lunes, 16 de mayo de 2022

NORMAN

 

                                                  

 

Agora que estava livre de todos os problemas, se sentia perdido, tinha sido uma coisa atrás da outra.

Quando seu pai ficou enfermo, passava todo seu tempo livre com ele, inclusive as noites, quando tinha seus pesadelos, ele estava ali para segurar sua mão.   Nesta altura, John fez uma coisa que ele nunca tinha imaginado, ou ele ou eu.

O relacionamento deles, vinha desde o primeiro ano de universidade, tinha para mais de 13 anos, já nada era o que parecia, mas não verbalizavam, quando este decidiu dormir no outro quarto do apartamento, pensou, a coisa já foi para a merda.

Mas claro levavam o antigo escritório de seu pai de arquitetura juntos, apesar de ser o sócio com maior parte, tinha feito questão que ele tivesse uma participação, afinal, viviam juntos.

Tudo tinha acontecido no primeiro ano de universidade, uma festa que compareceram seus pais, ele caro sabia que era filho adotivo, nunca tinham escondido isso dele, mas os colegas resolveram fazer bullying com ele, John o defendeu, meteram porradas nos outros, além de tudo eram companheiros de habitação.

Quando depois chegou no quarto ele estava aborrecido, sempre tinha sido assim, quando o viam com seus pais, logo faziam perguntas, ou mesmo zombavam dele.  Mas pensou que na universidade a coisa fosse diferente.

Claro seus pais eram loiros, ambos eram descendentes de irlandeses, com olhos azuis, ele ao contrário, era mais moreno, pele azeitonada, cabelos negros lisos, um olho verde outro negro.

Sempre chamou atenção desde pequeno, quando pela primeira vez que foi a escola, zombaram dele, perguntou a sua mãe, ela esperou seu pai chegar em casa se sentaram com ele, contaram que o tinha adotado numa cidadezinha no meio da ruta 66.  Depois de 4 abortos, tinham resolvido sair de férias para ela se relaxar, ao te encontramos, desde então te amamos como nosso filho.  Ele aceitou, realmente o amava acima de tudo.

Ela quis troca-lo de escola, mas ele disse que não agora já entendia por que falavam dele, deve ser também porque sou bonito.

Isso era verdade, era um garoto bonito, depois de jovem, ficou realmente um espetáculo, diziam as garotas.

Nesse dia John entrou no quarto, foi se sentar ao lado dele na cama, não se incomode, a mim sempre me encheram o saco porque sabem que venho de uma família pobre, de pais alcoólatras, sempre tive que dar um duro danado, para conseguir bolsas de estudos. Mas vou em frente.   Nisso colocou a mão sobre a sua, quando viram estavam se beijando.  Ele se levantou correndo, fechou a porta do quarto, tirou sua roupa toda, em seguida a do Norman. Foi a primeira vez dele, a partir daí o amava com loucura, teve coragem de enfrentar seus pais, sua mãe não gostou muito, mas escutou seu pai lhe dizendo a vida é dele, ele é quem tem que enfrentar tudo isso.

Quando sua mãe ficou doente, um câncer difícil de curar, ele ajudava o pai, este resolveu passar para eles seu escritório, não era nada importante, mas para começarem estava bem, fizeram do mesmo um bom escritório, ficaram com certa fama na praça, principalmente pelo famoso boca a boca.  Tinha trabalho, as vezes em demasia, mas aguentavam, nos últimos dois anos, pediam mais a ele que ao John projetos, pois ele sempre tinha alguma ideia inovadora, mas ele fazia questão de o arrastar para o mesmo.

Pensavam que tinham superado tudo isso, mas nada, John ficou furibundo quando quis atender um cliente, o mesmo soltou que queria falar era com o Norman, que o esperaria.   Nesse dia fez um escândalo que ele tinha inveja, que sempre o deixava na sombra.   Foi o dia que se mudou de quarto.       Semanas depois ele passou a dormir na casa do pai, para cuidar dele, o amava, tinha sido um pai generoso, tinha cuidado dele desde pequeno, quando voltava do trabalho o levantava no alto, como se ele fosse voar, o adorava.

Agora só se encontravam no trabalho, cada dia John aparecia com olheiras, mas quando o via, colocava um sorriso na cara, as vezes perguntava pelo seu pai, mas nenhum dia foi vê-lo.

Tampouco apareceu no seu enterro, colocou a casa em ordem, sem saber se vende-la ou não, andou a casa inteira, em cada cômodo lembrava um dia de sua infância.   Uns dias antes de perder a consciência, contou para ele sua real história, agora tinha que pensar muito a respeito.

Fechou a casa, foi para seu apartamento, mas nem sobra do John, ligou para o escritório, lhe disseram que fazia semanas que não aparecia.

Viu um recado estranho no seu celular, com tanta coisa não tinha se dado conta.  Era de um hospital, avisando que ele estava internado.

Quando chegou o médico falou com ele, antes de mais nada, aconselho o senhor fazer um teste de AIDS, pois seu companheiro está internado justamente por isso, foi encontrado na rua desmaiado.

Explicou por que não tinha aparecido antes, fez o teste, o médico o aconselho a fazer a cada mês.  Só depois o deixaram ver o John, era uma sombra do que tinha sido.    Chegava a estar feio, coisa que ele nunca tinha sido.  Parou na porta ficou olhando, estava com os olhos fechados, quando se aproximou abriu os olhos, senti teu perfume, pensei em ficar com os olhos fechados para aproveitar mais esse momento de paz, porque sei que agora vira a tormenta, iras me condenar.

Ele se sentou, não disse uma palavra, sabia quando o John começava, nunca parava, ele falaria tudo sem que ele perguntasse nada.   Mas desta vez, ficou quieto, apenas buscou sua mão, com lagrimas nos olhos lhe pediu perdão.   Mas minha cabeça estourou, quando escolheste cuidar de teu pai, só muito tempo depois entrei em mim, sempre tive inveja de tua família, os meus, não os vejo desde que fui para a Universidade, quando me procuraram escapei deles, queria com certeza dinheiro, filhos da puta, fizeram da minha vida um inferno.  Só faltaram me alugar para ganhar dinheiro.

Mas me aceitaste como eu era, me apresentaste a tua família, como se eu fosse a coisa mais importante.

O eras de verdade a coisa mais importante da minha vida, mas quando te mudaste de quarto, senti que te perdia, mas a escolha já tinha sido feita, eu sempre amei meu pai, me cuidou, na verdade esse último ano, foi com uma revelação, me contou como tinha me encontrado, como me adotaram, me deu toda a localização de aonde sai, quando ficares bom, irei procurar esse lugar.

Vês, por isso te abandonei, só pensas em ti, todos te querem, a mim não.  Mesmos as aventuras que venho tendo acabam fugindo de mim.   Tenho relações com outros homens, pelo menos a mais de cinco anos, por isso tiveram que fazer exames em ti também, deixaste de me satisfazer.

Eu imaginei, pois entre nós o fogo apagou.

Eu ao contrario de ti, nunca deixei de te amar, inclusive pensei que ias me ajudar com meu pai, a tua negativa me feriu mais que isso tudo.

Mas ficou ali, com ele, até que um dia lhe pediu que o levasse para casa, no dia anterior, pela impossibilidade, o fez assinar junto com ele a venda do escritório.  Estavam afundando em dividas, precisava de dinheiro para cuidar dele.

Assim o fez até ele morrer, um ano e meio depois, o enterrou ao lado de seus pais, pediu desculpas a eles, mas ele também foi importante na minha vida.

Só então parou para analisar tudo, finalmente foi falar com o advogado, sobre o testamento do pai, este lhe deixava a casa, que valia um bom dinheiro, bem como dinheiro no banco, mas não imaginava que fosse tanto, tinham gastado muito dinheiro durante sua doença.  Vendeu seu apartamento, já não seria capaz de viver ali.   Mas antes fez uma coisa, reformou a casa inteira dos pais, a modernizou, para poder viver nela.  Quando enfiou no banco o dinheiro do apartamento, viu que tinha um bom pecúlio.

Mas ao mesmo tempo estava indo ao psicólogo, tinha muita coisa em sua cabeça.  A primeira tentativa de voltar a trabalhar, mandou seu curriculum a uma empresa de arquitetura, era de um conhecido seu.  Lhe explicou por que não o contratava, tinha deixado a sua a deriva, acredito que nenhuma empresa aqui, que saiba do teu trabalho te contrate, sou honesto contigo. Acreditavam que ele não era de confiança.   Ele concordava, tampouco talvez contratasse alguém assim. Mas tinha sido um decisão pensada, nunca ia imaginar que o John entraria em crise ao mesmo tempo, drogas, sexo em saunas, em lugares públicos, mais drogas, isso tinha acabado com ele.   Não entendia isso, pois ele sempre tinha condenado seus pais por isso, pelas drogas, ao final, nem era o homem que ele tinha amado, conhecido de toda a vida, lhe mostrou um lado que nunca tinha percebido dele.

Aceitou o que disse o arquiteto, nunca mais mandou nenhum curriculum para ninguém.

Mas na solidão de sua casa, analisou as conversas que tinha tido com o John, antes de fazer sexo com ele, já tinha feito sexo com outros da escola.  Ele nunca tinha desconfiado disso, muito menos isso de estar saindo com outros a mais de quatro anos.  Agora fazia exames mensais para saber se tinha, graças a deus sempre davam negativo.

O médico mesmo assim o aconselhou a sempre tomar cuidado, lhe oferecendo uma caixa de preservativos.

Quando terminou, de analisar tudo isso com o psicólogo, inclusive disse num dos primeiros dias, que se sentia o coco do cavalo do bandido, pois pensava que se saia bem na cama.

Quando começou a conversar com este das conversas com seu pai, nos últimos dias, o descobrimento de como tinha nascido, aonde, inclusive seu pai tinha marcado num mapa.

Eles tinham saído para a famosa viagem, quando chegaram nesse tramo do caminho, resolveram dormir no deserto, pois a noite estava lindíssima, com o céu cheio de estrelas, de repente, escutaram um tiro, justo nesse momento viraram uma curva da estrada deram com um homem armado, um já estava atirado no chão, segurava pelos cabelos uma mulher, quando foi iluminado, atirou nela, duas vezes, depois desapareceu.  Eles tentaram chamar o xerife mais próximo, tinham passado pela cidadezinha a uns vinte minutos.  Desceram do motorhome, quando se aproximaram viram que a mulher ainda estava viva, estendia os braços para um matorral, apontava dizendo Norman, Norman, sem parar.  Quando tua mãe se aproximou, viu que tinhas acabado de nascer, ainda tinhas o cordão umbilical sem dar o no, lhe disse que te levasse, que avisasse o xerife, bem como pedisse uma ambulância, no lugar mais próximo.

Ela não voltou, quem apareceu foi o xerife, com a ambulância, eu tinha a tua mãe em meus braços.   Lhe contei a história, os da ambulância, acreditavam que ela não aguentaria chegar ao hospital. Mas chegou.   Foi operada, mas o parto, além de ter perdido sangue, acreditavam que não aguentaria uma segunda operação, ela nos viu, tua mãe contigo nos braços, o colocou nos dela.  Nos perguntou se tínhamos filhos, tua mãe lhe contou que por causa do último aborto, jamais teriam filhos.  Ela pediu que chamasse o xerife, pediu que preparasse um papel, para te dar em adoção, se o queríamos.  Tua mãe já estava apaixonada por ti, eu também, concordamos imediatamente, só não entendemos de momento porque te chamava de Norman.  Só depois o xerife nos contou que ela era uma índia, o homem que estava com ela, não, era loiro, tinha os olhos azuis.   Pelos documentos dele se chamava Norman Schochi, ela se chamava Pena Alva Smith, era de uma tribo que estava a uns duzentos quilômetros dali.

Estavam fugindo do marido desta.  Quem deve ter matado o Norman, deve ter sido ele.

Ela explicou ao xerife que o dava em adoção, porque ele jamais seria aceito na tribo, por ser um filho ilegítimo, com um homem branco.

Queria procurar agora se tinha algum parente.  Pediu ao seu advogado se encontrava algum com o nome de Norman Schochi, disse que perto de Sacramento, numa cidadezinha pequena tinha uma família que tinha perdido um filho com esse nome.

Quanto a ela, era difícil, teria que encontrar sua tribo.

Fez a mesma coisa eu seus pais, comprou uma motorhome, pequena só para ele, fechou a casa, levou dinheiro com ele, algum escondido, pôr debaixo do assento de motorista, era difícil de achar.

Partiu, todo mundo o desaconselhou, por ser inverno, até duas paradas seguinte, nevava, nesses lugares ficou em motéis.

Na terceira parada o tempo ainda estava frio, mas dava para aguentar, mesmo assim, num motel desses de estrada, cheio de caminhões, parou para comer, numa das mesas tinha um homem que não tirava os olhos dele, quando saiu, ficou parado pensando se dormia no motel, ou no motorhome.

Quando foi verificar, não tinham quartos livres, saiu bom o jeito é dormir na motorhome, o homem lhe perguntou se não tinham mais quartos, lhe disse que não.

Sorriu um sorriso desses de propaganda, se quiseres podes dormir comigo.

Achou graça, disse por que não. Aproveitou tomou um bom banho quente, de repente o outro entrou com ele no chuveiro, lhe perguntou podes me dar um banho.  Assim fez, com muitos beijos, acabaram na cama, foi como recuperar parte de sua vida, parada a muito tempo atrás, mas na hora que lhe foi penetrar, perguntou se tinha camisinha, pois era necessárias.

Claro que ele tinha, foi uma noite sensacional, fizeram sexo umas duas vezes, uma ele lhe penetrou, na seguinte o outro fez o mesmo.    Tinha vontade de gritar de prazer, nunca tinha se sentido assim.

Caramba, adorei fazer sexo contigo, disse o outro, estendeu a mão, Antonio Bolívar, disse que vivia em Sacramento, sou uma mistura de irlandeses, com mexicano.

Contou que seus pais adotivos eram descendentes de irlandeses. Mas que tinha descoberto recentemente que seus pais verdadeiros, ela era índia, ele também descendente de irlandeses.

Por isso estou indo por aí, quero ir parando, no deserto, para ver se encontro o lugar que meus pais me encontraram.

Se quiseres na próxima cidade, deixarei o caminhão, depois pensava em tomar um ônibus para voltar para casa.  Na verdade não sou caminhoneiro, sou engenheiro mecânico, os caminhões são de uma empresa, que dou consultoria, esse é novo, queria saber como funcionava, adoro carros, os reconstruo para vender.

Se me acompanhas amanhã, vou contigo o resto do caminho, não quero te perder de vista.

Ele tampouco, fazia tempo que não se sentia vivo, primeiro era muito fácil falar com o Antonio, o dia quase amanhecia, dormiram agarrados um no outro.  Despertaram rindo, este lhe disse, que imaginou que ele se escaparia durante a noite.

Fizeram sexo outra vez, depois tomaram banho juntos. Um segurou a cara do outro para dizer, adorei te conhecer, vamos tomar café, te acompanho até a cidade, depois te dou carona.

Antonio era uma excelente companhia, iam conversando como se fossem velhos amigos, a hora que te aborreça, me deixas numa cidade, vou embora.

Mas isso não acontecia, além de que ele conhecia muito bem o lugar. Tinha contado sua história para ele, bem porque tinha falado de usar camisinhas.

Ele também contou sua vida, tinha sido criado por sua avô mexicana, pois os pais viviam trabalhando, eu sem querer realizei o sonho dela, fui seu primeiro neto a ir para a universidade. Lá conheci também meu primeiro namorado, mas acabou rápido, ele que nunca tinha feito sexo antes, entrou em crise, dizendo que não podia continuar, anos depois o encontrei numa festa que terminou em orgia, com ele no meio.  Sai dali sem entender nada, depois falaram comigo, que ele fazia isso para se afastar das pessoas.  Mas que eu tinha tido sorte, pois andava nas drogas, nem tinha terminado a universidade.

Fico vendo isso, sonhei em construir minha vida, vejo essas pessoas, indo em sentido contrário, destruindo as suas com drogas, sem um sentido para as suas, as vezes comprovo que são pessoas que tiveram uma vida fácil.   Eu podia alegar mil, coisas, pais ausentes, mas sempre tive a certeza de que estavam era trabalhando como loucos, para colocar a mim e aos meus irmãos para frente.  O interessante é que só eu gostava de estudar, os outros logo começaram a trabalhar, por conta própria, o dono da empresa de transporte é meu irmão.  Se casou com uma mulher complicada, agora quase perde tudo por causa do divórcio.   Os outros já verás, formam uma família unida, divertida, as festas em casa, são uma mistura de irlandeses, com mexicanos, saia de baixo.

Na primeira parada que fizeram o frio era patente, era deserto, mas tinha nevado, os dois prepararam um fogueira, ficaram sentados ali, depois foram dormir, para eles dormir era agarrado, o que não acontecia com o John, fazia sexo virava para o lado, dormia, não queria que o tocassem.  O sexo entre dos dois não tinha nada a ver com isso.  Ele que pensava que a viagem seria pesada, ao contrário, estava divertida.   Seguiam o roteiro de seu pai, quando chegaram a cidadezinha, procuraram pela delegacia, ele se identificou, o xerife não era mais o mesmo, estava aposentado, conseguiram seu endereço foram a sua casa.

O homem fez uma festa incrível.  Imagina quando te peguei nos braços, pensei, mais um para um orfanato, graças a deus o casal que te atendeu, te adotou, tua mãe no hospital, achou melhor.

Ela sobreviveu apesar de tudo, está agora na reserva aonde sempre viveu, o homem que matou teu pai, bem como a feriu, está preso até hoje.

Lhe deu o endereço, mas eu se fosse você avisava antes, pois nunca se sabe.

Lhe deu o número da central do povoado indígena, pode até ser que com a modernidade, tenham celulares, mas isso eu não sei.

Venham vamos tentar aqui do meu telefone fixo.  Ele marcou o número se identificou, pediu para falar com Pena Alva, lhe deram um número de celular, atendeu uma voz meio rouca, ele tapou o bocal, dizendo que isso tinha acontecido depois da operação.

Ele se identificou para ela, veja tenho aqui seu filho, ele gostaria de te conhecer.  Se fez um silencio imenso.  Posso falar com ele.

Olá meu querido Norman, se é que mantiveram teu nome.

Sim, minha mãe, me criaram com todo amor e carinho, fui muito feliz com eles, já morreram, meu pai me deu a localização, aonde tinham me encontrado, não sabia que estavas viva.

Gostaria de conhece-la, para mim seria muito importante.

Quero antes falar com meu atual marido, bem como teus irmãos, tens 3 irmãos. Me dê o número de teu celular.  O fez com dificuldade, pois chorava ao mesmo tempo.

Vou contigo, disse o Antonio, assim pelo menos terás meu apoio.

Nessa noite, dormiram exatamente aonde tinha sido encontrado, por indicação firme do velho xerife.   Ele desejou boa sorte.

Fizeram uma fogueira, ele ficou imaginando a cena, seus pais não tinha visto o que estava morto, portanto seu pai não sabia dizer como era.

Viram que ali, não tinha cobertura, mas no dia seguinte conforme se moviam, entrou uma mensagem, dizia que ele podia vir, que a maioria nem se lembrava mais da história.

A chamou pelo celular, disse que já estava a caminho, ia com um amigo, perguntou a idade dos irmãos, o mais velho tinha 15, outro 13 e o pequeno 11, de que gostam.

Comprou na primeira cidade grande, presentes para eles, para ela ele comprou um xale de lã, muito bonita.  Não sabia do marido, por isso não comprou nada.

Dois dias depois, outra vez com neve, entraram em terras indígenas, se dirigiu ao lugar como ela tinha dito.  Claro chegar com uma Motorhome, numa comunidade fechada, chamava atenção, mas logo um garoto parecido com ele, correu, se identificou como seu irmão, venha os levo até em casa, eles estão no rancho, assim não chamam tanta atenção.

Deixou o Antonio dirigindo, ficou falando, era como falar com ele mais jovem. Era um rapaz bonito, lhe perguntou se estudava.   Sim mas aqui é muito limitado, gosto muito de música, mas não tenho aonde estudar.

Como chamas?

Jonas, nossa mãe hoje é católica, quando nasci, me deu o nome de Jonas o da Baleia, pois tinha uma barriga imensa.

Depois de mim vem o Abe, que se parece muito com meu pai, vem de Abraham, o último, é o Caio, pois quando nasceu ela estava lendo sobre os césares, lhe deu o nome de Caio Julius, mas o chamamos de Caio, este esta como um louco para te conhecer, nossa mãe contou tua história.

Ela se divorciou, se casou com meu pai, que era amigo seu de infância, ele estava fora quando tudo aconteceu.

Chegaram a um rancho, na varanda de madeira, estava uma mulher com os cabelos imensos negros, com um xale, como ele tinha comprado. Correu para ela, sentia as pernas bambas, mas correu. Ela abriu os braços o abraçou, beijou todo seu rosto, meu filho Norman, que bom te ver.

Nisso saíram da casa um homem alto, com os cabelos largos também mais cheios de fios brancos, o abraçou dizendo que fosse bem-vindo, logo foi cercado pelos meninos.

Esse tinham muitas perguntas, mas deixaram a mãe fazer todas.

Entendeste por que te dei a esse casal, infelizmente ia entrar em cirurgia, pensavam que não viveria, não pedi o endereço deles.

Eles me educaram, nunca esconderam que tinham me adotado, os adorei a vida inteira, foram uns pais fantásticos, ela morreu primeiro, mas ele cuidei até que morreu, me contou a verdadeira história do que aconteceu.

Meu pai, me deu todo o roteiro de como chegar à cidade, perto da aonde tinha te encontrado, bem como a mim.

Morreu nos meus braços, contava isso com lagrimas nos olhos.  Tive outros problemas antes de sair para vir aqui, mas isso já não importa.

Estudaste?

Sim sou arquiteto, tinha uma empresa que herdei do meu pai, vendi tudo da minha herança, só fiquei com a casa.

O homem trouxe água para ele.

Depois te contarei tudo disse ela.  Deixou os meninos fazerem uma série de perguntas, o pequeno o olhava com adoração, era como ele em criança. Lhe disse isso, ele ria, vou ficar como vocês.

O segundo era como o pai, serio.

Este conto que tinha estado no exército, teu pai Norman era meu amigo, lhe pedi que passasse por aqui, pois tinha sido ferido, voltava para sua casa, o marido de tua mãe, levava anos desaparecido, então se apaixonaram, mas os parentes dele, conseguiram avisa-lo, quando ele voltou, fugiram, por isso nasceste no meio do deserto. Mas ele os alcançou, era uma pessoa má.

Sempre tinha nos perseguidos desde criança, era muito mais velho do que nós, sempre falaram que estava fazendo tráfico de drogas para as reservas.  Graças a deus tem prisão perpetua, não só por isso, mas por uma série de mortes.

Agora ele entendia tudo, porque ela o queria longe, tinha medo.

Em nenhum momento soltou a mão dela. 

Ela comentou que para os meninos era difícil, não tinham muita opção de futuro, as escolas daqui são precárias.

Se eu puder ajudar, o farei mãe, afinal são meus irmãos.

Jonas queria seguir viagem com eles, argumentou que não se preocupasse, ele voltaria, iria agora em busca da família de seu pai.   Explicou que necessitava saber de aonde tinha saído, sempre precisamos disso, ter o pé no chão, para poder seguir em frente.

Foram a vila mais próxima, comprou uma guitarra que ele queria, pois a sua era velha demais, os outros fizeram a festa, o pequeno, comprou livros que queria ler, já o Abe umas botas novas, pois trabalhava com o pai no campo. Era muito diferente dos outros dois, lhe disse, amo o campo os cavalos, se tivéssemos agora uma casal de Mustang, ia fazer uma criação, foi com ele, seu pai as terras ali perto, um índio velho lhes vendeu um garanhão, uma égua que ele mesmo escolheu, pela primeira vez se soltou, abraçou o irmão, agradeceu muito, por realizar seu sonho.   Quando tiver o primeiro potro será seu.

Então invista nesse potro, para termos mais.

Tirou do dinheiro que tinha guardado, deu um pouco para sua mãe, lhe disse que voltaria para buscar o Jonas, para poder estudar música, se o Caio quisesse ir, tudo bem a casa era grande.

Se despediram, Antonio ia dirigindo, pois ele estava muito emocionado.

Esse encontro te fez bem, ainda mais sabendo que agora tens esses garotos fantásticos, para ajudar, os da minha família raros são os que se interessam em estudar, acho que fui o único, meu irmão que tem a oficina mecânica, os meninos só pensam em carros.

Seguiram, a primeira noite como ainda fazia frio, ficaram num motel, isso de não podermos fazer sexo, por estamos na casa dos outros, é um horror, estava morto de vontade de sentir o teu cheiro.

Dormiram agarrados, Norman despertou de madrugada, ficou pensando como faria, pois quando chegasse a Sacramento, ele ficaria, era como se já não pudesse viver sem ele.

No dia seguinte comentou isso com Antonio. 

Este segurou sua cara entre suas mãos, na frente de todos da cafeteria, isso quer dizer que estás apaixonado por mim?

Sim, pior que muito, ontem perdi o sono, pensando como vou fazer sem ti.

Sempre se pode encontrar um jeito para tudo. Agora no momento estás livre verdade, podes refazer tua vida em qualquer lugar, quem sabe podes fazer isso em Sacramento.

Ficou pensando nisso, realmente em NYC seria difícil conseguir um emprego, estava meio cansado do que faziam.  Algumas vezes ele acabava de decorador, o que John não suportava, mas ele argumentava que era dinheiro em caixa, seu pai também fazia isso.

Realmente, mas teria que oficializar o relacionamento deles.   Quando falou isso em voz alta, o Antonio ficou as gargalhadas, imagina, não viste a cara das pessoas que estavam na cafeteria do Motel, mais oficializado impossível.

Foram ainda parando, quando tinha cobertura, chamava para saber de sua mãe, dos meninos, como estavam.

Ficaram chateados quando foste embora, estão contentes contigo.

Disse que talvez se mudasse para Sacramento, ainda ia pesquisar, tinha contado para ela, o que tinha acontecido com seu escritório, lá terei mais dificuldade de encontrar um emprego, em outro lugar nem tanto, mas vou ver, creio que os meninos podem vir para ficar comigo.

Fico imaginando uma casa grande com esses meninos dando vida, eu sempre me senti muito só, pois não tinha irmãos, era interessante porque eu queria, mas os outros colegas reclamavam disso.

Pararam em Las Vegas, foram uma noite ao Casino, Antonio ganhou dinheiro na roleta, mas ele de brincadeira como não entendia dos jogos, comprou uma fichas para brincar nas maquinas, foi uma surpresa, ganhou o prêmio máximo que elas davam, que estava acumulado a meses.

Era muito dinheiro. Resolveu depositou no seu banco, antes de irem embora, já tenho um pé de meia, para uma casa.

Quando chegaram na casa da mãe do Antonio, ficou rindo, da explosão contagiosa que era a recepção. Todos falavam ao mesmo tempo, ele tinha avisado antes, como era um sábado, todos estavam lá para fazerem um churrasco.  Todos eram parecidos com ele, mas sem dúvida era o mais bonito.  Ele os apresentou a todos como seu namorado, ficou rindo da cara dele, pois ficou vermelho.  Depois o escutou conversando com o irmão que tinha oficina mecânica, que perguntou como tinham se conhecido.  Contou que estava na lanchonete do Motel, antes de entregar o caminhão, quando viu aquele homem bonito, com cara de triste, me apaixonei, ele não conseguiu quarto, lhe ofereci para ficar comigo, me olhou assustado, sorriu, concordou.

Contou para a mãe do Antonio, dona Maria, que tinha reencontrado sua mãe verdadeira, que tinha 3 irmãos, que queria que viessem viver com ele, para poder seguirem estudando.

O irmão do Antonio, José, disse que conhecia uma família que realmente tinha perdido um filho, que tinha sido assassinado quando voltava para casa.   Amanhã vamos até lá, eles vivem aqui perto.

Dona Maria quando soube quem era, disse que era muito amiga da senhora, nos encontramos no mercado, ficamos sempre conversando.  Tirou um celular velho do avental, chamou a senhora, perguntou como chamava seu filho.  Quando ela disse Norman, ele ficou nervoso.

Tenho aqui seu neto Norman, venha conhece-lo. 

Apareceu uma senhora de cabelos brancos, muito crespos apanhados num coque, ela quando o viu, ficou parada rindo.

Disse que quando mandaram o corpo do filho, diziam que tinha um filho, mas não aonde estava.

Ele contou sua história, ela o abraçou, ficou chorando, venha conhecer teu avô, ele tem a mobilidade reduzida, vive numa cadeira de rodas.

Ele tinha uma foto do Norman que sua mãe tinha lhe dado, mostrou para ela.

No caminho ela falou pelo celular com alguém, mas chegaram o levou para ver o velho, este quando soube quem era, abriu os braços para ele, chorou muito, ela dizia que ele ficasse calmo, trouxe uma pastilha para ele colocar embaixo da língua.

Ele se chamava Peter, ela Louise Marie, me chame como quiser, aqui cada um me chama de uma maneira.  Em seguida a casa foi invadida por um bando de homens de várias idades, diziam seu nome, o que o confundia muito, pediu perdão, mas tinha sido um tempo de reencontro, era difícil guardar tantos nomes.

O mais velho deles, lhe deu um beijo na cabeça, sabia da história do meu irmão, pois ele me telefonou, dizendo que vinha com a mulher pela qual tinha se apaixonado, que ela estava gravida, já nos últimos meses, que era de ascendência índia.

O segurava pelos ombros dizendo, como vieste parar aqui, falou do Antonio, que tinha vindo com ele.

O olhou sério, tens algo com ele?

Sim, por quê?

Chamou um dos irmãos mais novos, Jim, olha com quem veio teu sobrinho, com o Antonio.

Jim, caiu na gargalhada, fica tudo em família, eu fui apaixonado por ele, levei muito cascudo, mas ele só pensava em fazer universidade, em motores, desde que era jovem, nunca me deu atenção.

Espera, chamou um rapaz, que era moreno, meu marido.  A família nos aceitou bem, temos dois filhos adotados.

Nessa noite demoraria para dormir, quando Antonio veio busca-lo para comer, levou todo mundo, assim não sobra comida, foi uma festa memorável, ele ficou a maior parte do tempo, ali entre sua avó, o velho segurando sua mão.

Andrew, seu tio mais velho, lhe perguntou o que fazia em NYC, mais ou menos lhe contou a história.  Agora não sei ainda o que vou fazer, quero ter meus irmão pequenos, comigo, para estudarem, na reserva, não tem muito futuro.

Eu, além do Jim, trabalhamos na construção, temos uma empresa que faz reformas, nos viria bem um arquiteto, temos prática, mas não formação.   Teu pai queria justamente fazer arquitetura, mas nunca fez, foi para o exército para escapar da vida aqui, veja o que aconteceu.

Mas se ele não tivesse feito isso, eu não teria meu neto.

Ela diz isso, soltou o Andrew, pois sou o mais velho, o único que não tem família, que vive com seus pais ainda.  Me casei com a mulher errada, depois nunca mais quis ninguém na minha vida, até tentei com um sujeito, mas não deu certo, disse que sou muito bruto.

Riu com isso, ter feito o que ele tinha feito, ainda era capaz de sentir suas mãos nos seus ombros.

Preciso saber se aqui tem uma escola de música para o mais velho o Jonas, comprei uma guitarra para ele, mas toca de ouvido, quer muito estudar música.

Terei que vender minha casa em NYC, o que não seria difícil, pois acabei de reformar, não quero me separar do Antonio.

Jim trouxe para perto deles, duas crianças, uma era negra, o menino também era mestiço, abraçaram os avôs, deram beijos neles.   Os estamos educando bem não é Brown, que também era mestiço.   O conheci numa obra, estava desiludido, um dia ficamos conversando, enquanto esperávamos o material, vimos que gostávamos das mesmas coisas, daí foi um pulo.

O velho, ria, meus antepassados, devem se virar na tumba, segurou a mão da mulher, lembra-se ficaram furiosos porque me casei contigo, sem consulta-los, agora temos uma família imensa, eles que se fodam.  Caíram na gargalhada.

O Barrabás ou Bar como o chamavam os irmãos, estava dando uma olhada na Motorhome, viu que ele como o Antonio, abriam o motor da mesma, gritou de longe, mais um pouco estaria na estrada, esse daqui não entende de carro, Antonio lhe deu um murro.

Andrew, perguntou se era sua?

A comprei, contou para ele a história dos pais, como o tinha encontrado, quis fazer uma homenagem a eles, ao mesmo tempo me encontrar, saber das minhas origens.

Pobre de ti, com essas duas famílias, iras a loucura.  Mas na verdade, aqui só vivemos eu, bem como Jim com o Brown, os outros vivem aqui nas cidades perto.  As vezes passamos meses sem nos vermos, mas claro imagina Natal, outras festas, é todo mundo junto.

Mais tarde chamou a mãe, iriam dormir a última noite na Motorhome, pois no dia seguinte iria para a oficina para consertar.

Sua mãe falou que seu marido tinha tido um enfarte no campo, ainda não sabemos o que vai dar.

Queres que vá para aí?

Precisa de alguma coisa?

Não meu filho, com o dinheiro que deixaste, tudo bem.

No dia seguinte foi olhar uma casa, não sabia por que, tinha ido com seu tio, Andrew, tenho um pressentimento que terei que ter uma casa que possa ter um campo atrás, creio que o Abe, não vai querer se desprender dos cavalos que lhe comprei.

Venha comigo, eu estive para comprar, para viver lá, mas não posso deixar os velhos, quem ajudaria a velha a colocá-lo na cama.

Chamou o Antonio, para ir junto, afinal a vida deles estava ligada.    Este ficou apaixonado pelo local, aqui viviam disse o nome de uma família, o filho era nosso companheiro de escola, pergunte ao Jim, o idiota entrou para o exército, por não gostar daqui, morreu no primeiro combate.  A família, quer vender por isso.

Era uma casa antiga de madeira, por fora precisava de obras, mas por dentro estava perfeita, tinha pelo menos cinco quartos, além de três banheiros.

A cozinha era imensa, o salão era para uma família grande.  As pessoas achavam estranho, só viverem aqui os três.   O homem deixou uns cavalos, que cuida um antigo empregado, o chamou, José, veio um senhor mexicano, com idade indefinida, meu sobrinho, tem um irmão que tem cavalos.

Ele logo fez uma série de perguntas, que raça eram.

Mustang, sua paixão.

Venha, o levou para o celeiro, aonde estavam, eram lindos, tirou fotos dele para mandar para o Abe.

Antonio, ria, mas sei que nosso amigo ia a escola, pois aqui na estrada passa ônibus escolar, bem como um circular para a cidade.

Ele gostou de uma sala ao lado do salão, que parecia um escritório, perfeito para mim.

Perguntou o preço.  O velho não sabia, mas Andrew, disse que o da imobiliária estava vindo para aonde estavam.

Nesse meio tempo, ligou para o banco perguntou quanto poderia dispor do dinheiro que estava aplicado. Queria comprar uma casa em Sacramento, se ali tinha uma agência.  O homem lhe deu a informação, vou falar com o gerente daí, depois se for o caso transferes a conta para aí.

Era seu amigo, tinha feito uma boa reforma na sua casa, bem como decorada a mesma.

Antonio o chamou de lado, para dizer que se vamos viver aqui, tenho que entrar com uma parte, tenho dinheiro dos carros que recupero, ainda não viste nenhum, vais gostar.  Guardo sempre o dinheiro ganho, tiro só uma parte para comprar outro velho.

O da imobiliária disse que com os móveis era um preço, mas que podia se negociar, era um valor diferente claro de NYC, dava e sobrava seu dinheiro, riu disse ao ouvido do Antonio, era o dinheiro que tinha ganho em Las Vegas, perfeito.

Hoje vou conversar com minha família, depois falo com o senhor.

Este lhe deu um número de celular.  Perguntou se queria que o reservasse para ele.

Telefonou para sua mãe, mas quem se colocou no celular foi o Jonas, disse que o pai tinha falecido.    Perguntou se ele sabia qual era a cidade mais perto, que tinha aeroporto.

Ok, vou para aí, o Antonio fazia sinal que ia junto.

De lá podemos alugar um furgão, para irmos, ele ligou para o homem dizendo que ficavam com a casa.

Tenho que me acostumar agora a falar em plural, pois não estou sozinho.

Pegou alguma roupa, o Andrew os levou ao aeroporto, qualquer coisa, me avisa, que vamos com outro furgão. 

Apesar de não gostar muito dos moveis que estavam na casa, depois dariam um jeito.

Se despediram de todos, antes de partir.

Da cidade, que chegaram ficava a uma hora da reserva, chegaram justo na hora do enterro, sua mãe se agarrou a ele, bem como os meninos.  Os outros índios o olhavam sem entender.

Ela lhe disse ao ouvido, não diga quem eres.

Depois foram para casa no campo.   Mostrou para o Abe a foto dos dois cavalos que estavam no celeiro.  Só escutou Uau, imagino cruzar os Mustang, com essas duas éguas.

Como sabe que são éguas, ele riu, mano, tu não passa de um índio de cidade.

Tinha tirado fotos da casa, começou a explicar, não fica dentro da cidade, mas tem ônibus escolar na frente, além de um que vai para a cidade.  Jonas tem uma escola de música especial para ti. Tu pequeno Caio, já veremos o que fazemos contigo.

Precisamos de um reboque para levar os cavalos, a senhora tem muita coisa para levar, ela disse que de qualquer maneira teriam que sair de lá, essas terras pertenciam a família do marido, já a tinham pedido de volta, nem esperam o defunto esfriar.

Preparem as coisas, Abe, podes conseguir um desses trailer de levar cavalos, não sei como se chama isso.

Ele foi com o Antonio, falar com alguém, ia tirar dinheiro da carteira, mas ele disse que tinha dinheiro, se fosse caro, usava um visa.

Mas foi barato, era velho, mas serviria.  No dia seguinte de manhã, encheram o furgão, foram embora. Jonas ia sentado ao lado do Antonio na frente, ele atrás com a mãe de mãos dadas, a senhora vai gostar da casa, tem uma cozinha imensa.  Levaram dois dias viajando, dormiam em motéis, na beira da estrada, Abe aproveitava, para descer os cavalos, com o Antonio, que gostava, davam um passeio com eles.

Quando chegaram foram para a casa da mãe do Antonio, ela fez a maior festa, lhe disse que com a Marie, tinha limpado a casa toda, já podem ficar lá se quiserem.

Foram antes, para sua mãe, conhecer a Marie, bem como o Peter, eles adoraram sua mãe, claro se meu filho se apaixonou por ti, alguma coisa tinhas, o Peter disse aos meninos, podem me chamar de avô Peter.

Dali foram para a casa, antes falou com o da imobiliária, que já tinha falado com o banco, mas que podia ficar na casa, que no dia seguinte fosse ao escritório.

Foram para lá, o velho José quando viu a família toda, ria, pelo menos deixarei de estar sozinho, ajudou o Abe, levar os cavalos para um curral que estava ali quase ao lado da casa, para fazerem exercícios, os dois conversando, pareciam que se conheciam de toda a vida.

Um pelo menos já encaixou.

A mãe adorou a casa, sempre sonhei com uma cozinha assim.  Aqui cabemos, todos, para as reuniões de família, durante a viagem, tinha falado com ela, que ele viveria junto com o Antonio, pois iriam comprar a casa juntos.   Eu o amo minha mãe.

Meu filho, contanto que estejas por perto, estou feliz, ele é uma pessoa boa, vai dar tudo certo.

Ele comentou que com o tempo iria reformando a casa, tem moveis que não gosto.

Deixou cada um escolher seu quarto, Caio finalmente foi o que fez todo mundo rir, finalmente não terei que dormir com esses dois, sempre discutindo.

Mas o interessante, escolheu um quarto pequeno ao lado do banheiro, piscou o olho, assim me levanto antes deles para tomar banho.

José foi ensinando sua mãe, bem como ao Antonio, como arrumar tudo.

Ele gostava muito de uma varanda grande na frente da casa, estava sem moveis, mas já sabia o que fazer.

Pediria ao seu tio Andrew para depois pintar a casa por fora, bem como tirar um papel de parede do salão, pintar de branco, ele trairia algumas coisas de NYC.

Conversou muito com o Antonio nessa, noite, esperto tinha escolhido um quarto que ficava de frente, ao lado tinham os banheiros, assim ninguém escutaria o barulho dos dois fazendo sexo.

Os dois nus sentados na cama, ele falou serio com ele, me preocupo com os garotos, estava pensando, por isso te consulto, que achas de comprar este lugar, no nome deles, mas em usufruto nosso.  Assim no futuro sempre teriam uma casa, eu imagino que o Jonas ira pelo mundo, mas o Abe sempre ficará aqui, o Caio ainda é cedo para saber.

Foram a imobiliária, conversaram com o homem, ele disse que sem problemas, necessitava só do nome completo dos meninos, foram ao banco, transferiu o valor ao proprietário.

Quando chegaram em casa, era uma loucura, até o velho Peter tinha vindo, as duas mulheres, traziam comida para todos, Caio levava a cadeira de rodas do avô, para ver os animais.

Esses corriam pelo cercado, com as outras éguas.   Abe disse, o seu José disse que a égua Mustang já está gravida, rindo disse que se fosse um garanhão o ia chamar de Norman, nada disso disse o Andrew, vais é colocar meu nome, sou o mais velho da família.  Caio parecia a sombra do Andrew, o seguia por toda a parte, esse, não o ignorava, sempre estava falando com ele.

Nos dias seguintes, foram organizando a vida, matricular os meninos na escola, de lá o Jonas iria à escola de música, Abe faria um modulo de veterinária, para depois ir à universidade se quisesse.  Caio ainda não sabia o que queria fazer.   Tinha uma parte nos fundo da casa, que era uma antiga garagem, Antonio se apossou, arrumou ele mesmo tudo, ali seria sua oficina para reconstruir carros.

Agora ele teria que pensar.  Tinha andado pela cidade com seu tio, para verem as lojas de moveis, ficou pensando, num sonho de juventude, abrir uma loja que vendesse moveis restaurados, gostava da mesma.  Seu tio disse que um dos sobrinhos, estudava isso na escola, podem trabalhar juntos para começar.

Mas antes resolveu que iria a NYC, vender a casa, separar as coisas que queria trazer, mas os dois não foram sozinhos, tiveram que rir, pois Jonas, disse que queria ir, para assistir shows de Jazz, que tinha muita curiosidade, Andrew disse que também iria, que era um antigo sonho seu, a surpresa que quando soube, Barrabás, disse que ia também.

Ele disse ao Antonio, creio que esse dois vão se enrolar.

Acho que eles tiveram alguma coisa no passado, pois estudaram juntos.

Seus avôs, ficaram no campo, assim o velho ficava satisfeito, estar ali com sua família, sua mãe era como uma filha para eles.

Tiraram documentos do Jonas, ele no aeroporto, comprou uma dessas revistas de shows, para que ele escolhesse o que queria ver.

Pela primeira vez, a casa, parecia completa, riu para o Antonio, pois a viagem inteira os dois não paravam de falar.

No dia seguinte de manhã, os deixou por horas, foi primeiro ao advogado, para colocar a casa a venda, esse disse que era pão comido, reformada, está perfeita para venda.   Vais levar os moveis.

Sim, pois foram coisas que comprei porque gostava, levarei todo o recheio da casa. Precisarei de uma transportadora.  Depois foi ao Banco, queria ver como seria mover esse dinheiro, tinha usado na verdade o dinheiro do cassino.

Quando contou para seu amigo, que a casa tinha saído barata, imagina, paramos em Las Vegas, eu não entendo nada de jogo, enquanto meu namorado jogava na roleta, resolvi comprar fichas para jogar nas maquinas, na segunda ou terceira jogada, eu que nunca fiz isso, ganhei o que tinham acumulado de meses.   A primeira coisa que fiz, foi colocar no banco.

Podemos transferir tudo, inclusive quando venda a casa, lá pedes para o gerente falar comigo, para lhe explicar como aplico teu dinheiro.

Tenho que pensar nisso, agora tenho responsabilidades, tenho 3 irmãos para acabar de criar.

Ele que conhecia seus pais, ficou com cara de interrogação, sabia que ele era filho adotivo, lhe contou que tinha reencontrado sua mãe verdadeira, bem como está tinha três filhos.

Quando voltou para casa, Antonio se matava de rir, o quarto aonde estavam seu tio, bem como seu irmão, tinha duas camas grandes, só tinham usado uma.

Ficaram rindo os dois, quando apareceram pois tinha ido dar uma volta pelo bairro, era interessante, pois os dois eram grandes, fortes, ficaram imaginando os dois na cama.

Quando falaram da mudança, os dois prontamente disseram que a levariam, alugamos um caminhão, levamos, Barrabás, imediatamente falou com o irmão, esse entraria em contato com um agente, que eles depois devolveriam a sua empresa o caminhão.  Topas disse ao Andrew, esse riu, grande malandro, sei o que estas tramando.

Ali na frente deles, os dois deram um grande abraço, se beijando.

Nessa noite foram assistir um concerto no Blue Note, tinha feito a reserva para os cinco, o Jonas estava eletrizado, quero isso mano, estava com os olhos arregalados, os dois queriam ir a uma discoteca gay que conheciam de nome, mas o Jonas por ser menor não podia entrar.

Você me coloca num taxi, me dá o dinheiro, pois não tenho nenhum, ele tinha dado uma chave ao Andrew, este estendeu a sua, voltamos a hora que vocês quiserem.

Ele chamou um Uber, o colocou no carro, sabia o valor da corrida, pagou com visa, assim não tinha problema, quando chegue em casa, me chame ok.

Saíram andando, os dois disseram, não podíamos falar na frente do Jonas, mas o nosso é música country, ele ia nos matar, pois disse que não gosta.

Quando chegaram aonde era o Stonewaal, claro fizeram um sucesso tremendo os dois, depois foram a outra que eles tinham curiosidade de ver.

Foram para casa de mãos dadas, chegaram o Jonas estava vendo um concerto pela televisão, lá em casa não tinha, preciso comprar um laptop para ver essas coisas, começou a cantar a música que tocava agora, tinha um voz bonita.

Ele com o Antonio, subiram iam juntar as camas, mas eles disseram, a outra está boa, nos arrumamos.

No dia seguinte começaram a empacotar tudo, os dois apesar de grandes eram mais rápidos que eles, de tarde enquanto foram ver o caminhão, antes pediram as chaves da casa do Jonas, sabemos que queres escapulir desse velhos loucos, mas não vai conseguir, entre os dois o agarraram pelos pés e braços.   Barrabás, se chegou a eles, deu um envelope, tens cara de quem vai comprar o laptop para o garoto, essa é a nossa parte.

O levou a B&H, uma super loja, do mundo eletrônico, desceram com ele, a parte dos computadores, explicou ao rapaz o que ele necessitava, a cara dele era ótima, ele sugeriu um laptop, aonde ele pudesse fazer música, ver vídeos, coisa do gênero, lhe falou de um aplicativo que ele poderia, inclusive ligando uma guitarra, gravar o que fazia.

Disse o preço, ele abanou a cabeça, muito caro, não tem nada para um jovem sem um puto no bolso, o rapaz ria, mas estou mostrando o melhor, porque senão no futuro, terias que comprar outro.  Nisso um músico que estava ao lado, disse que usava esse, lhe deu uma porção de aplicativos que ele poderia usar.

Nessas alturas, ele já tinha juntado dinheiro com o Antonio, já tinha pagado no caixa, ele estava entretido com o homem, que lhe disse que a escola que queria ir era boa, mas que devia se preparar bem para futuramente vir estudar na Juilliard School. O homem se despediu, desejando sorte, quer cara maneiro soltou ele, tinha anotado tudo que o homem tinha falado, o vendedor, lhe entregou a caixa do laptop.  Presente dos marmanjos para ti.

Agora temos que pensar em presentes para teus irmãos, que sugeres.

Entraram numa livraria, ele pediu um livro sobre criação de cavalos, para o Abe, ao mesmo tempo chamou sua mãe para saber como iam as coisas. Ela ria, pois o velho estava se matando de rir com o Caio.   Esse encontrou o avô que queria, pois o seu nunca falou com eles.

Antes de passar teu filho, me deixa falar com o Caio, perguntou que livros ele, queria, espera, estive olhando numa livraria aqui, mas não tem.   Era um sobre regras de como escrever bem.

Perguntou, ali sim tinha, isso basta.  Passou o Jonas com a mãe, ele quase gritava, o que tinha feito na noite anterior, que tinham comprado entre todos um laptop para ele.  Estava super feliz.

De novo falou com sua mãe, depois com sua avó, essa riu dizendo que mais um pouco, não conseguiriam levar seu avô de volta para casa.  Eles estavam dormindo num quarto que estava no andar de baixo que tinha banheiro.

Por isso não, podem ficar.

Quando se encontraram com os outros para almoçar, primeiro foi o abraço, beijos que o Jonas deu nos dois, obrigado, se surpreenderam quando ele disse que show iam ver essa noite, passamos no Madison Square Garden, compramos entrada para todos, vamos ver Dolly Parton, afinal aguentaram o show de ontem.

No almoço comentaram do caminhão, tem uma cabine especial, podemos ir os dois, pareciam duas crianças contando uma aventura.  Riram muito com eles, Norman se virou para o Antonio, dizendo que essa mudança ia sair caro.

Vai nada, nos estas fazendo um favor.

Comentou com o seu tio, como seu pai estava feliz, bem como o Caio, minha mãe, diz que ele encontrou o avô que nunca teve, pois os seus não aprovavam o casamento do pai.

Eu disse que ele podiam ir ficando, afinal a casa tem espaço.  Que tua mãe Barrabás, tampouco sai de lá.

Antonio, soltou, imagina na hora que eu contar na família que esses dois se enrolaram.

Pode ser que a gente se case em Las Vegas.

Nada disso, acho que temos que casar numa cerimônia só.   A cara do Antonio era ótima, ele tirou do bolso, um anel, era do meu pai, queres te casar comigo?

A cara do Jonas era ótima, eu numa mesa, em que quatro marmanjos falam em casamento, o que vou fazer da minha vida.   De gozação soltou, mano, acho que vou com eles no caminhão senão essa mudança não vai chegar nunca.

Voltaram para casa, agora era embalar os quadros das paredes, que ele gostava.  Jonas viu um perguntou se podia ficar no quarto dele.

Ele riu muito, claro, mano, esse foi o primeiro quadro que comprei na minha vida, feito por um amigo.

Eu vejo nesse quadro, um homem falando de sonhos a serem realizados.

Exatamente por isso o comprei.

Dois dias depois tinha tudo pronto, estava acabando de carregar o caminhão, quando chegou um casal para olhar a casa.

Essa noite dormiriam os três num hotel, para pegar o avião no dia seguinte.

Se despediram dos dois, boa viagem, se comportem, disse ao dois o Jonas.

Depois pegaram um taxi, para o hotel, avisaram que tinha que serem chamados cedo para ir para o aeroporto.

No jantar ele perguntou ao Jonas, se ele se incomodava, de estar no meio dos gays.

Nada tio, meu melhor amigo na escola, que eu tinha que defender sempre é gay, imagina ser gay numa reserva índia, em que todo mundo vive contando com quem fez sexo.

Uma vez quis fazer sexo comigo, no caminho de casa, mas lhe disse que não estava ainda preparado, que não sabia o que queria.

De qualquer maneira puseram o despertador, o Antonio, ficou abraçado com ele na cama, queres realmente se casar comigo?

Sim, não queres.

Sim quero, mas faz pouco tempo, além de que nesse meio tempo temos tanta gente em volta da gente, vamos esperar um pouco as coisas acalmarem, mas de qualquer maneira quero.

Entendeu que ele estava sendo ponderado.

Fazerem sexo para eles, era ótimo, lhe disse que esperava que não acontecesse como o que tinha passado com o John, que ele sempre falasse tudo com ele.

Quando o penetrou nessa noite, Antonio sentado em cima dele, era como tivesse iluminado, sorria feliz.  Te amo muito disse, faz pouco tempo, mas não posso pensar em minha vida sem ti.

Ao passarem o controle no aeroporto, ele disse ao Jonas que tinha que mostrar o laptop, riu quando ele o fez, como dizendo é meu.

Quando chegaram em casa, foi uma festa, para as senhoras eles tinham comprado uns chales fantásticos, para irem à missa, para o velho, uns puros como ele gostava.

Um dos irmão tinha trazido uma televisão a pedido do pai, agora assistia os jogos de beisebol com o Caio, ia lhe explicando cada jogada.   Esses moloides dos meus filhos nunca aprenderam.

Reclamou dizendo que aonde estava o Andrew.

Lhe explicaram que os dois iam demorar, pois vinham com a mudança trazendo o caminhão, o velho soltou aí tem.

Jonas entregou os presente dos irmãos, bem como das avôs.

Foram dar uma olhada nos cavalos, o José disse esse garanhão Mustang, já montou as duas éguas, pode ser que ainda possam parir potros, vamos ver, a outra daqui a pouco vamos ter que separar, para poder ter a cria em paz.

O José, me falou de uma feira que ele ia antigamente, será que podíamos ir?

Claro Abe, descubra a data, vamos sim.

Antonio, ainda soltou, teremos dois companheiros mais, que gostam de country, riram, esses agora vão se apontar a todas as saídas, querem recuperar o que perderam.

Caio chegou para ele timidamente, perguntou se ele podia conseguir um velho laptop para ele poder escrever.   Não quero uma coisa como o do Jonas, mas alguma coisa que possa escrever.

Abe estava mergulhado no livro, discutia com o José, o que lia, esse dizia que finalmente tinha um neto que gostava das mesmas coisas.   Meus filhos foram embora, eu fiquei para trás.  Nenhum deles gostava de cavalos.

Ele marcou com um médico, como tinha que fazer seus exames periódicos, comentou com o médico, que iria trazer sua família, falou com ele que tinha um namorado fixo, queria saber se podia deixar de usar camisinha.   Traz ele aqui, fazemos exames dos dois, os ensino como evitar os riscos.

Mas levou sua mãe, bem como os meninos, para fazerem os exames.  Tudo estava bem.

Quando foi com Antonio, esse fez o exames, tudo normal, sentou-se com os dois explicou que podiam fazer sexo sem usar camisinha, mas que fossem com cuidado.

Nessa noite pela primeira vez, o fizeram, era diferente, estavam acostumados a camisinha, resolveram seguir usando.

Quando quase dez dias depois os dois chegaram, estavam mais magros, quase perdemos o caminhão no jogo em Las Vegas. Disseram rindo.

Foi uma festa geral, Caio quando viu a quantidade de caixas de livros, perguntou ao irmão se podia ler o que lhe interessasse.   Claro que sim, só se me ajudar a montar meu escritório, prometo deixar um espaço para ti.

Iriam comprar estantes para seu escritório, simples, para colocar os livros. Da única caixa que tinha aberto, viu que o menino, passava a mão pelos livros com carinho.

Temos que colocar uma estante no teu quarto, também para ires fazendo uma coleção de teus livros favoritos, a partir de agora terás uma mesada para isso. Mas depois terás que comentar os livros comigo.

As poltronas, os sofás se juntaram aos da casa, ele foi arrumando como estava acostumado fazer, o Antonio o ajudava.  Colocou os quadros nas paredes brancas, separou o que era para o quarto do Jonas, o deixou em cima da sua cama, ele estava na aula de música.

Levou duas pequenas poltronas de couro para o quarto deles, como estava na casa de NYC, assim os dois podiam conversar sossegados.

Claro trouxeram as louças, tudo que era da sua mãe, mostrou a foto dos dois, com ele pequeno no Times Square.

Depois de tirar medidas, ajudado pelo Caio, saiu com ele, bem como as senhoras, no furgão que tinham comprado, para irem a Ikea, elas tinha feito uma lista das coisas que faltavam na cozinha.  Ele se matava de rir, pois pareciam jovens casadoiras.

No sábado fariam um churrasco para as duas famílias, só com isso já era muito.

Jonas nessa noite sentado com eles na varanda, tocou uma música que estava trabalhando, o velho era quem curtia mais, nessa família tem de tudo.   Isso é ótimo, um músico, outro criador de cavalos, meu neto preferido será escritor, um dia escrevera sobre toda a família, eu já contei para ele, toda minha história.

As coisas que pedia o Caio, sempre eram voltadas ao que queria fazer quando adulto.

Na Ikea, compraram tudo, as estantes era como queriam, depois os marmanjos, como chamava Andrew, Barrabás, montaram tudo.

Andrew quando perguntou ao pai quando iam para casa, ele riu, queres matar esse velho, agora que sou feliz, infelizmente tenho que aguentar essas senhoras, mas estar aqui, com o meu neto, não tem coisa melhor.   Era uma verdade, Caio chegava da escola, corria para falar com ele, na mesa se sentava ao seu lado, as vezes quando o velho tinha dificuldade de cortar a carne, ele cortava para ele.

Barrabás comentou que tinha um cliente interessado na motorhome, lhe disse o valor de mercado agora é contigo.

Temos que pensar que prometi ao Abe irmos a uma feira dessas que tem exposição e vendas de cavalos.  Tudo bem como seremos três, nenhum problema.

Barrabás ficou ofendido, nos colocaram de fora Andrew, eu sempre quis ir, pois tem muita coisa country.   Nada disso, vendemos essa, alugamos uma grande, ou então vamos de furgão,

Estamos arrumando aquele trailer, pois nessas alturas, o potro já terá nascido.

Abe quer vender meu potro, isso discutiam na mesa do jantar.

Não, queria mostrar nosso produto.

Talvez nas férias vá como José buscar mais, mas quem sabe que encontramos nessa feira.

Estou guardando a mesada que me dás, para tentar comprar algum.

Riram quando o Jonas se levantou, foi buscar sua guitarra, cantou uma música, meio country que compus para meus queridos tios.

Ele percebeu do que ia o negócio, falou no seu ouvido, os avôs ainda não sabem.

Ah, então vou cantar uma que estou fazendo para cantar no sábado.  Cantou para todos, o velho virou-se soltou, esse garoto tem boa voz.  Será um cantor de sucesso.

Até eu se fosse jovem iria nessa feira, imagina meu neto, ficar aqui com essas mulheres falando sem parar, o que vale, é a comida, está muito melhor.

É verdade, cozinhar para duas pessoas não tem graça, aqui cozinhamos para muitos.

Cada dia uma fazia suas receitas prediletas.

Antonio soltou, um dia desses minha mãe se muda para cá.  Sinto muito, ocupei o último quarto que estava livre ao lado do salão com meu escritório.

Antonio, passava o dia inteiro, as vezes ele se sentava numa cadeira o ficava desenhando, tinha voltado a isso, desenhar.

As duas éguas agora estavam esperando potros também, caramba, esse garanhão, é foda.

O velho José que a princípio não se sentava na mesa, o escutou discutindo com o Abe, tenho umas economias, quem sabe vai dar para comprar um cavalo.  Temos é que comprar mais éguas dizia o Abe.

Ele se informou, para saber, tinha colocado internet na casa, por causa dos meninos, tinha comprado um para o Caio, mais simples, ele depois de conversar com o avô, se sentava para escrever, depois imprimia, levava para ele ler.

Um dia foi chamado na escola, a professora, estava reclamando, que esse menino deve estar copiando os textos que mando escrever, em algum livro ou romance.  Assim ele não cria nada.

Ele leu o texto a senhora está enganada, ele está escrevendo as histórias que seu avô lhe conta, quer fazer um livro com isso.

Peça que ele lhe traga tudo que já tem escrito.

O tornou a chamar, na escola tinha um curso de escritura, para os alunos mais adiantados, creio que para ele iria bem.

Quando falou com ele no escritório.

Soltou, filhos da puta, eu fui perguntar, me disseram que era jovem demais para esse curso, agora me oferecem, rindo disse, aceito, achas que será bom para mim?

Claro que sim mano.

Mas tem que pagar.

Não há problemas.  Agora os três tinham mesadas, assim tinham dinheiro para administrar, como seu pai tinha feito com ele.

Antes da viagem foi ao banco, viu que seu dinheiro aplicado, gerava muito, o gerente do banco, vais pagar um imposto fantástico, porque não fazes uma empresa ou algo para gastar, lhe deu um valor.

Nesse dia se sentou com Antonio no quarto, nunca fazia nada sem o consultar.

Esse ria, imagina um de NYC, pensando em cavalos, deve estar no sangue, inclusive quando me galopa o faz bem.  O que mais gostavam que chamavam de galopar, era estarem sentados um em cima do outro, mas olhando a cara do outro.

Acho a ideia ótima, eu se fosse você, o colocava como teu sócio, assim ele tem responsabilidade.

No dia seguinte foi buscar o Abe que estava como louco, já tinha tudo sobre a tal feira, o levou ao banco, preciso que assines uns papeis comigo.

Que papeis, vamos montar uma empresa, explicou para ele, que o dinheiro que tinha, junto com o da casa de NYC, geravam muitos lucros, que precisava aplicar esse dinheiro, pois senão teria que pagar muitos impostos, assim terás dinheiro para comprar pelo menos duas éguas, ou o que querias na feira.   Ele o abraçou chorando, bendita hora que apareceste meu irmão.

O professor, vira essa semana com a turma, pode ser que a Mustang, vai parir dia desses.

Dito e feito, nesse dia chamou o professor, que veio com uma turma para assistirem o parto.

Nasceu um potro lindo, tinha metade da cabeça negra, a outra metade branca, depois só nos quartos traseiros tinha manchas.

O professor disse que tinha que registrar o animal, como o vais chamar, ele rindo respondeu, como me comprometi, Norman.

Os colegas de curso, apertavam sua mão, as senhoras tinham preparado um lanche para a turma toda.

Assim da gosto fazer visita.

Marie lhe perguntou se não tinha estudado com seu filho Jim.

Sim, estudei com ele, mas fui embora para estudar, anda por aqui.

Venha amanhã temos um churrasco, estará toda família, pode trazer a sua.

Sou solteiro, infelizmente.

Nessa noite discutiam quem ia afinal na tal feira, pois temos que fazer reserva de hotel, ou então, alugar uma motorhome grande.

Andrew trocou um olhar com sua mãe, quero anunciar uma coisa para vocês, porque amanhã pode ser confuso.   O pai olhou para ele, soltou, posso eu dar a notícia, vais dizer que estás vivendo com o Barrabás.   Somos velhos mas não tontos.

Não ia dizer pai, que vamos nos casar.

O velho ria muito, virou-se para o Norman, por que vocês não fazem o mesmo?

Isso, estou esperando o Antonio decidir, esse ria, ainda tenho tempo de trocar de dedo o anel.

A festa do dia seguinte estava preparada, as mulheres estiveram trabalhando até tarde.

No quarto os dois conversavam. Norman perguntou se tinha dúvidas.

Não eu te amo, mas fico com medo de estragar tudo.

Não deixarei que isso aconteça, para ti está tudo bem comigo sexualmente?  Depois do John ele tinha medo disso.

Nem pensar, que me faria fazer tanto sexo, um dia vou pendurar as chuteiras, vou ser monge.

Na verdade, há um problema, embora nunca tenha acontecido, sou ciumento, desconfiado.

Ok, seguiremos como queres. Mas venha cá, fizeram sexo, fantástico.

A festa foi um sucesso, na hora que os dois comunicaram a família que se casavam, foram muitos que ficaram surpresos.

Na verdade já estamos morando juntos faz tempo, como os velhos estão aqui.

Bom tomou a palavra Peter, quero bendizer aos meus filhos que se casam, que sejam felizes, veja como teu irmão, já com dois filhos.

A única coisa discordante foi quando chegou o professor do Abe, quando falou com o Jim, esse não gostou, perguntou o que ele fazia, ali?

Sou professor do Abe, voltei a cidade.

Ele pegou seus filhos, foi embora, com o Brown sem entender.

O professor, tomou uma cerveja, também foi embora. 

Mas finalmente tinha os que iam na feira. Teriam que ir num carro maior, conseguiram fazer reservas, Jonas resolveu ir de última hora, pois viu a lista dos que faziam shows.

Nesse dia da festa cantou a música que tinha feito para os que iam se casar.  Falava do amor de dois homens adultos, que perderam tempo na vida, mas que agora a recuperavam.  Era uma balada bonita, composta por ele.

O velho José se preocupou, mas os que ficavam prometeram cuidar dos cavalos.

Se divertiram horrores, os dois, o velho, Abe, tinham examinados todos os cavalos, viram um negro, totalmente, mas pensaram esse dará problema, o interessante foi que quando o cavalo viu o Abe, veio até perto dele, colocou a cabeça no seu ombro, o dono achou incrível, esse cavalo é complicado, adora correr, precisa de espaço.

Compraram esse, mais duas éguas, os deixariam em separado, do Mustang e suas ladies como diziam.

Na última noite, claro por insistência do Andrew, Jonas cantou a música que tinha composto, foi um sucesso, era uma noite de calouros, ele cantou a outra também, ganhou o prêmio.  Um agente, se aproximou, lhe deu um cartão, quando estiveres preparado para entrar na estrada, me chame.

Ficou cheio de si, mas virou-se para o irmão dizendo, mas tudo com pé no chão, ainda falta muito para sair pelo mundo.

Quando chegaram foi uma festa, o Peter estava contente, faltava gente nessa casa, eu tive que ajudar o Caio a cuidar dos cavalos.  Esse ria, ficava me dando ordens, mas o tio Jim, vinha ajudar todos os dias.

Andrew ficou com a pulga atrás da orelha, pois sua mãe disse que ele vinha com as crianças, ficava o dia inteiro.

Quando encostou na parede, disse que o Brown tinha brigado com ele, por ter escondido sua paixão de jovem com o Professor.

Imagina, me deixou porque queria ir embora, agora está aqui dando aulas, tem um consultório de veterinária, aonde o Abe as vezes ajuda.

Quem me contou foi sua mãe.

Acho que era o que ele queria, um motivo para pedir o divórcio, queria levar as crianças, mas claro quem as adotou fui eu, nem pensar.   Graças a deus até o apartamento comprei em nome delas com usufruto meu, está furioso com isso, não pode me tirar nada.  Alega que assim não tem como recomeçar a vida.

Assinou os papeis, foi embora, eu acabei assinando também, menos mal.

Nessa noite foi esse o tema da conversa dos dois. E se isso acontece com a gente.

Norman de brincadeira disse que cortava o piru dele.

Mas nessa noite teve um pesadelo, com o Antonio o abandonando. Estavam no mesmo motel, este o colocava para fora do quarto, dizendo que era um tonto.

Despertou com ele assustado, o que foi?

Contou o sonho, nem pensar, jamais faria isso, te amo, mas muito mesmo, nunca fui feliz em minha vida como agora, bendita hora que te convidei para dormir comigo, apenas pensei ele não vai aceitar, mas quando aceitaste, nunca poderei esquecer do nosso primeiro banho juntos, um hábito que tinha, um dar banho no outro.

Seu último carro estava pronto, o anunciou, apareceram vários compradores, o vendeu em seguida, já tinha outro ali, que lhe daria trabalho, pois faltariam peças, que ele teria que fazer.

Trabalho duro, mas o resultado é bom.

Esteve conversando com o Caio, enquanto trabalhavam, pois ele dizia, quando alguém lhe chamava, não vês que estou trabalhando.

Precisas ler a parte que o avô fala da tua chegada, depois do romance do tio Andrew, acho fantástico.

Uma semana depois ele ficou doente, o levaram para o hospital, mas já era tarde.

Nunca se esqueça de mim, meu neto, abraçou o Caio que estava abalado, quero ver minha história publicada.

O enterro foi impressionante, nem sabia que ele conhecia essa gente toda, a igreja estava lotada, ele que não ia nunca.

Depois a reunião foi só da família.

Ele passou o texto inteiro para o Norman ler, ele ficou impressionando com a maneira do garoto escrever, afinal ele só tinha treze anos, tinham se passado já dois anos que estava ali com ele, nada mano, vou fazer 14 logo.

Mandou o texto para um editor que conhecia em NYC, que ficou interessado, quando soube da idade do Caio, riu, ele escreveu à sua maneira o que seu avô lhe contou.

Mandou para outro de San Francisco, que telefonou em seguida, muito interessante o texto, quero falar com o autor.  Contou ao mesmo que ele só tinha 13 anos, achou que era uma brincadeira, foi até lá para comprovar.

Fez uma boa oferta, mas Caio, disse que antes a família tinha que aprovar, pois ele era menor de idade.

Pediu para o Andrew reunir toda a família, comentou que desde que tinha conhecido o avô, esse tinha lhe contado a história de sua vida, desde garoto, quando conheceu a Marie Louise, como tinham enfrentado a vida, está tudo aí, claro ele me contava, eu escrevia a minha maneira, lhe dava para corrigir.

Só quero publicar, se vocês aprovarem, levem essa cópia, leiam depois me digam algo.

Sua mãe estava orgulhosa dele, colocou a mão em cima do Norman, graças a ti, isso tudo está sendo possível, um fazendo música como sonhou, o outro criando cavalos, esse escrevendo.

Andrew, lhe perguntou o que ele estava escrevendo agora.

Ora tio, estou escrevendo um livro, sobre uma coisa que o avô me disse, que na família dele, só não tinha ladrões, esses eram seus antepassados que tinham vindo para a América, mas seus filhos eram um exemplo de homens, que os filhos eram isso, um diferente do outro, como os dedos de uma mão, que havia que aceitar cada um, como era, para ser feliz e que eles fossem também.  Quando perguntei o que lhe parecia seu casamento, ele disse que esses dois estavam destinados, imaginem foram amigos de juventude, quando o Barrabás, se casou, ele ficou chateado, agora são felizes, nos cuidou sempre, ele merece ser feliz.

Isso é o que eu escrevo, como vejo as pessoas construindo suas vidas.

A cara do Andrew, era patética, chorava, aquele homem imenso chorando como uma criança era impressionante.

Se preocupava também pelo Jim, dizia que o Brown, era boa pessoa, mas que nunca ajudaria o Jim ir para a frente, queria controlar a família.  Um dia Jim vai se cansar, aí será uma merda. É o meu filho pequeno, mas o mais carinhoso, sempre esteve ao meu lado.  Eu lhe sugeri, ir atrás do professor, mas tinha medo, com isso ficou frustrado.

Só que isso eram conversas nossas particulares, não estou colocando nome aos bois, mas sim o fato de um jovem como eu discutir isso com meu avô.   O quanto ele me fez crescer como pessoa.  O Andrew pegou o abraçou levantou do chão, meu garoto.

Sempre chamava Pena Alva de cunhada, que filhos fizeste mulher, mas este é especial como os outros, mas meu pai o amava.

Todos concordaram, o livro foi editado, a primeira entrevista que ele deu, agradeceu a duas pessoas, ao meu irmão Norman que me deu minha primeira oportunidade, me fazendo entrar para um curso de escritura para adolescentes, eu era o mais jovem, ao meu querido avô Peter, um grande homem.

Nós caímos bem um com o outro, desde que nos conhecemos.  Podias falar horas e horas, ainda hoje escrevo sobre nossas conversas.  Espero ser o homem que ele viu em mim.

A plateia veio abaixo com ele, de tanto aplauso.  Em pouco tempo o livro estava na sua terceira edição.  Norman foi com ele mais o Antonio, a NYC, para lançar o livro, dar entrevistas, era interessante, pois mais cara de índio, que ele tinha era impressionante, ficaram todos impressionados com sua madures.  Uma idiota lhe perguntou como ele tinha tantos parentes gais, se ele achava que seria.

A senhora me desculpe, isso não é uma pergunta que se faça a um jovem que ainda vai fazer 14 anos, como posso saber, mas como dizia meu avô, cada um tem direito de ser o que quiser em sua vida.

A senhora é o que queria ser, acho que não, porque senão não faria uma pergunta desta a um adolescente.

Isso saia nos jornais do dia seguinte, a pergunta idiota que tinham feito, a madures com que ele tinha respondido.

Nasce um escritor, assim diziam a maioria dos críticos.

Uau, soltou, ele, tenho muito ainda que aprender.

O que ele mais gostou, foi ir a uma livraria imensa, buscar coisas que trazia num pedaço de papel, o reconheceram, logo juntou gente querendo um autografo nos livros para comprar.

Ele se sentou como tivesse feito isso a vida inteira, falava com as pessoas.

No dia seguinte tinha uma entrevista num canal de televisão, lhe perguntaram que programa gostava?

Bom, só vi televisão quando fui morar com meu irmão mais velho, lá na reserva não tínhamos, mas eu gostava mesmo era de ver com meu avô, embora os outros não entendesse, pois ele só via jogos de beisebol, me explicou cada jogada, víamos jogos antigos, discutindo o comportamento dos jogadores, as críticas dos que faziam a transmissão, era divertido, eu gosto mesmo é de ler livros, só uma duas vezes me chamou atenção ver alguma coisa, foi filme sobre Caio Julius Cesar, minha mãe tinha esses livros que alguém doou a igreja da reserva, li esse livro mil vezes, porque não tinha outro, fiquei decepcionado quando vi o filme, pois deturparam muita coisa que esse homem fez.  Por isso prefiro o livro.

Me ofereceram dinheiro, para transformar esse livro numa série, eu falei com meu irmão Norman, o que vou fazer com tanto dinheiro, já tenho dinheiro do livro que bastará para ir à universidade quando chegue a hora.  Um garoto de 14 anos, fiz aniversário ontem, que vai fazer com tanto dinheiro.

Em casa cada um tem um caminho, meu irmão mais velho, um dia será um bom músico, o outro é criador de cavalos, temos agora três potros novos, graças ao meu irmão mais velho.

Sem ele não teríamos futuro.

Na noite anterior, lhe perguntaram aonde queria jantar, ele escolheu um McDonald, pois sempre tive vontade de ir num. 

Norman ria muito com ele.

Voltou para casa famoso, soltou, ainda bem que estou de férias, senão essas meninas iam querer me namorar, só porque sai na televisão, mas não sou tonto.

Suas notas na escola eram brilhantes, já tinha lido e analisado todos os livros do ano seguinte, agora que não tinha o avô, Norman o obrigava a conviver com os irmão, ajudar como os cavalos, não podes ficar todo o tempo em cima desse laptop escrevendo.

Era interessante o potro Norman, agora estava grande, estava separado, porque tinha começado a disputar com o pai, terreno.  Temos que comprar uma égua para ele.

Foram a uma outra feira, mas desta vez, que foi com os dois foram o Andrew, com o Barrabás, que aproveitavam os shows de música country, compraram duas éguas Appaloosa, as soltaram com ele, Antonio dizia que o sem vergonha tinha saído ao que lhe deu o nome, como gostava de fazer sexo com as éguas.

Abe se sentou com eles, com a mãe, para decidirem seu futuro, sei que ir à universidade, terei um futuro diferente, mas só vou se a fizer aqui, não quero estar longe do meu rebanho.

Como você quiser, ele conseguiu entrar na universidade, logo ser destacou, por já ter experiencias.

Um dia o Jim apareceu com Rob o veterinário, estavam tentando outro vez, faziam um casal mais interessante que com o Brown, estava fazendo um curso de noite para poder entrar na universidade, instigado pelo Rob, ele ficava com as crianças.

Norman comprou um jeep, para o Abe, para ele ir, voltar da universidade.  Já o Jonas, resolveu ir estudar na Juilliard, mas antes teve uma conversa com o Norman, sua mãe, além das senhoras, claro o Antonio.   Todos só o alertaram do uso de drogas, pense bem, pois isso pode arruinar tua carreira toda, tampouco o faça para se sentir enturmado.

Norman alugou um apartamento pequeno para ele, perto da escola.

Mas ele vinha sempre que podia.  Sentia falta da família, aprendeu o que queria, perguntou se podia construir um studio de música ali depois do estabulo.

Vocês tinham razão a cada 10 minutos alguém me oferecia alguma coisa de drogas, não entendiam que estava ali para aprender.  Menos mal que meus professores entenderam, me ajudaram até nisso.

Procurou o agente, esse se lembrava dele, mostrou suas músicas novas, queria formar uma banda pequena.   Foi abrindo o espetáculo de um músico conhecido.  Esse logo cantou duas músicas dele, o melhor foi um dia que o show estava sendo televisado, que o chamou para cantar as músicas com ele.

Breve gravou um CD, montou um show pequeno como ele gostava. Fazia um circuito de universidades, bares, estava contente.

Não permitia que nenhum dos músicos usassem drogas.

Quando chegou a época do Caio ir à universidade, ele tinha um leque para escolha, com direito a bolsas, mas resolveu estudar ali mesmo, como dinheiro do livro, comprou um carro de segunda mão que lhe arranjou o Andrew.

No primeiro dia que ele foi a universidade, Norman com o Antonio, conversando como sempre, agradeceu ele ter colaborado, estando todo esse tempo ao lado dele.

Não consigo imaginar minha vida sem ti.

Sabe o que gostaria de fazer, ir passar algumas noites contigo no deserto, riram muito porque nesse dia fazia muito frio.   Na cama como sempre, cansados ou não se dedicavam a fazer o que gostavam.   Vê como tinha razão, ninguém me montou jamais como tu.

Se mataram de rir um dia que Caio chegou irritado da Universidade, essas garotas parecem tontas, querem sair comigo, porque consideram que sou escritor de sucesso.

Algumas inclusive se insinuam.

Mas estás interessado em alguma delas?

Não mano, porque não tem conversa, quando começo a falar de algum escritor antigo, logo fogem, só ficamos dois gatos pingados, meu amigo Tadao, que é descendente de japoneses, que está escrevendo um livro sobre o assunto, o Arno, que é um mestiço como tu, pai negro mãe irlandesa.  Com os dois me apanho, pois tenho o que conversar, horas e horas, mas essas idiotas, creio que estão lá para arrumarem um marido.

A única que não entra nisso, é uma que veio de Dallas, mas é lesbiana, está sempre com sua namorada que é de outro curso.   Mas da mesma maneira faz gozação, que somos um grupo de garotos, intelectuais.   Eu acho engraçado porque nem me considero um escritor de sucesso, tampouco um intelectual, não é porque gosto de ler, debater assuntos, que eu seja intelectual, apenas um interessado.   Hoje trouxe dois livros que mandei encadernar, falo sobre o que disse aquele dia para o tio Andrew, de minhas conversas com o avô Peter, sobre sexo, escolhas essas coisas, quero que você leia primeiro, depois me desenha uma capa para o mesmo, para oferecer a editora, se achar que é bom.

Algumas vezes, enquanto lia, chorou, era como estar escutando os dois conversando, o velho com a voz pausada, como tinha aceitado a diversidade dos filhos.  Os netos que ele adorava, num dado momento, fazia uma reflexão que os que eram adotados ou por ele ou pelos filhos, eram mais carinhosos, que os outros.

Quando leu o que ele sentia a respeito disso, chorou muito, fechou a porta da sala, para fazer isso a vontade, falava do apaixonado que tinha ficado com o irmão mais velho quando apareceu, logo me comprou os livros que pedi, já estava farto de ler o mesmo livro sobre Caio Julius Cesar, ele me abriu o mundo, depois quando perdi meu pai, me senti sozinho, mas quando conheci o avô Peter, foi como ele acolhesse um cachorro abandonado, logo estava conversando comigo sempre.     Dizia que eu tinha tutano, batia com os dedos em sua cabeça, que fazia um ruido oco, depois fazia na minha, me fazia rir.   Quando começou a conversar comigo, me dizia sempre que confiava em mim para guardar seus segredos, ninguém me conheceu como tu.

Quando ele morreu, meu sentimento de solidão, só era preenchido nas horas que estava com meu irmão, compartido mesa de trabalho.    Amo os desenhos que ele faz, não entendo por que não mostra para o mundo, sei que alguns deles são muitos particulares, fala da sua vida.

Tenho inveja as vezes do Antonio, o amor que os dois sentem um pelo outro.

Quando Antonio, entrou no escritório, pois o estavam chamando para jantar, ele estava debruçado sobre a mesa, ficou nervoso, quando levantou a cabeça, tinha os olhos inchados de chorar.

Tens que ler esse livro, é apaixonante.

Foi lavar a cara para ir jantar.

De noite o Antonio começou a ler o livro, quando foi para cama, disse, esse menino, é um espanto.   Lembrasse que quando perguntaste o que queria, ele disse livros.  Não queria nada como fazem meus sobrinhos, que pedem coisas de informática.  O mesmo quando pediu um laptop, ele queria o mais simples pois era só para escrever.   As vezes o vejo, usando roupas que minha mãe consegue para ele dos outros netos, ele a beija agradecendo.

Quando faz alguma comida especial também é o único que a abraça, beija, alias faz isso com todas, está sempre agradecido pelas coisas mais simples.

Mesmo seu quarto, é o menor, ali só tem espaço para seus livros, nada de outras coisas.

Os três são especiais para mim, cada um, no que construíram para eles.

Olha quantos cavalos, tem agora o Abe, outro dia apareceu um interessado, num que comprou a pouco tempo, lhe fez uma oferta impressionante, mas ele disse que não, pois o estava cruzando com uma égua Mustang, além da Appaloosa, queria ver o que ia sair desse mistura de raça.

Nunca escuto o mesmo falar de nenhuma namorada, diz que as que estudaram com ele, só querem cuidar de cão, gatos, coisas assim.  Quando ele começa a falar de cavalos, se desinteressam dele.   Agora o professor Peter vinha sempre, o ajudava quando uma égua ia ter uma cria, Jim tinha mudado completamente, era mais fácil falar com ele, talvez era agarrado ao Caio, por causa do avô, sempre batia na porta do escritório, perguntava se tinha cinco minutos.

Ficavam os dois horas conversando, falava como ele como este gostava, como tivessem a mesma idade, isso fazia o avô, nunca o tratou como uma criança.

Os pequenos dele, já estavam grande, adoravam o Peter, nunca falavam do Brown.

Um dia Jim contou que tinha se encontrado com ele por acaso, está completamente diferente do que era, estava acompanhado de um homem muito mais velho que ele, me apresentou como seu marido, se vê que o sujeito tem dinheiro.   Ele que sempre gostou da boa vida, me disse que tinha tido sorte.

Mas quando soube que estou com o Peter, me soltou na cara, nunca me amaste, sempre foi esse idiota veterinário, esse rompante chegou a assustar o homem que estava com ele.

Mas Caio, a vida como meu pai dizia é assim, me incentivou a ir atrás do Peter, mas tinha medo de sair da casca do ovo.  Mas agora, além de um pai perfeito para meus filhos, é o homem que amo.

Quando via que queriam falar com ele Norman, arrumava uma desculpa qualquer para deixar as pessoas com ele.

Nesse dia depois que o Jim foi embora, abriu-se com ele, sabe, contigo posso falar dessas coisas, pois sempre me escutaste, tu bem como o avô Peter sempre foram assim.

Vejo os relacionamentos dos homens, gosto mais, os que tem mulheres, as acho complicadas, nunca me interesso por elas.   Outro dia meu amigo Arno, me deu um beijo, o sabor ficou na minha boca, tive que dizer a ele que depois tive que me masturbar.   Ficou rindo, disse que tinha feito o mesmo, que queria experimentar fazer sexo comigo, os dois somos virgens.

Olha meu irmão, não quero que fiques fazendo sexo por aí, quando quiseres, traz o Arno aqui em casa, podes dormir com ele no teu quarto.

Mano, ele é imenso, não cabe na minha cama.

Realmente quando trouxe o Arno, todos riram, pois tinha dois metros de altura, era forte, além de bonito, logo se sentiu em casa, com a recepção de todos. Os pegou de mãos dadas no escritório, mas ele entrava com uma boa notícia.

Caio, pegou a mão que o Arno tinha retirado, com meu irmão não tem esse problema.

Perdão por interromper a conversa de vocês, mandei o livro para o editor, quer publicar como sempre.    Mas quer que vocês, escreva aproveitando o livro em si, para escrever o roteiro de cinema, um de seus irmãos era o que queria fazer o filme do livro anterior.

Se escreves o roteiro, ele apresenta, inclusive podes acompanhar a filmagem para saber se está como queres.

Ele no seu entusiasmo, beijo primeiro o Arno, para depois correr aos braços do irmão.

Sua mãe estava orgulhosa dele.

Então discutia no almoço com todos, aproveito que na faculdade tem um curso de roteirista, vou me matricular, que achas Arno.

Sem se dar conta, este soltou, vais ficar famoso, vais me esquecer.

Deixa disso homem, fazes o curso comigo, também.

Norman, depois conversou com ele, tens que tomar cuidado, pois o Arno é inseguro, gosta um pouco de manipular.

Sim eu sei, estou revisando seu livro com ele, odeia que o corrijam, mas comigo aguenta.

Nunca quer mostrar para ninguém o que escreve.   Sabe mano, nele noto muita dor, que ele não sabe botar para fora.

Um dia chegou em casa, furioso, fechou a porta do escritório, se abraçou com o Norman, você tinha razão, o idiota meteu os pés até o fundo na merda.

Quase morreu ontem de overdose, por pouco, se meteu com drogas, eu lhe chamei a atenção que não o queria perto de mim com drogas.  Fazia uma semana que não nos falávamos, Tadao pensa igual, que a inseguridade dele, vai lhe dar problemas.  Mostrou o texto para um professor, esse fez as críticas que eu já tinha feito, claro, uma coisa sou eu falando, mas o outro disse que tinha que parar de ser inseguro.  Ao mesmo tempo tinha mandado o texto para um editor, que devolveu dizendo que trabalhasse mais o texto.

Se não fosse sua mãe, teria morrido, agora terá que passar um tempo se tratando.

Ainda não era o momento de me apaixonar totalmente.

Com o Tadao era outra coisa, estavam sempre rindo, conversavam sobre os textos, quando o rapaz pediu ao Norman que lesse o que tinha escrito, o achou maduro, pois analisava, o fato de seus pais basicamente terem vivido como num gueto até saírem de San Francisco.  O Texto basicamente falava nisso as pessoas que se fecham num gueto, o difícil que é sair.

Era um romance, falava de um jovem que procura sair desse gueto a qualquer preço, mas que se sente sozinho.

Quando conversou com ele, este riu soltou, até conhecer o Caio, me sentia sozinho, tinha acabado de chegar de San Francisco, todos nos olham, como se fossemos da mesma raça, como ele tem os olhos amendoados, cabelos negros, olhos negros como eu, pensam que somos da mesma raça, isso lhe faz rir muito.

Posso mandar o livro para o Editor, o que achas, eu faço sempre isso para o Caio.

Meu pai, leu, mas não gostou do livro, diz que eu menosprezo o que eles passaram, mas não é verdade.

Antonio, disse de noite, esses dois estão fazendo sexo, pois passei pelo quarto do Caio, escutei ruídos indiscretos.

Tadao agora passava mais tempo lá que no apartamento aonde viviam.

O livro dele foi aceito, Norman como ele pediu, desenhou a capa, como fazia com os do Caio.

Este estava de cheio no curso de escritura de roteiros.  Sobre o mesmo tema, preparou três roteiros, Norman, bem como o Antonio lera, gostavam mais do primeiro.  Era mais denso, mais interessante.

O mandaram para o Editor, este leu, disse que passava para seu irmão.

Dois dias depois o homem apareceu em casa, justo nesse momento Caio não estava, enquanto isso Norman conversou com o sujeito, lhe disse como pensava seu irmão.

Estava desenhando justamente a capa do livro do Tadao.

Quando o Caio chegou, o homem, tentou o cativar de todas as maneiras, o convidou para ir almoçar.

Ao contrário, nos dará o prazer de almoçar aqui em casa, o homem quando viu que iam comer na cozinha achou graça, mas sentar-se para comer numa mesa cheia de gente, que falava dos seus assuntos, como se ele fosse mais um ali.

Depois diria que se conversou de tudo, de música, cavalos, livros, tudo girava em torno da mesa.

O próximo roteiro, quero que escrevas sobre isso, o que acontece numa cozinha de uma família assim.

Depois o levou para sentar-se no escritório, junto claro com Antonio, além do Norman.

Aqui decidimos as coisas assim, para economizar tempo, me faça sua proposta, pois eu sempre discuto com meu irmão.

O que o homem não sabia, era que tinham se informado a respeito de textos, pediu que o mesmo analisasse o texto como tinha entendido.

Levou um susto, quando Caio se levantou, sinto muito, não entendeste o texto, me nego a vender para fazeres como pensas.   Ou é como está escrito, ou nada.

Antes que me diga, quem estou pensando que sou, lhe digo, uma pessoa que preza o que escreve, como quer que lhe entendam os demais.

O homem tinha o texto na frente dele, o retirou, sinto muito, mas nada feito.

Já basta a decepção que tive depois de ler durante toda minha infância a história de Caio Julius Cesar, ver como faziam um filme destroçando a vida do homem.

O diretor disse que nunca tinha visto esse filme, compre o livro, escreveu num pedaço de papel o nome do mesmo, depois veja o filme, odiaria que um texto meu acabasse assim.

Além de querer participar da filmagem.

Isso nem pensar, não gosto de gente no cenário. 

Estendeu a mão, desculpe o fazer vir até aqui, mas nada feito, aliar, pretendo nunca mais escrever para o cinema.

O homem foi murcho embora.

Norman ria muito, meu irmão adoro ver-te defender tuas ideias.   Tadao fez um comentário depois que estragou tudo, que ele ao contrário daria a vida para ver seu nome num filme.

Pois eu não, prefiro trabalhar de limpa botas, que ver meu texto desvirtuado.

Tiveram uma briga monumental, este foi embora, furioso.

Depois sentados na varanda, no meio dos dois, comentaria, será que me espera justamente isso, as pessoas que não aceitam a minha cabeça, minha maneira de pensar.  Eu respeito o que ele quer, mas quer mudar minha maneira de ver como quero as coisas.

Como vocês conseguiram?

Não, sei, desde que conheci o Antonio, conjugamos em tudo, podemos discordar, mas um explica para o outro o que pensa, chegamos a um meio termo.

Riram segurando as mãos, fazia tempo que os dois usavam agora um anel igual.

Tinham feito os votos numa noite no deserto, adoravam estar nus ali na natureza.

Nisso viram o Norman, brigando com um novo garanhão, filho dele.   Olha como ele defende o que é seu.

Tinha comprado um terreno ao lado, para fazer uma pista para os cavalos correrem.

Mas ninguém ganhava da Helga, uma mistura de Mustang com Appaloosa, deviam ter colocado o nome dela de vento, a iam levar para participar de um derby, foi a família inteira, inclusive as senhoras, ganhou o grande prêmio para surpresa deles.

Logo queriam compra-la, mas Abe se negou redondamente, meses depois ganhou outro grande prêmio, num dos lugares mais famosos de corrida de cavalos.

Logo ele a cruzou com um puro sangue árabe que tinham lhe emprestado.

O Potro já nasceu correndo, como dizia o Norman.

Agora passava horas sentado no celeiro desenhando os cavalos.  Seus desenhos eram perfeitos.

Riram muito quando um dia depois de uma turnê larguíssima o Jonas, voltou, com duas músicas country, mostrou claro primeiro para o Andrew que rapidamente chamou o Barrabás.

Entre os dois o levantaram por cima de suas cabeças.

Veio acompanhado de uma loira, muito interessante. Era sua namorada, cantava as músicas com ele.

Com o irmão comentou, essa a hora que fizer sucesso, irá embora, não deu outra, mal conseguiu um contrato, se mandou.  Mas surpreendeu a todos porque numa gira, que fez cantando música country, veio acompanhado de uma jovem índia, a tinha conhecido numa reserva, tinha avisado ao Abe que tinha encontrado cavalos, este foi com o Andrew, o velho José já não estava para isso, gostava de ficar tranquilamente observando os cavalos, tinha uma idade indefinida, ele mesmo dizia que tinha perdido as contas, o mais interessante que passou a conversar com o Caio, contando a história de sua vida.  Até o momento que os encontrou, aí passei a ser feliz.

Quando Abe voltou com um caminhão, cheio de cavalos, tinha comprado em parceria com o Andrew, que cada vez mais estava ali.

Mal soltou os cavalos Mustang que tinha trazido na parte nova, era impressionante ver os mesmo correrem.   Eram só um garanhão, com cinco éguas, além de um potro.

Antonio se apaixonou pelo potro, que tinha curiosidade, vinha buscar sempre na sua mão uma cenoura.

Andrew, agora estava construindo uma nova quadra, para abrigar os cavalos durante o inverno, isso faziam nas terras que tinham comprado ao lado.

Aproveitou para construir uma cabana para ele, Barrabás, que dizia que estava farto de consertar carros alheios, deixou tudo, veio trabalhar com o irmão.

Jim de brincadeira dizia que acabaria morando lá também, pois, imagina o Peter, a cada momento livre escapa para cá.

Quando morreu a mãe deles, com quase 95 anos, logo em seguida foi a do Andrew, os dois enterros foram concorridos, pois elas estavam sempre ajudando a todos na igreja.

Só ficou a Pena Alva, que agora era a matrona deles, conseguiu ela mesma na igreja duas senhoras para trabalharem na cozinha com ela, pois era muitos homens para alimentar.

Meses depois o Abe estranho que o velho José não aparecia, o encontraram morto, tinha partido em silencio, dormindo.

O enterraram junto aos seus, afinal ele tinha acabado sendo da família.

Abe sentiu muito a perda dele, agora precisavam de mais gente para trabalhar.

Qual foi a surpresa, que Andrew ajudado pelo Jim, reformaram a cabana do velho José, os dois vieram viver ali, agora Jim era quem ajudava o Abe.

Os filhos estavam na universidade, ele acreditavam que nunca voltaria, o rapaz estudava medicina em NYC, a garota, estava em Washington, estudava, era namorada de um coronel, mais velho do que ela.

Então para que viver na cidade, se estamos quase que o dia inteiro aqui.  Depois construíram uma clínica, na entrada, assim os dois atendiam os animais que traziam.

Jim estava super relaxado, agora quando sobrava tempo se metia na cozinha.

Norman fez a primeira exposição dos seus desenhos, a fazia sem pretensão nenhuma, ficou surpreso, quando se vendeu tudo.  A critica o elogiava pelo perfeccionismo.

Tinha tantos desenhos que separou uma boa quantidade para uma exposição em San Francisco, de novo sucesso.

Agora se dedicava mais a isso, mas nunca se esquecia de fazer uma pausa, para ir dar um beijo no Antonio.

Um dia sua mãe, perguntou ao Norman quando iam se casar, afinal, já estavam ficando uns senhores.

Pergunte ao Antonio, eu estou esperando por ele.

Acabou que resolveram se casar todos ao mesmo tempo, foi uma baita festa, se divertiram muito, Caio trouxe um aluno seu, agora era professor na universidade, não era jovem, inclusive um pouco mais velho do que ele, à primeira vista não se dava nada por ele, tinha passado os últimos anos de sua vida, cuidando dos pais.  Agora livre voltava a universidade.

Os dois juntos era interessantes, um alto, loiro de olhos verdes, Caio, moreno, cabelos negros, olhos negros, mas os via relaxados de mãos dadas.

Abe disse que ele acabaria ficando solteiro, pois Jonas sempre estava com sua namorada índia por aí, ele ficava sobrando.    Agora dava aulas também, mas só sobre cavalos, na universidade que tinha aberto um tipo especial de classe para ele.

O rebanho era imenso, mas o melhor mesmo era que a égua campeã, tinha parido uma égua que prometia, a chamavam de Raio.

Pena Alva foi a seguinte, morreu dormindo, tranquila, os meninos como chamava Norman, bem como ele, sentiram muito, na verdade se tinha transformado em importante para todos.

Seu enterro foi interessante, pois tinha muita gente de diferentes raças, gente que ela tinha ido fazendo amizade na igreja.  Foi enterrada ao lado de suas amigas.

Resolveram que tinham cada um cuidar do seu espaço, conseguiram contratar um cozinheiro, para todos.   Ficaram entrevistando muita gente, mas acabou ficando um mexicano, que gostava do campo.  Tinha trabalhando em San Francisco, tinha vindo a pouco tempo para a cidade, mas ao escutar falar que precisavam de um cozinheiro, apareceu.

Era da mesma idade do Abe, riram muito, pois pensou que este era o manda mais, começou a conversar com ele.

Os outros deixaram, como as senhoras esse dia tinham ido embora, ele entrou para a cozinha tomou posse, ia conversando com o Abe ao mesmo tempo que cozinhava.

Nunca tinham visto o Abe falar tanto.

Emanuel, acabou ficando, riram muito quando acabou passando a dormir no quarto do Abe.

Este era um deus para ele.  Não se incomodava com a brincadeira dos outros, dizia que nunca tinha se acostumado com o tipo de vida de San Francisco, que era nada mais de uma noite, quem como ele que trabalhava num restaurante, nunca tinha tempo para um romance.  Tinha vindo para a cidade, esperando uma vida simples.  Mas a rotina de um restaurante cansa dizia ele.

Lá ele tinha liberdade de cozinhar o que queria, como tinham feito as senhoras, descobriu um livro de receitas delas, cozinha sempre alguma coisa dali.

A vida seguiu em frente, agora iam a feiras de cavalos, levando os que achavam melhor para mostrar, tinha comprado mais terras por detrás da deles.

Sempre aparecia algum agente imobiliário, querendo comprar tudo para construir ali um parque residencial, nunca se interessaram.

Seguiram em frente, dando espaço para os mais jovens, Norman as vezes fazia alguma exposição, mas ali na cidade, sempre produzia muito devagar.

Anos, depois de muita estrada fazendo música, Jonas apareceu, com duas crianças, vinha com ele, eram pequenas, gêmeas, ela tinha morrido num acidente de carro.  Tinha saído para comprar comida para os meninos, quando um carro com um bêbado, se chocou contra o seu,

Os nomes não podiam ser melhor, um se chamava Abe, outro Caio.  Foram adotados pelos tios imediatamente.

A morte dela, afetou muito a vida do Jonas, que foi ficando por ali. Ajudava a todos, mas havia momentos que ficava sentado na varanda como esperando alguém chegar.

Um dia o encontraram ali, morto, um enfarto.

Ele tinha deixado um bom dinheiro paras os meninos de sua música, os tios conseguiram a custodia deles.

Pelo menos a casa tinha agora gritos, risadas de crianças.

Norma dizia ao Antonio, o duro é isso a vida segue em frente não para nunca.   Menos mal que tenho a ti ao meu lado.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

lunes, 9 de mayo de 2022

TURBULÊNCIA

 

                                              

 

Diziam que tudo em volta dele sempre era turbulento, chegava a concordar, embora ele como pessoa fosse um remanso de tranquilidade na hora de trabalhar, a sensação de quem estava a volta era que a adrenalina não fazia parte de sua vida, que a frialdade predominava.

Voltava agora a uma delegacia, tinha passado os últimos meses, trabalhando como interno, devido a uma ferida a bala, que lhe impossibilitava no momento atirar.   Foram meses de reabilitação, para poder voltar outra vez ao batente.

Enquanto isso lhe deram um encargo, checar os relatórios dos agentes, ultimamente esses relatórios eram incompletos, ocasionando que os advogados se aproveitavam disso, para liberarem seus clientes.

Ele era conhecido por seus relatórios, bem como conclusões perfeitas, isso talvez, por ter feito universidade de direito. Saiu com louvor, mas a vida dá muitas voltas, não gostava de estar do outro lado da lei, livrando criminosos.

Optou pela polícia para depois de estar trabalhando algum tempo num escritório de advogados. Seu trabalho era justamente esse analisar os relatórios da polícia.

Pelo menos aproveitou isso, saber analisar um relatório, ver os erros cometidos pelos policiais, saber nas entre linhas do que escreviam.

Na hora de analisar o relatório, pedia que a caderneta que tinham usado estivesse ao seu dispor, quando um deles se negou, apenas lhe disse que estava lhe ajudando, imagina que aparece algum erro, serás o culpado, todos virão em cima de ti.

Ele conversando com esse policial, todos riram, ele tinha 1,90 metro de altura, o outro era baixinho, tinham trabalhando anteriormente juntos.

Analisou o relatório do mesmo, encontrou lacunas, o chamou para verificar, que o tinha feito mudar certas coisas.

Andrew, lhe comentou que o relatório tinha sido feito pelo outro detetive, ele sempre muda tudo, nunca entendo por quê. Tem muitos amigos advogados.

Pediu a caderneta do outro, esse se negou, disse que quem escrevia era seu companheiro.

Ficou com a pulga atrás da orelha, se um fazia anotações, porque era o outro que escrevia o relatório.

Falou com o chefe deles, mas esse tirou o corpo fora.

Mostrou a esse, aonde os advogados poderiam usar para livrar seu cliente.

Mas nem assim, conseguiu nada.

Como quem tinha lhe dado esse trabalho era o chefe de polícia, foi falar com ele, este abriu os braços quando o viu, salve Drew Sacktis, vamos ver o que me trazes, porque eu espero de ti a verdade.

Comentou com ele o que tinha descoberto, que em pelo menos três casos, seria batalha perdida nos tribunais.  Inclusive, seu amigo tinha anotado certas peças para provas, essas não existiam ou tinham sido perdidas.

Há algo de estranho nisso tudo.  Segundo um deles, o chefe da equipe tem muitos amigos advogados, mas que o inspetor chefe fique quieto é muito estranho.

Quero que acompanhes esses julgamentos, quero ver como se comportam como testemunhas, direi ao fiscal que os cite como tal.

Marcou a data de cada julgamento, compareceu com todas suas anotações, para checar.

Procurou passar desapercebido, o que no seu caso, era difícil.   Mas de tonto não tinha um pelo, antes procurou na sala um lugar que fosse discreto.  Chegava antes se identificava, se sentava ali.   Nunca era o responsável pelo que estava escrito que testemunhava, sempre sobrava para alguém, que na verdade se perdia ao responder as perguntas.  Dando clara vantagem ao advogado.

Tinha gravado tudo isso, comparado o depoimento, com o que estava escrito, nunca nada batia.

Voltou a falar com o chefe de polícia, foi o que eu imaginei meu caro, agora vem o pior, quero que você como já tem a alta, se integre nessa delegacia.  Observe tudo, me faça um relatório semanal do que acontece.

Quando se apresentou, lhe olharam de esquerda, pois sabiam do trabalho que tinha feito antes, ninguém queria ser seu companheiro.  Se ele tinha uma coisa a seu favor, era o fato de ser bom observador, bem como saber usar sua intuição.  Lhe tocou durante um tempo ser justamente companheiro do cabeça da história, ainda pensou era como estar infiltrado numa quadrilha de traficantes.   Este examinava a cena do crime, sempre com pressa, não lhe interessava muito, dizia que ele escrevesse tudo, depois ele faria o relatório.

Para surpresa deste, ele mesmo fazia o relatório, a partir que tinham o mesmo status, o fazia corretamente, agregando tudo, analisava as provas, as catalogava, em seguida apresentava para o chefe.  Este dizia, quem tem que fazer o relatório é o teu companheiro.

Nada disso, eu faço o relatório do que vi, se ele quiser faça outro, pois em nenhum momento prestou atenção em nada.  Tenho o mesmo status dele, ele não é meu chefe, sim meu companheiro.    O outro ficou uma fera.

Em seguida o descartou, logo lhe tocou o Andrew como companheiro, ai foi mais fácil, mesmo assim o outro queria ver o relatório, não o permitia, quando os casos foram levados a julgamento, claro os advogados não encontraram nenhuma brecha.

O fiscal o chamou, lhe agradeceu, tudo que vem desta delegacia, é sempre uma merda, o teu é perfeito.

Um dia encontrou o mesmo fuçando, colocando uma coisa no bolso, de sua caixa de provas, o encostou na parede, retirou o que tinha colhido dali.  Nunca mais te atrevas a fazer isso, se eres corrupto, é um problema teu, mas nos meus casos, cuido eu.

Revisou tudo, faltavam duas coisas, deu queixa ao chefe, esse levantou os ombros, por sorte relatou isso ao chefe de polícia.

Já se corria rumor, que toda a delegacia seria trocada.

Estava no carro como Andrew, que justamente lhe dizia, que trabalhar com ele, era melhor, estava livre das merdas do outro.

Foram chamados todos os carros, para uma troca de tiros num lugar complicado.

Segundo a chamada, tinham cercado um traficante de drogas.

Mal chegaram apesar de proteger o carro, era como se alguém o estivesse esperando, Andrew levou um tiro certeiro na testa.  Como um relâmpago, se jogou fora do carro, tratou de se proteger, avistou na parte mais alta, um franco atirador.  Que merda é essa, pensou, os traficantes não têm franco atirador.

Foi procurando dar a volta ao carro, mas pareciam que todos os carros, seja de que lado fosse, atiravam na mesma direção, olhou para uma lateral, estavam pelo menos uns cinco policiais mortos, memorizou suas caras.

Justo nesse hiato de distração, recebeu uma bala no mesmo braço ferido anteriormente, o que o jogou no chão.

A partir desse momento tudo foi uma confusão geral, pois os traficantes, passaram a atirar com metralhadoras, na outra direção.  Alguém o arrastou, o deixou junto aos outros policiais, disse baixinho, velho amigo, te cuide, coloquei no teu casaco um número de celular, entre em contato comigo.  Como num relâmpago, reconheceu Robert Smith, um velho companheiro de orfanato.

Em seguida perdeu os sentidos.   Escutou longe, o filho da puta, que tinha chamado todos os carros, reclamando que tinham raptado um deles.  Mas não dizia qual.

Nesse momento a ambulância, recolhia os feridos, uma enfermeira deu com ele, chamou os outros para a ajudarem, escutou o mesmo dizendo, esse desgraçado era para estar morto.

Então entendeu, era uma emboscada.

Foi direto para a sala de operações, lhe retiraram a bala, teria que colocar uma prótese, o fizeram em seguida.  Despertou no quarto, que estava vigiado, ainda meio sonolento, o médico lhe disse que desta vez tinha uma prótese, que iria demorar mais tempo em reabilitação.

Tornou a dormir, viu que entravam dois enfermeiros, que faziam uma coisa, estranha, abriam uma porta ao lado da cama, lhe retiravam dali, colocando outra pessoa no seu lugar.

Reconheceu pela voz, pois estava de máscara cirúrgica, o Robert Smith, que lhe fez sinal de silêncio, viu que ele, se escondia, tinha uma pequena câmera de vídeo.

Depois escutou tiros abafados no outro quarto. Uma voz irada dizendo, mas não é ele, o filho da puta conseguiu escapar, mas isso não fica assim.  Nesse momento, uma grande confusão, pois apareceram vários agentes do FBI, prendendo quem estava no outro quarto.

Robert, chegou-se à cama, colocou a câmera de vídeo embaixo do braço ferido, depois me contata, que te conto mais coisas.

Até descobrirem aonde ele estava foi demorado. Disse não saber de nada, porque o tinham trocado de quarto, tampouco sabia o que tinha acontecido ali.

No dia seguinte o chefe de policia o veio ver.  Desculpe essa confusão que te meti, agora estão atrás das grades, todos eles, incluindo o chefe da delegacia.

Todos estavam envolvidos em uma série de merdas, tu estavas dentro, me fazia os relatórios, conforme isso, pedi ajuda ao FBI.   Mas de qualquer maneira alguém creio que te ajudou, o tiroteio era para te matar sem duvida nenhuma, teu companheiro o Andrew, pagou o pato, embora anteriormente fizesse parte da coisa.

O duro agora será levar todos eles a julgamento, a quantidade de advogados que apareceram para os defender, foi grande.

São os que se beneficiam do que fazem de errado.

De qualquer maneira, foram requisitados todos as anotações das cadernetas.

Quando pode se sentar, finalmente pode ver o que tinha na câmera de vídeo, avisou o chefe de polícia, este veio, ficou rindo, o dito cujo alega que entrou para te proteger.

Depois lhe contou por celular, que na hora que viu a prova, o advogado que o defendia, desistiu do caso.

De noite, apareceu o Robert, vestido de enfermeiro, lhe agradeceu ter salvado a sua vida.

Meu amigo, se desde crianças vinhas salvando a minha, lembra-se eu era o gordinho da turma, todos se metiam comigo, tu o mais alto, nunca permitia que ninguém abusasse de mim, ou fizesse bullying, eu nunca me esqueci disso, os dois saímos ao mesmo tempo do orfanato, tu com uma bolsa de estudos, eu tive que ir para o exército, foi lá que aprendi a fazer o que faço hoje, não imaginas a quantidade de trafico que se faz dentro das forças armadas, camuflado em várias coisas.

Te trouxe um vídeo definitivo, mostrou o que era numa cópia que tinha no seu celular, conseguimos entrar por detrás capturar o que estava de franco atirador, que matou teu companheiro, só o entregaremos na hora que diga.   Era o mesmo confessando como tudo se tinha tramado, quem era o cabeça da história.                  Incluía inclusive o chefe da delegacia. 

Extorsionava todos os traficantes que trabalhavam na zona, recebiam dinheiro dos advogados, ele tem tudo anotado, num caderno que está embaixo de sua mesa, é necessário retirar um pequeno ladrilho, está debaixo.

Passou isso ao chefe de polícia, bem como a cópia do vídeo.

Quando o caso foi levado a julgamento, o advogado estava nervoso, evidentemente que sabia que perderia a causa.  Não sabia desse vídeo, que o fiscal guardou até o último momento.

O mesmo entrou totalmente arrogante, como dizendo não podem fazer nada contra mim.

Mal sabia que com os nomes de todos os advogados, os escritórios dos mesmos, estavam nesse momento sobre intervenção do FBI.

Justo na hora que entrava o Juiz, alguém disse ao seu advogado o que acontecia.

Quando foram apresentado as provas, dele inclusive entrando no quarto, atirando na cama, que tinha já um morto, o que ele dizia, o advogado deveria dizer que não aceitava essa prova, estava estático.  Quando o fiscal, apresentou o depoimento do que era franco atirador, contando tudo, inclusive aonde estavam as anotações dos nomes dos advogados, o quanto tinha recebido de cada um por ajudarem a perder o processo.

Ficou com a boca aberta, ia dizer protesto, mas nesse momento o juiz, declarou, que o julgamento estava finalizado, o condenava a cadeia perpetua, bem como seu advogado, que estava preso por comprar resultados nos julgamentos, saíram os dois algemados da sala, viu que ele o procurava, mas estava sentado justamente atrás de dois policiais mais altos do que ele.

Voltou ainda para o hospital, fazendo fisioterapia, quando finalmente pode voltar para casa, teve que rir, tinham invadido seu apartamento, talvez esperando encontrar alguma coisa lá, devem ter pensado, esse idiota mora mal.   Ele vivia num último andar de um velho edifício sem elevador, minúsculo, era um quarto pequeno, a sala com uma varanda também pequena, uma cozinha, o banheiro era pequeno, mas com um box de chuveiro grande.   Ele usava o apartamento a muitos anos, tinha pintado a última vez ele mesmo.   Todo que devem ter encontrado, pois estavam todos atirados no chão, era uma quantidade absurda de livros, suas roupas tampouco eram muitas, 90% roupa de trabalho, quando muito tinha duas calças jeans, umas quantas camisetas, que agora estavam prontas para irem para o lixo, de tão pisadas que estavam.

Virou as costas, desceu as escadas, amanhã mando alguém fazer uma limpeza, separar os livros colocar numa caixa, fica perigoso voltar a viver aqui.

Foi para um hotel, aonde conhecia o dono.  Ligou para o Robert Smith, disse aonde estava, que tinham destruído sua casa, mas não importava.

Estava jogado na cama quando este chegou, escutou uma batida na porta, pegou seu revólver, foi olhar quem era, levou um susto, ele entrou o abraçou, ah amigo, quanto tempo, atrás dele tinha outra pessoa, não lhe era desconhecido.

Este estava louco para te ver, quando o puxou para a luz, ele gritou, “Bolinha”, era outro companheiro que ele defendia, por ser baixinho, usar óculos.  Tinha crescido, estava magro, tinha uma cara boa.

Sentaram no chão, não havia outro lugar, era como faziam quando criança, sentar-se em algum lugar do imenso pátio, principalmente quando já eram adolescentes, como nunca tinha querido adota-los, nem eles tampouco queriam ser separados.

Ele conseguiu sua bolsa de estudos para a universidade, segundo os dois era o mais inteligente deles.

O que fazes Bolinha?

Tomo conta para que esse senhor, não estrague sua vida, ele foi para o exército, eu fui estudar ao mesmo tempo trabalhar, fui aprender contabilidade.

Junto montamos uma empresa, durante muitos anos lavamos dinheiro dos traficantes, agora estamos fora, foi por isso que o filho da puta do teu colega, nos queria morto, sabíamos aonde tinha seu dinheiro.

Mas vocês se casaram, tem família, um olhou para o outro começaram a rir, sim temos família, formamos um casal de delinquentes que se ama.

Se lembra da vez que nos pegaste, eu o estava masturbando?

Sim claro que me lembro, fiquei furioso, mas depois entendi que vocês se gostavam, era iguais, eu também sou gay, mas nunca dei certo em nenhum relacionamento.  Tentei me casar, mas graças a deus, terminei antes, não achava justo enganar a coitada, se casou com um outro companheiro, agora está viúva.

Se procura apartamentos, temos muitos, em vez de ficar levando dinheiro para fora, fomos comprando apartamentos, reformando, inclusive temos um que se parece contigo, me lembro que dizias que teu sonho era ter um apartamento que tivesse uma biblioteca, tínhamos visto um filme no orfanato, em que aparecei um garoto sentado na poltrona do avô, na biblioteca, dizia que esse era teu sonho.

Temos um assim, verdade Robert?

A maneira como os dois se olhava, se via que eram realmente duas pessoas que se amavam.

Robert se levantou para ir ao banheiro, o Bolinha soltou, ele sempre foi apaixonado por ti, mas tinha medo.  Uma vez se meteu na tua cama, mas ou dormia ou fingia dormir.

Pense bem Bolinha, como podia alimentar uma coisa, se íamos cada um para um lado diferente depois.

Que estão falando de mim?

Da noite que te meteste na cama dele, esperando que algo acontecesse.

Cheguei a pegar no piru desse filho da puta, mas era como se eu não existisse.

Não podia alimentar nada, sabia que me querias, mas eu sonhava com coisas, como conquistar o mundo, mas claro na realidade o buraco é mais em baixo.

Realizei tudo pela metade, sou bom no que faço analisando situações.

Se estivesse no nosso lugar agora, o que farias?

Se vocês já tem esse capital, sairia do pais durante um tempo, inclusive se pudesse mudaria de nome, voltem diferentes, construam algo, tenham filhos, adotem já sei que iam dizer que era impossível.    Se lembram quantas crianças saiam, voltavam frustradas, pois se sentiam rejeitadas, mesmos as que por algum motivo tinham sido motivo de abusos.  Todos queriam uma família, menos nós que juramos ser uma família.

Veja, agora, as coisas serão mais duras, por isso lhes digo, se mandem daqui, passem um tempo fora, mudem de nome, façam algo diferente.

Temos um edifício, queríamos transformar num hotel, para homens solteiros, já sabes, quem sabe.

Brincando o Robert disse, para comemorar devíamos os três ir para a cama, fazer sexo.

Ficaram rindo, mas realmente era a vontade deles, quem encontrou a saída foi Drew, nem posso imaginar, com o braço como tenho, segurar o pau dos dois.

Mas sem querer acabaram os três na cama, foi uma coisa fantástica, ele no meio dos dois, se sentiu querido como nunca tinha sentido na vida.

Acabaram dormindo ali os três agarrados um ao outro.  Despertou com o braço doendo muito, merda, exagerei, mas claro, era porque o Bolinha estava dormido em cima do mesmo.

Tentou se levantar, mas estava no meio dos dois.

Acabaram se despertando, um olhava para o outro com uma certa vergonha, depois começaram a rir, imagina se a polícia entra agora, íamos presos.

Bolinha ficou para ir mostrar o apartamento para ele.  No carro foi dizendo, realizaste um sonho dele, fazer sexo contigo.   Sempre falava nisso para mim.

Ele me salvou a vida outro dia, se não fosse ele estaria morto.

Pois ele diz que salvaste a vida dele, muitas vezes no orfanato.  Sempre nos defendia, acabamos formando nosso grupo.

Dos três ele sempre foi o mais triste, pois sabia que tinha família, mas não entendia por que tinha colocado no orfanato.  Era muito pequeno para se lembrar.

Nos dois claro fomos bebês para lá, aprendi a me defender desde pequeno, soltou o Drew tudo que deixaram foi um bilhete com meu nome, mas nunca encontrei ninguém com esse sobrenome.  Depois pensei, para que, se me deixaram deviam ter algum motivo.

Não entendo, porque não tens ninguém contigo, tem um porte, uma presença impressionante.

Tampouco, acho que as pessoas querem isso, essa presença, mas quando me conhecem realmente, fogem.

Lhe mostrou o apartamento, Bolinha disse, não se preocupe, pertence a minha empresa, não tem nada de irregular aqui.  Era muito bom, estava também num último andar, o edifício tinha sido reformado a algum tempo, tinha elevador.  Realmente se deslumbrou, no que seria uma sala, era uma biblioteca, além de dois quartos, banheiro, cozinha, uma boa varanda, lhe perguntou se podia fechar a mesma para usar nos meses de inverno.

Bolinha, lhe mostrou, que atrás de uma estante, tinha um cofre.

Os herdeiros, venderam toda a biblioteca, parece que era uma coleção impressionante, quando comprei, essa estante estava afastada, o cofre, limpo, mas quando reformei, fechei isso, para ninguém ver, terás que chamar alguém que saiba manejar isso, para colocar um novo segredo.

Quanto queres de aluguel?

Quanto pagavas no outro, estava mais central?

Lhe disse o valor, te cobro 10% mais se fazemos sexo agora.

Nada disso, prefiro pagar mais, mas fazer sexo só contigo, seria criar problemas com o Robert, isso nunca.  O que aconteceu ontem não vai se repetir.

Vamos ao meu escritório para fazer o contrato.

Nisso o chamaram, era o chefe de Polícia, disse o nome de um Juiz, o hospital que estava, foi operado a dois dias, quer falar contigo, para oferecer um trabalho.

Mas antes passou pelo escritório do Bolinha, que era bem situado, com várias pessoas trabalhando para ele.   Assinou o contrato, bem como lhe deu o número de sua conta para cobrar todos os meses, com as chaves no bolso foi para o hospital.

Perguntou pelo Juiz Ferguson, lhe disseram o número do quarto.

Quando entrou o encontrou de mãos dadas com um homem muito bonito.

Entre disse este, devia ter uns cinquenta a sessenta anos.

Ele se apresentou.  O juiz apresentou ao outro, Justin Brown, meu marido.

Tens algum problema trabalhar com um juiz gay?

Riu, se contasse da noite anterior, mas respondeu, não senhor, eu também sou gay, era a primeira ver que verbalizava isso.

Sente-se, lhe explicou, eu assim que sair do hospital, vou chefiar um novo sistema de julgado, vamos atender pessoas que foram injustamente, ou justamente presas.   Teremos que examinar todo o expediente com lupas, para saber realmente se foi culpa da pessoa, se não tem nenhuma prova manipulada, coisa assim.  Seria trabalhar diretamente comigo.  Pelo que sei, o teu chefe te elogiou muito, a não ser que queira se livrar de ti.  Que nisso eres muito bom analisando os perfis, bem como os documentos.

Mas o primeiro caso que quero, é resolver um problema pendente, seu antigo companheiro, prendeu um rapaz, surdo mudo, que se parece com um traficante de armas, deu-lhe uma surra de fazer gosto, pois o mesmo não respondia a nada.   Agora seu advogado, recorreu, pois ele nem americano é.    Sim inglês, que veio aqui procurando seu pai, pelo visto o mesmo é um traficante procurado.

Nisso chegou sua secretária o apresentou, Elizabeth Schuster, melhor não podia ser, disse que ele ia trabalhar na nova fase, terás que o atender também.   Trazia um folio, tudo que encontrei a respeito do rapaz.   Riz Richard, tem uma foto de quem seria seu pai, a dele, pouco mais, pois parece que o prenderam por não entender a situação.

Se pudesses entrevistar com ele, seria ótimo, firmou uma autorização, para essa entrevista, veja o que podemos fazer, leve junto um que fale a língua dos signos, pois é como ele se comunica.

Eu quando estava no orfanato, tínhamos dois rapazes surdos, aprendi a língua dos sinais.

Sim me informei a respeito de ti, dizem que eras o defensor de muitos deles, para que não sofressem bullying.

Eu aprendi a me defender desde pequeno, nunca suportei os abusos.

Tentarei ir hoje, depois tenho que fazer minha mudança, arrasaram meu apartamento, pensando que tivesse ali alguma documentação.  Arrumei outro apartamento, assim não sabem aonde estou.

Foi a prisão, era tipo prisão preventiva, mas o rapaz já estava a mais de um mês ali.

A aparência do mesmo era lamentável, se identificou, ele sorriu, finalmente um que fala como eu.

Lhe disse que fizesse os sinais devagar, pois fazia tempo que não usava a linguagem dos signos.

Lhe contou que sua mãe tinha morrido a pouco tempo, esteve quando jovem estudando aqui, conheceu um homem paquistanês, se apaixonou, só tenho uma foto dele, os policiais me pegaram justamente mostrando a fotografia, perguntando pelas pessoas.  Me deram uma surra, porque não falo, estudei, sou formado em literatura, mas não falo direito.

Vou verificar tudo, aonde estavas hospedado, ele deu a direção. 

Dali foi ao hotel, o mesmo foi considerado como abandonado, suas coisas estavam numa bolsa.

Ele apresentou seu distintivo, levou tudo com ele.   Não sabia por que mas já sentia pelo mesmo um carinho especial.

Voltou a hospital, encontrou o juiz sozinho, falou com ele, o que o rapaz tinha explicado, creio que roubaram todo o dinheiro que tinha, pois na bolsa do hotel, está vazia.

Esses filhos da puta, sempre abusaram das pessoas que prendiam.

O Juiz escreveu uma ordem de soltura, mas veja se o coloca num lugar que possa depois ir ao fórum, eu volto dentro de dois dias.

Arrume tua casa, depois falamos.

Telefonou ao Robert, ele saberia quem era o pai do rapaz.

Ficaram de ir com um furgão, buscar suas coisas.

Conseguiu num supermercado perto, caixas de papelão, comprou adesivos largos para lacrar as caixas.

Ia separar por temas ou ideias os livros, mas na verdade, estavam antes metade em pilhas pelo chão, porque na estante não cabiam mais.  A verdade era que cada vez que ia procurar alguma coisa, batia nisso.  Estarem misturados, aí tinha que procurar, um fato que gostava, pois acabava encontrando algum livro, que relia outra vez.

Resolveu, que na hora que fosse colocar nas estantes da biblioteca de sua nova casa, faria isso.

Guardou tudo, no dia seguinte, teria que comprar camas para os dois quartos, bem como colchões, ainda pensou em um deles, forrar com tatame, para fazer exercícios, quando o braço ficasse bom.

Ali não sobrava mais nada, nem roupa, que estavam todas rasgadas, nada da cozinha era aproveitável, falou com uma senhora, que disse que limparia o apartamento.

Depois falou com o proprietário, avisou que se ia, que a senhora ia atirar tudo, depois podia mandar pintar, arrumar o que estava quebrado, debitar na sua conta.

Não se preocupe, foste o melhor cliente que tive, nesses anos todos vivendo aqui, nunca deste trabalho.

Mal pode ajudar os dois a descerem as caixas, seu braço não permitia. Mas Robert, chamou uns garotos que estavam por ali, lhes deu dinheiro.

Não me diga que tudo isso é caixa de livros?

Sim, meus bens mais preciosos, sempre foi minha paixão desde que aprendi a ler.

No outro apartamento ele fez a mesma coisa.  Disse o que estava pensando em fazer no segundo quarto.

A cara do Robert era de gozo, melhor para sexo a três.

Robert, já disse ao Bolinha, isso não vai se repetir.

Foram jantar, ele mostrou a foto para o Robert, conhece esse sujeito.

Uau, de aonde tiraste isso, esse sujeito é super perigoso.   Vende armas para todos os traficantes.

Lhe contou o que tinha acontecido, o pobre rapaz levou uma surra do meu querido companheiro, pois estava nas ruas mostrando a fotografia, perguntando se alguém o conhecia.

Imagina o ingênuo que foi, além de tudo é surdo/mudo.

Lá vai o defensor dos fracos e comprimidos, soltou o Bolinha.

Amanhã tenho que o tirar da prisão, ficou comentando do novo trabalho, vou ganhar mais, bem como tem muita responsabilidade, analisar caso por caso, ver aonde tem erros, eu sempre fui considerado um dos melhores nos meus relatórios, contou a história que quando tinha trabalhando com o outro, sumiam provas, etc.

Imagina, o rapaz diz que tinha dinheiro, consta que não tinha nenhum, na bolsa que estava no hotel, tampouco. Não sei o que tem na prisão.   Menos mal que aonde está as celas são individuais, pois senão teriam abusado dele.

O deixaram no hotel, Robert insinuou outra vez, mas ele cortou, tinha sido interessante, mas seguir em frente seria um erro.

Amanhã, vou fazer contatos, tinha uma foto do mesmo jovem, bem como do filho.

Logo de manhã, comprou o que queria, ficaram de entregar no final do dia, tinha comprado para o salão/biblioteca, três cadeirões, desses bons para ler, os colocaria perto da janela, depois teria que comprar um abajur, ou mais de um.   Comprou uma mesa, antiga que viu na loja, para ser sua mesa de trabalho, tinha desistido do tatame, pois sabia que acabaria indo fazer exercício em algum lugar da polícia.

Depois foi para a prisão, primeiro falou com o encarregado, lhe dando a ordem do juiz, esse comentou que todos sabiam que ia trabalhar para ele.  Viu que ainda tinha o braço no cabresto, lhe comentou que seus antigos colegas tinha estado nessa prisão uma semana. Não sabe a confusão que aprontaram.  Não se podia colocar todos juntos, pois saiam no braço.

Quase mataram um que os denunciou, o jeito foi colocar o mesmo numa cela longe deles.

Enquanto isso foram buscar o rapaz, esse quando o viu, sorriu, falou com ele em linguagem de signos, vim te buscar.

No carro comentou, que não tinha encontrado o seu dinheiro, ele tirou a carteira verificou que ainda tinha seu cartão de crédito, disse que sem problemas, lhe comentou que estava num hotel, se quisesse podia ficar lá, assim poderiam conversar.

Claro que sim, eres meu anjo da guarda.

Comentou com ele, que tinha pedido um amigo, que verificasse aonde estava seu pai, mas antes que tenhas uma decepção, te aviso, me parece que é um traficante de armas, há que ir com cuidado.   Acho que, os que te prenderam pretendiam fazer chantagem com ele.

Portanto toda cautela é pouco, vamos esperar o que diz meu amigo.

Foram almoçar os dois, disse que tinha que ir para o seu apartamento novo.  Enquanto esperavam os moveis, abriu a caixa de livros.

Meus melhores amigos disse Riz, ficou rindo.

Melhor ir separando os assuntos, vou te ajudar.  Trabalhei muito tempo na biblioteca da universidade.

Volta e meia as mão se tocavam, gostava desse contato, era uma coisa diferente.

Depois foram colocando tudo nas estantes, iam sobrar espaço para mais livros. Riu pensando nisso.

Explicou ao Riz, porque ria, como estavam esses livros em sua casa antiga.

Quando chegaram os moveis, foram colocando no lugar, os homens montaram as camas, tenho que comprar lençóis, pois os meus estavam muito velhos, toalhas de banho, até roupa preciso.

Tinha mandado lavar a que estava no hotel, pois não tinha outras, nem sabia como devia se vestir para trabalhar.

Levou depois o Riz até o hospital para falar com o juiz, foi traduzindo o que o juiz perguntava, ele soltou que podia ler os lábios das pessoas.

Explicou ao juiz que nunca tinha visto seu pai, nem sabia quem era, pois em seus documentos, constava só o sobrenome da mãe, ela mesma não sabia o nome dele direito.

Fui educado na igreja católica, como ela, mas agora que ela morreu de um câncer fulminante, só teve tempo de me contar isso, que ele vivia aqui na cidade, que tinha sido uma aventura fugaz, que só se deu conta, quando estava em Londres outra vez.

Ai já era tarde, resolveu levar a gravidez até o final, depois decidia, se apaixonou por mim, foi a melhor mãe do mundo.

Tinha um excelente emprego no governo, herdei dela a casa que vivíamos, bem como alguma coisa de dinheiro.   Trabalhei sempre depois da universidade, numa biblioteca.

Drew contou ao juiz, que ele acabava de o ajudar a montar a sua, da casa antiga não sobrou nada, só meus livros.

Também gosto de livros.   Comentou o que Drew já tinha comentado, ao parecer teu pai, é um traficante de armas, se for assim, é perigoso.   Melhor deixar para lá.

Riz concordou.  Ficarei o que resta das minhas férias, depois penso no que fazer.

Drew perguntou como devia ir vestido.

O Ferguson de brincadeira disse que de smoking.  Olha eu vou por livre, como quando estou em presença do publico estou de toga, mas o resto do tempo uso uma gola alta, um casaco, mas nada de gravatas que odeio, portanto estas livre.

Tampouco terás que te fazer público, pode ser que algumas vezes, precisarei de ti, para os julgamentos, ter um traje com gravata ira bem.

Tinha mais um dia ainda para aproveitar, resolveu mostrar a cidade para o Riz, esse ria dizendo que era um policial diferente.

Depois de comprar roupa de cama, coisas para a cozinha, uma maquina de fazer café, sem o qual ele não podia passar, tinha o carro cheio, Riz o ajudou a subir tudo, a arrumar as camas, lhe disse que podia ficar ali na sua casa.

Confias em mim?

Claro que sim. Já tinha agilidade outra vez, em falar com a linguagem dos signos.

Teria que perguntar ao Robert, se sabia alguma coisa desses meninos, eles tinham saído do orfanato, eles tinham continuado.

Não tinha sido infeliz no orfanato, mas tampouco feliz, de pequeno, tinha sofrido abusos dos maiores, mas com o tempo tinha aprendido a se defender, por isso sempre defendia os outros quando via alguém querendo fazer maldade com eles.

Foram ao hotel, recolheram suas coisas, pagar a conta, etc.

Tinham comprado coisas para fazer um bom sanduiche para a noite, se sentaram nas poltronas novas, contou sua história para o Riz.

Ele disse que sua mãe, graças a deus tinha ficado com ele, imagina nasci surdo/mudo, num orfanato.

Quando disse que tinham alguns aonde estava, que os defendia dos maiores, pois claro queriam abusar deles, por não poderem depois reclamar.   Por isso aprendi a falar a linguagem dos signos, para falar com eles.   Tinha um professor que vinha três vezes durante a semana, eu escapava das outras aulas, ia aprender.

Vejo que eres amigo de seus amigos.

Procuro ser, se andam na linha comigo.

Já eram quase meia noite, quando Robert chamou pelo celular, tinha conseguido falar com o pai do rapaz, esse disse que não sabia que tinha um filho, que era melhor não se aproximar dele.

Acho que está certo, principalmente agora, que creio que o FBI ou mesmo a CIA, está atrás dele.   Se fosse tu, colocava esse rapaz no avião amanhã mesmo.

Foi o que ele fez, o convenceu a voltar para Londres.

Começou a trabalhar com o Ferguson, lhe deram uma sala, ao lado da sua, tudo que pediu a secretária, foi um laptop, bem como blocos para fazer anotações. Claro muitos lapises.

Ela lhe avisou que os casos, estavam por ordem de entrada, na frente de cada um tinha um número, além da data de entrada.

Analisando o primeiro, deu logo de cara com que estava incompleto, anotou de que delegacia era, bem como os detectives. 

Perguntou ao Ferguson como agiria nos casos assim?

O Chefe de Polícia disse que nos ajudaria, consiga uma ordem dele, para que se entreguem as cadernetas, bem como entreviste os detetives.

Quando falou com o chefe de polícia, este anotou o nome dos dois, bem como que as provas deveriam ser entregues a ele, para analisar.

No outro dia apareceram os dois detetives, pela cara, estavam de má vontade, lhes entregaram as cadernetas, mas foi esperto, não entrevistou os dois juntos.

Quando se viram separados, a coisa ficou feia.

Primeiro não queriam responder as perguntas, foi direto ao que entrou ou me responde, sou como uma víbora que grudara no teu pé, não vou soltar até descobrir o que falta.

Este disse que ele só escrevia o que lhe mandavam escrever. Pediu para ele descrever tudo que tinha acontecido nesse dia, comece contigo levantando.  A cara do outro era de espanto, me conte como é tua rotina diária?

Que tem a ver isso com o caso?

Faça como estou pedindo, era uma maneira de saber como o mesmo se comportava no seu dia a dia. De má vontade o outro começou. Quando chegou o momento de descrever o que tinha visto no lugar do crime, o obrigou a descrever, como tinha entrado na sala, fazia perguntas, como colocaste luvas para não tocar nada com tuas mãos, em determinado momento viu que o outro ficava nervoso.  Perguntou se tinha conversado com o assassino?

Sim fiz algumas perguntas, mas meu companheiro foi quem levou a maior parte das perguntas.

Me conta o que falaste com ele, está escrito em sua caderneta?

Sim, escrevi tudo o que ele respondeu.

Seguiu, nisso de passaram duas horas, tinha descoberto que sua sala tinha uma saída pela outra lateral, mandou que ele esperasse ali.

Imediatamente fez o outro entrar, ou seja não dava tempo de se falarem.

Fez a mesma coisa, esse já estava nervoso de esperar, além do que o outro podia ter falado. Mas seguiu calmamente, esse disse que não tinha colocado luvas, ele perguntou se o seu companheiro tinha, não reparei, essas duas palavras, cada vez que mencionava o companheiro, se tornaram normal, tudo que se referia ao outro, era assim.

Ele perguntou, não reparaste, ou simplesmente não olhas para o teu companheiro.

Pelas anotações, a chamadas foram num horário, vocês demoraram para chegar quase uma hora depois.  Mesmo assim o assassino estava dentro da casa?

Sim, custodiado por dois policiais que tinha chegado primeiro.

No vosso relatório não existe o nome desses policiais, tampouco a hora que eles chegaram.

Pois já estavam lá, putos da vida pelo nosso atraso.

Por que do atraso?

Não vem ao caso, problemas particulares.

Quando perguntou se ele tinha interrogado o suspeito, disse que só o seu companheiro, mas você é o encarregado.  Não anotei nada.

Fez o outro entrar o mais interessante, foi que começaram uma discussão justo na frente dele, um acusando o outro.

Apertou um botão, entrou um guarda, mandou que ele ficasse do lado de fora.

Caramba vocês estão chamando muita atenção.

Vamos chegar a um acordo ou terei que mandar os dois para prisão.

Foi uma santa palavra.  Demoramos porque ficamos discutindo um assunto particular, por isso chegamos ao local nervosos.

Vou colocar cada um num lugar diferente, anotem tudo que viram ou ouviram nesse dia desde o momento que pisaram o local, reflexionem.

Enquanto estavam cada um numa sala, sozinhos, ele deu uma olhada nas cadernetas, realmente só uma tinha anotações com perguntas, a outra estava em branco.  Uma hora depois fez os dois entrarem, quase começou a rir, tudo que não tinha colocado estava ali, com pontos de vistas diferentes.

A quanto tempo trabalham juntos.  Os dois disseram 4 anos.

Uma pergunta, vocês tem um relacionamento, visto os dois serem solteiros?  Ficaram como um pimentão.  Aqui podem falar o que quiserem, não os estou julgando, tampouco posso comentar nada.

Sim, por isso discutimos, soltou um, ele andava saindo com outro companheiro, me deixando de lado.

Bom só posso dar um conselho, peça para trabalhar com outros companheiros.

Agora sim as coisas estavam mais completas.

Analisou cada uma, claro o advogado tinha percebido algo errado, achava que tinha poucas informações a respeito.  Depois analisou as mostras de tudo, além de tudo relacionado a vítima, bem quem a tinha matado, o motivo alegado, o laudo do perito, a análise da casa.

Agora tinha um cartão que lhe dava direito a entrar na prisão para falar com quem lhe interessasse, só tinha que avisar que iria, para que levassem o prisioneiro a uma sala especial.

Quanto entrevistou o mesmo, colocou um gravador, quando esse permitiu.

Conversou com ele a respeito.   Este contou sua história, sabia que cada vez que viajava, ela trazia alguém para dentro de casa.  Desta vez o tinha pegado em fragrante, pois tinha deixado as roupas lá.  Fugiu só com uma cueca. Anotou a hora, nada disso constava nos relatórios, os encontrei em plena discussão do que iam fazer com o dinheiro que iriam roubar de mim.

Quando me viram, o sujeito saiu, me deu um soco, mas me desviei pois tinha uma navalha na mão.

Me fez um corte aqui, quando os policiais chegaram, eles me atenderam, chamaram uma ambulância, só uma hora depois chegaram os inspetores.  Vinha com uma cara de quem tinham discutido.  Só um me fez perguntas, o outro não, examinaram muito por alto tudo.

Chamou os dois outra vez, as roupas que constavam na perícia, era como, fosse dele, mas seria impossível, pois eram um tamanho maior que do acusado.

Perguntou sobre o amante, nem sabiam disso, bom pelo que ele descreveu, o homem saiu, em cuecas da casa, olhem todas as câmeras de vídeo desse dia, desde duas horas antes de vocês chegarem, analisem cada uma.

Os dois deixam de ter qualquer caso, se quiserem arrumo uma sala para isso aqui.

Preferimos.

Falou com o juiz, omitiu o motivo da briga dos dois, por enquanto era melhor ficar calado.

Ia várias vezes por dia aonde estavam revisando o vídeo, até que deram com o sujeito, que entrava num carro, dava para ver o numero da matricula, agora façam vosso serviço direito, atrás desse sujeito.

O mesmo acabou confessando que na hora que entrou o marido, ele tinha passado a navalha no pescoço dela, por o meter nessa situação, como o outro foi preso, relaxou. Inclusive no vídeo se via aonde tinha jogado a navalha.

Quando acabou o processo, o marido solto, os dois detetives, foram separados em duas delegacias diferentes.

Vamos por bom caminho lhe disse o juiz.

Sempre recebia a visita do Robert com o Bolinha, insinuava fazer o que tinha feito antes, mas se negava. Não era o que queria para sua vida, estar sempre sozinho, já era um costume dele, gostava de ficar trabalhando ali no silencio de sua casa.

Estava analisando um processo complicado, pois envolviam vários policiais, em que suas histórias não encaixavam.  Tinha analisado os dois primeiros, suas cadernetas estava organizadas, bem como tinham feito um bom relatório, tinha atendido uma chamada, da porta a senhora da casa tinha dito que estava tudo bem, que tinha sido um mal entendido.

Já as outras chamadas era confusa, a última, quando chegaram a mulher estava como uma louca, com uma faca na mão.  Foi dada como louca, estava internada num hospital.

Os médicos diziam que não tinha nada, apenas um ataque de nervos.

Os que tinham atendido a segunda chamada, foram rápidos em sua análise, pois já sabiam da chamada anterior.

Os últimos totalmente relapsos.  Finalmente quem atendeu a última foi a mesma equipe do primeiro, viram que a coisa se escapava de suas mãos, chamaram mais agentes.  A mulher estava fora de si, ameaçava qualquer um que entrasse na casa.  Um grupo entrou por detrás encontrou toda a família morta na cozinha, a facadas.

Tentava agora encaixar tudo isso, pois muitos escreveram à sua maneira o que viram.

Estava pensando nisso, quando chamaram a porta, no momento lhe pareceu Riz, quando abriu entrou seu pai.  Ficou gelado, ao contrário do filho, o pai, parecia um bloque de gelo, queria saber se era verdade o do filho.

Sim contou a história, que o tinham confundido com ele, mas era surdo/mudo, um bom garoto.

Lastima, nunca soube de sua existência.  Talvez tivesse tomado outro rumo.

Achas que devo procura-lo, lhe deu o mesmo conselho, esqueça, deixe que ele siga seu rumo na vida.

O homem foi embora, semanas depois recebeu um e-mail do Riz dizendo que seu pai tinha feito contato, queria vê-lo.

Tentou faze-lo ver que podia ser perigoso, pois agora sabiam quem ele era, podia o seguir até seu pai.  Acho melhor você ficar em Londres.

Mas uma semana depois bateu em sua porta, pois ele era o único que o entendia.

Dito e feito, no dia seguinte o FBI fez contato, queria saber o que tinha vindo fazer o rapaz outra vez em San Francisco.

Veio me visitar, afinal sou seu amigo.

Não convenceu muito, o pai não apareceu nem fez contato, ele voltou para Londres com o rabo entre as pernas, o convenceu de ir-se, ficava com pena dele, mas era o melhor.

Contou tudo para o Juiz, não entendi a jogada desse homem, creio que o que queria era criar uma grande confusão nisso tudo.

Para continuar seu trabalho, foi até a clínica que a senhora estava, se sentava regia numa cadeira, não falava com ninguém, ele nesse dia vestiu um uniforme, ficou sentado como os outros internos a observando de longe. Notou que ela fazia o mesmo com todos dali.  Quando via que não havia ninguém por perto, provocava alguém para que essa pessoa perdesse os nervos, quando fazia isso, ela aproveitava para roubar coisas do carrinho dos enfermeiros.

Não se preocupe, pois temos tudo isso gravado, mas ela rouba, o recolhemos de volta, mostrou o vídeo desse dia, dois enfermeiros tinha lutado com ela, pelo que tinha retirado do carrinho, uma faca de plástico.

Quando a entrevistou, se mostrou apática, fez cara de vítima, ele usou seu método, ficou ali sentado sem fazer nenhum movimento, até que ela começou a ficar nervosa, perguntando se tinham sido eles quem o tinham mandado.  Que a deixassem tranquila, agora estava em paz.

De quem esta falando, ela recitou os nomes dos filhos, do marido.

Ah, não se preocupe, pediram o divorcio da senhora, ficaram com a casa, fazem festas muito bonitas.

Ela ficou aos gritos, por isso os matei, um a um, queriam viver, não podia permitir.

Mas seguia tendo a ideia de que alguma coisa não funcionava, foi entrevistar, apesar dos policiais terem feito isso, cada um dos vizinhos, todos falavam das enormes broncas na casa.

Perguntava sempre quantos filhos era. Falavam sempre de três, mas uma falou que o mais velho, filho do casamento anterior, nunca estava ali, devia viver fora.

Foi checar, não deu outra. Procurou saber se existia algum seguro de vida da família, sempre esse mais velho era o que devia receber tudo.

Conseguiu localizar uma prima da senhora, essa contou que sempre tinha sido desequilibrada, do primeiro filho, ficou meses deprimida, quando morreu o marido num acidente, recebeu uma boa fortuna, que investiu nessa casa.  Até se casar novamente, vivia bem com o filho, quando se casou outra vez, teve em seguida dois filhos, os meninos, desta vez estava eufórica, mas quando ficou gravida outra vez, nasceu a menina.  A depressão foi brutal, esteve em tratamento muito tempo.

O filho mais velho tinha saído de casa já a tempo, não tinha ideia de aonde ele estava.

Chamou os dois primeiros policiais, eles não tinha alertado nenhum inspetor. Chamou em seguida os que tinham atendido no final.

O trabalho de vocês foi uma merda, a mulher tinha outro filho, que ninguém sabe aonde está. Sofria depressão pós parto, vejo que as entrevistas com os vizinhos está mal organizada, creio que devem voltar a analisar tudo.  Lhes deu uma cópia do que já tinha descoberto, agora façam um trabalho como deve ser.  Quero um relatório diário dos passos.

Saíram dali foram fazer uma queixa contra ele, se deram mal, receberam ordens de acatar tudo que tinha sido dito.

Levaram uma semana caçando o filho.  Este vivia nas drogas, quando o trouxeram, mandou que os detetives ficassem numa sala ao lado.

Fez o mesmo de sempre ficou em silencio, o garoto estourou, imagina viver com uma mãe desequilibrada, que te policia todos os dias, te segue quando sais com teus amigos, arma escândalos, assim que os gêmeos nasceram fui embora, vinha cada semana para receber minha mesada, cada vez era motivo de escândalo.

Todas as outras vezes que os agentes tinham ido atender, não era uma briga com o marido, esse não se metia, o filho não era dele.

Da última vez, estava como louca, me ameaçou com uma faca, ou eu voltava para casa, ou me mataria. Quando ia sair, ela avançou como sempre fazia querendo me pegar, nisso seu marido tentou intervir, dizendo que me deixasse em paz.   Ela se virou dizendo que a culpa era dele, que seu filho querido vivia nas drogas.  Eu fui saído rápido pela porta da cozinha, quando olhei para trás ela tinha dado uma facada nele, gritava com os meninos que eram culpados de terem um irmão drogado, fui eu que chamei a polícia.

Não tentaste salvar nenhum?

Se eu entrasse ela me mataria.

Perguntou que horas tinha sido isso, ele disse uma hora, não coincidia com a chamada, inclusive a voz era de mulher.  Colocou numa gravadora.   Era ela gritando que ele tinha matado todos.

Ele ficou gelado, sabes o que isso significa?

Sim, fui eu que os matei, na verdade ela avançou para cima de mim, eu me esquivei, ela deu uma facada no marido, creio que na jugular, pois o sangue esguichava.  A cada vez que ela se aproximava de mim, eu colocava um filho na minha frente, assim ela matou todos eles, de repente se resvalou no sangue, eu fugi.

Lhe perguntou se ele ela canhoto.

Não senhor, ela sim. Bem como os outros.

Ele realmente não tinha sido ferido em nenhum momento, fez uma coisa, o levou com os dois policiais ao hospital, ela quando o viu, apesar de estar medicada, avançou em cima dele, dizendo por tua culpa fui matando um a um.

O rapaz se escondeu atrás dos policiais, ela verbalizou tudo que tinha acontecido.

Ele também ficou preso, por usar os irmãos como escudo.

A cara dos inspetores era ótima no final de tudo, tinham feito um trabalho de merda, bem como os anteriores, que não entraram na casa, nem tampouco procuraram saber realmente o que tinha acontecido dentro.

Um ano depois, estava exausto, o juiz tirou férias, ele também, foi até Londres ver o Riz, o viu completamente diferente, mais agressivo.  Quando conversou com ele, respondeu que o pai tinha vindo, tinham feito uma prova de ADN, em seguida foi embora sem se despedir de mim.

Antes me contou uma história nada romântica sobre minha mãe, que ela fazia sexo com todos, uma série de coisas, achava que ele não era seu filho.

Tampouco queria um herdeiro para seus negócios que fosse surdo/mudo.  Estou indo a um psicólogo.  Tenho agora por causa de uma burrice minha, um problema de agressividade horrível.

Quando voltou, encontrou-se com um problema, tinha havido um acidente, os dois amigos estavam em coma no hospital.  Alguém tinha tentado elimina-los.  Tinham dado um tiro nos pneus do carro com os dois dentro.

Estavam em coma induzido, com o quarto vigiado.

Começou a analisar tudo, ficou surpreso em descobrir que o Robert não tinha propriedade nenhuma, ao falar com os empregados, ficou surpreso, pois disseram que ultimamente discutiam muito, uma delas, que era a secretária, dizia que o Bolinha reclamava que não devia ter se metido com esse traficante de armas, que o outro alegava que era muito dinheiro.

Nem tudo era trigo limpo na história, pois apertando o banco, descobriu que Robert fazia grandes investimentos fora dos Estados Unidos, que o dinheiro nunca voltava para cá.

Dos dois o que estava pior era o Bolinha, ficou com lastima dele, afinal, era o mais equilibrado na relação, era quem segurava o outro.

Foi a casa deles, com um mandato, analisou a casa inteira, dormiam em quartos separados, o Bolinha como um adolescente escrevia um diário.  Falava do encontro entre os dois, pulava sempre para quando tinha alguma novidade. 

Falava do atentado que ele tinha sofrido, desconfiava que o Robert sabia que ele era o alvo, mas não tinha provas, só descartou quando raptaram o franco atirador, esse contou tudo.

Mas o de se aproximar, tentar um relacionamento era ideia sempre do Robert.  Nunca o conseguiu tirar da cabeça, os homens com quem gostava de fazer sexo, tinham que ser parecidos com o Drew.  Citava vários nomes, ele pensa que me engana, mas sou mais esperto.

Realmente os bens com a desculpa de estarem protegidos estavam no nome dele.

Falava do contato com o pai do Riz, que agora Robert lavava dinheiro para ele, acho que isso vai acabar mal.

Depois falava das visitas do FBI, da CIA, que estavam atrás do Robert por causa disso.

Nessa semana o Robert veio falecer, alguém tinha entrado de noite no hospital, cortado o tubo que ligava ao respiradouro.

Dois dias depois o Bolinha morreu, mas de causas naturais.

Levou uma puta surpresa, pois era o herdeiro dele, todos os bens passavam a ser seus.

Ficou horrorizado, pois nunca tinha imaginado nada disso.  Fez uma coisa, conversou com o advogado que o tinha procurado, ele ficaria provisoriamente só com o apartamento que vivia, o resto devia ser vendido, que esse dinheiro fosse entregue ao orfanato todos os meses, como uma doação dos dois.  Assim com o que era dinheiro sujo, ficava limpo.

Quanto ao dinheiro do Robert, ele não tinha menor ideia, ele não tinha testamento.

A partir daí, começou a visitar o orfanato, uma empresa organizava reforma do mesmo. Ria com a freira que sempre tinha tido carinho por ele.

Um dia lhe disse, hoje ele não esta na escola, tenho outro Drew, foram para o pátio, ficou rindo, era exatamente como ele se comportava. É um caso parecido com o teu, foi deixado aqui, tinha dias, ficou meses entre a vida e a morte, é um lutador, é o melhor aluno na escola que vai, fora daqui, mas volta todos os dias, defende os pequenos de todos os abusadores.

Drew venha aqui, o apresentou, esse é o Drew que te falo sempre.  Ele ficou parado na frente dele, em silencio, o observando.

Lhe soltou, esse truque fui eu quem inventou, estás esperando que eu fale primeiro, verdade?

Sim como sabe. Pois era o que eu fazia nessa época, uso esse truque até hoje.

Funciona?

Sim, mas veja, você parpadeou duas vezes.  Isso te faz perder o jogo, porque eu esperei para poder falar.

Choca aqui amigo, lhe disse o garoto.

Perguntou o que ele gostava de fazer?

Ler, para fazer com que minha mente saia daqui, vague pelo mundo afora.

Depois de meses o visitando, levando os livros que ele lhe pedia, o adotou.

Agora de brincadeira o chamava de Jr, porque dois com o mesmo nome era difícil na mesma casa.  O deixou arrumar seu quarto como queria, mas quando chegava em casa, ele sempre estava sentado com um livro, lhe dizia vou ser escritor, verás.

Mas iam sempre ao orfanato, ele não se esquecia dos amigos.  Eram mais dois, os adotou também, assim poderiam ter um futuro.   Saia com os três, sempre nos finais de semana, se acabou o tempo debruçado em cima de papeis, procurando erros dos outros, nunca mais os trouxe para casa.  As noites agora, eram com conversas, vendo algum filme na televisão, os três eram inteligentes.

Quando se aposentou, eles já estavam na universidade, todos com bolsas de estudos.

Ele nunca mais trouxe nenhuma aventura para casa.  Adorava os domingos quando ainda era pequenos, que corriam para sua cama, para planejarem o que fazer nesse dia.

Foi a formatura dos três, nenhum saiu de casa, todos estudaram na cidade para não se afastarem.  Drew, realmente virou um bom escritor, os outros um era médico o outro arquiteto.

Quando os dois se casaram, Drew disse para ele, pai, eu fico contigo, afinal sou gay, mas não quero confusão com ninguém.

Quando trouxe seu primeiro namorado sério, ficou rindo, parecia com o Bolinha, pensou isso não vai durar, mas estavam juntos a mais de 10 anos.

Ele uma vez por mês se reunia com o juiz, conversavam, esse de brincadeira dizia que devia ter-se casado era com ele, que o entendia.

Agora é tarde demais para isso, seguiam bons amigos.