de noite, sentiu que estava abraçado a alguém que lhe fazia sentir-se como num porto seguro.

Mas não aconteceu nada, não te preocupes.  Quando perguntei se querias que te levasse para tua casa, disseste que não.

Bom, agora estava mais relaxado em saber que não tinha acontecido nada, talvez porque o apartamento está montado como a casa que íamos viver.  Odeio o lugar, estou esperando um apartamento que aluguei, mas estão pintando ainda.  O que estou agora, ela vai ficar com ele.

Desculpe a curiosidade, mas o que aconteceu realmente, porque contaste para as meninas uma baboseira, aliás era difícil de te entender.    Elas aguentaram porque disse que te conhecia.

Porra, são duas coisas diferentes, faltando dois dias me disse que não queria mais se casar comigo, porque na cama eu era como uma criança, que tinha me traído com um amigo seu, esse sim era um homem na cama.

A segunda coisa, como diz que me conhecias?

Não me reconheceste ainda?      Se levantou foi até uma estante, tirou um álbum de fotografia, olha estas fotos, fazem pelo menos uns 15 anos delas, mas podes te reconhecer.

Eram fotos quando tinha uns 14 ou 15 anos, umas férias com um grupo de amigos da escola.  Realmente havia uma foto dos dois abraçados.  Nesse dia os dois perdemos a virgindade, transamos no rio, não te lembras.

Foi como uma bolha que estourasse na sua cabeça.   Eres o Igor Boaventura, caramba como mudaste tanto assim.  

Bom a vida passa, mudamos, sobrevivemos, enfim mil coisas.  Nessa época os dois vivíamos em Niterói, claro os outros começaram a falar do que tinham visto, meu pai me tirou dessa escola, me mandou estudar interno em Friburgo,  nunca mais soube de ti, quando ia de férias te procurava na praia. Mas nunca mais te vi.

Bom pelo mesmo motivo, mudamos aqui para o Rio, meus pais já trabalhavam aqui, nos mudamos para a Tijuca que era perto do trabalho dos dois, passei a estudar no Colégio Militar, segundo meu pai para me colocar no meu devido lugar.   Fiz faculdade, me formei, comecei a trabalhar em seguida numa companhia na parte de informática.  Primeiro fiz substituindo uma pessoa, depois fiquei como fixo.  Estou farto disso, outro problema porque é a repetição da repetição, apesar de ganhar bem.   E tu.

Antes de continuarmos a relembrar o passado, vou fazer um café, nos sentamos na varanda, podemos tomar café conversando.

Enquanto Igor fazia soltou sem pensar, eras bonito, mas realmente estas lindíssimo.

Ele riu, dizendo um grande problema, pois querem ir comigo para cama por isso, depois quando me conhecem realmente dão no pé.

Por quê?  Sempre foste uma pessoa inteligente demais, eras tímido, com aqueles óculos de grau, tinhas sempre o nariz marcado, por causa disso.  Eu sentava atrás de ti na escola, vivia puxando teus cabelos, me fascinavam, porque eu sempre tive cabelos crespos curtos, tu não, levavas imenso, não tanto quanto agora.

Sabes que fizeste isso essa noite, passaste a mão pelos meus cabelos como fazias naquela época.

Sentaram-se na pequena varanda que dava para a praia do Flamengo,  ficaram uns instantes olhando a paisagem, era muito bonito, quase em frente ao Museu Carmen Miranda, com vista para o Pão de Açúcar, com a Urca embaixo.

Caramba, deve ser fantástico viver aqui, só está vista.

Quase não tenho tempo para me sentar aqui, o comprei por isso.

Me conta que fizeste tu?

Bom depois do internato, meu pai que trabalhava numa companhia américana, foi transferido, fomos viver no meio do nada, aonde estava a fábrica, tive que ir estudar em Dallas, embora não gostasse muito, muito provinciana.   De uma certa maneira, por não gostar muito dali, estudei como um louco, porque os da minha idade eram muito tontos, me viam como um garoto bonito para uma foda, depois adeus.  Me toquei rapidamente disso, cortei vamos dizer assim.   Se é para isso, bato uma punheta, basta.   Me formei também em informática, fui fazer um estágio na Microsoft,  depois me contrataram, fui passando por vários departamentos, alguns me achavam um louco por não ficar em nenhum, subir na escala de chefes, mas eu queria aprender tudo, não queria ficar lá, tinha isso definido desde o primeiro dia.   Fui sim juntando dinheiro.   Meus pais se divorciaram, minha mãe, resolveu voltar, com a desculpa de vir com ela, voltei para cá.   Esperava uma mudança, mas minha vida continuou a mesma.   Montei uma empresa, vou bem.   Mas quanto aos romances, sigo igual, quando percebo que me querem porque sou bonito, não pela minha cabeça, corto pela raiz.

Por isso, pelo nosso passado me trouxeste para tua casa.

Bom eu sempre te considerei meu amigo, me lembro que depois que voltamos dessa viagem, todo mundo vinha encher meu saco, o único que me defendia eras tu.  Mas claro diziam que éramos namorados.  Não sei se hoje em dia seria diferente.   Mas nunca te esqueci, foste meu primeiro amor.

Tu falas nisso, mas na época livrava uma batalha imensa comigo mesmo, por causa disso, não conseguia te tirar da minha cabeça.  Quando me olhavas, sempre tinhas um sorriso.  Em comparação, a ti sou feio, nunca fui uma pessoa que se possa dizer bonita.  Até hoje meus cabelos são o mesmo.  Normalmente ia comer com eles todos os finais de semana , mas agora estou evitando, pois ficaram preocupados comigo.  Querem falar no assunto.

Nunca mais tiveste relação nenhuma com outro homem?

Não, naquela época, depois eu me masturbava pensando em ti.  Tive que ir a um psicólogo porque era uma obsessão.               O jeito foi começar a sair com garotas, ter namoradas, meus amigos são todos metidos a machões,  a maioria está casada, mas os vejo infelizes.  De uma certa maneira penso que me livrei de ficar como eles.

Bom já colocamos o papo em dia, podemos nos ver, vou te dar um cartão com meu celular, assim me chamas se quiseres falar mais.

Quando se levantaram, para passar na porta, ficaram frente a frente, tomei a dianteira, segurei sua cara com as minhas mãos, o beijei como tinha sonhado fazer durante muitos anos.

Por sorte ele retribuiu.   Se darmos conta, estávamos na cama.  Minha ânsia era tão grande, que acabei tendo uma ejaculação precoce.   Fiquei sem graça, pedi desculpa, estou muito emocionado.

Fique tranquilo, eu fiquei me controlando, mas estou legal.  Ficaram ali abraçados, lhe soltei, eu te achava bonito, mas o que gostava, era que me tratavas bem, as vezes me ensinava coisas que eu não entendia, mas sem aquela, sou mais inteligente que você.  Te via diferente, às vezes, em que vi você sem camisa, ou só de cuecas antes da aula de ginastica, não pensava na tua cara, queria teu corpo perto de mim.  Comecei a rir, deve ser por isso que minha noiva dizia que não era bom de cama. 

Quando fomos aquela viagem, todo mundo gozava pois estávamos sempre falando, conversando coisas que a eles não interessavam,  quando fomos tomar aquele banho de rio, quando te vi só de sunga, não aguentei, tinha que me aproximar de ti, te tocar, perdi o controle, como agora.   Não adiantava por exemplo olhar revistas pornográficas, só pensava em ti.   Não posso dizer que fosse amor, ou era, não sei, mas quando nos separaram, pensei que ia morrer.

Bom posso dizer a mesma coisa, apesar de ter tido aventuras, aquele momento ficou na minha cabeça, quando chegaste ontem perto na mesa, perguntando se podias sentar, pois estavas abandonado, essas foram tuas palavras, te reconheci imediatamente.   Estavas bêbado, mas eu consegui que as meninas te aceitassem.  Mas fiquei te escutando, o que falaste do teu casamente não me interessava, sentia si em ti  uma solidão muito grande como a minha.

Passei a mão pelo seu rosto num gesto de agradecimento, começamos a nos beijar novamente, então fizemos um sexo gostoso, mesmo naquela época não tínhamos nos penetrado, nem pensávamos nisso, tínhamos sim nos masturbado dentro da água.

Desta vez chegamos juntos ao final.

Tomamos um banho junto, fiquei abraçado a ele, como querendo recuperar todo esse tempo, num dado momento chorei como tinha chorado o dia que meus pais falaram comigo, que isso não era possível, que tínhamos que ir embora, pois todos falavam de nos dois.  A dor que tinha sentido era muito grande.

Ele ficou preocupado, me ajudou a me secar, nos sentamos na cama, lhe contei o que tinha sentido, como tinha chorado por tê-lo perdido.

Eu também chorei, mas o pior foi estudar numa escola tremendamente católica em Friburgo, não encaixava em nada, a primeira coisa que me fizeram foi cortar meus cabelos, foi como podar minha personalidade, só voltei a ter cabelos grandes já quando era independente, meu pai dizia que por culpa dos meus cabelos, por ser bonito, atraia coisas erradas.    Escrevi cartas que nunca mandei, mas não dizia teu nome nunca, sonhava contigo.

Estavam agora os dois sentados um frente ao outro chorando, se abraçaram, vamos tentar não nos separar mais.

Agora estavam com fome, teria que ir em casa trocar de roupa, pois esta está cheirando mal, a cigarros, bebida, suor.

Queres que te leve, pois depois tenho que ir à casa do rapaz com quem estou saindo, tenho que cortar com ele, pois agora não poderei mais fazer sexo com ele.  Embora nem perguntei se queres seguir me vendo.

Temos que ir com calma, pois  senão nunca mais sairemos dessa cama.                       Tens razão, resolva teu compromisso, trocamos o número de celular, farei uma coisa que estou adiando a dias tirar minha roupa do apartamento, embora 80% esteja dentro de malas,  amanhã é domingo,  pensava em fazer isso.

Queres que te ajude?

Não porque ficaremos o tempo todo na cama.  Só de pensar estou excitado de novo.  Se jogou em cima dele rindo, começaram de novo a brincar.

Ele o levou até o apartamento que deixava, na Lagoa, na verdade o apartamento era do pai de sua noiva que o queria de volta.   Nada ali era seu na verdade, tudo era presente de casamento, ficaria tudo para ela, ali só tinha sua roupa. Tomou um banho por causa da roupa suja, colocou numa bolsa de plástico, guardou o resto, resolveu fazer uma coisa, levar para o apartamento que iria viver agora, um studio em Copacabana, estavam terminando de pintar, mas o quarto estava pronto.   Antes chamou o Igor, estava com voz de chateado, disse que iria levar suas duas maletas para Copacabana, depois se falavam.

Espere passo para te pegar assim falamos. Ok

Ficou nervoso, será que eram más notícias, depois de tanto tempo, agora que iam estar juntos outra vez, não conseguia pensar em outra coisa, será que o puto destino os separaria de novo.  Isso era uma maldade.

Voltou no tempo, se lembrando do dia que tinham se conhecido,  Igor se sentou na carteira em frente a sua, quando o viu entrar, ficou deslumbrado, não só porque era bonito, mas sentia que ele tinha personalidade, o professor falou de um livro que teriam que ler.  Ele ofereceu espontaneamente, pois já tinha lido o mesmo, sabia a história de cabo a rabo.  Quando no começo do ano, recebiam a lista dos livros que tinham que ler, comprava todos, os ia lendo sem parar.                Era um dos seus prazeres,  nunca tinha tido uma turma, nem amigos, tinha os colegas da escola, nada mais.   Na praia sempre  ia sozinho, ou com seu pai, mas acabava ficando sozinho, pois seu pai encontrava com seus amigos, iam para a cerveja, ele ficava ali olhando os outros jogarem futebol, ou jogando vôlei, era um horror nos esporte, fazia um esforço imenso de ver jogo de futebol com seu pai pela televisão, odiava isso.   Seu pai ria dele por ser tão tímido.    Mas era seu jeito, não gostava de sair muito, cinema isso todos os filmes novos.   Mal estreavam no Cine Icaraí, ele ia, ganhava uma mesada que dava, ainda sobrava para comprar seus livros.       Sua mãe reclamava, pois como não gostava de ler, sempre dizia, não sei a quem saiu esse garoto.                  Tinha saído a seu avô paterno, que vivia sozinho, enfurnado com seus livros, discos de jazz, foi com ele que aprendeu a gostar de música, lastima que tinha morrido.    Quando o apartamento tivesse pronto, iria buscar seus livros, discos na casa de seus pais.   Estes quando soubesse que tinha encontrado o Igor, não iam gostar muito.      Tinha pensado em passar um tempo na casa dos pais na Tijuca, mas quando seu pai soube que sua noiva o tinha mandado a merda, seu único comentário foi, sempre foste um frouxo.   Não disse viado, porque ia criar uma briga com sua mãe.

Não pensava mais esconder nada.  Agora teria que dar graças a deus a ex-noiva, por tê-lo deixado, isso tinha feito que encontrasse com o Igor.   Riu pensando no momento que estiveram nus na cama, tinha ejaculado, só do prazer de se encostar nele.  

Estava na calçada parado com as duas malas, quando parou o carro dele.  Estavas rindo sozinho, mal sinal.

Estava pensando no primeiro dia que te vi, soltou tudo de uma vez, como sempre fazia quando se emocionava.      Que o entendia era seu avô, tinha ficado contra seus pais, pôr o terem afastado do Igor, lhe contou isso.   Ele ficou uma fera, disse que não era direito fazerem isso.   Anos depois me contou que tinha tido um grande amor por um homem, quem sabe eu te transmiti isso.

Perdão falei demais, como foi teu encontro?

Pesado, não é má pessoa, mas está em outra onda,  é surfista, fechado dentro de um armário com sete chaves, morre de medo que saibam que é gay.   Seus amigos são todos machotes, tem inclusive namorada, mas gosta de dar seu cuzinho.  Ficou bravo comigo, depois pediu perdão porque só nos vemos a escondidas.

Lhe disse que isso não ia comigo a tempo, pois estou sozinho de qualquer maneira, sempre vou a um cinema sozinho, tudo, imagina ontem poderia estar comigo, mas tinha uma festa na casa de um amigo.  Nem sei como cheguei a ter algo com ele.   Talvez carência.      Mas o que me deixa chateado, é que não quer assumir que é gay, um dia acabara se casando, sendo infeliz.

Isso pensava agora mesmo, talvez por isso ria, teria que agradecer a minha ex-noiva por ter dado o pé na minha bunda.  Senão não iria nunca te reencontrar.

Já que fizeste tudo que tinha que fazer, não queres passar o final de semana comigo.   Podíamos ir Icaraí, para recordar os velhos tempos.    Ficamos rindo os dois.

Acho melhor é recuperar o tempo perdido, Igor quando viu o apartamento que tinha alugado, disse que era pequeno. 

No momento com as dívidas que fiz com esse puto casamento, é o que posso pagar, mas adiante quando esteja tudo bem, poderei ir para um melhor.

A cama foi a única coisa que comprei, o resto está tudo na casa de meus pais, quando puder vou buscar, assim poderei montar o apartamento como quero.  Na verdade, só venho dormir em casa, trabalho o dia inteiro, quando saio, venho para casa ler, escutar minhas velhas músicas.   Você se lembra quando ias la em casa, ficávamos no quarto escutando música, primeiro me chamaste de antigo, mas depois começaste a gostar de jazz.

É verdade, duas coisas que me deixaste foram isso, livros, jazz, ninguém entende como sou apaixonado, mas não ia dizer que escutava as músicas que tínhamos escutado juntos para me lembrar de ti.

Mal chegaram em casa do Igor, foram de novo para a cama, ficaram deitados um ao lado do outro, lhe disse o que tinha pensado esperando por ele.   Que se o puto destino não os ia afastar outra vez.

Acho que não, somos adultos, agora podemos decidir os dois. Igor falou baixinho no ouvido dele, quero que me penetres, nunca fizemos isso, sonho sempre com isso. Foi uma sensação incrível, principalmente porque tiveram um orgasmo juntos.   Puta merda, tivemos que esperar todo esse tempo por uma coisa tão boa.

Dormiram, mais tarde a mãe do Igor telefonou para dizer que o tinha esperado, ele disse que depois contaria por quê.

Segunda-feira era dia de retornar a rotina de ir trabalhar, esteve no trabalho cismando, que se estava estagnado por culpa dele mesmo,  ao passar no corredor, viu na parede um curso de designer informática.

Não teve dúvida, conversou com o Igor, acho que estou estagnado por minha culpa, devia ter ido à luta, mas me faltava estímulo.   Meu trabalho é chato, mas porque fiquei parado.

Se queres fazer um curso posso te indicar, tenho um amigo que dá aulas, ele é excelente, já trabalhou comigo, mas sempre quis ir por livre, trabalha de free Lancer, mas dá aula também.           Tenha paciência, porque quando me pega no telefone, fala sem parar.    Falou um bom tempo com o amigo, anotou um número num papel.    Ele disse que quando queiras, mas cuidado, vai querer fazer sexo, me afastei dele por isso, confundia, trabalhar comigo, com oportunidade de fazer sexo.   Mas nunca quis.

E se faço, disse rindo?

Te corto o piru, segurou o mesmo, fazendo o gesto de cortar.

Começaram a falar da família, Igor contou que sua mãe tinha se casado outra vez, com um viúvo, com filhos, mas cada um num lugar diferente, fazem companhia um ao outro, agora ela me apoia, me da força, sempre diz que como ela, encontrarei um companheiro  para o resto de minha vida.

Eu ao contrário tenho um irmão, um garoto genial, com uma personalidade forte. 

Um filho temporão?

Nada disso, filho de uma aventura de meu pai, que não durou nada, mas ele mantinha ela com o garoto, ela morreu, ele confessou tudo a minha mãe, ela o cria como seu filho.  As vezes contra vontade de meu pai, ele vem se encontrar comigo.  É um garoto fantástico.   Quando acabarem de pintar o apartamento, vou trazer para um fim de semana, depois é claro de uma batalha.

Meu pai, não é capaz de me chamar de viado ou coisa parecida, me chama de fresco, como meus namoros nunca duravam muito, diz que sou um frouxo, um fresco.   Nunca me perdoou, por isso nossa conversa é sempre nervosa, se irrita por qualquer coisa, creio que pelo fato de estar no exército tanto tempo, o deixou neurótico, com isso de ser macho, acusa sempre a minha mãe por ter me criado mal.  Nem sei como ela aguenta,  Pedro, o filho dele, a quer com loucura, acho que por isso ela não manda ele a merda.

Tenho que ir um dia destes buscar minhas coisas, nem me atrevo a falar muito nada de minha vida pessoal, pois sempre sai discussão.     Com ela sim falo, se ele não está em casa, aprendeu a ficar calada, não suporta nossas discussões.

Quando queiras ir buscar tuas coisas, te ajudo ok.

Sim são umas quantas caixas nada mais.  Os livros que amo, bem como os LPS, antigos do meu avô, todos de jazz é claro.  Um velho aparelho de disco, duas caixas de som, está tudo no quarto de empregada.

Os meses passavam, na verdade estavam sempre juntos, cinema, teatro, adorava sair com as amigas do Igor, pois o queriam muito, primeiro pediu desculpas pela bebedeira.   Disse simplesmente que esse bendita bebedeira o tinha feito reencontrar com seu melhor amigo.



O curso que fazia com o amigo do Igor tinha saído bem, ele lhe passou um exercício, montar uma capa de um livro.  Ele conhecia o livro, tinha lido em inglês,  então desenhou várias opções em cima do texto.   Muito bem disse o professor,  dias depois chegou para ele com um envelope, vendi o teu trabalho, era um pedido que me tinham feito, mas queria saber como te saias.  Tive que inventar no final uma assinatura, pois não o fizeste, mostrou o que tinha feito, era uns lábios negros, embaixo em pequeno, S.Bocanegra. gostaram do trabalho, mas lhes disse que fazes questão de ler os livros antes.           Semana que vem vão mandar 3 mais, lhes disse que era teu agente.   Por enquanto passaram para mim os trabalhos.   Os pode realizar aqui, não pense que vou te cobrar nenhuma coisa.   O Igor fez igual por mim, nem vou cobrar em carne, disse rindo, pois já entendi como falas dele, que o ama.   Ele me mataria.

Quando contou ao Igor, este riu, tinha visto os trabalhos, analisou cada detalhe com ele, o que podia melhorar.   Bom agora, tens duas opções, ou vens trabalhar comigo, ou te transforma num free Lancer, tu é que sabes.    

Por enquanto me gostaria a segunda opção, ainda não sei muito bem separar as coisas,  apesar desses meses nem sei o que somos, amigos de cama e mesa, amantes, ou o que?

Nada de rótulos, quando tivermos certeza de tudo, nos casaremos, isso sim.   Te quero como sempre quis, mas tu tens que ter certeza de que queres isso, poderemos viver juntos definitivamente.

Comecei a rir, viver juntos, se não saio daqui, venho todos os dias dormir contigo, só vou ao meu apartamento para buscar roupa, colocar a suja para lavar, dormir sem ti, para mim é um castigo.

Nunca se separavam, contou o que se lembrava do dia da bebedeira, creio que quando te abracei, me senti como num porto seguro.   

Teu professor não se insinuou para ti?

Sim, mas disse que não queria morrer tão jovem, que desde o primeiro dia, quando mencionei teu nome, sentiu que eu falava de maneira diferente, perguntou a uma amiga que vocês tem em comum, ela confirmou que vivíamos praticamente juntos.   Nunca mais tocou no assunto.

Podemos montar no quarto da televisão, um lugar para poderes trabalhar,  se quiseres é claro, ou então o montas em teu apartamento, um lugar de trabalho, assim não ficas tão fechado em casa.  Poderei passar trabalhos para ti, meu pessoal esta sempre cheio de trabalhos, mas terás que ir até o escritório, para conversar com a responsável.   Nunca me mostre nada, só o faça a ela diretamente.

Com o do livro, tinha sido bom, preparou os outros três, agora passariam o trabalho diretamente para ele, deu para montar o seu studio como queria,  comprou novo computador, com tudo que podia de especial, assim poderia fazer o que queria,  Usou para isso o sala que tinha uma luz especial.   Quando viu o volume de trabalho que a garota que trabalhava para o Igor lhe passou, viu que podia viver disso, se arriscou, pediu demissão do emprego.   Estavam contentes com ele, fizeram um acordo, rescendiam seu contrato, se precisassem de seu trabalho externo, ele seguiria fazendo.  Isso lhe dava uma boa margem, ganharia mais que como empregado.   Se fez de autônomo, para seguir pagando impostos para sua aposentadoria.

Nesse tempo, Pedro veio passar um final de semana com eles, no ônibus quando foi busca-lo, contou a verdade para ele.  Vivo com a pessoa que sempre amei, mais ou menos quando tinha a tua idade, teu avô, bem como meu pai, nos separaram.  Agora nos reencontramos por acaso.

Pedro, colocou a mão sobre a sua, se ele gosta de ti como mereces, fico contente, será meu outro irmão, mas não se preocupe, não vou comentar nunca com o velho, pois nunca mais ia deixar que estivesse contigo.

Era um garoto fácil de manejar, foram ao cinema, saíram para comer, foram a praia na barra, ele estava extasiado.

O velho não me permite nada, nem que tenha amigos, as vezes me convidam para uma festa, ou para um encontro  de todos da turma da escola, diz que não, que isso é perigoso.   Agora entendo porque ele pensa assim. 

Quando foram leva-lo em casa, já que estava de carro, resolveu descer suas coisas para colocar no carro, Pedro o foi ajudando.   Seu pai perguntou quem era que estava no carro, só lhe respondeu que um amigo. Ficou olhando pela janela, observando.  Voltou para a última leva de caixas, o velho o parou, não me diga que esse do carro é o Igor, aquele com quem fizeste sexo em garoto.

Resolveu encarar a situação pela primeira vez.   O senhor me chamou tanto de frouxo, de fresco, que acreditei, sim é ele, por minha sorte o reencontrei.  Vou viver com ele.

Levaste teu irmão para esse tipo de ambiente?

Que ambiente pai, que é melhor que essa casa, aonde controlas tudo, como se estivesse no exército, sem perguntar nada a ninguém.  Olha minha mãe, tem sorte ter aceitado teu filho, mal exemplo eres tu que tinhas amantes.  Ela nunca reclamou. 

Ele saiu da sala, estava abraçado a sua mãe, quando ele voltou com um revolver.  Filho meu não fala assim comigo, não sou um frouxo como era meu pai.

Sua mãe se colocou na frente dele, lhe deu um tiro certeiro no coração, a ele disparou três vezes, depois colocou o revolver na boca, deu um tiro. 

Igor ao ouvir os tiros, subiu junto com o Pedro, da porta parou, chamou uma ambulância, bem como a polícia. Teve que segurar o Pedro que queria abraçar a sua mãe postiça.  Ficou ali com o garoto de um lado, do outro segurando a mão do Sergio.    Rezando mentalmente, não me separem dele agora por favor.

Quando chegou a polícia junto com os da ambulância, levaram logo o Sergio, disseram ao hospital, ele disse que os dois não tinham visto nada, só escutaram os tiros, subiram correndo, mas já era tarde, teriam que esperar o Sergio melhorar para saber.

Agarrou o menino, foi com ele ao hospital.  Quando chegaram, Sergio estava na sala de cirurgia. Não sabia quando acabaria, tinha três balas no corpo, segundo a enfermeira, por sorte nenhuma atingiu nenhum órgão vital.

Agora era esperar, nesse tempo se encarregou do Pedro, que começava a se sentir culpado.  Nada disso, não sabemos o que aconteceu, não eres culpado de nada.  Estas comigo, agora sou tua família também.

Quando Sergio foi para o quarto, puderam estar com ele, chegou um inspetor de polícia que os médicos tinham avisado.

Ele disse que seu pai não estava bem, era ex-militar, estava muito neurótico,  começou a discutir sem mais, saiu da sala voltou, deu um tiro em minha mãe, menos mal que cai, porque senão estaria morto, depois escutei um último disparo, pensei agora vou morrer.

Pelo que soubemos pelos vizinhos, teu pai, estava muito complicado, tinha conseguido brigas com quase todos os vizinhos, inclusive há várias reclamações a respeito dele na delegacia do bairro.  Dizem que por qualquer coisa começava a brigar, que não permitia que tua mãe saísse a rua de maneira nenhuma, nem ao garoto.   Que a meses atrás tua mãe, esteve no hospital com hematomas.

Pois não me contou nada, chamou para perto o Pedro, esse confirmou que sim, mas que ela tinha feito ele prometer que não contaria nada.  Por qualquer coisa, até uma notícia na televisão, ficava furioso, se os senhores olharam a casa, devem ter visto no salão a televisão quebrada, foi alguma noticia sobre militares, ele arrancou a televisão da mesa aonde estava, a atirou no chão.  Disse que na casa não entrariam mais mentiras.   Mas comprava jornais todos os dias, depois  quando não gostava rasgava o jornal inteiro. Levantou a manga da camisa, não queria que eu passasse o final de semana com meu irmão, queria me pegar, minha mãe se colocou no meio, levou a pior.   Foi quando foi para o hospital.

Bom o senhor terá que se fazer responsável pelo seu irmão menor de idade, deve depois ir até o juiz para retificar.

Obrigado por tudo inspetor.

Pedro, se deitou sobre seu peito, como pode fazer isso com nossa mãe, ela procurava obedecer em tudo a ele para evitar esses problemas,  ficava agressivo, quando sem querer eu não obedecia, me chamava de filho da puta, era isso tua mãe verdadeira, ai ela me defendia, não fale assim com meu filho.  Nunca dizia a ele teu filho, eu era só filho dela.

Ela sempre te quis muito Pedro, não se esqueça disso.

Agora teria que preparar o enterro dos dois, nem sabia a quem chamar.   Não conhecia nenhum parente, apareceu um homem do exército, dizendo que de seu pai, pelo rango que tinha se encarregavam eles. Mas sua mãe não estava incluída.

Me lembrei o cemitério que estava o avô, lá pros lados de Charitas, vou ver se posso enterrar ela lá.  Deu as dicas ao Igor, que disse que ia verificar tudo.

Vou levar essas coisas para o teu apartamento, o Pedro fica comigo lá em casa.  Vou ver se minha mãe pode vir dormir com ele, assim posso ficar contigo aqui,  nem isso vai me separar de ti.  Chorava dizendo, quando pensei que te perdia, quase tive um enfarte.

Estava me despedindo de minha mãe, abraçado a ela quando ele voltou, sem uma palavra apontou o revolver, ela se colocou diante de mim, por isso morreu, como eu estava com as caixas, elas creio que me protegeram.  Eram as coisas do meu avô, nunca pensei que ele odiasse seu pai tanto assim.  Me disse que seu pai era gay.  Imagine o velho estava sempre sozinho, só minha mãe e eu que o visitávamos, ele não ia nunca.  Uma vez me lembro, ela disse que ele mandava lembranças, ele respondeu, minha filha, não minta por esse sem vergonha.   Morreu sozinho, foi enterrado nesse cemitério, ele tampouco foi ao enterro que tinha uns quantos gatos pingados.

Pedro vem, comigo, vamos resolver esse assunto, assim teu irmão descansa.

No carro, o garoto soltou, como gosto de ver vocês dois juntos, se gostam de verdade.  Meu pai dizia que era impossível isso, dois homens se gostarem, quando aparecia alguma notícia de gais na televisão, apagava a mesma, dizia que bastava um naquela casa.   Levei muito tempo para entender que falava do Sergio.  Mas desde que me viu, me tratava como seu irmão, me dizia que eu não tinha culpa dos erros dos outros.

Uma grande verdade, não temos a culpa dos erros de nossos pais, ou dos demais, temos sim que ter consciência do que somos capazes, seguir em frente, lutar.  A partir de agora, volto a te repetir, não estas sozinho, tem a nós dois.

Por sua cabeça rondava, agora creio que devemos nos casar.   Quando entrou na cozinha viu o corpo do Sergio coberto de sangue, a dor que sentiu no peito, quase o deixa sem raciocínio para chamar ambulância além da polícia.

Falou com sua mãe, ela não vivia muito longe dele, quando contou o sucedido, porque não trazes o garoto para cá, José vivia antes nessa zona, pode conhecer alguém para te ajudar.   Venha para cá quando possa, esse garoto deve ter fome.    Contou ao Pedro, que para sua mãe tudo se revolvia comendo, eu falando assim parece que é imensa de gorda, ao contrário é magra como eu.

Creio que lá estarás bem, pois os dois são gente fina.  

Ele não é teu pai?

Não, meu pai vive até hoje nos Estados Unidos, gosta da vida lá,  a fábrica para qual trabalhava, lhe paga bem, apesar de estar aposentado, para orientar os mais jovens.   Um lugar aonde judas perdeu a bota, nem voltou para buscar a mesma.

Depois de fazer tudo, foi a casa da sua mãe que esperava com a mesa posta, se sentaram com eles, volta e meia olhava o garoto, segurava sua mão.  Igor piscava para ele.   Depois antes de sair com o Jose, lhe disse ao ouvido, esse menino pode virar teu neto.   O sorriso da cara dela, era imenso.

Resolveram tudo, José conhecia todo mundo, conseguiu liberar o corpo da polícia, que uma funerária fosse buscar, além de manter até Sergio poder ficar em pé.   Na hora que foi deixa-lo, quando entraram em casa, sua mãe, mostrava um álbum de fotos dele na mesma idade.  Riu, pensou, já assumiu que é avó.

Pelo menos Pedro estava tranquilo, lhe disse que ia para o hospital, vou passar em casa agora, tomarei um banho, irei para o hospital.   Quando chegou levou um susto, Sergio não estava no quarto, quando perguntou lhe disseram que estava outra vez em cirurgia, tinha tido um problema.

Ficou aterrado, chegou à conclusão de que se ele morresse ia ser difícil seguir em frente.  Todos esses anos, tive aventuras, mas nada como o que tenho agora com ele.             Sabia que se contasse a alguém diriam que ele estava vendo filmes românticos demais.   

Quando ele voltou para o quarto, riu da sua cara, o que passa?  

O que aconteceu digo eu?

Nada, foram fazer o curativo, um dos pontos tinha saído, bem como uma grapa que usam agora, então me levaram para fazer outra vez.

Puta merda, cheguei aqui não te vi, levei um susto de morte. 

Como está o Pedro?

Bem, na casa da minha mãe, fui com o José que conhece todo mundo, resolvemos tudo, trouxe uns papeis que tens que assinar, nada mais.

Eu disse ao ouvido da minha mãe, que Pedro pode vir a ser seu neto, ficou como louca, quando voltei estava mostrando um álbum de fotos minhas quando garoto.

Como seu neto?

Ora Sergio, se nos casamos, podemos adotar o Pedro, só isso, só por isso me caso contigo.

Sem vergonha, isso lá é maneira de me pedir em matrimonio?

Inovadora é.   Só de pensar em te perder de novo, fico alucinado.  Ficou ali segurando sua mão, até que mais tarde ele dormiu.   Acabou dormindo, encostou a cabeça na cama, acordou muito mais tarde com Sergio passando a mão nos seus cabelos como ele gostava.

Mais tarde veio o médico, explicou, teria que usar uma faixa no tórax, até quase o quadril, pois duas balas tinha entrado e saído. A terceira que era a perigosa, tinham retirado.  Mas precisavam da pressão da faixa para manter as costuras fechadas.  Tiveste sorte, pois essa terceira podia ter sido a final.  Dentro de dois dias poderás sair, desde que prometa não fazer esforço.

Mais tarde, sua mãe com o José, trouxeram Pedro para ver o irmão, tiveram que o conter pois se queria jogar em cima do mesmo.             Sergio ficou alisando seus cabelos, fique tranquilo, vou sair daqui dois dias, vamos ficar juntos ok.

Igor avisou seu advogado, que veio falar com eles, para justamente Sergio conseguir a guarda do irmão, não se preocupe, conheço um juiz da vara de menores, resolvo tudo para ti. Já falamos.

Um momento que Lindalva, a mãe do Igor ficou sozinha com ele, disse, não sabe o quanto me arrependo de ter ficado quieta quando devia ter defendido que os deixássemos em paz naquela época, mas meu marido era um cabeça dura.    Menos mal que vocês se reencontraram, tudo que quero é ver meu filho feliz, sei que está pela maneira que olha a ti.  Esta mais relaxado, até conversa mais com o José.    Pode deixar que cuido esses dias do teu irmão, é um bom garoto, me contou tudo que aconteceu.  Talvez mais tarde devas leva-lo a um psicólogo, pois essas coisas marcam muito.

Ficou ali segurando sua mão,  Igor parou na porta, ficou sorrindo, pode largar a mão dele, é minha.  Depois a senhora tem que me ajudar a encontrar um anel de compromisso, não posso deixar que escape, quero me casar com ele.

O enterro de sua mãe, eram só eles, tinham removido os ossos de seu avô, encontraram sua carteira de documentos junto ao corpo.    Ninguém entendeu, creio que meu pai o mandou enterrar como estava, não trocaram suas roupas, não houve velório, nada disso.  Só viemos, eu e minha mãe.

Achou tudo muito estranho, ficou com a pulga atrás da orelha, pois quando olhou os documentos, seu avô aparecia como solteiro.   Resolveu fuçar, buscou na casa da sua mãe, os documentos do pai, só constava como família seu pai, não aparecia o nome de uma mãe.  Rebuscou mais numa caixa de metal, fechada com chave, ali encontrou um documento de adoção, uma coisa rara na época.   Então a raiva deve ter sido esta, seu avô tinha adotado seu pai.   Nessa caixa havia fotos dos dois sempre juntos, mas uma lhe chamou a atenção, pois era de seu pai abraçado com o avô, o beijando no rosto.  Noutra, uma reunião na casa dele, mas não havia nenhuma mulher, só homens.   Bem no fundo encontrou um pequeno caderno, escrito primeiro em letra infantil, primeiro contente que esse homem o tivesse adotado, o retirando do orfanato que estava, aonde passava fome.   Depois um comentário o deixou surpreso, mas que não gostava de dormir na mesma cama que ele, que este o agarrava muito.

Já anos mais tarde, dizia que iria fugir, que finalmente tinha descoberto que o que os dois faziam era pecado, não sabia que fazer sexo com o próprio pai era errado.   Ou seja, agora entendia o horror que tinha ao avô, tinha abusado dele.   Ele me diz que se sente só, que sou a única pessoa que ama, por isso dorme comigo.

Que coisa mais complicada, ficou com esses papeis na mão, fechou a caixa, separou com as outras coisas, o de sua mãe era fácil de explicar,  foi criada num orfanato, talvez por isso tivesse dificuldade de o abandonar.    Separou as coisas do Pedro para levar, o resto doou tudo para que viesse buscar, o apartamento era alugado.   Batalhou para conseguir que a pensão que seu pai tinha, ficasse com o Pedro, para fazer um fundo para que um dia pudesse ir à universidade.

Quando comentou, mostrando as anotações,  bem como os documentos ao Igor, o porquê seu pai era tão retorcido, tão fechado em si mesmo, o escândalo que tinha feito quando tinha descoberto o que passava entre eles.   Tinha tudo sobre isso muito  confuso em sua cabeça.  Foi falar com um psicólogo que conhecia, lhe mostrou tudo.   Na minha infância, tudo que me lembro, é que nunca tive um carinho dele, como se tivesse medo de se aproximar, será que isso lhe provocava.   Perguntei ao meu irmão, ele disse o mesmo que nosso pai nunca tinha lhe feito um carinho.

Busquei seu registo no exército, aonde ele tinha entrado com 18 anos, para poder fugir do meu avô, mas quando ia a casa deste eu só escutava música, falávamos de livros, era uma pessoa totalmente tranquila.

Bom o melhor era deixar esse passado, pois agora entendia o que lhe passava pela cabeça, era uma coisa totalmente distorcionada, não faria bem a mim, nem que Pedro soubesse disso.   Ele sentia realmente era a morte de minha mãe, pois o tinha cuidado com amor.   Tampouco tinha ideia de quem seria sua mãe , verdadeira, porque ele tinha sido registrado como filhos dos meus pais.   Que confusão.

Mas segui meu trabalho.  Conseguimos uma transferência do Pedro para perto de casa, quando o juiz me deu a custódia dele, lhe perguntei, se pela diferença de idade eu poderia adota-lo.  Fizemos o papel rapidamente.

Igor um dia cheio de mistério, era meu aniversário, logo de manhã, fazíamos sexo, ele sentado em cima de mim, se abaixou tirou do travesseiro uma caixa com um anel, queres te casar comigo.  Não sei por que fiquei alucinado, fizemos um sexo mais selvagem, lhe disse, peça outra vez quando esteja dentro de mim.  Foi o que ele fez.   Agora entendia o que era sexo de verdade.  Eu lhe disse que sim, se essas seções não acabassem nunca.     Pedro as vezes passava o final de semana com Lindalva, essa o enchia de mimos, tinha tempo de sobra para curtir o neto.

Eles aproveitavam para estar sos.  Quando Pedro se formou na Universidade, foi interessante, falava dos avós que o tinham feito ir em frente, Lindalva, Jose, e seus pais que amava acima de tudo Sergio e Igor.

Os dois agora tinham os primeiros cabelos brancos,  mas felizes. Tinha valido o tempo de espera.