lunes, 10 de enero de 2022

EASY

 

                                            EASY

 

É muito importante saberes quem eres sempre, isso devo ao meu pai, porque nunca teve vergonha de ser o que era.   Eu sempre vivi com minha mãe, numa cidade pequena do México, um dia nos mudamos para Rosarito, meu pai dizia que era muito importante, que fossemos para uma cidade maior.

Estava acostumado que ele só aparecesse nos finais de semana, dizia que o resto do tempo estava trabalhando.  Fomos viver num edifício ao lado de velho hotel, que normalmente usavam as putas.  Só anos depois vim entender o porquê da localização.

Minha mãe conseguiu um emprego numa loja de um chinês, conhecido dele, ficava no caixa atendendo as pessoas.   Era muito bonita.

O apartamento era peculiar, pois além da entrada principal, tinha uma saída por detrás, quando se saia pela cozinha, também se podia subir para a parte de cima, que tinha uma vista boa da rua.  Tudo estava bem planejado, descobri muito tempo depois.

Eu nunca devia entrar pela frente, me ensinou ele, devia entra por um beco, tampouco me assomar na parte da frente, perguntou se eu entendia, se ele podia confiar em mim, algumas vezes o contrariei, mas olhava através da cortina.  Era um segundo andar, dava para se ver a rua.  Meu quarto ficava para os fundos, as janelas eram altas, não se via desse corredor detrás.

Eu tinha dez anos, quando ele começou a me preparar, no domingo pela manhã era nosso dia, saiamos por detrás, me ensinou como devia vigiar, olhe sempre para o fundos do hotel se não tem ninguém bisbilhotando, só então te movas.  A principio me parecia um filme desses de detective que passavam na televisão.  Ele me fazia ver em inglês.

Um detalhe no principio sofri na escola, porque era americana, as aulas todas eram em inglês, me colocou em classe particular ali mesmo, para que eu falasse bem a língua.

Na primeira vez que subimos sua montanha, como ele dizia, nos sentamos em duas pedras, ele me disse quem era.  Já eres um homem, posso te dizer quem sou.  Fui da DEA, um serviço secreto contra as drogas, fui mandado para cá para vigiar um grupo que passava drogas pela fronteira.  Mas antes de tudo, o porquê, sou filho de Navajos, índios americanos por isso passo por mexicano.  Com o tempo ganhei tanto dinheiro, que mudei de bando, não tenho vergonha de dizer isso, pois me arriscava por um salário de merda.

Agora sou procurado lá, aqui também, vivo andando no fio de uma navalha.   Me apaixonei por tua mãe, que sabe de tudo.  Por isso agora vou te preparar para saberes sempre quem és, além de se defender, nunca comente nada com ninguém.

Olhei para ele, era alto como ele, a única diferença que meu cabelo era mais crespo que os dele.  Mas tinha os olhos negros como os seus, nariz afilado.

Nesse dia me deu a primeira classe de como atirar com um rifle, na montanha, tinha uma cabana, encaixada entre as pedras.  Na escola me meteu em todas as classes de ginasticas, jogos, enfim, para que tivesse músculos, que meu corpo crescesse forte.

Nos finais de semana me ensinava a lutar, inclusive aplicando golpes baixos se fosse preciso.

Com 12 anos me ensinou a dirigir, inclusive motos, pois aparecia as vezes com uma.  Mas o mais interessante, nunca parava na frente de casa, tinha vários esconderijos.

Eu sabia que minha mãe, tinha uma caixa, que estava escondida embaixo do armário do meu quarto.   Sabiam que podiam confiar em mim, nunca abra até teu pai te dizer que podes.

Com 13 anos, finalmente me fez entrar na cabana, me mostrou como funcionava, tinha acabado de realizar o que queria, era um sistema de fuga, tinha uma porta como se fosse de um navio, a partir que passavas, se fechava por dentro, era impossível abrir, dava numa pequena gruta, que descia até uma pequena enseada, aonde ele tinha um barco escondido.

Com 14 vi pela primeira vez como entrava, o fazia pelo hotel, como se estivesse com uma puta, essa era conhecida de minha mãe, várias vezes as vi falando, minha mãe lhe dando dinheiro.

Dali ele pulava para o nosso corredor, era fácil, eu estava entrando em casa, quando o vi fazer isso, voltei atrás, sem dizer nada, fui para um dos esconderijos que tínhamos os dois, ficava a uns dois quarteirões.   Estava me ensinando a arrumar os motores dos carros que usávamos.

Quando cheguei em casa fez muita festa, vi que os dois tinham estado na cama, afinal eram casados, pensei comigo.

Quando fiz quinze anos, me adiantaram na escola, pois eu me aborrecia nas aulas, depois de uns testes, os professores riam, por isso sempre tirava as notas mais altas, alguns suspeitavam que eu fazia alguma coisa para isso, pois sempre era o primeiro em entregar as provas.  Me passaram para o último curso, aonde apesar de ser uma pessoa quieta, me provocavam.   Um dia usei o que tinha aprendido com ele, um idiota filho do dono de um hotel de luxo na praia, metido a surfista, sempre estava me provocando, nesse dia vinha enfezado com alguma coisa, passou por mim me atirando no chão.  Se armou como um pavão, numa posição de karatê, de aonde estava no chão dei um salto que o assustou, desarmando, lhe dei um murro na cara, foi a vez dele cair de costa no chão, fui até ele estendi a mão para se levantar, me desculpe, as vezes salto alto demais.

Ficou me olhando com raiva, depois no pátio me cercou com seus amigos, me disse que ia me dar uma surra.  Lhe respondi que ele tivesse cuidado, pois sabia com quantos paus se fazia uma canoa.  O idiota não entendeu.   Lhe dei uma surra de fazer respeito.

Quando o pai apareceu na escola, acabou levando um sermão do diretor, pois seu filho era o pior aluno da escola, vivia provocando brigas com todo mundo.

Saíram pai, filho com a cabeça baixa, no dia seguinte soubemos que o pai o tinha mandado para os Estados Unidos.

Nessa semana justamente meu pai, começou a ensinar uma roteiro para seguir, caso acontecesse algo.  Tínhamos começado falando o que eu gostaria de estudar, me dizia que era importante.

Nesse dia começou como um doutrinamento, o que devia fazer, pegar a caixa do armário, deixar sempre uma mochila com uma muda de roupa diferente da que usava para ir à escola, como devia sair do beco, aonde devia ir buscar um carro.  Dentro da caixa, tem um passaporte, com teu nome americano, eu te registrei assim que nasceste, todos os anos suborno alguém para atualizar.   Vai aparecer um advogado, para te entregar um passaporte, nunca use este, pois te pegarão no passo de fronteira de Tijuana.

Que eu devia ir com o carro, até um motel, antes de chegar a San Diego, ao lado deste tinha uma garagem com outro carro, que trocasse por esse, que a porta-malas, sempre estaria cheio de coisas que me serviriam para escapar.   Observe bem antes de usar.

Um dia me mostrou essa garagem, ficava a uns dois quarteirões de casa, indo só por becos.

Dentro, tinha um carro destes usados por surfistas, inclusive com uma prancha em cima, me mostrou o porta-malas, aqui tens uma barraca de montar, uma bolsa com roupa de Neoprene, tudo que um surfista usa.   Vê, se levanta, tens o pneu de reposição, nem se atreva a usar, pois esta cheio de dinheiro, para ires em frente.

Eu deveria procurar em San Francisco, um advogado que era parente dele, me ajudaria, teria uma bolsa mais para mim.

Nunca te hospede aonde vivem os mexicanos, ou as pessoas da América do sul, fique num lugar que seja completamente diferente, me deu um guia de San Francisco, nem eu quero saber aonde decides ficar.

Meses depois começou a me dizer que as coisas estavam ficando pretas. Estão desconfiando de mim, acredito que a DEA me denunciou para eles.

O primeiro que aconteceu, caiu a primeira vítima, minha mãe, estava trabalhando, quando entraram uns homens para assaltar, lhe deram um tiro na cabeça, bem como no chinês que tentou se defender, mas claro não levaram nada.

Meu pai, não me deixou ir ao velório, nem tampouco no enterro.  Não sabem que existes.

Nesse dia veio o tal advogado, entregou o passaporte como ele tinha falado, se não sabia que eu existia, tinha chegado a hora, de madrugada tirei a caixa debaixo do armário, a mochila que tinha preparado, levei tudo para o carro com a prancha em cima.

Ele tinha deixado um fúsil com mira telescópica, estávamos conversando, quando ele escutou um ruído, me disse chegou a hora, me contou estão em dois carros o da frente está o chefão, me levarão no segundo, subas a terraço, atire no carro da frente umas quantas vezes, para que eu possa escapar pelo lado esquerdo, ok.

Me deu um abraço apertado, falou no meu ouvido, saia antes que batam na porta, cuide-se, te proteja sempre, tinha me dito depois do enterro de minha mãe, que eu nunca fosse a reserva aonde viviam meus avôs, pois podiam estar vigiados.

Subi rapidamente, observando tudo, ele tinha me ensinado todos os truques, que a observação era a coisa mais importante.  Coloquei na ponta do rifle um sistema para não se escutar o som.

Vi que saia de casa com um homem com uma arma atrás dele, o levava ao carro da frente, o homem se afastava da janela, sentava-se mais ao meio como se tivesse medo dele.

O levaram para o carro detrás, fizeram justo como ele tinha falado, ficaria na porta da esquerda, atrás do motorista.

Mal o carro começaram a se mover, eu foquei na nuca do chefe, quando ia chegando ao beco, disparei, mais duas vezes aonde sabia que estava o motorista, o motor, o carro foi para a esquerda subindo na calçada, imediatamente os do carro detrás saíram olhando para cima, me retirei, vi que meu pai corria pelo beco, um homem ia atrás dele, fiz pontaria acertei justo na coluna do sujeito, parecia um boneco que rompem as pernas.

Desci correndo, sai pelo beco, corri tudo que podia em direção, ao meu passaporte, ou seja o carro.

Dali sai disparado, tomei rumo ao Tijuana, me enfiei na fila para passar a fronteira, tinha deixado o passaporte a mãos, sabia que iriam abrir o porta-malas, colocar o cachorro para cheirar drogas.

Fiz uma coisa que ele tinha me ensinado, a respirar fundo muitas vezes me acalmar, falarão contigo em inglês, responda.  Inclusive perguntaram pelas garotas, etc.

Não deu outra, olharam meu passaporte, depois minha cara, eu nem sabia o nome que estava ali, pediram para abrir o porta-malas, o fiz, perguntaram pelas ondas, eu sabia que nessa época não eram fantásticas, respondi que dava para quebrar o galho, me perguntaram das garotas, um deles ainda soltou, um índio navajo fazendo surf por ai, é raro.

Soltei que estava aborrecido na universidade em San Diego, sabia que no passaporte, tinha uma carteira da universidade, queria algo diferente.   Aqui parece que estou em casa.

Riram, realmente, podes passar por um mexicano.

Me mandaram passar, o policial fechou o porta-malas, agradeci, segui em frente.

Fiz exatamente o que ele tinha me falado, fui até o tal motel de estrada, esperei chegar a noite, deixei o carro com a prancha num lugar muito escuro, tirei o outro, que era quase igual, mudei tudo para o outro, tirei o que dinheiro que estava dentro do pneu, coloquei na bolsa que estava o traje de Neoprene, parecia ter sido tudo calculado, pois era perfeito. Tirei o carro da garagem coloquei o outro, tinha me dado umas pastilhas, abra o motor, coloque dentro, saia correndo para o outro carro não olhe para trás.

Foi o que fiz, em seguida vi um estrondo, olhei pelo retrovisor, a garagem estava pegando fogo, ri, pois sabia que o fogo apagaria minhas impressões digitais.

Tenho que tomar cuidado com essas pastilhas.  Vi que o clarão do fogo era alto, se ao lado tinha outros carros, com certeza estavam fudidos.

Passei por San Diego, cheguei de madrugada a San Francisco, ia seguindo o mapa, tinha memorizado mais ou menos tudo, quando entrei na cidade, tinha pensado muito bem aonde era mais raro eu me esconder.  Escolhi Castro, sabia que era o bairro gay porque já tinha escutado falar nele.  Nisso me lembrei do homem do controle, que me perguntou das garotas, quase tinha respondido sou virgem ainda.  Tinha comentado com meu pai, que riu dizendo não sejas apressado, a tua hora chegara, não importa com quem.

Consegui um hotel pequeno, tirei dinheiro da carteira, tudo era dólares, tinha feito como ele tinha falado, nada de abrir a bolsa na frente de ninguém.

Deixei o carro no estacionamento do hotel, que era um estacionamento pago, mas que do hotel tinham direito.

Aproveitei que os bares estavam abertos, o café da manhã do hotel, ainda ia demorar um pouco, me sentei, quase falo com o garçom em espanhol, pois vi que era mexicano.   Fiz o meu pedido, café forte, ovos com torradas, estava com fome.   Depois fui para o hotel, pedi que me chamassem as 10 da manhã, para ir ao advogado.

Antes de sair, liguei para ele, marcou comigo num bar perto do escritório, achei estranho, mas atendi, me disse que estaria sentado na última mesa.

Nunca se sabe me disse, estendendo a mão.  Creio que estão me vigiando, por isso há que tomar cuidado, nem se atreva ir em direção da reserva, se estas aqui, significa que aconteceu alguma coisa com George, quase lhe pergunto quem era George.  Conhecia meu pai como Juan Martinez.   Devo ter sorrido, ele pensou que era em respeito a Washington, quando dizemos todos olham assim, mas metade da tribo tem esse nome, George Washington então são muitos, mas teu pai na verdade se chama Wolf, te chamarei de Little Wolf, assim nos entenderemos, quando me chames ok.

Me entregou um pacote, saiu por detrás, me disse, daqui dez minutos saia, eu antes fui ao banheiro, com o pacote que tinha me dado.

Vi que era uma caixa. Apesar de não ver nada estranho, sai por uma lateral que tinha no bar.

Fui andando, olhando as vitrines, para ver se estava sendo vigiado.  Voltei ao hotel, abri a caixa, além de documentos, havia um bilhete do Wolf.

Meu filho, se estás em poder dessa caixa, sinal que já estas a salvo, mas nunca confie em ninguém, em seguida saia da cidade.  Eu te aconselharia, inclusive a mudar de carro, sugestão, vá até Las Vegas, venda esse compre outro, não podes viajar de avião, a não ser que queria ir de trem para algum lugar.   O melhor para o outro lado do País.

Me lembrei de uma conversa que tinha tido com ele sobre o melhor lugar, me falava sempre que o sul, era mais complicado, pois estava cheio de mexicanos, muitos eram dos carteis de droga, embora não saibam que existes, sempre é complicado.

No norte tens essas terras em que todo mundo te observa, o melhor seria uma grande cidade, ou mesmo sair do País, pense aonde gostarias de ir, para se safar.

Mas o que deves fazer antes, é abrir contas em um ou dois bancos, para poder guardar esse dinheiro sem chamar atenção, por isso sugiro Las Vegas, diga que ganhaste num cassino, um amigo fazia isso, depositava o dinheiro dizendo que antes que gaste tudo.  Pegue um apart-hotel, assim podes ficar alguns dias para que te mandem o cartão, ou avisar que passa para pegar o mesmo, depositando mais dinheiro, faça isso várias vezes, mas que te vejam saindo de casinos diferentes, jogue mas pouco.

Quando tiver tudo depositado, só com dinheiro para um mês, tome um avião, vá para o outro lado do pais.

O banco deve ter agência no País inteiro.  Depois tome o rumo que quiser.

Achou que essa opção era excelente.  Se deslumbrou com Las Vegas, costumava jogar poker com seu pai, entrou num casino, sentou-se numa mesa, mostrou os documentos que era maior de idade, no passaporte e no bilhete de identidade, aparecia como tendo 21.

Jogou, primeiro perdeu, mas depois entendeu o funcionamento, logo ganhou um bom dinheiro, seguiu o que seu pai dizia, vá troque as fichas, veja se prestam atenção em ti.

Vá para outro casino, jogue em outra coisa, fez isso, jogou nas maquinas, por incrível que pareça, ganhou, foi andando pelo casino, viu uma mesa de Black Jack, prestou atenção como era, quando viu a mesa cheia de dinheiro, apostou, talvez sorte de principiante raspou a mesa.

Trocou as fichas outra vez.  Acho que tenho sorte de principiante, começou a conversar com a senhora que atendia, melhor parar, verdade, senão perco o que ganhei, creio que posso pagar a matricula da faculdade.    Ela deu um sorriso triste, se meu filho como tu, não estava sempre metido em confusões.

Voltou para o apart-hotel, pediu para ver como funcionava o cofre do quarto, o homem o ensinou, ganhei dinheiro no jogo hoje, creio que é sorte de principiante, mas já dá para pagar a universidade.

Ou seja estava construindo uma historia em torno dele. Para se tornar acreditado.

No dia seguinte de manhã, tirou uma boa bolada, mais um pouco do que tinha ganho, foi a um banco disse que queria abrir uma conta, primeiro perguntou se o banco tinha agencia em todos os lugares, porque esse dinheiro ele tinha que guardar para a Universidade, senão gasto tudo.

Perguntaram se queria cartão de crédito, perguntou se demorava muito, lhe responderam que um dia.    Não, melhor deixo para pedir antes de ir embora, assim não gasto esse dinheiro.

Fez a mesma coisa em outro banco, com um valor igual, disse quais os casinos tinha jogado, vim ver se conseguia dinheiro para a matricula na universidade, falou em Oxford.

Combinou o mesmo, no dia seguinte passou o dia na piscina do hotel, voltou no terceiro dia, fez a mesma coisa, acho que tenho sorte de principiante.  Nessa noite foi ao casino mas com o dinheiro que tinha ganhado, se lembrou o que tinha jogado no primeiro dia, fez igual, primeiro observou uma mesa de Black Jack, jogou a primeira vez perdeu, fez cara de desanimado, uma senhora lhe disse olhando para ele, tens estrela, experimente outra vez.  Ganhou cinco vezes seguidas.   Melhor parar, assim tenho dinheiro para um apartamento na universidade.

Foi a outro casino fez igual, achava o jogo interessante, lhe fazia a cabeça funcionar, ele sempre tinha sido brilhante em matemática.  Prestou atenção num sujeito que estava fazendo trapaça, se afastou, não deu outra, os detetives do hotel, o retiraram, aquela mesa já não valia a pena.

Com um pouco de fichas jogou na roleta, em sua cabeça veio um número que seu pai sempre falava que adorava.  Pois jogava esse na loteria do México, foi o que fez, saiu duas vezes seguida, recolheu as fichas, saiu, escutou outro número.

Menos mal que parei, sabia que tudo era controlado, por isso seu pai dizia que ali era mais fácil depositar o dinheiro, qualquer coisa verificavam no casino.  Depositou o resto do dinheiro, ainda comentando do sujeito que fazia trapaças, como tinha ficado deslumbrado com o luxo do último casino, mas me hospedar lá nem pensar, pois valeria pelo menos uns meses de aluguel num pequeno apartamento perto da universidade.  Irei a Oxford, com o dinheiro que ganhei.

A mulher sorria, fazes bem, eu não estudei tudo que devia, olha aonde estou.

Pediu o cartão nos dois bancos, no dia seguinte foi buscar.  Nessa tarde foi para o Aeroporto, viu vários voos para NYC.  

Mas antes voltou a cidade, vendeu o carro, agora só tinha sua lata com os documentos, roupa suja na bolsa, voltou para o aeroporto, pegou o último voo do dia, chegou de manhã.  Primeiro, olhou uma lista de hotéis baratos, no centro, perto do Times Square, tinham hotéis de luxos, como mais baratos, queria conhecer a cidade, ao mesmo tempo pensar.

Nunca tinha se decidido o que gostaria de fazer em termos de Universidade.  No hotel vendo um canal de televisão do México, falavam do assassinato do chefe do cartel da costa oeste, não falava era de seu pai.  Apesar de ter passado dias, recuperavam como tinha ficado o carro, culpavam a DEA do acontecido, um franco atirador.

Queria por terra por meio, mas para aonde, consultou o dinheiro que tinha ganho no casino, sem querer tinha um bom dinheiro, sem mexer no do Banco, quiça se passo um tempo fora do pais, possa encontrar uma solução, o problema era para onde.  No dia seguinte andando pela cidade, passou por uma agência de viagem, viu um cartaz, talvez para atrair jovens, viagens de trem por vários países.  Entrou para se informar, um jovem lhe deu várias opções, vou te dar um exemplo, eu fiz, Berlin, Praga, Viena, de lá fui a Münich, em seguida fui para Paris, para fechar a viagem, recomendo pelo menos uma semana em cada lugar, podes comprar a viagem de ida até Berlin, depois quando resolva resolver, de aonde termine, podes voltar.

Fico com esse tramo, daqui a Berlin, posso comprar os bilhetes na própria estação verdade, ir fazendo o que quero, tempo tudo isso.

Claro que sim, perdes o tramo completo por ser mais barato, mas a diferença não é tanta.

Pensou, comprou o de avião para Berlin, lhe indicaram um hotel em Mitte, de aonde ele podia se mover pela cidade. Era um hotel de gente jovem, estudantes, mas podia ter um quarto só para ele.  Preferia assim.   Marcou para dias depois, leu todos os documentos que tinha na caixa, pensou no assunto, retirou só sua certidão de nascimento com o nome de Jeremy Washington, o resto eram coisas de seu pai.  Documentos da DEA, que não vinha ao caso, foi ao banco que tinha conta, perguntou como fazia para deixar alguma coisa guardada.   Lhe disseram pelo valor que tinha no banco podia alugar uma caixa.  Foi o que fez, guardou tudo ali, depois aproveitou para se informar como fazia, ia fazer uma viagem de estudante, um roteiro pela Europa, que lhe aconselhavam, para não ficar andando com dinheiro no bolso.  Lhe concederam um cartão de estudante com um bom limite, disseram como podia ir carregando o mesmo.  Ele em todo caso levaria o normal de Visa, qualquer coisa era só transferir.

Embarcou, relaxado, ao apresentar o passaporte, o homem perguntou se era da tribo de seu pai, disse que sim.  Nada mais.  Ia perguntar por que, mas se lembrou que o primo tinha falado do nome.

Chegou a Berlin cansado por causa das turbulências durante o trajeto, achei o hotel diferente, era tudo muito simples, gente jovem como ele.  Inclusive a estação de trem era perto, o que facilitaria.  Depois de um bom banho, pediu uma caixa forte para guardar documentos, isso era dentro de uma sala, lhe disseram um código para abrir, depois mudava para um seu.

Saiu tranquilo para a rua, o tempo estava estupendo, era final do verão, lhe avisaram que de noite esfriaria, comprou outra calça, cuecas, meias, duas camisetas, queria seguir viajando assim, sem compromisso, tinha visto quando lhe ensinaram os serviços do hotel que podia lavar sua roupa, quando voltou ao final do dia, retirou a que estava, juntou com a suja da mochila, lavou tudo. Ficou ali lendo um guia de viagem que tinham esquecido ali.

Foi anotando tudo que poderia ir vendo, seria uma viagem cultural, como sempre tinha escutado falarem.

Apareceu o dono do guia, era um estudante da Finlândia, ficaram conversando sobre o que o outro ia fazer, era mais ou menos o mesmo roteiro, com algumas diferenças, iria descendo até Munich de furgão, depois de lá decidia o que fazer.  Saíram para comer alguma coisa, o outro explicou que com as fronteiras abertas agora não se tinha problema, era raro pararem alguém.

O outro explicou que tinha comprado esse furgão da Volkswagen, assim que cheguei, vou buscar amanhã, se vais ficar mais tempo, eles tem um sistema que podes comprar, depois revender no último país, para um revendedor deles, te dão uma lista.

Gostou da ideia, irei contigo amanhã assim me informo, mas tenho que comprar um guia para fazer um roteiro, isso era bom pois tomaria mais tempo.

No que o outro continuou falando, da outra vez fiz ao contrário que agora, fui daqui a Hamburgo, depois Amsterdam, Haya, Amberes, Bruxelas, Paris, mas claro tinha tempo limitado de férias, venha vamos comprar um guia para que tu possas ir viajando.

Comprou um guia como ele queria com as duas opç4oes, além de mapas.

Nessa noite no quarto se dedicou a estudar o roteiro, acabou dormindo em cima do mesmo, no café da manhã, se topou com o mesmo, foi com ele ver a historia do furgão, quando o viu, o rapaz tinha inclusive levado sua bagagem, retiraram os bancos, ele poderia dormir ali, em algum camping, só não ia cozinhar, pois não sabia.  O homem disse que justo ali na frente tinha uma loja que tinha futon, edredons para as noites frias. Ele poderia se apanhar bem.  Ficou encantado com a loja, acabou comprando um abrigo polar, que não tinha, com isso se apanharia, fez uma extravagância, comprou dois lenços que viu para o pescoço.  Riu sempre tinha visto os outros com isso, mas nunca tinha tido um.

Comentou com o rapaz, esse disse, eu sempre tenho para o frio, por causa da Finlândia, um gorro para a cabeça.  

Reservou o furgão, o homem perguntou se queria bancos, explicou como ele também poderia montar uma cama como os bancos.  Mas gostava mesmo era da outra maneira.

Fez uma coisa, depois de se despedir do rapaz que seguia viagem, passou num salão, cortou o cabelos rente a cabeça, assim não teria problemas para usar um gorro, o outro tinha lhe dado um com um logo do pais.

Andou pelos museus que lhe interessaram, mas queria algo mais moderno, lhe informaram de um de Arte Contemporâneo na antiga estação de trem.  Gostou mais, depois de andar muito pela cidade, finalizou com um passeio de barco pelo rio.

Não tinha feito nenhuma foto, resolveu usar seu celular novo, para isso.  Afinal não tinha para quem ligar.   Tinha sido entregue pelo seu pai no último dia.

Nem tinha dado atenção ao mesmo.  Não tinha cobertura ali, afinal funcionava nos estados unidos, mas poderia fazer fotos.

Estava se sentindo livre como um pássaro.  Nunca tinha criticado seu pai pelo que fazia, mas não gostava muito, talvez por quere-lo tanto, não tinha feito nunca nenhuma censura.  Agora também estava fazendo tudo isso, com seu dinheiro.  Riu pensando, seu dinheiro foi inicial, mal tinha tocado nele, essa viagem estava fazendo com o dinheiro do casino.

Realmente a velha disse que tinha sorte.

Oito dias para ele bastaram de ir pela cidade, foi buscar o furgão, o homem tinha guardado suas coisas ali, a roupa estava limpa, não tinha do que se preocupar.

Tomou rumo a Hamburgo, foi gostando da paisagem, por ser outono, era diferente as cores, no México nunca tinha isso, era outro clima.

Resolveu ficar num pequeno hotel, tinha visto um folheto no hotel, da mesma cadeia, ficou no mesmo, inclusive tinha um estacionamento ao lado para deixar o Furgão, adorou a cidade, era diferente de Berlin, explorou bem a mesma, chegava de noite no hotel cansado, mas feliz, escutou a conversa de dois rapazes americanos, que falavam de que tinham vindo para uma coisa, ir sempre de putas.

Riu um pouco achou idiota fazer uma viagem só para fazer sexo. Mas ele mesmo era um imaturo nisso.   Iam para o bairro perto do porto aonde diziam que tinham putas, foi atrás deles, viu os bares que entravam, a maioria das mulheres eram mais velhas, até que viu um com mulheres mais jovens.  Uma jovem loira, pensou que ele era Finlandês como ela, a achou agradável, foi franco, era virgem.   Ela riu, não se preocupe, tenho camisinhas.

Não foi nada como ele imaginava, era aqui te pego aqui te mato. Achou meio sem graça, mas era o que tinha. Pagou, foi embora.

Ela disse que ele era uma criança.

Talvez sim, nunca tinha beijado ninguém na boca, nem sentido desejo, não sabia o que era isso ainda, se lembrou da conversa com seu pai.

Terei que dar tempo ao tempo.

Tomou rumo a Amsterdam, tinha já feito reserva na mesma cadeia. No meio da viagem pegou neve, se lembrou que o homem tinha avisado caso necessitasse de cadeias para as rodas, aonde estavam, mas só colocasse se na estrada indicasse que sim.

Amou a cidade, fez todos os passeios possíveis, andou a torto e direito, comeu todos os tipos de comidas diferentes que viu. Mesmo as mais picantes, estava acostumado com o chili de seu pais.

Conheceu pessoas nos bares, saiu pela noite a primeira vez, andou pelo bairro da Luz Vermelha, riu muito de alguns como ele que queria experimentar.  Mas nenhuma lhe atraiam, foi quando viu uma novidade, vitrines com homens também.

Um senhor lhe disse não precisas disso, eres jovem, garanto que consegue nessas discotecas, disse aonde eram.  Foi para experimentar.  Começou a dançar coisa que nunca fazia, um jovem moreno como ele, com um loiro começaram a dançar com ele.  Perguntou se estavam juntos, os dois queria fazer sexo com ele.   Teve um ataque de riso, se nunca tinha feito com um, como faria com dois, mas um homem mais maduro o chamou a parte, disse, cuidado, isso é para te roubarem, pois eres estrangeiro.

Agradeceu ao homem, ficou no balcão tomando uma coca cola, viu que o mesmo tinha uma cara meio triste.  Lhe perguntou o que lhe passava.   Perdi um amigo disse, o idiota se suicidou por amor.  Ficaram conversando, saíram, para andar pelas ruas.  O outro era operário numa fábrica nas aforas da cidade, gostou do sujeito, este o levou para sua casa de carro, como volto amanhã?

Te coloco no trem.  Foi uma experiencia mais interessante que com a mulher, não teve vergonha de contar, o outro ria, sempre se tem que começar por algum lado, se sentiu super bem com ele, no momento que ele o deixou super excitado e sentou-se em cima do seu caralho, ficou como louco, não tinha sentido isso com a mulher.

Foi genial, dormiu agarrado ao outro, que pena lhe disse, amanhã, tens que ir trabalhar?

Mas posso te buscar de noite, contou o roteiro que estava fazendo.

Se queres posso ir contigo até Rotterdam, ias gostar.  Tenho quatro dias livres a partir de amanhã, ok

Ele fez a reserva para Rotterdam, para duas pessoas.  De noite, se encontrou com Hans, ele adorou dirigir até aonde vivia.  Fez mil coisas com ele, já tinha aprendido alguma coisa no dia anterior, o deixou tão excitado que quando o penetrou, primeiro sentiu dor, mas depois gostou. Isso faziam ao mesmo tempo que se beijavam.    Estava contente, não sabia se seu pai aprovaria, mas se lembrou que ele era quem tinha que escolher.

Pediu para carregar o celular, o outro lhe fez colocar seu Hi-Fi, viu que tinha uma mensagem, alucinou quando escutou a voz de seu pai, estou bem consegui escapar, mas estarei fora de circulação algum, tempo, espero que estejas longe.   Respondeu a mensagem, dizendo que estava no outro lado do mundo, mas não disse aonde.

Hans não fez pergunta nenhuma, cada vez que chegues a um hotel, peça o Hi-Fi do mesmo, assim economizas.

No dia seguinte sem pressa, passaram por Haya, a capital, passearam, depois foram para Rotterdam, comentou que tinha sido totalmente destruída, que pouca coisa tinha sobrado, muita gente morreu por aqui, mas a maioria foi para o interior.

Passearam pela cidade, de noite saíram, o levou a lugares gays, Hans lhe chamou a atenção o pessoal olha para ti, mas não prestas atenção.

Não estou interessado, estou desfrutando estar pela primeira vez com uma pessoa.

Lhe deu a dica de ir primeiro a Guante, depois Brujas, assim veria mais coisa, eram antigas, olhou se tinha o mesmo hotel.

Melhor passa por uma, dorme na outra, se pudesse ia contigo, gosto também de estar contigo, mas posso me apaixonar.  Nessa noite ao fazerem sexo, sabes que foste meu primeiro homem, verdade.

Sim garoto sei, mas sou muito mais velho que você, mas se voltar, sabes que pode me procurar.

Era um homem simples, lhe contou o que fazia na fábrica, era especializado em manutenção de maquinas, dai seu corpo, sua força.

Se despediram no dia seguinte na estação de trem, aonde o tinha ido levar, para voltar para casa. 

A principio ficou chateado, mas entendeu o que o outro tinha dito, ele era mais velho queria uma coisa séria, ele não sabia o que queria.

Acabou dormindo num posto de gasolina, pois no motel não tinha lugar, se meteu no futon com o edredom por cima, ficou confortável.

No dia seguinte depois de tomar um café da manhã diferente, seguiu viagem, fez a primeira cidade, dormiu na seguinte, perguntou se em Paris tinha esse tipo de hotel.  O homem explicou que podia conseguir um simples para ele, explicou o do furgão, tinha que ter um estacionamento perto.

Conseguiu um que tinha um estacionamento público, perto.  Agradeceu, vou fazer meu roteiro, depois de digo para a reserva.   Ficou três dias em Bruxelas, fez um roteiro entrando pela Normandia, indo a dois lugares que lhe interessaram, depois de Paris, faria passeios, talvez fosse para o sul.

De novo carregou o celular, colocou o Hi-Fi como tinha ensinado o Hans, escutar a voz de seu pai foi o máximo, obrigado por ter salvado minha vida, estou procurando me encontrar para seguir adiante, fico contente que estejas longe. Pois podem te encontrar, se puderes troque de documentos.

Nem sabia como fazer isso, mas por enquanto não se importava.   Quando chegou a Paris, o hotel era super simples, antigo, perto da escola de medicina, ali tinha um estacionamento subterrâneo.   Comprou uma guia de viagem, para poder descer para o sul.

Passou 15 dias em Paris, só tirou o furgão, para ir ao vale do Loira, conhecer os castelos, depois o resto fazia andando.

Um dia teve a sensação de que estava sendo seguido, mudou de rumo três vezes.   Já era de noite, se escondeu num desvão, quando o homem passou o agarrou por detrás. Retirou sua arma, o homem disse que sabia que ele era filho do George.

Perdão não conheço ninguém com esse nome.

Olhe no teu passaporte, conseguimos te seguir pelo registro em hotéis.

Deu uma cacetada na cabeça do sujeito, levou sua arma com ele, bem como o reposto, entrou no hotel, pagou a conta, pegou suas coisas, se mandou, como furgão.

A partir de hoje dormirei em gasolineiras, pensou. Nada que registre com meu nome.

Buscando entre suas coisas, encontrou num bolso da mochila, o outro passaporte que tinha lhe dado o advogado.  Esse era também americano, mas o nome que constava era o de sua mãe.

Entrou num hi-fi de um restaurante, deixou um recado para o pai de a DEA, o estava seguindo, por causa do nome do seu passaporte, Jimmy, se podia usar o do advogado.

De noite recebeu a mensagem, podes, mas só para voltar para cá.

Mas ele já estava na estrada, tinha certeza de que no aeroporto de Paris o estariam vigiando.

Foi descendo tranquilamente, parando em vários lugares.

Ficavam em cidades pequenas, aonde podia tomar banho nos postos de gasolina como faziam os motoristas de caminhão, deu uma volta completa tranquilamente, mas sempre atento.

Atravessou a fronteira, mas antes fez uma coisa, deixou o carro numa cidade muito antes, tomou um trem que ia para Barcelona, depois de conhecer a cidade pegou um voo para NYC.

Lá avisou ao pai aonde estava.

Dois dias depois respondeu, que ele devia tomar rumo ao Canadá, entrar para a reserva por cima, vindo do Canadá, lhe disse um nome de uma cidade, antes da fronteira te espero lá.

Em seguida, lhe mandou outra instrução, que tirasse fotografia, lhe deu um endereço, que falasse com um homem chamado Humberto Eco, pensou, parece o nome de um escritor.

Quando chegou ao lugar, no fundo de uma galeria, perguntou pelo senhor Humberto, o homem disse, o nome completo, repetiu Humberto Eco.

Era o próprio, tinha quando muito 1,60 de altura, era extremamente agradável, sou amigo de teu pai, trouxeste as fotos, vou te fazer dois passaportes, assim fica mais tranquilo.

Seu pai tinha lhe dito para trocar de celular, que destruísse esse, lhe deu um código para dar com ele.

Pagou o homem, ia arriscar uma coisa, tirar dinheiro do banco, mas usou uma maneira fácil, foi a um pequeno, fechou a conta retirou todo o dinheiro que estava lá, o mesmo que tinha a caixa.

Com o novo passaporte, alugou um carro pequeno, desse que usam os velhos, guardou o dinheiro no pneu de reposto.  Foi embora, entrou pelo Canadá, foi seguindo o roteiro que tinha feito para chegar aonde seu pai tinha dito.

Só ficava em motéis de beira de estrada. Nunca com o mesmo passaporte.

Deixou a barba crescer, raspou a cabeça, assim ficava diferente. A arma tinha jogado num rio na viagem pelo sul, se pelo menos tivesse uma.

Num lugar que parou, viu um grupo de caçadores, tinham vindo de algum lugar, as caminhonetes estavam com alces mortos, eram descuidados, deixaram rifles com caixas de munição nas cabines, examinou a que tinha mais armas.   Roubou uma, com mira telescópica, bem como balas.   Afastou seu carro o máximo possível, para ver se desconfiavam, nada, estavam como uma cuba, tomaram a direção contraria a dele.

Foi embora vigiando a estrada, já estava quase chegando, parou num posto de gasolina para tomar café, quando viu vários carros de polícia.  Era uma operação de um contrabando de drogas, ficou quieto só observando, alguns usavam casacos do DEA nas costas, quase se encolheu.   Voltou atrás na estrada, parou num motel, alugou um quarto, bem próximo à saída.

Esperou, dois dias, quando parou novamente no outro lugar, escutou a conversa, era um blefe, o caminhão que queriam pegar, já estava vazio.

Mandou um mensagem para seu pai. Estava perto da fronteira, esperava instruções.

Este respondeu como ele devia fazer.

Seguir até um povoado no meio de uma floresta, que ficava justo na fronteira, que passasse pelo povoado, disse o km, aonde estaria esperando por ele.

Assim fez, passou pelo povoado, quando viu o numero do km, tinha uma entrada, a estrada estava vazia. Parou mais a frente. Foi quando o viu, estava mais magro, com uns cabelos brancos imensos. Correu para ele o abraçando.

Me siga com teu carro. 

Foram subindo a montanha, uma estrada super estreita, entendeu por que, dali se poderia ver qualquer carro que subisse, bem como um helicóptero, mas a floresta fechava inclusive aonde passavam os carros.

Seu pai guardou os dois carros na garagem, ele aproveitou para tirar a arma. O velho se surpreendeu, contou para ele o que tinha acontecido em Paris.

Claro pegaram o primo, ele contou o teu nome verdadeiro.  Mas pelo menos o soltaram.

Me avisou só depois.  Mas aí já estavam atrás de ti em Paris, mas não deve ter sabido aonde estavas antes.

Essa ele contou como tinha feito, nada como um treinamento.   Vivo aqui desde que consegui escapar.  Pertencia a um companheiro a muitos anos, me devia favores.

Passaram uma semana ali, nunca fico muito tempo aqui, tenho outros pousos.

Nas terras da reserva, meu pai, o teu avô tem uma cabana na montanha, essas por detrás tem grutas, aonde se pode esconder.

Estão loucos para te conhecer.

Contou como tinha feito com o dinheiro, o de mais valor, está num banco em Las Vegas, esse não toquei, contou como tinha feito. Que a viagem pela Europa tinha feito com o dinheiro que tinha ganho nos cassinos.

Só retirei esse do banco de NYC, porque tinha essas coisas tuas na caixa do mesmo.  São provas que tenho contra eles.  Assim me deixam em paz.

Mudaram de lugar, deixaram o carro dele na garagem, atravessaram a fronteira depois de esconder o a caminhonete, andaram meio-dia pelo meio da floresta, até chegarem na montanha.      Ali se esconderam numa gruta, muito profunda.

O lugar era fantástico, de tarde apareceram seus avôs, o abraçaram, beijaram muito.

Mas foram embora de tarde, tinham que voltar para o povoado.  Para todos efeitos vim caçar, deixou dois coelhos com eles.

Levava outros dois com ele.

Ficaram dois dias ali. Depois voltaram pelo mesmo caminho.  Seu pai era um homem experto, fez um sinal para ele. Que ficasse escondido, deu a volta, tinham dois homens fuçando a caminhonete. Ele ficou por detrás alguma coisa podia defender seu pai. Mas este tinha algemado os dois, falou com eles, que se o perturbassem os iria matar, além de entregar os documentos ao congresso.   Estava bem escondido.

Fez um sinal como dizendo para ele ir descendo pela mata, chegaram até aonde estavam o carro dos outros dois, furou todos os pneus, foram embora, o melhor que fazes, é ir para Toronto, ou Alberta, eles não sabem que estas comigo. De qualquer maneira, prendeu a os documentos embaixo do carro, numa caixa de metal, o abraçou muito.

Mas como te localizaram, pode ter sido por minha causa.

Acho que seguiram teus avôs, deviam ter mais do outro lado, já saberemos. O beijou muito.

Filho tome cuidado.

Ele fez uma coisa ao contrário do que seu pai tinha falado, seguiu rumo a Vancouver, lá tinha muitas mistura de raça.

Usava agora ora um ora outro passaporte para qualquer coisa.

Quando chegou a Vancouver, um dia deu de cara com um rapaz como ele, mas com os cabelos loiros, eram muito parecidos.  Fez a mesma coisa que o outro, descoloriu seu cabelo, o usando bem curto, viu como faziam, anotou os produtos mentalmente.

Ficou dois meses ali, até que viu que a DEA, tinha matado seu pai.  Filhos da puta, quando abriu a lata, seu pai tinha colocado num envelope, dizendo para quem devia enviar.

Foi o que fez.  Trocou de carro, atravessou a fronteira, foi descendo até Las Vegas outra vez, fez o que tinha feito da outra vez, mas desta vez, procurou um banco que fosse internacional, foi ganhando dinheiro, não exagerava, hoje jogava num, no outro dia no outro, foi depositando tudo nesse banco, com agencia em Frankfurt.  Nunca tinha deixado de pensar no Hans, fez contato com ele, disse que estava com saudade, que voltava, se ele estava livre.

Como um pássaro te esperando, foi o melhor da minha vida te conhecer.

Quando tinha suficiente, mudou sua roupa, comprou uma peruca, mais ou menos como tinha o cabelo, antes, entrou no banco, pediu para fechar a conta, viu que a DEA, não tinha descoberto nada ali, pois senão teriam se negado a fechar a conta.  Levou tudo ao outro depositou, já não lhe perguntaram nada.    Fez um roteiro diferente, tomou um avião para Boston, com um passaporte, de lá para Frankfurt com outro.   Aeroporto mesmo clareou seus cabelos, ficava diferente, embarcou sem problemas.   Foi ao Banco de Frankfurt, transferiu todo o dinheiro para lá.   Fez uma consulta, tinha dinheiro, uma parte boa que tinha ganhado nos casinos desta vez, o que transferiu, mandou aplicar, nada de ações.   De lá tomou um voo para Amsterdam, Hans não o reconheceu com os cabelos tão curtos, loiros.   Se abraçaram, beijaram. 

Nunca senti tanta saudade de alguém. Mas não tinha como te mandar mensagens.

Já te contarei toda a história.  Hans arrumou um emprego para ele na fábrica, ele gostava, mas queria estudar.   Depois de levaram quase um ano juntos, um dia contou para ele sua história.

Nem fale eu vim de uma família muito complicada.

Não me importa, quero sim seguir contigo.

Tempos depois resolveu o problema, casaram-se ele passou a ter o sobrenome do Hans, foram viver em Róterdan, ele descobriu que podia fazer um modulo de engenharia mecânica, arrumou um documento dos curso que tinha feito, ele tinha dinheiro, compraram um pequeno apartamento, só estranhava no inverno o vento. Mas isso era o de menos.

Hans nunca gostava de saber das coisas, lhe perguntou se no resto da viagem tinha feito sexo com muita gente, teve que se confessar.

Com ninguém, quando muito me masturbava pensando em ti.  Creio que não sou dessas pessoas que vai de flor em flor.

Hans abriu uma pequena loja na parte debaixo aonde viviam.  Como dinheiro que tinha rendendo na Alemanha, viajavam de vez em quando.

Quando acabou o curso, conseguiu fazer a universidade de engenharia mecânica, montou nos fundos da loja, um lugar para construir e consertas coisas, isso lhe bastava.

Foram anos super felizes.  Hans não tinha família, ele tinham mas nem sabia aonde estavam.

Portanto o negócio era seguir adiante.

Viu que o que seu pai tinha feito, não tinha surtido efeito, até que viu um livro anunciado, contando detalhes da DEA, entrevistavam o escritor, era o homem para quem ele tinha mandado os documentos.   Comprou leu o livro.

Contava a história de seu pai, que tinha acabado morto, para não falar, mas os documentos tinham chegado até ele, bem como de outros.

O homem tinha sem querer limpado o nome de seu pai.  O que o tinha assassinado, morreu pouco depois, ninguém sabia como, tinha levado um tiro na nuca.

Isso aconteceu durante uma viagem que ele fez com Hans aos Estados Unidos.  Disse que tinha que resolver um pequeno problema.   Hans nunca lhe perguntou o que.

Voltaram para suas vidas.

 

   

 

 

 

 

 

 

 

 

 

lunes, 3 de enero de 2022

SOLITARY

 

                                       SOLITARY

 

Estava como gostava, no meio do nada, escutava ao longe a voz de seus companheiros de final de semana.   Tinham saído a cavalgar, guiado por um empregado de seu pai.  O escutava dedilhando a guitarra.  Mas não se aproximou,

Ali deitado em cima de seu saco de dormir, com as mãos cruzadas embaixo da sua cabeça, pensava no futuro, a larga conversa que tinha tido com Madie, sua madrasta, a terceira esposa de seu pai.  Esta tinha muita estrada, como ela mesma dizia, tinha saído do Arkansas para triunfar na Broadway, com toda inocência do mundo, aprendi o que devia, bem como o outro lado.

Tens que fazer o que gostas, nada de ir a universidade, fazer uma coisa que teu pai queira, ele fez direito, mas nunca trabalhou como tal, fez porque teu avô queria.

Meu irmão mais velho Jimmy, tinha feito o que meu pai queria, por isso trabalhava com ele, era uma pessoa extremamente desagradável.

Esse era filho do primeiro casamento de meu pai, sua mãe, era uma milionária do Texas, mas ele dirigia a empresa do pai em NYC. 

Meu pai tinha se casado com todas suas mulheres com um contrato de separação de bens, com Madie era igual, mas ela tinha fortuna própria, era viúva quando conheceu meu pai, primeiro viveram junto alguns anos, pois não entendia porque tinha que se casar de novo.

Meu pai achava que se casando, ela era uma propriedade sua, nada, tinha sua própria maneira de pensar, nunca se dobrava para ele.

Dois dias atrás, os vi discutindo na biblioteca, ela queria que passasse a fazenda para o meu nome, como ele tinha feito com os negócios, estavam em nome de meu irmão.  Se te acontece algo, ele está protegido.  Alias tirando a mim, é o único que gosta deste lugar.

A casa tinha sido refeita totalmente por ela, bem como decorada, não chamou nenhum decorador da moda, como faria minha mãe.   Simplesmente andou pela cidades vizinhas, foi montando tudo, comigo ao seu lado.

Eu a respeitava como minha mãe, pois ela como nunca teve filhos, me adotou desde o primeiro momento que me viu.

Jimmy tinha sido criado pela sua mãe, mas eu fiquei sobre a guarda de meu pai, pois minha mãe, uma estrela da Broadway, do cinema, era dada a escândalos.  Foi fácil conseguir minha guarda, alias ele poderia ter feito um teste de ADN para saber se eu era seu filho ou não, mas não quis saber, eu era super parecido com ele.

Era interessante, vivíamos no Central Park, minha mãe, vivia no Dakota, ia uma vez por semana no seu dia de folga do teatro, mas nesse dia estava sempre de enxaqueca, motivo para me dispensar rapidamente.   As vezes me cruzava com algum homem que subia, com os anos foram se transformando em cada vez mais jovens.

Ali olhando as estrelas, pensava nas minhas possibilidades, os dois rapazes da minha idade, tinham vindo com seus pais, passar o final de semana, tinham negócios com o meu, as mulheres tinham ficado encantadas com a decoração da casa.  Dolores a senhora mexicana que me criou, comandava a cozinha, tinha preparado lautos sanduiches para essa noite ao ar livre.

Era outono, as folhas começavam a cair, mas o céu estava limpo, tinha escutado os planos dos dois rapazes, quando terminassem as aulas, iriam passar um ano sabático viajando pela Europa.

Me perguntaram se queria ir.  Olhei bem para os dois, pensei, nem pensar, estudavam na mesma escola que ia, mas nunca falavam comigo, estavam sempre metidos em confusões.  Eu tinha rido muito, pois os dois nunca tinham andado a cavalo, estavam reclamando que a bunda doía muito.    Isso que não tínhamos ido longe.   James o homem que nos acompanhava, sabia que eu adorava esse lugar, tinha sido ele te tinha me ensinado a ir.  Estávamos na beira de um lago, no verão se podia tomar banho, de manhã o faria, apesar da água fria.  Pensei esses dois ficaram horrorizados.

Tinha analisado com o orientador da escola todos os cursos, nenhum me interessava muito, talvez Belas Artes, pois adorava desenhar.  Mas não me via como um pintor, gostava, mas para mim mesmo.

A semanas atrás, quando fui ver minha mãe, Madie não me permitia faltar, cheguei estava com um professor, ele o conhecia de sempre.   Ela estava se preparando para fazer um musical, mas fazia tempo que não cantava.   Ele insistia numa música, eu ali sentado já conhecia a mesma de ter visto esse musical no cinema.

Ela não conseguia alcançar as notas mais altas.  Ele se virou para mim, soltou, aposto que até teu filho consegue, essa música é fácil.

Insistiu muito, ela já meio nervosa, quem sabe herdaste de mim, alguma coisa pela arte.

Ele começou a música a cantei inteiro como sabia, estava na minha cabeça.

Quando acabei, ele disse, viu como é fácil, menino tens uma voz muito bonita, devias trabalhar um pouco, poderias ficar com esse papel. Se matou de rir com a brincadeira, ela ao contrário furiosa, disse que era melhor que eu fosse embora, será que não via que estava trabalhando.

Sai cantando a música mais alto ainda, ele me alcançou no elevador, me deu seu cartão dizendo, se queres fazer aulas de canto, me procure.

Voltei para casa cantando, quando entrei, vi que meu pai, Madie discutiam na biblioteca, Dolores, me levou para seus domínios a cozinha.

A coisa está feia. Tinha um jeito muito especial de falar as coisas.

Justo no dia seguinte, fomos para o La Guardia aonde meu pai deixava seu avião particular, Madie ia com a cara fechada, Dolores como adorava estar na fazenda, mais contente, meu pai sequer tinha me olhado.

Tornaram a discutir, mas desta vez escutei a historia de colocar a fazenda no meu nome.

Sei que no outro dia de manhã, ele foi para a cidade logo cedo.   De tarde tinham chegado os amigos.

Estava pensando que achava estranho ver Madie tão nervosa, como se alguma coisa a incomodasse.

James, veio se sentar num tronco, atrás de mim, venha vamos cantar aquela música que gostamos, era uma country que ele adorava.   Me recostei no tronco, cantei com ele, falava das estrelas, da lua, do amor.   Os outros dois nem se moveram de aonde estavam, com certeza devia achar ridículo, pois no caminho tinha falado muito de uma discoteca nova que tinha aberto, que iam muito.

Não tinha nada a ver comigo.  Meu prazer era estar ali ao ar livre, cada vez odiava NYC, menos mal que Madie detestava dar festas em casa.   Dizia que depois o trabalho era demais.

Acredito que tinha ainda dentro dela a alma daquela garota de Arkansas. 

No dia seguinte pela manhã, James me chamou, os dois tiramos a roupa, nos jogamos a água fria, os outros lavaram a cara reclamando, o mesmo fizeram com o café forte que ele tinha feito, comeram o que Dolores tinha mandado, fazendo cara de asco.

Estava louco para os ver pela costa, fui adiante conversando com o James, íamos cantando uma música Country que ele disse que era nova.

Menino, sempre me chamava de menino, tens uma voz bonita, um dia devias te dedicar a isso.

Nessa noite, fizeram uma festa com os vizinhos, vi que as duas mulheres, estavam se salto altíssimo, enquanto Madie, usava botas.

Lá pelas tantas James começou a tocar a música nova, me chamou para perto dele, comecei a cantar, depois cantamos a da noite anterior, o pessoal aplaudiu.   Madie me abraçou, me soltou, se tudo der merda, sempre poderás ser um cantor.

No dia seguinte fomos embora, no avião falei do professor, ela me olhou como sempre fazia, diretamente nos olhos, por que não?    Eu pago as aulas, se for pedir ao teu pai, vai te dizer não.

Assim comecei a fazer aulas com o professor, um dia me disse, tens uma voz mais bonita que a da tua mãe, o musical tinha começado, ele disse que ia mal de bilheteria.

Meses depois estourou uma bomba em casa, estava no meu quarto estudando, quando ouvi barulho insistente.  Quando sai a casa estava cheia de agentes do FBI, estavam atrás do meu pai.

Madie, fez um gesto como dizendo silêncio.

Entraram na biblioteca, examinaram tudo, tiraram os quadros da parede, para saber se tinha algum cofre ali, o mesmo fizeram no quarto dela, eu tinha voltado para o meu, fizeram a mesma coisa, a casa quando foram embora, estava toda revirada.

Eles só pararam porque ela chamou o advogado do meu pai.

Ninguém sabia aonde estava.  Soube por que o James a chamou, que tinham feito o mesmo na casa.   Eu ainda tinha meus últimos exames no dia seguinte.  Me disse, fazes o exames, arrumamos a casa, nos vamos para a fazenda.   O que achei estranho, era que ela pegava todas suas joias, saia com elas numa bolsa, de tonta não tinha um pelo, levou tudo para o banco aonde tinha conta, nunca se sabe me disse.

Ela tinha seu próprio dinheiro aplicado, como me ensinou a fazer depois.

Na escola foi uma merda, pois todos falavam do assunto, os dois rapazes, não estavam na escola, soube depois que seus pais estavam presos.

No avião, para a cidade mais próxima, íamos os três, desta vez na classe turística, segundo ela para não chamar a atenção.  Me contou que meu pai tinha se metido em alguma coisa que ela nem queria saber o que era, para não se ver involucrada.

James nos esperava, disse se preparem.  Tinha revirado a casa inteira, estava tudo de patas ao ar, as empregadas arrumando.

Ele comentou, mandei o pessoal, levar o gado para o pasto mais apartado, pois falavam em interditar tudo.  Quando passamos na cidadezinha mais próxima, mandou que ele parasse no advogado que meu pai usava ali, voltou com um envelope, por se acaso, soltou ela, estava mais tranquila, só disse, pela primeira vez esse filho da puta me escutou.

Depois da casa toda arrumada nos sentamos no escritório, me disse não tens que te preocupar, a fazenda é tua, não podem fazer nada, eu tampouco perco coisa nenhuma, pois me casei com separação de bens.   Interditaram o apartamento de NYC, pelas dividas, Jimmy se salva porque tem bens no seu nome, mas o escritório também está interditado.   Pelo que sei, teu pai está por aí, o advogado não quer me dizer.

Mais tarde por surpresa minha mãe chamou, dizendo que tinham estado em sua casa, mas como não tinham uma ordem de busca, sequer abriu a porta.  Seu advogado já tinha entrado em contato com o FBI, que ela não tinha nada ver com isso.  Como se não basta-se o musical ir mal, agora isso.   Em nenhum momento perguntou como eu estava, se precisasse de algo, nada.

Da mesma maneira que ligou, desligou, nem adeus, até breve, porra nenhuma.

Madie, para me consolar disse, ela é assim mesmo.  Tinham trabalhado juntas num espetáculo a muitos anos atrás, ela chegava, não dizia nem mu, entrava no seu camarim, só saia para se apresentar, ia embora como tinha chegado.   Depois se casou com teu pai, passou uma temporada sem atuar, mas como tinha se casado com separação de bens, mal nasceste voltou a atuar.

Era uma verdade, não me lembrava dela brincando comigo, ou me levando a escola, nada, tudo era a Dolores.

Está tinha um mantra, agora nesses dias, fique tranquilo, nós duas estamos contigo.

Era interessante, quando Madie entrou nas nossas vidas, ela não gostou muito, seus domínios era a cozinha, a primeira vez que tomava café da manhã em casa, perguntou se queria que a ajudasse em alguma coisa, Dolores resmungou algo.   Ela soltou sua gargalhada, já entendi, aqui são teus domínios, só disse como gostava do café, se sentou ali na cozinha, como ninguém fazia a não ser eu.   Passou a me perguntar como ia nas aulas, o que eu gostava o que não, como fiquei um momento em silêncio, Dolores soltou, não seja mal educado, responda.

Com o tempo ficaram amigas, consultavam uma a outra, como fazer alguma coisa, o mesmo chegávamos na fazenda, a cozinha, o que tinha que se comprar ou não era tudo com ela.

Eu fazia 18 anos, no dia seguinte, estranhei que ela fosse dirigindo o jeep que usava o James, temos que ver com o advogado, se podes aceder o dinheiro que teu pai tinha no banco, pois senão estamos ferrados, temos que pagar o pessoal.  Não sei como, ela conseguiu que tudo fosse para meu nome, ainda não interditaram as contas, tinha uma procuração de meu pai, para poder fazer isso, tinha chegado via fax ao advogado.  Ela passou todo o dinheiro dessa conta, bem como dos outros bancos.  Só não pode fazer isso de um de NYC que já tinham interditado a conta, que era conjunta com meu irmão.

Temos dinheiro pelo menos durante três meses, me disse, já falei com o James, hoje a tarde, tens que assumir algumas coisas, a fazenda é tua, tens que aprender a dirigir, nada melhor do que ele para te ajudar.

Inclusive terei que te pedir se posso me hospedar aqui?

Imagina Madie, eres mais minha mãe, que a que me pariu.

Sentamos de tarde quando James desceu dos pastos de cima, disse que não podia manter o gado lá pois fazia muito frio.

O que você sugere James.

Bom eu venderia uma parte, posso separar tem um matadouro que está interessado, dispensar a maior parte dos cowboys, nos apanhamos com o que temos, melhor ficar com os que tem família aqui, porque colocar essa gente no inverno para fora é covardia.

Temos dinheiro para pagar o salário uns três meses, pelos meus cálculos disse Madie.

Mas se vendemos o excedente, pagamos o pessoal com esse dinheiro, pelo menos por um bom tempo.

Mostrou as contas que ele tinha, me ensinou como controlar a venda do gado.  No dia seguinte passei a trabalhar com o pessoal, ele separou os que queria, bem como os que tinham família, mandou o resto falar com o advogado que acertou com todos.

Fomos separando o gado, ele sabiamente, separou os bois excelentes para cruzar, os foi colocando com a vacas que valiam a pena, quando chegar o verão, já teremos reses novas.

Me ensinou a ser um cowboy.   Agora na casa Dolores compartia com Madie os serviços, embora ela dissesse que não estava bem. 

Um dia ela soltou, Dolores, na casa da minha família erámos dez filhos, cinco mulheres, tínhamos que fazer de tudo, depois da escola, cada uma tinha sua tarefa, nada disso me assusta, se fosse de outra maneira, eu teria ficado em NYC, pedido meu apartamento de volta, mandaria um pedido de divórcio, que tudo fosse as favas, mas tem o James no meio, não posso fazer isso.

Não escutei Dolores, nunca mais falar nada.

Depois conversei com ela, sobre isso, disse que podia me apanhar sozinho.

Eres o mais próximo que tenho de um filho, seria covardia, depois ia perder o prazer de estar aqui, sabes o quanto amo este lugar.   Menos mal que consegui convencer teu pai, que passasse tudo para teu nome.

Jimmy saiu mal parado, mas sua mãe tem muito dinheiro, mas voltou a viver no Texas.

Volta e meia, aparecia o advogado, se negava a falar certas coisas por telefone, pois podia estar interditado.    Não sabia muito bem aonde meu pai tinha se metido, sabia sim que a muito tempo mandava dinheiro para as Ilhas Cayman, talvez estivesse por la, pois cada vez me chama de um lugar diferente.

Mandei teus papeis de divórcio, ele acabou aceitando, devolveu assinado, o envelope veio do México, não sei se está metido em algum negócio por lá.

Junto me mandou uma carta, prescindindo de meus serviços, pois lhe disse que estava me colocando numa situação difícil.

Seguimos nossas vidas, quando começaram os rodeios as festas nas cidades ao lado, eu ia com o James para cantar, ele arrumou um grupo de cowboys que tocavam alguns instrumentos, íamos por aí, ganhávamos uns trocados, repartíamos todos entre nós.

Numa cidade destas, um caçador de talentos me descobriu, estava muito preocupado, pois as despesas da fazenda eram imensas.  James tinha dado uma solução, que acabamos aceitando, repartir as terras, de uma maneira que podíamos alugar, ficávamos com uma parte dos pastos de baixo, bem como os da montanha, as outras terras serviam para plantarem milho, o advogado agora estava do nosso lado, conseguiu gente honesta para cuidar dessas terras, mas mesmo assim, as contas eram justas no final do mês, ela queria colocar dinheiro dela, mas não permiti.

A oferta do homem era interessante, me conseguia contratos em todas as feiras ao longo do estado para que ganhasse forma minha maneira de cantar.  Lhe disse que aceitava se Madie fosse minha manager.   Ela adorou a ideia, James ficava tomando conta da fazenda, saímos pelo mundo como ela dizia, logo alugamos um trailer, era como estar de férias, mas ganhando dinheiro.    Só me disse uma coisa, cuidado, nada de bebidas, de garotas fáceis, drogas, nem jogo.  Vamos cimentar tua carreira.

Já no final da temporada, havia um concurso em Nashville, fomos até lá, os concorrentes eram bons, todos já com seu clube de fans.   Mas ela me deu força.  Quando chegou minha vez de cantar, cantei duas músicas que sabia que fazia bem.  Fui muito aplaudido, passei para a final.

Vários compositores me ofereceram músicas.  James veio me ajudar, escolheu duas. Trabalhamos as duas sem parar durante uma semana.  Depois me disse uma coisa, que fiquei quieto ao escutar.   Sorria, cantas muito sério, os rapazes te olham como se fossem te comer, mas com essa cara, nem as garotas te querem.   Lembra-se dos momentos no lago, quando cantamos juntos, pense nisso.

Quando fui me apresentar, ele sentado com Madie, bateu o dedo na cabeça, como dizendo lembre-se.   Sem querer sorri.

Fechei os olhos um momento, quase podia conseguir ver as estrelas, comecei a cantar uma balada triste, mas muito melodiosa, do meio para o final a musica subia, o que era mais difícil de fazer, mas consegui, os aplausos foram imensos, sorri agradecendo ao público, ele tinha razão, em seguida os aplausos ficaram mais fortes.   A segunda era uma dessas músicas que nas vilas o pessoal gosta de dançar, era muito rápida, tinha que ter um folego impressionante para cantar.

Quando vi, ria porque as pessoas ficaram em pé se embalando ao ritmo.  Isso foi um ponto favorável, porque os outros cantores, cantaram baladas nada mais.   James tinha sabido ao me ajudar a escolher as músicas.

No momento final, erámos três finalistas, ele me disse, cante a rápida, foi um sucesso, o pessoal já sabia o refrão, cantava junto como dançavam.  Ganhei o concurso.  Fiquei contente, pois o dinheiro dava para pagar pelo menos todo o inverno o salário do pessoal da fazenda, agora um rancho, por ter sido tão dividido.

James, me ajudou com um experto a montar um show, com músicas que encaixavam comigo, logo estava me apresentando por todos os lugares, gravei um disco, que tocava muito, dava entrevista nas rádios das cidades que passávamos, mas fomos para o Natal em casa.

Estava morto de vontade de comer a comida da Dolores, a apertei muito nos meus braços, ela se emocionou, imagina eu aqui sentada na frente da televisão, torcendo por ti.

James, conseguiu que um parente dela tomasse conta da fazenda, iria me acompanhar durante a temporada, Madie, disse que ficava, pois achava que já tinha feito o suficiente.

Quando passou as festas, ela agora cuidava dos contratos, tinha aprendido com o advogado a ler as letras pequenas dos mesmo.  Tínhamos muita estrada pela frente, compramos uma motorhome de segunda mão, ela nos encontrava no meio do caminho, para fazer a contabilidade junto com o James, este estava mais deslumbrado do que eu com esse mundo.

Notei que bebia muito, quando falei, não gostou, que sabes tu, eres um fedelho, que te deram tudo de bandeja, inclusive essa voz.   Saiu furioso, no dia seguinte, tive que o ir buscar na delegacia, tinha se metido numa briga.

O pessoal da banda me avisou, esta se metendo em drogas, acha que ele é que devia fazer sucesso não tu.

Tentei conversar com ele, mas fiquei surpreso, realmente era como se eu tivesse roubado seu sonho, mas como ele dizia, para ele já era tarde.  Um dia depois de um show, tínhamos que viajar de noite para chegar a uma feira de gado em Santa Fé, tínhamos músicas novas para trabalhar.   Nada de encontrar o filho da puta, quando o afinal o encontramos era tarde, não sei aonde tinha se metido, nem com quem, tinha levado uma facada no abdômen, tinha as tripas todas para fora.  Mas já era tarde demais.   Avisei a Madie, mandei o corpo para a fazenda, foi enterrado lá.   Os outros tocamos o pé na estrada para não chegar muito tarde, o jeito foi me virar, fazer os arranjos como gostava de cantar, os músicos gostaram, pois sempre o James interferia.

Inclusive, cantei duas músicas que não eram Country, as meninas vinham abaixo, depois queriam autógrafos, outras se ofereciam.  Mas seguia os conselhos da Madie, ia com cuidado.

Ela veio no último dia, teria que assumir o papel de manager outra vez.   Já sentia falta da estrada disse.

Mas aconteceu uma coisa que nos surpreendeu, se aproximou um homem, estendeu seu cartão a cada um, perguntou se eu gostaria de fazer um teste para um filme de cowboy, que ia dirigir, vim assistir a esta feira, justamente procurado uma cara nova.  Perguntou se eu sabia andar a cavalo, essas coisas.   Nos levou aonde era o rodeio, pediu para me ver em ação, lançando o laço essas coisas que eu sabia fazer.

Ofereceu um contrato, que a Madie analisou bem.   Fomos ver o que eles tinham filmado, o homem dizia que eu engolia a câmera, de uma maneira queria dizer que me saia bem.

Não era o típico homem lindo vamos dizer assim, mas minha cara tinha a marca do sol da fazenda, tinha corpo por causa do trabalho.

Como tinha acabado os contratos já assinados, os rapazes da banda alguns iam participar do filme, pois apareciam tocando comigo numa cena, numa noite de estrelas.   Disse ao diretor o lugar perfeito para filmar isso, poderíamos usar o gado da fazenda.

Afinal mais ou menos tudo foi filmado lá.

Eu tinha dúvidas, mas o filme fez sucesso, principalmente no sul do pais, ou na américa profunda como se dizia.  Filme serio de cowboy, que ainda por cima cantava, a música era de um compositor muito conhecido, era o tema do filme, foi candidata ao Oscar.   Lá fui eu, para Los Angeles, por conta da cinematográfica, ficamos num puta hotel, numa suíte.  Madie se comprou um vestido deslumbrante, queria que eu fosse com a mocinha do filme, mas disse que não tinha prometido ir com minha mãe.  Ela tinha sido uma chata durante as filmagens, as cenas com ela, tinha que ser fazer várias vezes, pois sempre errava o texto.

Madie me ajudou com a roupa, disse que teria que usar uma roupa diferente, depois trocaria para me apresentar para defender a música.

A puta música ganhou um Oscar, subi com o compositor, para receber o mesmo. Era um sujeito divertido.  Eu agradeci somente a duas pessoas, a Madie, a Dolores, mas no final pensei, James foi um sujeito que me descobriu, soltei vai por ti James.

Todo mundo queria saber quem era o James, tive que contar.

Fomos convidados para muitas festas, mas estava zonzo com tanta confusão, piorou, pois me encontrei com minha mãe, que tinha vindo como convidada para apresentar alguma coisa.

Quis forçar que eu aparecesse ao seu lado, mas fiquei furioso, me afastei rapidamente, chamei a Madie fomos embora.

Depois de todos esses anos, aparecia, queria ser minha mãe, fiquei resmungando o máximo possível.

Chega James, quer queria quer não, ela é tua mãe.

Depois vendo o vídeo ela tinha vindo entregar um prêmio de toda carreira de um ator.  Ou seja a consideravam uma velha.  Seus últimos espetáculos não tinham ido bem.

Fomos passar uns dias na fazenda, agora um rancho pelo tamanho, analisamos as contas, não fechavam, falamos com o advogado, isso só funciona se o patrão está. Quer um conselho, a casa pode ficar, pois a estrada vem justamente até aqui, pouca terras, nada de gado, alugue o resto que assim pagara a despesa da casa, pelo menos a Dolores tinha aonde viver.

Eu tinha contrato por todos os lados, o mais surpreendente, um grande diretor me queria no seu filme, sabia que era de New York, a história se passava lá, foi, um sucesso, era um tipo normal, que de repente se vê no meio de uma grande confusão, fica sem saber o que está acontecendo, até que encontra o fio da meada, vai à luta.

Fiz uns três filmes seguidos, depois sempre encontrava um jeito de ir passar uns dias com a Dolores.    Madie tinha recuperado seu apartamento em NYC que estava alugado.

Um dia encontrei por um acaso minha mãe, tinha ido jantar com um diretor, que me queria em seu filme.  Quando soube que ela era minha mãe, a convidou para fazer o mesmo papel no cinema, mas quando viu o roteiro se negou.   Era uma mãe, exatamente como ela, que deixas os filhos para viver a sua vida.

A atriz que o fez, ganhou vários prêmios por isso.   Eu quase desisti porque não queria fazer nada com ela.

Na entrega dos Oscar, dancei, cantei uma das músicas do filme, foi um sucesso.

Recebi um convite para fazer um filme na Europa, precisamente em Paris, mostrei o roteiro para a Madie, que ria muito.   Era a história de um homem que vai de férias, é confundido com um da máfia, o perseguem por todos os lados, por mais que prove que não é o mafioso, ninguém acredita.    O final era surpreendente, pois fazia o outro papel também, os dois eram irmãos separados ao nascer.

Ri muito fazendo essa parte, pois era cheia de técnicas, uma parte gravada antes, outra depois, acoplada digitalmente.

Justo ao voltar para NYC, Madie me avisou que queriam falar com os dois, tinham finalmente encontrado meu pai, na Colômbia, o estavam extraditando para os Estados Unidos.

Era uma sombra do que era antes.  Nenhum advogado queria defende-lo, Jimmy acabou aceitando, mesmo sabendo que perderiam.   Mas nem chegou a ir a julgamento, acabou morrendo num hospital.   Tinha um câncer muito avançado.

Ninguém sabia do dinheiro que tinha levado embora do pais.

Jimmy agora era mais agradável, tinha refeito sua vida, casado, pais de dois filhos, reclamava agora ter que explicar aos filhos que o avô tinha morrido na prisão.

Fui umas quantas vezes a sua casa.    Mas na verdade erámos dois estranhos que por um acaso se conhecem.

Agora tinha um bom agente que me defendia, me ofereciam tantos filmes, mas nenhum era interessante.

Estava ficando velho isso sim, sem família minha, se falava de milhões de romances, mas na verdade tinha algumas aventuras nada mais.   Tampouco me sobrava tempo

Fui passar o Natal com Dolores, desta vez Madie não vinha, estava saindo com um senhor, que tinha conhecido, se gostavam, ia conhecer a família dele.   Era viúvo como ela.

Passamos as festas só os dois, o que foi um descanso.

Precisava disso, agora tinha dinheiro, recuperei algumas terras que estava alugadas, comprei gado outra vez, contratei gente para isso, bem como uma senhora para ajudar na casa.

Os contratos que me apareciam, me parecia a repetição da mesma coisa.

Tinha aprendido com Madie, todo o dinheiro que fui ganhando no cinema, com a música, tinha ido aplicando, não era uma pessoa de esbanjar dinheiro, portanto podia viver tranquilo.

Me chamaram para fazer uma série de cowboys, quando conheceram aonde vivia, perguntaram se podia filmar ali, bem como na cidade, era perfeito não tinha que me mover muito.  Alugavam a casa para fazer algumas cenas, ou seja ganhava de dois lados.

Ficamos anos fazendo a mesma. Mas de um lado a solidão as vezes era tremenda.  Um final de semana agora que tínhamos recuperado a parcela perto do lago, fui acampar ali para pensar.

Estava como gostava, tinha feito uma fogueira, montando uma tenda, por se acaso chovesse, mas estava ali, olhando as estrelas o que me dava um paz incrível.

Quando escutei alguém chorando, era uma mulher jovem, que estava a ponto de parir, só pude chamar um helicóptero para leva-la ao hospital mais próximo.

Era uma larga história.    Me deu pena da garota, devia ter uns 16 anos quando muito.

Pariu duas crianças, um menino e uma menina.

Acabei os adotando, pois tinha feito uma Cesária, alguma coisa saiu mal, morreu dias depois, que me deu a guarda das crianças.   Madie largou tudo que estava fazendo, disse que tinha sido um engodo, o homem estava interessado, mas queria viver uma boa vida com ela.

Agora já não posso ter romances, sou avó.  Disputava as crianças, com a Dolores, na hora de escolher os nomes foi difícil, a menina ficou como Dolores, o menino Manuel, pois eram descendentes de mexicanos.   Isso me deu uma estabilidade que não tinha antes, tinha que pensar neles.

Segui me apresentando, quando me chamava para cantar, ia outra vez ao festival de Nashville, diziam que tinha recuperado meu mundo.   Um dia escutei a Dolores cantado para os dois uma canção mexicana, aprendi, cantei.  Meus fans gostaram, agora sempre tinha uma música assim.

A fazenda produzia, dava dinheiro, pois estávamos lá para controlar.

Um dia Madie me surpreendeu, vendeu tudo que tinha em NYC, minha vida é aqui, para que quero isso, entrou de sócia comigo, mas usando as crianças como sendo sua parte.  Assim sempre teriam algo.

As vezes me cobrava o que passava comigo, que nunca tinha ninguém.  Parava para analisar isso mil vezes, antes porque não parava, eram fodas de uma noite, sejam com homens ou mulheres, mas tampouco queria mais.  Agora maduro, ficava difícil.

Me faltava alguma coisa.

Um dia o novo xerife da cidade veio nos avisar, que tinham escapado uns garotos do mesmo lugar da mãe dos meninos, ficou ali conversando, gostei do sujeito.

Depois nos encontramos várias vezes na cidade, uma noite eu cantava na festa da mesma, agora tocava a guitarra eu mesmo, pois as vezes me apresentava sozinho.   O vi na plateia, estava sem o uniforme, não sei por que, a princípio não me toquei, cantei uma música que tinha cantado a muitos anos atrás, olhando em direção dele.

Depois veio me agradecer, era sua música preferida do meu repertório.  Se apresentou como Carter.  Daí surgiu uma amizade, desta a algo mais, em breve realmente tinha uma família.

Um dia um advogado de NYC me chamou para avisar que minha mãe tinha morrido, de uma maneira horrível, a tinham encontrada morta sozinha no apartamento, devia estar a dias assim, ninguém deu por sua falta.  Tinha despedido a última empregada, pois mal tinha dinheiro para pagar o condomínio do Dakota.

Fomos a família inteira, incluindo o mais novo Carter, que foi para me dar apoio, ficamos num hotel simples, paguei todo o enterro, ela era católica, se colocou um anúncio na coluna fúnebre, apareceu muita gente para lhe render homenagem, mas não passou disso.

Fomos ver o apartamento com o advogado, estava basicamente vazio, tinha ido vendendo tudo de valor, para se manter ali, o guarda-roupa, estava basicamente vazio, me lembrava dele, cheio de roupas de marcas.   Localizada a última empregada, na verdade tinha saído, pois não lhe pagava a meses.  Deu a dica para quem vendia as coisas.

Sobrava pouca coisas no apartamento. Na leitura do testamento deixava para mim o mesmo.

Mandei vender, coloquei no banco para o futuro dos meninos para a universidade. Um fideicomisso.   Que esse dinheiro servisse para alguma coisa.

Carter deixou a polícia se transformou num cowboy, íamos muito ao meu lugar preferido, ficávamos ali, conversando.  Quando os meninos ficaram maiores, íamos com eles.

Eram noites incríveis, que ficaram para sempre na lembrança deles.  Sempre que perguntava o que queriam fazer, diziam lago.

Quando chegou a época de irem à universidade, tive uma surpresa, Manuel, resolveu ser veterinário, adorava os animais, principalmente os cavalos.    Dolores queria ser professora, ou seja tudo estável.

Dolores mal os meninos foram para a universidade morreu, foi enterrada ali mesmo, amava aquele lugar.  Madie foi ficando, agora nos sentávamos no escritório, lembrando as vezes de alguma coisa.

Tempos depois recebi uma chamada do Jimmy, queria falar comigo em particular.  Tinha afinal descoberto aonde estava o dinheiro, num banco na Suiça.  O duro seria tirar de lá, ele não tinha deixado ordem para ninguém.  Ele queria entrar na Justiça.  Lhe disse, pode ficar com tudo, a mim não me interessa, não quero nada disso.  Esse dinheiro foi roubado de pessoas que confiaram nele.

Acho que ele pensou bem, avisou o FBI, eles que se virassem, pois o processo contra meu pai, estava como que parado em via morta, voltou outra vez, as pessoas foram indenizadas.

Pelo menos, ficamos tranquilos, nunca dei entrevista a respeito, não me interessava.

Madie, disse que nunca tinha entendido direito isso, ele não precisava ter feito isso, tinha embarcado numa aventura de ganhar dinheiro fácil, sem motivos.

Carter era uma pessoa especial, quando levávamos mais de 15 anos juntos, saiu a lei do matrimonio gay, nos casamos.  Claro fomos comemorar os dois no lago.

Disse para ele como gostava de ficar ali, com as mãos atrás da cabeça, olhando as estrelas.

Tinha deixado de ser solitário, agora tinha um companheiro.