lunes, 27 de septiembre de 2021

SHOCK

 

                                     SHOCK

 

Greg Beat, tinha sido o mais jovem policial a entrar para a divisão de homicídios, era conhecido por ter um sistema de observação fantástico.  Entrava na cena do crime, analisando tudo que podia ver em sua volta.

Tinha 30 anos, mas sem saber por que aparentava quando muito 20, no fundo se sentia jovem, adorava ao contrário dos companheiros que estava sempre cansados, tudo que queriam era um cerveja, um Whisky, fumar seu cigarro em paz.

Ele era ao contrário bebia água, não fumava, tampouco usava drogas, os poucos amigos que tinha, eram velhos amigos do orfanato aonde tinha vivido desde pequeno, nunca foi adotado, pois estava esperando eternamente sua mãe, essa o dia que o deixou na porta do orfanato lhe disse, volto para te buscar em breve.   Nunca voltou é claro.

O que ele gostava mesmo era de ir a uma discoteca, dançar como um louco, até se sentir exausto, saia tranquilamente, ia para casa, se podia chamar de casa um apartamento mínimo, uma pequena sala, com cozinha embutida dentro de um armário, que ele parecia não abrir nunca, uma poltrona com um abajur de pé ao lado, livros, muitos livros, ali empilhado, fora os que estavam no único móvel que existia ali, uma estante velha, que pertencia ao apartamento, já não lhe cabia nada.  O quarto era mais espartano, um estrado com um colchão, um armário velho embutido na parede, mas sem portas, já estava assim quando o alugou.  Mas ao contrário, sua roupa estava perfeitamente ordenada nele, pilhas de camisetas todas iguais, negras ou verde escuro, calças jeans uma quantas, a maioria umas iguais as outras, mas claro todas da última tendência, eram elástica, segundo ele facilitava correr atrás de algum bandido, três pares de botas, iguais, bem como seu grande luxo, duas jaquetas de couro, iguais, mas de cores diferentes.

Entrou no pequeno banheiro, tirou toda a roupa, jogou tudo no saco de roupa suja, aonde, tinha mania de esconder sua arma, quando a levava para casa, normalmente deixava num armário especial na delegacia.   Seus companheiros andavam armados, ele não.

Se enxugou, num velho lençol, como sempre tinha sido no orfanato.  Não gostava do tato na pele de essas toalhas felpudas.

Se jogou na cama, dormiu em seguida.  Como estava cansado do dia inteiro, correndo de um lado para outro com seu companheiro, um velho policial a beira da aposentadoria, que tinha um mal humor horroroso pela manhã.   Cheirava sempre a álcool.

Nunca perguntou, nem se interessou sobre as fofocas sobre ele, que circulavam na delegacia, quando começavam, dizia, respeitem é um homem que passou a vida inteira aqui dentro.

Ele poderia ter saído do orfanato, ter ido como alguns amigos que não conseguiam nada, ser vendedores de drogas, ou mesmo consumidores.

No orfanato sempre quando conseguiam ver algum filme, ele sempre torcia para os policiais, nunca entendia por que os bandidos eram tão burros.  Além do filmes, adorava dançar, se tivesse tido oportunidade, deveria ter sido dançarino.  Tinha um senso de ritmo incrível, quando estava na discotecas, normalmente o pessoal nas suas músicas preferidas, abriam uma roda para vê-lo dançar.    Um dia um companheiro da delegacia, atendeu uma chamada de alguém que tinha perdido uma amiga na discoteca, o viu dançando, no outro dia, era conversa de todos falarem nisso.

Mas quando o companheiro comentou o caso, ele simplesmente disse, essa garota é problemática, tem uma aventura com o dono da discoteca, ontem a vi subindo as escadas para estar com ele.  Sempre vai com um namorado novo, o abandona vai dormir com o outro.  Pelo que falam, sua família é muito rica.

Não deu outra, tinha ido dormir com o sujeito, que estava sendo vigiado a muito tempo.

Mas como pudeste ver tudo isso se estavas dançando como um louco na pista.

Oras, estou dançando, mas não sou cego, não bebo, nem consumo drogas como os outros, então posso observar tudo.  ao mesmo tempo vou me relaxando, creio que todos invés de irem a um bar, ficar tomando cerveja, que desce para a barriga, muitos ali tinham sua barriguinha. Eu me relaxo.

Muito bem disse seu companheiro, eu sou o anjo negro, ele o anjo branco, por isso trabalhamos juntos, deixem o rapaz em paz.

O que ninguém sabia que ele era gay, mas isso era raro nele, jamais saia da discoteca acompanhado, sabia que sempre tinha gente da polícia por ali.  Além de que, estava a muito tempo sozinho.   Tinha tido um romance com um companheiro da anterior delegacia, mas descobriu depois que o outro era casado com dois filhos.   Mas na cama, era todo uma senhora, isso ele não gostava, queria outro homem como ele.

Saiu com seu companheiro para atenderem a dois casos, um correu pelo menos dois quarteirões atrás de um assaltante.   Era um jovem de uns 15 anos, o pegou primeiro pelo casaco, mas este se livrou, em seguida voou em cima dele, o atirando ao chão.

Este levou um susto, pois pensou que tinha ficado para trás.  O veio trazendo para o carro, falando com ele, como se fosse um companheiro. 

Cara devias tomar vergonha na cara, assaltar uma família que dá um duro desgraçado para chegar ao final do mês, é burrada.  Agora te tocará a ir para um reformatório, aonde com essa cara, essa bundinha dura de correr tanto, serás pasto de muitos abusadores.   Na verdade o estava preparando para o interrogatório, sabia que estava fazendo isso a mando de um filho da puta que mandava fazer assalto em lugar de ir ele.  Assim se pegavam os garotos, logo eram soltos.

Me disseram que não tinha problemas.

Que não tinha problemas, imagina, sem problemas, rapaz, vão lhe comer o cu, muitos homens barbudos, ele acha que isso não é problema.   Seu companheiro quando o viu fazer isso a primeira vez, disse que não podia conversar assim com o prisioneiro.  Espere e verás disse ele, dito e feito, entrou na sala para ser interrogado, delatou quem estava por detrás do negócio.  O que os mandava fazer isso, lhes dava comida, um colchão velho para dormir, numa casa abandonada.

Esse agora acabava de mijar nas calças ao imaginar que seria abusado sexualmente.

Ele percebeu, ainda soltou antes de tirar do carro, não se preocupe, acabarás te acostumando.

Caramba, porque não disseste que queria mijar, agora terei que lavar o carro.

Quando entraram os dois na sala de interrogatório, o rapaz, se via que não tinha aonde cair morto, soltou, esse filho da puta me enganou, disse que naquela casa tinha dinheiro, que a filha da proprietária tinha lhe contado aonde estava.   Mas resultou, que quando entrei, ela estava guardando as compras, me soltou, chegas tarde gastei todo o dinheiro.   Eu só roubei um sanduiche, pois estava com fome.

Então a filha era quem tinha dado o passo em falso, ele contou que ela tinha um namorado, dentro do grupo.   Contou quem era o chefe, mas me matara se sabe que contei alguma coisa.

Deu a direção.

De aonde eres garoto?

Do Missouri, vim para cá com o sonho de ser alguém, mas cai numa esparrela, quero juntar dinheiro para voltar.

Saiu com ele, mandou que esfregasse o lugar que tinha mijado do carro, o fez entrar num banheiro, tomar um banho, depois o levou a estação de ônibus, perguntou quanto custava o bilhete para a cidade que ele dizia, o viu embarcar, com um pacote com sanduiches, lhe deu dinheiro,  volte para casa, estude antes de se arriscar em um lugar assim.  Se te vejo por aqui, te levo em pessoa para que comam teu cu.

Só disse obrigado, com lagrimas nos olhos.

Seu companheiro ria, como consegues fazer isso, já nem devem estar no mesmo lugar.

Pedi a um do nosso grupo que escutasse ao interrogatório, saiu imediatamente com uma patrulha para lá.

Já saberemos se funcionou ou não.

Pelo menos o carro ficou limpo.

Com efeito, pegaram o grupo inteiro, eram maiores de 18 anos, a única menor, era a filha da dona da casa, que estava justamente contando como tinha sido.

O que comandava, nem tinha 20 anos, mas já era um filho da puta de muito cuidado, se fazia passar por amigo de alma dos outros, para explorar os mesmos.

Quando chegava no final do dia o velho, saia com os outros para tomar cerveja.  Nesse dia não deixou, o convidou para jantar.  Se via que estava mal alimentado, pela maneira como comia ao meio-dia.

Se sentaram numa varanda de um restaurante, começaram a comer, quando terminaram ele foi direto no assunto, com todo meu respeito, o que está acontecendo contigo.  Chegas todos os dias com cheiro de bebida, já vi tua mão tremer, isso nos coloca em perigo.  Todo mundo fica me dizendo que tenho que te denunciar, mas nunca o farei.  Eres meu superior, te respeito, mas quero que me respeite também.

Menino, devias ser tu o chefe.  Sei que não vais falar nada, minha mulher me abandonou, pois diz que não aguenta mais essa vida, depois que nosso filho morreu no Afeganistão, ela desmoronou.

Pois é sei que dar conselhos é fácil, mas se todos fossem bons se vendia.  Porque não procuras um psicólogo.

Nem pensar, começaram a falar.

Não digo desses da polícia, mas sim um particular, eu conheço um com que falei muito quando comecei na polícia, pois me assustava um pouco.  É boa gente, na verdade tinham tido um romance, mas ficaram amigos.

Chamou o mesmo, perguntou se podia conversar com uma pessoa, um amigo muito especial dele, que necessitava se desabafar, nada mais.

O deixou na porta, o velho sorriu, eres um sem vergonha, planejaste tudo, verdade?

Sim, verdade, quero que entre nos exista diálogo.

Pensou em ir dançar, mas hoje preferia acabar de ler um dos livros que estava lendo.

Chegou em casa, como sempre um banho primeiro quente, depois gelado, assim despertaria, poderia ler pelo menos umas duas horas.

Se enrolou no pano que servia de toalha, na pequena geladeira, pegou uma garrafinha de água, se sentou, começou a ler.

No dia seguinte, encontrou seu companheiro, de barba feita, cheirava até loção de barba.

Quando foram atender a primeira chamada, colocou a mão em cima da sua, dizendo obrigado, essa noite pude dormir bem.

Se viram quase em seguida no meio de um tiroteio entre bandas, a quantidade de carros de polícia ali, era impressionante.  Ele viu uma mulher que vinha com fones de ouvido, com uma criança nos braços, saiu correndo a deitou ao lado de um banco de jardim.  Quando voltou, viu que seu companheiro estava ferido no braço, pediu uma ambulância, todas estavam do outro lado, não podiam passar, perguntou se podia se retirar, levando o companheiro, avisou da senhora deitada ao lado do banco com o bebe, que alguém a retirasse dali.

Fez uma manobra com o carro, quando viu a mulher sangrando, o bebê a uns cinquenta centímetros, correu a arrastou para o carro, com o bebê no colo, o deu para seu amigo, dizendo aguenta que vamos para o hospital.  Colocou a sirena, apertou o pé no acelerador.  Normalmente quem conduzia era seu companheiro, a única observação que fez, foi se ele tinha carta de motorista.

Chegaram no hospital, pela porta de emergência, o bebê, também estava ferido, ela tinha sido algo de raspão, o velho também, fora atender a todos, nem reparou que ele mesmo sangrava.

Quando lhe olharam, foi que se deu conta, a adrenalina tinha sido tanta, que nem sentiu.

A bala estava presa no musculo do braço, o médico perguntou se não tinha sentido dor, disse que não, estava preocupado com os outros.   Tinha vindo conduzindo.

Tens que ser operado para retirar a bala.

Iam rasgar seu casaco de pele, soltou nem pensar, já vai ter um furo, agora cortar, quem pensa que sou, um rei midas para ficar comprando casacos.

O ajudaram a retirar, enquanto o levavam sentado na maca para a sala de operação, já lhe tinham dado anestesia, nem viu que num determinado momento caia na maca.

Só despertou no quarto, no final do dia.   O velho sentado ao lado dele, olá garoto, obrigado por me salvar.  Como pudeste fazer tudo isso, com um tiro tu também.

Adrenalina creio, estava preocupado por ti, depois quando vi a mulher com o bebê, caída, pensei que o banco a protegeria.  Como estão os dois.

A mulher bem, mas o bebê já foi operado, a bala lhe passou pela lateral do corpo, mas vai se recuperando.

Em seguida voltou a dormir, estava cansado.   Escutou uma voz dizendo, muito bem garoto, levou um susto, pois era uma das monjas do orfanato, a que levava a enfermaria.

Despertou de madrugada com fome, o velho continuava ali, dormido numa poltrona dessas que se abrem.

Quando a enfermeira entrou, ele perguntou se não conseguia alguma coisa para ele comer, estou morto de fome.

Ela riu, trouxe um sanduiche, bem como uma maça.

Eu te conheço soltou ela, já dançamos juntos naquela discoteca, eu também vou para me relaxar, minhas amigas para arrumarem namorados, eu quero é mais dançar.

Ela estava contra a luz, quando se moveu, ele a reconheceu.

Sorriram um para o outro, ele estendeu a mão Beat.

Ela riu, Esther.

Depois de comer tomou um pouco de água, o velho roncava, ele em seguida voltou a dormir.

De manhã deram alta para os dois, ficaram sabendo que no tiroteio, tinha mortos 15 traficantes, e da polícia 3.   O comandante falava, uma lástima, todos pais de família.  Eram todos de outra delegacia, foram os que chegaram primeiro.

Eles foram ao enterro no dia seguinte, de uniforme.   O velho como o chamava, lhe disse que tinha pensado muito, conversei com minha mulher, me aposento, ganharei menos, mas vamos viver perto da família dela, perto de Miami.   Obrigado por tudo garoto.

Ele agora quando voltasse iria ter outro companheiro.  Tinha se afeiçoado ao velho.

Mesmo estando de baixa, foi ao hospital duas vezes para ver como estava a mulher, além do bebê.  Da última vez ainda os colocou num taxi.  Ela lhe agradeceu.

Quando voltou a trabalhar, lhe tocou como novo companheiro, um da delegacia aonde tinham morrido os agentes.  Foi chamado pelo chefe que lhe disse que observasse o sujeito, desconfiavam dele.

Era um tipo musculoso, metido a machão, tinha chegado numa moto, último modelo, contou muitas vantagens, disse dez mil besteiras.   Mas toda as horas, estava com um celular nas mãos, como que acompanhando alguma coisa.    Esclareceu depois que tinha feito uma aposta num cavalo, mas que ainda não tinha corrido.

A semana seguinte não foi diferente, o sujeito era insuportável, contando as vantagens, ele um dia para provocar, lhe disse com nosso salário de merda, como fazes com tudo isso.

Bom trabalho de noite numa discoteca, disse o nome, nunca tinha ido, pois ficava contra mão para ele.

Os superiores sabem disso?

Para que, se nos pagassem melhor, não tínhamos que fazer bico por fora.   Quando conheceu a noiva piorou, já a tinha visto entrando na sala do dono da discoteca aonde ia, lhe entregava um pacote.

Marcou com o comandante fora da delegacia, para lhe contar.  Só peço que não me metam nessa história, para não me queimar.

Eram todos ligados ao tráfico de drogas, ele era como um segurança do grupo. O pegaram com a boca na botija.

Por sorte no dia que o levaram, ele estava de folga.  Tinha sido denunciado por um dos segurança do Club pois tinha inimizade com todos.  Ele ficava livre de suspeita, para todos os efeitos tinham feito uma batida na discoteca aonde encontraram pastilhas, fecharam as duas.

Agora teria que procurar outro lugar para ir dançar.

Estava na praia, aproveitando outro dia de folga, quando o DJ da discoteca se aproximou, o tinha reconhecido.

Começaram a conversar, só que ele tinha visto o mesmo, cheirando cocaína, um dia no banheiro, o outro se deu uma dica de que queria fazer sexo, se fez de tonto, pegou uma prancha com um conhecido, entrou na água.  Fazia sempre uma coisa, ia para a praia, com um pouco de dinheiro e nada mais.   Quando voltou o dinheiro tinha sumido, bem como seu tênis.

Filho da puta.

Voltar para casa descalço, menos mal que em seu carro tinha outro, deixava a chaves do carro, que era de segunda mão, com um conhecido que ficava por ali.

Lhe contou o que tinha passado, o mesmo ficou perguntando qual era o teu carro, disse que era aquele ali, vi que ele colocou alguma coisa no mesmo.

Chamou a polícia, que veio rapidamente, ele e o outro contaram a história, quando examinaram o carro, viram que tinha colocado uma bolsa de cocaína no mesmo.

O outro disse que ele sempre estava passando papeletas por ali.

No dia seguinte soube que o tinha capturado, foi falar com ele, queriam saber quem tinha mandado fazer isso.   Era o companheiro anterior que estava preso, suspeitava que ele o tinha denunciado.

Ele foi promovido, lhe tocava agora como companheiro um jovem, que acabava de sair da escola da polícia.   Quando leu sua ficha, não gostou muito, conhecia as marcações que os supervisores faziam na lateral da folha de avaliação, tinha duas marcas de insubordinado.

Na primeira conversa, perguntou como tinha ido na academia.  Começou a contar lorotas, cortou pelo sano.  Escute garoto, me achas com cara de tonto, li sua ficha, sei das merdas que fizeste, essa é tua última oportunidade, por isso comigo, te comportes.

Em menos de um mês, o tinha domesticado.  Não quero que sejas serviçal comigo, mas sim meu companheiro, lhe dizia sempre que o queria agradar.

O dia o viu chateado, lhe perguntou o que passava.  

Desta vez estou fudido.

O que foi que aconteceu.  Tive um namorado na academia, o filho da puta contou para todo mundo que comeu meu cu, agora parece que alguém daqui sabe.

Faça como não fosse contigo, se te compras a briga, não vão parar de falar, mas se trabalhas como te ensinei, não vai acontecer nada.  Nunca fale da tua vida pessoal com ninguém, é só tua.

Semanas depois o convidou para tomar uma cerveja, agradeceu, não bebo.  Mas hoje me toca lavar minha roupa, no meu prédio, temos dia certo para isso. Lavar e secar tudo.

Mas como sempre era desconfiado, viu que ele saia com um grupo de novos.  Foi, ficou observando de longe, logo viu que ele saia com um, que era dos que falavam muito.

Chamou o outro pelo celular, dizendo que tinha que se apresentar na delegacia.  O ficou esperando do lado de fora, quando chegou, o chamou a parte, aonde ias com esse daí, é o que espalhou a notícias sobre ti.

Ia até a casa dele.   Escute garoto, não deves ficar fazendo sexo com os companheiros, vai acabar com tua carreira.  É assim que queres ir em frente, virando o alzaimer da delegacia.

No dia seguinte o rapaz, pediu transferência para trabalhar de polícia na praia.

Quando o comandante falou com ele, contou por alto a história, mas ficou observando o que tinha convidado o rapaz.  Cada dia levava um para seu apartamento.  Ah, então é assim.

Um dia entrou no apartamento dele, colocou uma pequena câmera de vídeo.

Dias depois o escutou falando de um colega de outra delegacia, dizia que o mesmo era gay, lhe mandou um vídeo, dele chupando, dando o cu para outro.   Só colocou, ou te comportas ou mando para todos.

Mais um que pediu transferência rapidamente.   Todos no fundo riam dele, pois sabiam o que faziam.

Que ambiente, meu deus.    Estava um pouco farto de Los Angeles, dessa hipocrisia, pensou muito, realmente seria complicado pedir transferência para qualquer lugar pequeno, estaria mais exposto.

Até que soube de uma delegacia em Castro em San Francisco, que tinha gays como polícia, como tinha sido promovido outra vez, podia pedir para aonde queria ir.  Pediu essa delegacia.

O comandante ficou olhando para ele, riu da cara do chefe.  Não passa nada, aqui ficam denunciando, quero ver como funciona lá isso.

Fez contato com um amigo do orfanato, que tinha se casado, mudado para San Francisco, falou com ele, voltamos a nos reunir.   Quando falou qual delegacia que iria, riu dizendo, estaremos perto um do outro, trabalho num pequeno hotel, justamente a dois quarteirões da delegacia.

Então me reserva um quarto, tenho poucas coisas, até que arrume um apartamento, estará bem.

Riu quando o outro disse, sim senhor, o melhor quarto, disse o preço, baixinho soltou a chefa estava por aqui, é uma megera.  Vou dando uma olhada em pequenos apartamentos aqui por perto.

Antes de se despedir, perguntou pela sua mulher, bem como pela filha.

Quando falar que você vem, aproveitamos para batizar, serás o padrinho.

Ele tinha dúvidas pois a mulher do Robert não ia muito com a cara dele.

Arrumou suas coisas, caixas de livros, caixas de roupas, nada mais, o cadeirão, já precisava de um novo, isso compraria por lá.  Tinha suas economias, gastava muito pouco dinheiro.

Colocou tudo no seu velho carro, ainda deu um tapa no capô dizendo, você não me defraude, um dos amigos do orfanato o tinha arrumado para ele.

Chegou em San Francisco, teve que ir se guiando, pois o velho carro, não era moderno para ter um gps, riu muito com isso.

Seu amigo saiu detrás do balcão para abraça-lo, o apresentou a dona do hotel, realmente tinha cara de megera.  Ah vais ser polícia aqui, pelo menos estaremos protegidos, foi todo o comentário que fez.

Deixe tuas coisas, vamos almoçar, pois está no meu horário, depois vamos ver um apartamento, não creio que gostes muito de ficar aqui.

Comeram justo na esquina seguinte, um restaurante self service. Ele pagou a conta, olhou a fotos da menina, Robert ainda soltou, foi duro convencer a megera, mas concordou que tu serias o padrinho, desde que sua irmã seja a madrinha.   Faremos a festa no final de semana.

Ah, vamos ver um apartamento aqui ao lado, a dona é conhecida minha, trabalho lá primeiro antes de vir para o hotel, tem uma boate de Drag Queens, super gente fina, um pouco louca, mas tem um humor espetacular.

Na esquina antes, viu uma livraria, achou, ótimo, assim podia comprar seus livros. O que mais gostou, foi um pequeno cartaz dizendo que se aceitavam encomendas.

Era uma casa antiga, transformada em apartamentos.  Espero que não te incomodes, o que está livre está num terceiro andar.

Imagina assim não preciso ir ao ginásio fazer exercícios.

A puta porta estava meia aberta, ela sempre reclama, mas nunca manda consertar.

Subiram ao primeiro andar, embaixo ao nível da rua, tinha uma pequena loja de comidas para fora.  Depois te apresento, outro amigo antigo.  Não te lembras dele, pois era menor que a gente no orfanato.

No primeiro, escutaram uma pessoa fazendo solfejo, ou isso parecia, abriu a porta uma mulher de dois metros de altura.  A peruca estava mal colocada.

Cheri Robert, tão cedo. Ainda não comecei a atender os clientes, riu muito de sua brincadeira, se não fosses tão negro meu querido ias ficar vermelho.  Ele saiu da frente do Greg, esse é meu amigo Beat, que lhe falei, vai trabalhar na delegacia aqui do bairro.

Uau, isso é homem, saia da frente Robert, para admirar o monumento.

Escutaram uma voz gritando, falem baixo.

Ele apontou para cima, esse deve ter dormido de cuecas justas, tem sempre mal humor.

Um minuto, voltou sem peruca, com uma bermuda jean, uma camiseta, estendeu a mão, Roman, tinha um aperto de homem.  Se acabou a frescura, vamos aos negócios.

Imagino que o Robert tenha te falado, que é no terceiro andar, eu vivo neste, no andar do meio vive esse mal humorado, creio que vive aqui a uma eternidade, é jornalista e escritor, tem uns horários malucos, mas eu saio pelas seis da tarde para a boate, só volto de manhã, depois de tomar café com meu amante Robert.

Você imagina que ele faz isso na frente da minha mulher, ela diz que um dia vem armada, lhe dará um tiro.

Nada, agora terei um policial para me proteger.

Como passavam pela porta do outro andar, falando, saiu um homem com os cabelos meio grisalhos, devia ter sido bonito no passado, totalmente despenteado, vestia a parte debaixo de um pijama.  

Porra, já disse que estava trabalhando, parecem gralhas falando.   Parou ficou examinando o Greg.

Esse não é para teu bico, é policial, vai trabalhar na delegacia do bairro, por isso te comporte, senão te coloco no olho da rua, me deves o mês passado, teu cheque não tinha fundos.

Desagradecida, entrou batendo a porta.    Voltou a sair, por favor escolha o quarto dos fundos para dormir, o anterior tinha uma cama que fazia ruídos, passava o dia inteiro fodendo.

Pois é Greg, foram parar os dois na delegacia que vais trabalhar, depois olha a ficha do senhor, que sempre está envolvido em problemas.

Ele estava sério, mas por dentro se matava de rir do jeito do Roman, não tinha papas na língua, era direto, coisa que ele gostava.

Chegaram lá em cima, um belo exercício verdade, pelo menos se fica de pernas e bunda dura.

O apartamento era maior do que tinha vivido antes, tinha dois quartos, um pequeno salão no meio, com uma cozinha americana, um banheiro totalmente reformado.

Eu aproveitei que o inquilino anterior, depois da briga dos dois, apontou para baixo, se mandou sem me pagar o aluguel.  Por isso o preço, mesmo fazendo um desconto é salgado.  Mas tem uma vantagem, dois quarteirões do teu trabalho.

Ele realmente para dormir ia preferir o quarto dos fundos, que era o único que não dava para a rua, o armário era como o do anterior, sem portas.   Mas se quiseres coloco, disse o Roman.

Bom tenho que fazer uma lista do que teria que comprar, cama, uma mesa de cabeceira, cabides, para o quarto, para o salão um cadeirão com um abajur, pois deixei aonde vivia, preciso de estantes para os livros, mas isso depois compro.

Eu se fosse tu, comprava dois, pois tens um amigo que vai aparecer muito para te visitar, falar contigo, eu parecia te conhecer, de tanto que falava do seu melhor amigo do orfanato, só não imaginei que fosse tão bonito.

Perguntou quanto era o aluguel, eu posso pagar três meses adiantado de queres.

Não, me satisfazem dois, pois tens que comprar os moveis.

Isso o Robert pode te ajudar, pois conhece tudo por essas redondezas.  Desceram ele comentou somente, quero ver subir as caixas de livro.

Meu carro está aqui perto, eu já deixaria as coisas aqui, mas antes fez questão de dar os dois meses adiantado para o Roman.

Esse disse, vais buscar o carro.  Robert voltou para o trabalho, ficaram de se falar depois.

Quando chegou com o carro, já imaginando subir, lá estava o Roman, com dois rapazes bem musculosos, negros retintos.  Subo com eles, vais dando as caixas eles vão levando para ti.

Os dois o tinham olhado de cima a baixo.  Roman soltou, devagar como andor que o santo é de barro.   Esse homem é minha propriedade, quem avançar, corto o piru.

Esse riam, o vizinho do meio, saia, já sei que vai ter ruído, vou para a rua comer, pois não tomei café ainda.   Mesmo tendo feito a barba, não gostava dele.

Os rapazes, esperaram Roman dizer para subir todas as caixas, quando souberam que eram livros, riam hoje nada de ginásio.

Foi esperto, ia intercalando, uma de livro, outra de roupa. Quando o carro ficou vazio, desceram com Roman, ele sinalizou um espaço na encosta, que estava marcado, pode colocar aí, pois é minha vaga, mas meu carro está no mecânico.

Virou-se para o mais bonito, soltou, porque não vais com ele até aquela loja de camas, mais acima.  Lhe entregou a chaves, assim não tens que dormir no hotel.

Ele abriu a carteira deu dinheiro para os dois, Roman soltou, agora vão querer chupar o teu piru.

Mas só um o acompanhou, sou dançarino na boate do Roman, uns trocados vão sempre bem, obrigado, meu nome é Brown, lhe estendeu a mão, não acredite no que ele diz.

O levou até a loja, no caminho foi falando, eu sou de Albany, Georgia, quando cheguei aqui, me prostituia perto da boate do Roman, um dia ele ficou puto da vida, disse que eu era muito jovem para fazer isso, me deu emprego na boate, trabalhei no bar, me colocou em classes de dança, ainda vou até hoje, me fez jurar que nunca mais ia me prostituir, tens que te respeitar.

Já meu amigo, divido apartamento com ele, me dá medo, dorme todos os dias, com um homem diferente.

Chegaram à loja ele se identificou, como policial, tinha acabado de se mudar, disse rapidamente a senhora o que precisava.  Se possível para hoje, ela lhe mostrou um sommiers, mas só tenho esse tipo de colchão os outros só daqui 15 dias.  Deite-se para ver se gosta.

Andou pelo resto da loja, para olhar as poltronas, gostou de duas, além de um abajur.  Ela fez as contas, deu um desconto, de vinte por cento, por ele ser policial, além de ter comprado mais coisas.

Posso entregar dentro de 20 minutos, só o tempo de colocarem no caminhão, mandou dois homens levarem.

Voltou conversando com o Brown, gostava dele.

Subiram, preciso depois comprar uma pequena geladeira, para ter pelo menos água gelada.

Cervejas é claro, disse o Brown.

Nada disso, não bebo.  Voltaram conversando, que ele adorava também dançar, ia muito uma discoteca perto da minha casa, mas sem querer descobri que estavam relacionado com drogas. 

Ninguém entendia, que ia, para me relaxar, dançava até ficar morto de cansado, depois ia para casa dormir.

Se quiseres um dia te levou aonde vou, tem um DJ fantástico com as músicas.  Na Boate do Roman, tem shows quase todos os dias, subiu com ele, quando os homens chegaram o ajudou a colocar as coisas no lugar.

Riu muito quando viu suas toalhas de banho. 

Explicou no orfanato era assim os lençóis velhos viravam toalhas de banho, adoro isso.

Sabe, Greg, vou ter que ter cuidado contigo, pois posso me apaixonar.

Meu amigo, quero ser teu amigo, podemos sim sair para ir dançar, verás que sempre volto sozinho para casa.  Estou farto de fodas de uma noite.  Prefiro ficar sozinho com meus livros.

Tinha ficado ótima o pouco que tinha que arrumar.   O quarto da frente ficou com as caixas de livro, perguntou se ele podia ir buscar a sua maleta que estava no hotel, dizer ao Robert que já ficava no apartamento.

Falou com ele por celular, se a megera reclamar, eu pago a noite que não vou usar.

Só escutou um acho bom,

Tomou um bom banho depois de ter acendido o que esquentava a água, justo quando chegou o Brown, ele estava só com o velho trapo de lençol enrolado no corpo.

Caralho, tens um corpo fantástico, deves passar o dia no ginásio?

Nada disso, as vezes saio para correr, um dos meus sonhos era dançar, mas isso ou ter uma profissão.

Viu que Brown ficava excitado, lhe disse, estreie um dos cadeirões, enquanto me visto, vou até a delegacia, dizer que posso começar amanhã.

Quando voltou Brown estava com fones de ouvido, dançando no salão.  Ah se eu tivesse um espaço como esse.

Desceram os dois, ele o acompanhou até a esquina, sinalizou aonde era a delegacia.

Nos vemos, apertou sua mão.

Ia lhe dar mais dinheiro pela ajuda.

Ele riu, se me das mais dinheiro abaixo tua calça aqui, farei sexo grátis contigo. Virou-se foi embora rindo.

Sem saber por que, entrou na delegacia, se sentindo em casa, foi atendido prontamente por uma mulher, que lhe encaminhou ao chefe principal.

A sala do homem era agradável, se levantou para apertar sua mão.  Colocou a cara para fora da sala, gritou um nome, como se estivesse em sua casa.

Logo apareceu um homem de entre 50 a 60 anos.  Esse é teu novo ajudante, lhe apresento a Greg Beat que vem de Los Angeles

O homem, estendeu a mão, Roger Smith, apesar de ter quase toda a cabeça branca, o que impressionava era a cor de seus olhos, de um azul límpido, se podia ver mesmo de longe que as pupilas tinha raias laranjas.

Se sentaram, Roger lhe perguntou quando tinha chegado?

Cheguei de manhã, como tinha falado com um companheiro de orfanato que trabalha num hotel, esse me procurou um apartamento, conseguiu um aqui perto, pertence a um tal Roman que tem um Club de Drags.

Sim boa gente, em outra época imagina, foi professor na universidade.  Trata bem seus empregados, não permite drogas em seu estabelecimento, coloca na rua rapidamente quem ousa lhe contradizer.

Quando tem algum problema nos chama imediatamente.

Bom, fiquei com o apartamento, comprei logo o que precisava, que já está por lá, cama, poltronas para ler, não necessito de muito, agora só uma geladeira pequena para água, pois é a única coisa que bebo.

Sim, não sei por que alguém anotou isso em tua ficha, que não bebes, tampouco fuma, que não é o caso do Roger, agora diminuíste verdade?

Sim, por causa das crianças, não posso dar mal exemplo.

Ah, tens filhos?

Sim dois pequenos, os adotei, ficaram sem família, me apaixonei por eles. Agora estão com 10 anos.

Venha vamos dar uma volta pela parte que nos corresponde, assim vais conhecendo essas ruas de sobe desce sem parar.  Tens carro?

Sim um velho, que leva comigo basicamente desde que estou trabalhando, um outro amigo do orfanato o cuida, agora terei que encontrar alguém aqui.

Não sou apaixonado por gastar dinheiro em carros modernos, se esse me leva e traz, tudo bem na delegacia que trabalhei por último, ficava relativamente perto da minha casa, ou ia de ônibus ou andando.

Gosto muito de explorar os lugares, conhecer, por exemplo, já vi que perto de minha casa, tem um livraria pequena, o que me chamou a atenção, um cartaz que dizia, se aceitam encomendas, como gosto de ler coisas diferentes as vezes não encontro.

Como que por exemplo?

Sempre estive interessado, na intuição, percepção das pessoas, se estão mentindo, ou técnicas de observação.   Acabo de ler um muito interessante sobre isso de um autor alemão, foi traduzido a muitos anos, creio que a primeira edição foi do ano 1910, imagine. Mas para encontrar foi difícil.

Não estás de referindo a livraria Flor de Lis, verdade?

Sim essa mesma, a que fica na avenida.

Roger começou a rir, é do meu marido, vive me enchendo o saco para me aposentar, não quer que eu morra em serviço, me diz sempre tens que pensar que eres pai de duas crianças.

Eu escutava meus companheiros heteros dizendo isso, ficava com pena deles, agora entendo, ficaram os dois as gargalhadas.

Roger de maneira nenhuma era afetado, até falar do marido, ele nem ia pensar que era gay.

Primeiro quando o conhecer, vai implicar contigo, pois se vamos passar o dia inteiro juntos, eres um perigo, pois além de tudo é bonito.  Depois quando perceber que gostas de ler, vai dizer que além de tudo intelectual.   Mas creio que ao final te aceitara.

O ano passado foi a campanha para que já que tinha perdido meu companheiro, que aceitasse a fazer serviço interno, que corria menos perigo.   Mas odeio papelada.

Nisso escutaram uma chamada, que era perto de aonde estavam.  Foram para lá, melhor ficares dentro ou perto do carro, pois não levas distintivo.  Estamos numa onda de crimes agora, alguém que mata os gays, além dos que consomem drogas.

Já tinham um carro parado na frente.  Subiram, um vizinho viu pela janela, diz que costuma olhar pois esse jovem sempre traz alguém, que faz sexo com as janelas abertas. Viu que um homem o pegava por detrás, lhe cortava a garganta.

Mas quando chegamos só encontramos a porta aberta.

Ficou parado na porta, se viam pastilhas caídas no chão, quando viraram o corpo do rapaz, ficou gelado.   Disse seu nome, merda sou culpado de ter dado dinheiro demais para ele, com isso deve ter comprado drogas.

Alertou ao Roger, ele trabalha para o Roman, hoje esteve ajudando a subir meus livros, pois o apartamento é num terceiro andar.  Nisso chegava o Brown, que perguntava o que tinha acontecido. 

Roger ele é o companheiro de apartamento desse rapaz.  Brown estava de boca aberta, com lagrimas nos olhos.  Soltou eu estava preocupado, tinha lhe dado dinheiro demais, sabia que ia fazer isso comprar essas putas pastilhas que gosta tanto para dar esse cu fedorento.

Nunca teve cabeça, olha que Roman sempre fala disso com ele, que tivesse cuidado.

Ele tirou seu celular, avisou Roman que chegou em seguida.

Ficou de dedo para ele, vê não se pode dar dinheiro demais para certas pessoas, o idiota foi logo comprar drogas, com certeza hoje, nem ia aparecer para trabalhar.

Pior não sabemos se tem família, só sei que veio de Albuquerque, o tirei da rua, pois se prostituia Roger. Mas quando queria comprar alguma roupa, fazia isso escondido.

Brown, estava agachado no chão.   Roger lhe perguntou se tinha algum namorado, alguém eu visse com frequência.

Não senhor, ele gostava de variedade, nunca o mesmo, desde que dividimos apartamento, graças a deus meu quarto tem porta, fecho sempre a chave, pois algumas vezes se metia com quem não devia.

Sabe aonde ele pode ter comprado isso, mostrou as pastilhas que o pessoal estava recolhendo no chão.

Se isso hoje se vende em cada esquina aqui do bairro.   Quando vocês pegam um, meia hora depois tem outro no lugar.  Segundo ele dizia, podia ficar com isso, horas de êxtase.

Como se fosse a coisa mais importante do mundo, mal sabia ler ou escrever, hoje achou um absurdo o Beat ter tanta caixas de livros, me soltou, imagina o que não gastou de dinheiro para comprar isso.   Como se fosse a maior besteira do mundo.

Roman, perguntou se ele podia pegar algumas coisas, hoje dormes lá em casa ok.

Roger disse que sim, tirou uma bolsa do armário, que não tinha muita roupa.  Recolheu algumas coisas, perguntou se no dia seguinte poderia voltar para pegar suas coisas, não quero mais ficar aqui.

Sim podes, falo com o policial que ficará aqui, com a cientifica.

Saiu com Roman de cabeça baixa.  

Esse é outro que Roman tirou das ruas, trabalha no bar, faz algum número de dança no show deles.

Sim foi quem me levou por aí hoje, Roman disse que esse não era muito confiável.   Pior que estou me sentindo culpado, pois lhe dei muito dinheiro para ajudar a subir as caixas.

Quanto lhe deste?

Trinta dólares, acha que dá para comprar tudo isso de drogas?

Menor ideia, não sei quanto custa isso.

Um belo começo de trabalho. Voltaram a delegacia.  Roger comentou que iria reunir todos os vídeos que tinha que conseguir da rua, para olharem amanhã.  Antes de ir embora, o chefe lhe deu sua nova placa, o revolver.  Você com o Roger andaram sempre a paisana, mas o distintivo é importante.

Perguntou aonde podia deixar o revolver, não gostava de andar armado.

Uau, soltou Roger, ele não é como os outros, que ficam de pau duro, só porque levam uma arma.

Deixa no meu armário, amanhã arrumamos um para ti.

Antes de sair, lhe deu um cartão, aonde escreveu atrás, atenda bem meu novo amante.  Para quando fores a livraria.

Voltou subindo a rua, ia distraído, mas ao mesmo tempo atendo ao que tinha falado o Brown, realmente em cada esquina tinha um tipo diferente, como se estivesse se prostituindo, parou como se estivesse esperando um ônibus, viu que era realmente como ele dizia.   Teriam que fazer uma batida, em todas as esquinas ao mesmo tempo.  Sabia que em seguida mudariam de rua, sempre era assim, teriam que descobrir quem era o cabeça do negócio.   Viu um carro se aproximando, deixando algo, que o rapaz recolheu, colocando rapidamente no bolso, anotou a placa, modelo do carro, chamou o Roger falou do assunto.

Já estas trabalhando, gostei disso, eres dos meus, vou verificar.

Entrou na livraria, viu que um homem loiro, estava discutindo com o rapaz que devia ser o vendedor.   Tira esse filho da puta da cabeça, garoto, senão vai ser uma merda.

Se voltou nesse instante, ele se apresentou, queria ver a cara dele, lhe entregou o cartão do Roger.   Esse sacana, sempre apronta comigo, gosta que eu tenha ciúmes.

Então eres seu novo companheiro?

Sim cheguei hoje de Los Angeles, devia me apresentar amanhã, mas já me meti em cheio com o Roger, num assassinato.

Amanhã pelo visto teremos muito trabalho analisando vídeos das ruas.

O outro estendeu a mão, Charles Godwing, apontou para fora, veja, nem com todas essas câmeras, se consegue controlar tudo.  Tem essa puta nova droga nas ruas.  Outro dia pegaram um sujeito vendendo na frente da escola.   Eu vou todos os dias buscar os garotos, ou vai a babá deles, pois fico nervoso.  Tudo é possível hoje em dia.

Queria fazer uma ficha, ver se tens livros que me interessam.

Disse o assunto.

Uau, todo um intelectual, virou-se para o vendedor, olha o novo amante do Roger, ainda por cima intelectual.

Ele caiu na gargalhada, foi exatamente isso que ele disse que dirias.  Ficaram os dois rindo muito.   Enquanto ele buscava no computador.

Aqui não tenho nada, citou dois, que ele já tinha.

Vou buscar para ti, pode deixar.  Tens que vir um final de semana comer lá em casa, assim podes conhecer teus futuros filhos.

Passo de ter filhos, imagina cresci num orfanato, crianças que nunca deixavam de aparecer não se sabe desde onde.

Estava cansado se despediu, terei que arrumar umas estantes para colocar meus livros.

De quantas precisas?

Pelo menos duas, eu acabo tendo sempre pilhas de livros, em volta da poltrona, aos que uso para consultas.

Eres como eu, Roger sempre reclama disso.

Venha aqui, chamou o rapaz Peter, aquelas estantes que íamos colocar fora para que levassem, ainda estão aí atrás.

Sim senhor, era um lindo mulato, parecia mais um garoto, que um homem.

Está como um tonto, durante uns meses foi namorado de um escritor de poca monta, mais jornalista, contou toda sua vida para o filho da puta, que colocou um personagem em seu livro sobre ele, agora não quer saber nada dele, vive no edifício que vive o Roman.

Então é o meu vizinho, não gostei muito dele, criou muito caso, desde que cheguei.

Sim é ele mesmo, mas está sempre com algum garoto, principalmente prostituto.

Deu uma olhada nos livros, comprou dois.  Vou ver se consigo gente para subir as estantes para ti. Me dê o número do teu celular.  Ou será que peço para o teu amante.

Ficaram os dois a gargalhadas. 

Vou dizer ao Roger, que creio que vou preferir você que é mais intelectual que ele.

Imagina, ele nem vai acreditar, estamos juntos a quase 15 anos, sabe que o adoro.

Deu o endereço, ia agradecer muito que me levassem as estantes, a pouco tempo levei um tiro, no braço, não tenho muita força nele, faço exercícios, mas não devo pegar peso.

Quando chegou, de novo viu a porta semiaberta, bateu no apartamento do Roman, perguntou pelo Brown.

Está arrasado, não confiava no outro, mas só de pensar que poderia estar ali, de o terem matado também o deixa nervoso.

Precisas mandar consertar essa porta Roman, pois não fecha direito.

Sim tem que puxar, mas esse filho da puta, nunca faz, sinalizou o do andar de cima.

Passou por eles enquanto falava, sem dizer uma palavra, agora vai jantar, depois pela noite em caça de algum garoto.

Ele voltou a descer para buscar algo de comer na loja de baixo.

Não tinha vontade de sair, Roman lhe entregou as chaves que Brown lhe tinha dado.

Ao entrar saiu detrás do mostrador um rapaz, ora vejam realmente o famoso Greg Beat, vai viver aqui.  A cara não era estranha, apertou a mão dele, olha mostrou uma foto, ele era o mais baixinho que estava na foto.  Lá estava o grupo todo.   Eu tinha loucura por vocês.

Graças a Deus a irmã Therese me via interessado em comida, me ensinou a cozinhar, quando sai, trabalhei em muitos restaurantes como ajudante, depois, fui aprendendo, agora depois de juntar tudo que podia, tenho um empréstimo imenso para pagar, abri esse pequeno local, tenho coisas simples.

Pois eu queria algo simples para jantar, tipo uma sopa, ou uma salada, ou mesmo um sanduiche.

Posso preparar o que querias, menos a sopa que já está aí, desde o fim da tarde.

Se queres posso lhe preparar um sanduiche de Pastrami, acabei de tirar o pão do forno, minha especialidade.  Lhe preparou uma salada ali mesmo na frente dele. Perguntou se queria uma cerveja ou refrigerante.  Mas ele já tinha tirado de uma geladeira duas garrafinhas de água.

Pagou, o outro lhe passou um cartão, basta me chamar, não fecho nunca, tenho que pagar a hipoteca.   Mando subir para ti.

A porta estava outra vez aberta, a empurrou, mas viu que o que a deixava aberta, era a mola de cima, depois olho isso pensou.

Subiu para sua nova casa, tomou um bom banho, se enrolou no velho lençol, se jogou numa das poltronas, nem tinha olhado ainda pela janela.   De longe se via uma ponta da ponte.

Comeu o sanduiche, tinha pensado abrir uma caixa dos livros que tinha separado, para colocar ali ao lado da poltrona.

Escovou os dentes, foi para o quarto levando uma garrafinha de água, as vezes despertava tomava um gole. Sem sequer colocar lençóis na mesma caiu na cama, em segundos estava dormindo.

Despertou por volta das cinco da manhã, porque de súbito se lembrou da cara do Brown, como horror, misturado, eu te avisei, lástima de perder um amigo.  Depois passaria pela casa do Roman para saber como estava antes de ir trabalhar.

Acabou se levantando, tomou um belo banho, hoje chego cedo do trabalho, teriam que olhar vídeos da rua principal, alguma coisa acontecia nessa região.  Pela quantidade de pílulas encontradas no chão, pensou, se fosse por elas, a pessoa teria recolhido a mesma, tinham ido para exame.   Isso sempre era um problema, drogas novas no mercado, a cada dia surgia alguma coisa nova sintética, cheia de efeitos colaterais, que ia como que destruindo a população jovem.   

Ele sempre tinha sentido repulsa com drogas, bebidas, era algo intuitivo, não sabia se vinha de alguma família de viciados, porque tinha passado a juventude inteira cheio de perguntas para sua mãe, houve uma época, que tinha um livrinho aonde anotava essas perguntas, um dia um garoto alguns anos mais velho o roubou, começou a rir dele.  Desperta idiota, você acha que depois desses anos todos vai aparecer tua mãe, como uma fada madrinha dizendo, aqui estou, vou responder essas perguntas.

De uma certa maneira, apesar da raiva do momento, entendeu o que o outro tinha falado, já se tinham passado anos demais.   Era uma perda de tempo ficar buscando respostas, com perguntas que nunca seriam respondidas.

Infelizmente nunca chegou a agradecer o mesmo, muitos anos depois já na polícia, o reconheceu num rapaz morto na sarjeta, totalmente drogado.

Isso reforçou o que pensava de drogas, muitos dos que tinha saído na mesma época do orfanato tinha caído nessa vida.   Ele seus poucos amigos, tinha superado essa barreira, buscando desesperadamente uma vida para construir.  Vide o rapaz da comida para levar abaixo, quando tinha visto a foto, momentaneamente enumerou os que saiam nela, que ainda estavam vivos.

Tudo era uma lástima, uma juventude perdida.

Fez exercícios que sempre fazia, procurando não fazer ruídos, mas claro o vizinho de baixo, começou a bater com alguma coisa no teto.   Pensou em lhe pedir desculpas, mas o sujeito realmente não lhe caia bem.

Se vestiu, para ir trabalhar, fazia um vento desagradável, estava entrando o outono, iria primeiro tomar um café bem carregado, sem açúcar para estar desperto, sabia que isso de ficar olhando os vídeos era um saco.

Quando desceu, justamente as 6:30 da manhã, esbarrou com Roman que chegava com Brown, este tinha uma cara de fazer gosto.

Perguntou como estava, este levantou os ombros, como se pode, falei tanto com esse desgraçado, mas nunca escutava ninguém.

Me sinto culpado Roman, por ter dado tanto dinheiro para ele, não sabia disso, devia ter-te escutado.

Nada disso, era tua forma de agradecer, Brown ao contrário, guardou para pagar suas aulas de dança, cada um usa como quer o que ganha.

Já vais trabalhar tão cedo?  

Sim ontem cheguei, comprei alguma coisa aqui embaixo, depois cai na cama, dormi como um bebê.   Mas temos muito trabalho chato pela frente.

Se despediu, tinha vontade de dar um abraço no Brown, para o consolar.

Sentou-se justamente na esquina que tinha visto o carro entregando alguma coisa para o rapaz, lá estava um já a seu posto, vendendo o que fosse.

Ia chamar o Roger, mas devia ainda estar na cama, ficou observando aonde o mesmo escondia o pacote do que ele não sabia que era.

Desta vez parou um carro diferente, com a mesma placa do anterior.  Chegou à conclusão que o sujeito usava carros roubados, por um acaso a janela do carro tinha o vidro abaixado, rapidamente fez uma foto com o celular, fotografou aonde o outro guardava mais drogas, tirava o dinheiro do bolso, entregava para o do carro, foi fotografando tudo isso, ainda pensou devia estar fazendo um vídeo.   Depois entendeu uma coisa, ele não usava todas as esquinas, era uma sim outra não, por quê, foi a pergunta que se fez.

Saiu, com um café dentro de um copo térmico, ficou prestando atenção.  Examinou realmente o que acontecia.  O tipo não é idiota, escolhe as esquinas que tenham menos câmeras de vídeo, ou se tem, ele deve saber que não funcionam. Foi subindo a rua, anotando mentalmente as esquinas usadas, outro detalhe era que usava só um sentido da rua, porque um que queria comprar estava de carro, fez uma coisa errada, fez uma manobra mudando de lado.  Se tivesse um guarda de transito, levaria uma multa.

Andou uns dez quarteirões subindo, depois trocou de lado, para ir memorizando a cara dos jovens que estavam ali vendendo o que fosse.  Realmente do outro lado não tinha nada suspeito. Estava tão entretido nisso, que quase passa a rua da delegacia.  Deu uma volta no quarteirão para observar, nada, ou seja perto do quartel de polícia nada que levantasse suspeita.

Quando entrou mostrou sua nova placa, ao chegar na sala, só tinha um jovem trabalhando, se apresentou, era um do turno de noite que estava finalizando um relatório.

Perguntou aonde conseguia um mapa da avenida.   Jasper era seu nome, tirou um da gaveta, ele agradeceu estendeu o mesmo num quadro que estava ali, começou a sinalizar todas as esquinas que estavam ocupadas.

Jasper, perguntou se eram os pontos de venda da nova droga?

Sim, fiquei observando todos os pontos, para ver por que dessas esquinas.  Tem sistema de vigilância, mas creio que deve saber que não funciona.

Veja isso, estou redigindo o relatório do último que atendi de noite, encontraram um jovem, totalmente drogado, sangrava horrores, pelas calças, os sanitários, lhe abaixaram a mesma, vinha do anus, ou foi abusado, ou a droga faz algo no estomago dessas pessoas, quando o iam colocar na ambulância, já estava morto, não devia ter mais que 18 anos.

Agora de que discoteca vinha, nunca saberemos.

Fiz foto do rosto para pedir que as pessoas perguntem pelo bairro.

A cara refletia dor.

Jasper estava revoltado, pedi que levassem para fazerem autopsia, os da cientifica a estas horas da manhã, odeia atender, pois estão terminando o turno, mas pedi que examinassem o estomago, o nível ou quantidade de drogas e bebidas que estão misturadas.

O sujeito só me faltou chamar de filho da puta.  Pedir tudo isso quando terminava o serviço, lhe disse que ia esperar o resultado.

Jasper, como podemos saber que câmeras, funcionam ou não?

Boa logica, o ano passado por contenção de despesas, se propuseram a fazer isso, um quarteirão sim, outro não.  Nisso só contamos com se alguma loja ou cafeteria nessas esquinas tem um sistema de vigilância.  Porque a maioria como tinham os da rua, também relaxaram a respeito.

Dessa em concreto, tem uma cafeteria aonde tomei café e fiquei observando o outro lado, foi anotando no quadro, o sujeito, tem um sistema, troca de carro, mas a placa é a mesma, pois fiz uma foto ontem que passei para o Roger, hoje fiz outra vez.

Mas logo de manhã falando mal de mim, disse o Roger desde a porta.

Repetiu o que tinha falado com o Jasper.

Beat fez um mapeamento dos lugares que vendem, tem sempre uma boate ou discoteca ou ponto de encontro por perto.  Mostrou as fotos do rapaz que tinha morrido, contou como tinha sido, a cara do Roger era de raiva.

Comentaram tudo, agora é esperar o resultado da autopsia.

Eu conheço esses dois lugares, vou dar uma olhada, já que esta aqui perto, para ver se tem as câmeras de vigilância funcionando, já volto.

Jasper é um bom detetive, sinalizou Roger, quando ele saiu.  Talvez esteja assim, pois seu companheiro, morreu nas drogas, como tu, sequer bebe.    Pior que o mesmo era um policial, ninguém, nem ele suspeitava que o mesmo se drogava.   Segundo Jasper tinha pesadelos impressionantes, por ter estado muito tempo nas putas guerras que este pais se mete.

Bom voltemos, tens razão, o carro é roubado, a placa, para nossa diversão, é dessas que as pessoas podem mandar fazer, tipo eu estive em San Francisco.   Fui me informar, o que está escrito mais ou menos isso, eu tenho felicidade.

Bom como não sabemos o nome dessa droga, usemos esse, felicidade.

Mostrou as fotos que tinha conseguido fazer com o móvel, Roger passou para o computador, foi ampliando, o que conduzia também era extremamente jovem, mas se vida que tinha melhor vida do o que vendia.

Roger buscou na base de dato, mas não aparecia nada.

Jasper voltou, com duas gravações, o que fica justo ao lado da esquina que você sinalizou, disse que o mês passado, lhe romperam duas vezes a câmera, que então, escondeu justo dentro de seu letreiro, da rua não se vê.

Me cedeu as gravações, mas tive que comprar outro cd para ele.  Diz que o sujeito ou sujeitos que ficam ali, vão sendo trocados durante o dia, vejam. Foi adiantando rapidamente, num determinado momento, ele viu o amigo do Brown.  Este distraia o que vendia, lhe roubava uma bolsa cheia, o mesmo ia atrás dele.  Deixando o seu lugar vazio.

Podia ter sido o que o tinha matado.   Mas depois não aparecia outra vez no vídeo.   Já sabiam a quem tinham que procurar, podia estar em alguma outra esquina.

Começaram a olhar o que se passava no momento, o localizaram, viram aonde inclusive aonde escondia a droga.

Jasper saiu com dois carros, em uma hora, já estavam com ele fichado, na sala de interrogatórios.

Repetia sem parar, ele vai me matar, ele vai me matar, ele vai me matar.

Acho que sim lhe soltou o Beat, sentando-se na sua frente, ontem deixaste um negro te roubar vários pacotes, hoje a polícia te pega.  Como vais explicar isso.

Como sabem do de ontem?

Isso nunca saberás.  Agora me conta que aconteceu quando foste atrás do mesmo.

Viu que ficava aterrado.

Esse é meu primeiro trabalho, acabo de sair do reformatório, vem esse viado me rouba, assim não pode ser, quando entrei atrás dele no apartamento, disse que não tinha dinheiro, tirou toda a roupa dizendo que já tinha tomado algumas pastilhas, que eu podia penetrar nele quanto quisesse para cobrar as mesmas.

Eu queria o que ele tinha roubado, na luta, acabei lhe cortando o pescoço, pois se negava a dar, estavam no bolso de sua calça, se espalhou tudo pelo chão, quando escutei um grito do outro lado alguém via tudo pela janela, fiquei apavorado, dei no pé.

O Chefe me obrigou a trabalhar a noite inteira sem descanso para pagar pelo que aconteceu, agora piora, pois vocês tem a droga.

Colocou na frente dele, a foto do rapaz, perguntou se tinha vendido para ele.

Sim, o que aconteceu, com esse eu não fiz nada.

Mostrou as outras fotos do mesmo, se esvaindo em sangue.

Sabes de aonde ele vinha?

Não, temos ordens de vender, mas não de falar com a pessoa.

Esta proibido, por isso vamos sempre trocando de lugar, tudo que sei é que os clientes são todos gays, pois parece que lhes aumenta o prazer anal.  Foi o que me disseram.

Ok, vão te fichar.

Temos que pedir que na autopsia do de ontem, façam um exame do estomago.

Para isso vim aqui, entrava o chefe com o doutor da grupo da cientifica estava ali.

Esse rapaz tinha os dias contados, mostrou toda a zona da faringe, parecia um papel, o estomago era igual.  Essa droga tomada continuadamente tem o poder de matar por dentro o consumidor, mandei analisar todos os componentes da mesma, para saber.

A coisa é mais complicada.

Mostraram para ele, a maioria dos consumidores são jovens.

Nisso tocou o telefone da mesa do Roger, tem no hospital dois casos do mesmo, dois jovens que sangram pelo anus, pediu ao Jasper que fosse até lá, vê se compraram por aqui, ou se compraram nas discotecas.  Se já chegaram a isso temos um problema grande pela frente.

Temos que pegar esse do carro, perguntou ao rapaz preso, quanto tempo ele levaria para aparecer outra vez.

Dentro de 45 minutos disse olhando o relógio, isso se alguém não lhe avisou que estou preso.

Beat, montou com Roger uma operação, levou o rapaz, lhe colocou uma coisa no pé, assim ele não podia mover-se, eu fico do outro lado, um carro viria descendo a rua, outro lhe fecharia pelo outro lado.

O rapaz estava certo, o mesmo tinha outro carro, com a mesma placa, chamou o rapaz, ele deu sinal, o primeiro carro parou na frente dele, ele tentou dar marcha atrás, mas bateu no seguinte, no que ia sair do carro, Beat, lhe apontou a arma.

O algemarão, mesmo tempo todas as esquinas, sinalizadas prenderam os rapazes, bem como conseguiram requisitar as drogas.

Todos tinham mais ou menos a mesma idade, descobriu que se conheciam do mesmo reformatório.   O do carro, apenas era mais um deles, disse que tinha um ponto de encontro, que devia estar ali dentro de uma hora, lhe abasteciam, lhes dava o dinheiro, ele trocava de carro, fazia justamente isso, disse que um deles, enquanto fazia as trocas, se encarregava de trocar as placas.

Pediram a descrição dos mesmos.

São como nós, mas são gente rica, têm um puto carro do ano.  Descreveu mesmo, bem como a placa.

Meu trabalho é só esse, distribuir, recolher dinheiro.   Todos estivemos no mesmo reformatório, não sei como nos descobriram.

Como no último carro, os vidros traseiros eram tintados, iria o Beat atrás, com uma arma, os outros se esconderiam.  O lugar marcado, era como um estacionamento, havia uma grande empresa perto, era fácil, roubar um carro, usar durante algumas horas, trazer de volta, pois a placa estava só por cima da outra.

Armaram uma cilada, na hora certa, entrou com o sujeito, que tremia como vara verde, de medo, já vi um deles matar outro sujeito porque não levava o dinheiro certo.   Ontem tive que colocar do meu, pois um dos garotos foi roubado.

Beat não comentou nada do assassinato.

Jasper que tinha se unido, disse que um dos rapazes do hospital tinha morrido, o outro estavam tentando salvar, o que tinha sabido, era que tomavam essas drogas a uns 15 dias, compraram nas ruas.

Quando entrou o carro por um lado, não repararam que lhes fechavam as saídas.  Desceram os dois do carro, se viam realmente que eram filhinhos de papai.   Estavam na última, o carro era importado.

Quando tentaram fugir era tarde, tinha uma arma na cabeça.   O carro estava com muitas bolsas da droga.   Ficaram rindo, nossos advogados nos livrarão.

Na delegacia o primeiro que disseram era que queriam um advogado.  Já tinham as fichas, os dois estudavam química, na casa de um deles, uma mansão que precisava de reparos, encontraram o laboratório.

Quando o advogado chegou, disseram que era um montagem da polícia.  Tinha ido bem-preparados, inclusive tudo tinha sido filmado.

A cara do advogado era ótima.  Pior quando soube que quantos jovens tinham já morrido pela drogas, até agora, temos seis, estamos verificando nos outros hospitais.

Foi um momento cômico, pois um virou para o outro dizendo, não te disse que esse produto químico podia dar efeitos colaterais, um tentando jogar a culpa no outro.

O que tinha o advogado, a coisa ficou feia, pois era filho de um dos juízes mais importante da cidade, quando este entrou, tipo, como ousam prender meu filho, escutou toda história, foi ficando com uma cara impressionante, principalmente quando viu os mortos, como morriam sangrando pelo anus.

Filho da puta, soltou para seu filho, te dou tudo, assim me agradeces.

Só queríamos ganhar dinheiro para montar uma fábrica de prazeres.   O homem deu um murro na mesa, pois agora estarão os dois cheio de prazeres, pois serão julgados, serão carne fresca nos presídios.  Não moverei nem um dedo para os ajudar, disse ao advogado, estas fora disso, vamos embora.   Roger, perguntou quem era o pai do outro rapaz, aonde tinham a fabriqueta.

Essa casa é da mãe dele, se divorciaram o pai, soltou o nome do mesmo um dos políticos influentes da cidade, candidato a senador.

Espere, lhe chamo, pediu que viesse até a delegacia, não disse por quê.

O homem montou o maior escândalo, queria que soltasse o filho.  Mas isso já era impossível, pois tinham dois fiscais já tomando conta do caso. Quando soube das mortes ainda soltou, que falta faz uns veados a menos nas ruas.

Pois veado sairá seu filho da prisão, depois de ser carne fresca na mesma.  O sujeito era tão filho da puta, que começou a colocar a culpa na mulher.

Não sabia que o estava gravando, pois estavam na entrada da delegacia, aí já era tarde, mas não mandou nenhum advogado defender o filho.  De noite já saia em todas as notícias, o chefe pedindo para quem tivesse comprado, não consumisse, mostraram o que acontecia.

Ficaram até tarde, Beat teve uma ideia, chamou o Roman, falou com ele, que reuniu em sua boate, todos os donos, ou gerentes das que havia por ali.  Comentaram da drogas, mostraram os efeitos, até agora contamos quase 10 pessoas ingressadas, estamos revisando todas as urgências, podem ter pessoas que consumiram que ainda não tiveram efeito.  Por isso gostaríamos que vocês tomassem cuidado, algum louco pode tentar passar isso nas discotecas, ou boates.

Ele voltou com o Roman para casa, estava exausto, a puta porta estava aberta outra vez, hoje mandei colocar um cartaz pedido que fechem a mesma, escutaram gritos do andar de cima, correram, um rapaz jovem passou correndo por eles, dizendo está louco.  Quando chegaram na porta do apartamento, estava o rapaz da livraria, com uma faca na mão, segurando o pescoço do escritor, estava furioso, vi o livro, nem sequer foste descente, podias ter mudado meu nome, mas não, lá estava o mesmo inteiro.  Acabaste comigo, agora vou acabar contigo.

Roger fez sinal para que Roman seguisse falando, foi se aproximando pelo outro lado, até que conseguiu pegar por detrás a mão com a faca.

Nisso o escritor virou um herói. Ia levantar a calças, mas Roman estava filmando com o celular, isso se não retirares imediatamente o livro de circulação, vou mandar para os canais de televisão, jornais, revistas para as que trabalha, contando como consegues as histórias dos rapazes, todos menores de idade, não tenha dúvida, que ainda irei contar que me deves dinheiro do aluguel, porque vive pagando para esses rapazes comerem seu cu fedido, em vez de pagar o que deve.

A cara do outro era de fúria.   Não terás coragem.

O mesmo nunca tinha visto o Roman furioso.   Hoje lidamos com gente que é como tu, lixo, de lixo estou de saco cheio.  Tens essa noite para sair do apartamento, porque senão, eu mesmo jogo tudo na rua, como me deves dinheiro, requisito teu laptop, como pagamento, o pegou na mesa, foi saindo, viado desgraçado.

Beat, pegou o rapaz pelo braço, subiu com ele para seu apartamento, o fez sentar-se numa das poltronas, conversou com ele, começou como sempre, a violência nem sempre é a melhor solução, o ias matar, quem ia pagar a consequência eras tu.

Tudo isso era uma encenação, o rapaz que saiu, era meu conhecido, eu subi me escondi, sei seu modo de agir com os garotos, os convida para tomar uma bebida aqui, ao mesmo tempo que dá o cu, pede que lhe conte sua história, as grava, pois o laptop estava acesso, depois a usa para contar nos jornais de merda que escreve, colocar no seu livro.   Eu vi hoje no jornal, minha história, o desgraçado, como fosse um fundo de verdade, nem meu nome escondeu, inclusive aonde trabalho.  Tinha lhe contado dos abusos que sofri em casa, tudo isso.

Agora terei que desaparecer.

Nada disso, enfrente, vou conseguir ajuda para ti, não se preocupe.  Este sujeito desde o primeiro dia não me caia bem.

Tem coisas piores, contou dos rapazes mortos, por causa de uma droga nova, que dois idiotas tinha inventado, para ganharem dinheiro, para fazerem futuramente uma festa chamada felicidade, aonde todos tomavam a mesma, depois se ofereciam os melhores prazeres sexuais.

Caralho, realmente isso é o pior. 

Sabe o que vai acontecer, amanhã isso estará nos jornais, bem como na televisão, nem vão notar a tua história, já passou a ser passado.   Se alguém falar do teu, ou for ao teu trabalho, manda tomar no cu.  Não passa nada, ou chama a polícia que alguém está te incomodando.

Puxa com você a coisa é mais fácil de encarar.   Isso pode inclusive me chamar, estou louco mesmo para acertar a cara de algum sujeito.

Mudando de assunto, arrumei duas estantes que podem servir para ti.  Não tenho quem me ajude.

Pedirei ao Brown para te ajudar, mostrou seu ferimento que lhe impedia de fazer força, mas tenho isso, bateu com o dedo na cabeça.

Escutaram um ruído, era o jornalista arrastando as maletas para ir embora.  Tinha parado no apartamento do Roman, queria seu laptop de volta.

Beat desceu rapidamente, quando o viu o outro ficou nervoso.  Roman, me entregue o laptop, pois o garoto que ele gravou era menor de idade, ele se quiser o laptop, deve ir buscar na delegacia.  Melhor ir acompanhado de um advogado.

Tiraste todas as merdas do teu apartamento. Nisso parava um caminhão de um guarda moveis, isso deixe tudo vazio, garanto que alugo rápido.

Enquanto faziam isso, ele conseguiu uma escada com o Roman, creio que fazia ele a porta estar assim, pois facilitava a entrada e saída de menores.  

Quando do guarda moveis saíram, ele ficou arrumando a porta, Brown com o rapaz vinham com a primeira estante, enquanto foram buscar a segunda, ele foi levando as caixas de livro para o salão, depois os dois o ajudaram.

Peter que entendia de livros, perguntou como ele arrumava os livros.

Sei lá vou lendo, colocando sem prestar atenção, mas depois me dá dor de cabeça procurar.

Vou separar o que são livros policiais, dos que são para consulta, os coloco em ordem alfabética.

Brown ia ajudando, lhe deu dinheiro para que fosse embaixo buscar algo para eles comerem, pediu que trouxesse água para ele, eles podiam beber o que quisesse.

Quando Brown desapareceu, lhe disse ao Peter, esse ai é um bom rapaz para ter uma relação, faz shows, para alcançar seu objetivo, se tiver alguém como tu ao seu lado, podem os dois chegarem longe.

Depois viu que os dois realmente tinha uma certa cumplicidade.

Antes de ir dormir, recebeu uma chamada do Roger, com o caso, fui promovido a chefe do departamento, que te parece ficar com o Jasper como companheiro, vi que vocês se deram bem, tem sintonia, basicamente o caso foi resolvido pelos dois.

Falamos amanhã.

Foi outro dia que caiu na cama morto, despertou de madrugada com frio, tinha deixado a janela aberta, começava a esfriar de noite.

Desceu cedo, fez todo o trajeto, rua acima e abaixo, para ver se tinha alguém nos pontos aonde vendia comprimidos.

Pelo menos teremos um tempo de paz.

Quando chegou na delegacia, soube que o filho do juiz estava internado, estava sangrando como suas vítimas.

Passariam todos hoje para a prisão do Fórum, aguardando vista do juiz.  Melhor Roger, seria saber se os que vendiam tomavam a mesma, melhor prevenir.

Agora tinha uma mesa ao lado do Jasper, ele deixava o turno de noite, para ser seu parceiro, estava feliz, pelo menos uma coisa boa.

Preciso sim arrumar um apartamento, perto daqui, pois o meu fica longe, para vir, pego um trafego desgraçado.  No turno de noite sem problemas, pois fazia sentido ao contrário.

Tem um que ficou vago ontem no meu edifício, contou a história, imagina o sujeito se metia com os menores de idade para saber sua história para conta-las para um jornaleco sensacionalista.

Espera, vou ver se Roman esta desperto, assim na hora do almoço podemos ir até lá.

Na verdade não tenho muita coisa, até um quarto resolvia o problema.

Bom se queres experimentar, ontem acabei de esvaziar o quarto da frente, posso te ceder, mas tenho hábitos um pouco raros.

Telefonou para o Roman, claro, tenho agora os pintores, limpando, pintando as paredes que estavam sujas.   Se for bonito como tu, fecho a boate, viverei dos policiais.

Quando foram ver, Roger estava com as crianças na frente da livraria, foi com eles para ver o apartamento.

Roman, fez uma festa com as crianças, riam com as brincadeiras dele. Jasper gostou do apartamento, é um pouco maior que o meu, mas ficarei perfeitamente aqui.  Assim posso fazer uma coisa que quero a muito tempo, ter uma sala para ler.

Venham ver o meu, subiram com o Beat.

As crianças, corriam pelo apartamento, Roger ria, no nosso, temos muitos moveis, quando fazem isso, acabam metendo a cabeça em algum lugar.

Para descerem, Roman, desceu com um deles nos braços.  Já o chamavam de tio Roman, soltou na gozação, vou fechar a boate, abrir um jardim de infância.

Roger lhe disse que era melhor continuar com os mancebos complicados, pois as crianças davam muito trabalho.

Jasper ficou com o apartamento, ele aproveitou lhe apresentou o amigo da loja de comida embaixo.   Roger era cliente de lá.

Devias fazer um cartaz, colocamos na delegacia, muita gente compra comida ao meio-dia, inclusive podiam fazer encomendas, mandava entregar.

Obrigado Beat, sempre foste genial comigo.

Ia mostrar a foto, mas Beat lhe disse, não a quero ver mais, pois a metade daí já morreu, nas drogas.

Bom pelo menos agora, teria seu companheiro de patrulha estava perto.

Passaram-se meses, estava louco para ter uma saída para dançar, cobrou do Brown, um dia foram os dois ver o show do Roman.

Jasper disse que ele não ria das piadas.

Vai parecer que sou preconceituoso, mas não gosto deste tipo de piada, sobre os gays.  É uma vida dura, fazer piadas me parece de mau gosto.

Saíram para dançar, viu que o Peter estava esperando fora, para ir junto.  Riu muito, pois via que entre eles havia química.

Então foste a celestina entre esses dois, soltou o Jasper.

Na pista de dança, se esbaldaram, Jasper era como ele, adorava o ritmo, se divertiram muito, alguns se aproximaram para ligar.  Nas não estavam interessados.

Na hora que voltaram, viu que Brown estava já vivendo com o Peter, comentou isso com o Jasper, nunca vivi com ninguém, gosto do meu espaço.  Gostaria de ter um relacionamento, mas que fosse uma coisa séria, mas veja o Roger, menos mal que agora é o chefe, tem dois filhos, isso vai complicando a coisa.

O apartamento do Jasper tinha ficado interessante, ele mesmo tinha pintado uma das paredes da sala de outra cor, no antigo apartamento, tudo era apertado, aqui tenho espaço.

Se despediram, rindo, sinto tesão por ti Beat, mas isso ia estragar o outro lado, que é o que gosto, de trabalhar contigo.

Nem posso pensar em te beijar, porque sei que rolaria alguma coisa.  Me dá um certo medo não saber separar as coisas.

Tens razão, vamos dar tempo.

Beat foi designado pelo departamento para fazer um curso em Quântico de perfilhador, foi ficou dois meses, queriam que ficasse lá, mas disse que nem pensar, estava satisfeito aonde estavam, mas um dos motivos foi que um dos professores fez uma brincadeira, que tinham alguém de uma delegacia gay de San Francisco.

Nesse tempo Jasper conheceu um advogado, estava enamorado, o outro queria que ele fosse viver juntos, mas tinha uma péssima experiência nisso.

Seu trabalho agora era mais de acompanhar os casos complicados, não gostava muito, embora se saísse bem no assunto.

Tinha sentido pela primeira vez falta de sua casa.  No dia que chegou, se encontrou com Roman, que soltou-lhe logo na cara, porra me senti abandonado por ti, logo agora que me apaixonava.

O abraçou rindo, rapaz fizeste falta.  Contou que o romance do Brown ia em vento popa, tinha conseguido uma bolsa de estudos, para o Ballet da Cidade, agora já não dançava mais no Club, na verdade mal o vejo.  Sei dele pelo Peter.

Roger também fez uma festa, pois tinha sido ele que o indicou, fez milhões de perguntas sobre o cursos, tenho que tirar dúvidas contigo.   Perguntou dos garotos?

Enormes, tenho medo quando chegue a adolescência, pois fui um terror nessa época, meus pais que o digam, reconheço que devo ter sido insuportável.

Já sabes então como lidar com a situação, olhe o teu exemplo, contorne o assunto.

Ah, tem um livro que procuravas, que o Charles conseguiu para ti.

Passou pela livraria, justamente era sobre um assunto que tinha lidado muito durante o curso, pois abordava a análise de aonde tinha saído a pessoa.

Estava com ele na não, quando um homem ao seu lado observava, que lia a contracapa, se virou como dizendo algum problema.

Estou interessado também no livro, sou psicólogo, estou lidando com um paciente complicado, queria me informar a respeito.  Ele ficou de boca aberta, olhando o outro.

Não me reconheces Jerome?

Sabes o meu nome?

Saíste uns dois anos antes de mim do orfanato?  Eras considerado o melhor aluno da escola externa que ia.

Sim, com isso consegui uma bolsa de estudos, para estudar, vim acabar aqui, agora sou psicólogo de um reformatório de jovens complicados.   É muito difícil, como passei aqui, vi que encomendavam livros, ia perguntar por esse.

Chegas tarde, disse brincando, eu acabo justamente de fazer um curso a respeito, a mim só me interessa um capitulo, posso ler, em seguida passo para ti.

Queres um café, era final de tarde, ficaram os dois conversando, como tinha sido a vida depois do orfanato. 

Jerome o tinha defendido algumas vezes das brincadeira dos maiores. Comentou com ele, se lembra que faziam gozação comigo, porque eu ficava sempre esperando a minha mãe, ela tinha me deixado na porta, dizendo que voltaria para me buscar, mas nunca apareceu.

Um dos motivos por que comecei justamente a procurar esse livro, pois normalmente nos que viemos do orfanato, a maioria não sabe de aonde saiu.    Isso as vezes é estressante, pois te tens milhões de perguntas sem respostas.  Nesse livro tem justamente um capítulo sobre isso.

Pois é, eu ao contrário, tinha lembranças, pois vinha de uma família disfuncional, pais alcoólatras, tinha um irmão mais velho que tinha problemas, me pegava quando garoto, depois o procurei, quando sai, estava num manicômio, tentei me aproximar dele, mas continuava muito agressivo.    A última vez que o visitei, parecia um velho, muitas medicações para controlar toda essa agressividade resulta nisso.   Pelo uma vez ao ano vou, para saber dele.

Quanto aos meus pais, nunca souberam me dar informações, talvez por isso, tenho horror a bebida, bem como as drogas.

Para mim o orfanato foi um oásis de paz, em comparação com a casa que vivi antes de nascer, quando queriam me adotar não podia, eu tampouco queria voltar a ter uma família, ficava analisando as pessoas que iam buscar órfãos, tinha a sensação que sempre tinha alguma coisa por detrás.

Agora mesmo tenho um rapaz, que passou por mil casas de adoção, mas foi abusado em todas, inteligente, se tivesse uma família, poderia ir em frente.

Está lá, porque quase matou um velho que o tinha adotado, agora como já era mais forte, se defendeu quando lhe quis meter a mão.

Venha um dia conhecer os rapazes, creio que vais te lembrar da nossa época das conversar com irmã Eugênia, lembra dela, nos reunia, para conversar, falar do que sentíamos.

Trocaram endereços, amanhã tenho o dia livre, posso ir aonde trabalhas, o que achas.

Apareceu logo cedo, sem saber por que sonhou com um garoto que lhe pedia ajuda.

Mal entrou, se sentiu observado, viu um bando de garotos olhando por uma janela com grades, isso não existia no orfanato.

Jerome lhe mostrou as instalações, algumas vezes sou obrigado a dormir aqui, todos fazemos plantão, depois o levou a uma sala aonde estavam reunidos, os professores, psicólogos, conversou com eles.

Mas o que impactou mesmo, foi para uma sala com Jerome, para uma seção, em que estavam esses conflitivos, todos ficaram olhando para ele, mas o mais interessante, ali estava o garoto do seu sonho.   Era loiro, olhos azuis, tinha a marca de um murro no olho, bem como o lábios cortados.

Te meteste outra vez em confusão Rob?

Jerome, tentaram outra vez me pegar na minha cama, mas nunca mais vou permitir que abusem de mim.  Agora já sou maior, posso me defender.

Apanhei, mas também o outro levou.  Se virou para ele, disse, sonhei essa noite que vinhas, me tire daqui por favor.   Depois abaixou a cabeça ficou chorando.

Alguma coisa mexeu na sua cabeça, olhando o garoto, se lembrou dele mesmo quando tentaram lhe abusar, tinha sido um padre que vinha dar missas.   Ele nunca ia assistir, o mesmo veio conversar com ele, começou passando a mão na sua cara, mas a estas alturas, já sabia das coisas, quando o outro avançou, lhe deu um chute nos ovos, que ficou ali no chão gemendo, contou tudo para a irmã em quem confiava, na semana seguinte quem vinha era um velho.

Mas nunca gostou de igrejas.

Depois comentou com o Jerome, que ele também tinha sonhado com o garoto, não sei por que parece que tem as feições de minha mãe. Que é tudo que me lembro.  Qual a idade dele?

Vai fazer quinze, ficara aqui até ter 18, as vezes morrem nas brigas pelos que querem o poder do local.   Os garotos que você prendeu, saíram todos daqui, como foram parar vendendo drogas não sei.   Mas é o que acontece com a maioria.

Posso conversar com ele em particular?

Sim, mas cuidado.

Não se preocupe, sei analisar uma pessoa.

O rapaz entrou, estendeu a mão Rob Wilson, sentou-se jogando na cadeira.

Entras, outra vez, te apresentas, mas senta direito, ficou esperando, sem dizer uma palavra.

Em silencio esperou.  O rapaz se levantou fez o que ele tinha dito.

Como podes pedir minha ajuda, se te comportar dessa maneira.

Olhou para ele, foi franco, sabes quando te sentes perdido, que nada parece importar, só não quero que toquem em mim.  Às vezes me olho num espelho que tem no banheiro coletivo, se tivesse uma navalha, cortava minha cara para deixar de ser bonito.

Se te pedisse paciência terias?

Porque ia ter paciência, sinto que minha vida me escapa.

O que gosta de fazer? Mudou o rumo da conversa rapidamente.

Bom a biblioteca daqui nem sempre tem os livros, completos, alguns arranca páginas, a primeira surra que levei aqui foi por isso, perguntei a um que o fazia, o porquê?

Me respondeu, que as verdades que o livro falavam, eram só para gente que tinha família, ele não tinha nenhuma, tinha dormido na rua durante anos, passado fome, angustia, e vinha um filho da puta, dizer que a vida era bela, que o sol brilhava para todos.

Me pegou, agora me diga, a vida é bela.

Aonde gostaria de viver?

Num lugar que pudesse estudar, ser alguém, pudesse ler livros que me interessassem, seguir em frente, deixando toda essa merda.   Mas cada vez que me recolheram no orfanato, acaba no mesmo, abusos, atrás de abusos. Quando reclamava era pior.

Vou tentar te ajudar ok.

Pediu ao Jerome, quem era o contato dele, que tinha cuidado de suas adoções.

Esse lhe deu sua ficha, não posso dizer, mas leia e verás que é sempre a mesma pessoa.

Era uma mulher.  Anotou o nome.

Pediu ao Roger um dia para resolver um assunto.

Foi até o departamento responsável, perguntou pela pessoa, lhe disseram que não podia atende-lo, ele só mostrou sua placa, imediatamente mudaram o comportamento.  Uma mulher o levou até a outra.  Estava sentada numa mesa, cheia de doces em cima, muito gorda.

Perguntou se ele era responsável por Rob Wilson?

O que esse garoto fez agora, sempre que consigo um lugar para ele ficar, me dá problemas.

A senhora o conhece?

Pessoalmente não, não temos tempo para isso, mostrou uma pilha de papeis, mal consigo afastar a bunda dessa cadeira.

Eu imagino, pois chegara o dia que nem se levantar vai poder.

Ela não entendeu.   Quem é o juiz responsável pelo rapaz.

Nenhum, aqui os casos só vão para os juízes de menores, quando é necessário.

Por favor me dê uma cópia de seu processo, vou cuidar desse garoto.

Isso se eu quiser.

Quem é o chefe geral aqui.

Apareceu um homem alto magro, sou o chefe.

Estou pedindo uma cópia de um processo, a senhora, gorda como um elefante, que deveria estar na rua, para saber como andam as pessoas que ela dá em adoção, em vez de ficar aí comendo como uma louca, me diz que só se ela quiser.

Posso perfeitamente ir a um juiz, mandar prender essa senhora, por desacato a autoridade.

O chefe, tirou o processo da mão dela, já não estas com esse caso, pegou a pilha que ela tinha em frente, o resto também, estou farto de falar contigo, estas despedida.

Fora daqui bicho gordo.

O levou para sua sala, tenho esse problema, a maioria aparece para trabalhar aqui, vinda da mão de algum político, querem sombra e agua fresca, salário no final do mês.

Pode ler o processo.

Aqui não fala dos abusos que esse garoto sofreu.   Nem porque ela o mandou para um reformatório.

Quem é o juiz responsável por esses processos. Estava tão furiosos, tirou o celular do bolso, ligou para o Roger, disse aonde estava, se ele podia vir, pois estava perdendo o controle diante de tanta burrada.

Roger levou quinze minutos em chegar.

Falou com ele, olhe esse processo, esse garoto a cada casa que vai, sofre um abuso, não consta nada aqui, quem era responsável por ele, era uma gorda, que nunca saiu de seu cubículo, como diz seu chefe, indicada por algum político.

Quero retirar esse garoto do reformatório, imediatamente, dizem que só posso ter um audiência com um juiz, dentro de um mês.   Já lhe pegaram tantas vezes lá, que é possível que dentro de um mês nem esteja vivo.

Calma, falou com um juiz, esse imediatamente, disse que mandava uma auxiliar, ir buscar o processo, que estava farto desse departamento.

Foram juntos com a mulher que veio.  O juiz era simpático, da idade dele.

Viu que ele ficava admirado de sua juventude.

Não se preocupe, com toda a merda que vejo todos os dias, ficarei velho antes do tempo.

Estendeu a mão, Matt Smith.

Greg Beat, senhoria.

Ah o detetive que no primeiro dia de trabalho, acabou com esses filhinhos de papai que estava experimentando vender drogas, para ver como funcionavam.  Um acabou morrendo, o outro está até hoje em prisão preventiva, porque o pai faz tudo para bloquear.   Político tem essas merdas.  O mesmo já sofreu dois abusos dentro do sistema, o pai cada vez faz mais escândalos, perdeu a eleição como queria, ser senador.   Agora sabemos que o FBI está atrás dele também.

Sempre é a mesma merda.

Bom que posso fazer por ti?

Não vou esconder nada, o senhor sabe que sou gay, pois se estou nessa delegacia tem isso, vivo sozinho, mas meu apartamento tem um quarto vazio aonde poderia receber esse garoto, posso lhe dar escola, bem como ajuda, para que tenha um futuro.

Isso é tudo que posso prometer.   No mesmo edifício, já para que saiba, vive um outro companheiro da delegacia, o proprietário é dono de uma boate. No andar de baixo tem uma loja de comida de um companheiro de orfanato.

Ah viveste num orfanato?

Sim, até sair, me negava ser adotado, porque no dia que minha mãe me deixou lá, disse que voltaria para me buscar.    Um dia tomei consciência que nunca voltaria.  O psicólogo do centro aonde está o rapaz, também foi desse orfanato.

Então vamos fazer uma experiência, ficas com a guarda dele três meses, se funcionar, te dou em adoção, a senhora que os trouxe até aqui ficará responsável por verificar se tudo corre bem.

Mandou que ela preenchesse o papel.

Ele enquanto isso, passou a mão no celular, falou com Roman, meu amigo preciso de um favor teu, mande alguém comprar uma cama, bem como roupa de cama, para o quarto que tenho vazio, sei que tens uma chave do apartamento, por favor, faça isso por mim.

Acerto em seguida contigo o dinheiro.

Já era quase noite, quando saiu do centro com o Rob, este estava feliz da vida.  Falou serio com ele, te dou uma chance, não me falhe, senão voltas para cá.

Sim senhor.

Pode me chamar de Beat, como todo mundo. Ok.

Ia sentando no velho carro ao lado dele. Só tinha uma mochila.  Tenho uns dias de folga para tirar, já pedi ao meu chefe Roger, vamos arrumar uma escola para ti, comprar roupas, fazer exames médicos, tudo isso, espero que confies em mim.  A auxiliar do juiz que me deu tua guarda ira aparecendo de surpresa para saber que vai tudo bem, por isso, não cometa asneira. Sabes que sou da polícia, sou dos bons, então te comporte.

Primeiro, sente-se direito no carro, vão pensar que eres um traficante.

Ele se arrumou imediatamente.

Quando chegou em casa, o Roman, estava esperando, acabei de subir a cama, vamos ver se fiz direito, estendeu a mão para o Rob, sou Roman, vivo aqui no edifício. Ok, qualquer coisa, fale comigo.

Subiram, ele achou engraçado o apartamento ter poucas coisas, mas gostou da quantidade de livros que tinha.

O quarto era de frente, tinha mais ruído, mas com as janelas fechada abafava.  Ele quando viu a paisagem, disse oba, tens um lugar bonito Beat.

A roupa de cama, era simples, mas agradável.

Roman soltou, hoje descobri que era verdade o que o Brown falou de ti, que as toalhas de banho tuas, são velhos lençóis.

Sim secam melhor, no orfanato era assim.

Estiveste num orfanato também?

Sim senhor, até os 18 anos quando sai para ir estudar para ser policial.

Patrulhei muita rua, pode ter certeza disso, levei tiros também se queres saber.

Sou duro na queda Rob.

Bom temos um pequeno problema, não sei cozinhar, normalmente compro comida no meu amigo da loja de baixo, ele foi do mesmo orfanato que eu.

Ele antes de saírem para comprar comida, enquanto queria saber o quanto Roman tinha gastado, nada de me pagar agora, coloco no teu aluguel, quando mandar o mesmo para o banco.

Pelo menos já tinha uma geladeira pequena, Rob abriu, ficou rindo, só tem água?

Sim, eu não bebo, tampouco fumo, tenho horror a drogas, mais alguma coisa curioso.

Venha vamos buscar comida, pois estou exausto.

Enquanto desciam, perguntou se não tinha televisão?

Não, prefiro ler, depois quando chego em casa estou tão cansado, tenho que tomar cuidado para não dormir sentado.

Quando entrou seu amigo, saiu detrás do mostrador, sabes que as notícias correm por aqui, vi subindo moveis.

Bom esse é o Rob, vai viver comigo, por alguns anos, espero.  Diga-lhe que gosta de comer, viu que ele olhava o mostrador.  Uau, irei provando cada dia uma coisa, mas agora de noite, um bom sanduiche ia bem.  

As bebidas pega na geladeira.

Não na casa do Beat tem água, isso basta.

Vou fazer dois sanduiches como o Beat gosta, além de uma salada também, tens pratos Beat?

Beat ria, claro que não, sempre como na embalagens que me das.

Ele buscou dois pratos brancos, depois Rob, me trazes ok.

Envolveu os sanduiches nos pratos, a salada na embalagem.  Te coloco na conta ok, Beat.

Até logo colega.

Quer dizer que ele também viveu no orfanato?

Sim, era protegido da irmã que cuidava da cozinha, aprendeu o básico com ela, depois trabalhou em muitos restaurantes desde limpando, ajudante de cozinha, até conseguir dinheiro para abrir sua lojinha.

Tenho uma conta, pago no final do mês.  Não gosto muito de pizza, nem de comer porcarias, no final de semana, ele me prepara refeições, que guardo na geladeira, depois é só esquentar.

Lavou as mãos, ele fez igual, se sentaram um em cada poltrona.

Comeram conversando, ele estava curioso com os livros em volta da poltrona do Beat.

Leio vários livros ao mesmo tempo, por exemplo agora estou consultando como cuidar de um adolescente pesado.

Rob ficou olhando para saber se era verdade, Beat ficou rindo, é brincadeira.

Me conta como foi tua vida no orfanato Beat.

Bom um dia, não me lembro nada antes disso, minha mãe me deixou na porta disse que vinha me buscar, nunca veio, mas logo fiz meus amigos que alguns menos preparados já morreram, mas tem outro que está aqui perto, que cuida de um hotel, esse, tem uma filha, está casado, tem o daqui de abaixo, uns quantos em Los Angeles, todos como eu, tentando viver ou sobreviver.

Sei o quanto é duro.  Me lembro que ao princípio, chorava de medo de noite, algumas vezes morria de vergonha, pois quando ficava nervoso, mijava na cama.   Mas a irmã que cuidava do dormitório, me dizia para não ter vergonha, todos fizeram isso me dizia. Quando for assim venha me despertar, eu te ajudo a trocar a roupa de cama.  Com o tempo eu mesmo fazia minha cama.   Terei agora que comprar umas toalhas de banho para nós, já basta de ficar usando trapos.

Ah, o Roman deixou uma em cima da cama para mim.

Tens escova de dentes?

Não ficou tudo lá, mas eu uso os dedos amanhã, depois já se vê.

Ficaram conversando, viu que ele ficava mais relaxado.  Quando viu que estava com sono, foram até o quarto, precisamos comprar cortinas, pois tem muita luz da rua.

Não importa, até dá um colorido no quarto. Depois que eu fecho os olhos durmo.

Uma coisa para pensares, podes me falar de tudo que queiras, nunca tenha vergonha do que aconteceu contigo.  Antes de mais nada, o juiz sabe disso, eu sou gay, mas gosto mesmo é de estar sozinho, raramente tenho um namorado, quando muito uma aventura.  Mas te aviso ok.

Tampouco penso em abusar de ti.   Aqui estás em segurança.

Viu que ele não tinha pijama, iria anotar tudo para não esquecer.   Pediria ajuda ao Roman para isso.

Ficou de costa, enquanto ele se metia na cama, Roman tinha já comprado um edredom.

Foi para perto dele, deu um beijo na sua testa, seja bem-vindo em minha casa, bem como em minha vida. Durma bem.   Meu quarto é do outro lado, qualquer coisa me chame ok.

Ficou deitado na cama, pensando no que tinha feito, tinha sido tudo por impulso, mas ver aquele garoto dessa maneira lhe dava lastima.   Sabia que não tinha mentido para ele.

Ia tentar ser um bom pai, sem experiencia, mas tentaria.  Começou a rir baixinho, acabou soltando uma grande gargalhada, viu que Rob o olhava espantado da porta.

Lhe contou por que ria, Roger quando me contou que tinha filhos, fiquei espantado, quando falou do seu marido.  Depois conheci as crianças, ele dizia que Charles, era que estava sempre preocupado com eles, era mentira, é um puto pai.

Me perguntou se eu queria ser pai, lhe disse que “deus me livre”, amanhã tenho que falar com ele, vai fazer uma puta gozação, porque agora faço papel de pai contigo.  Vá dormir garoto que já é tarde, durma bem, desculpa ter-te assustado.

É verdade, parece que vou ser pai.

Os dias seguintes, voaram, aceitou ajuda de Charles com a escola para Rob, bem como orientação de como cuidar dele. Comprou uma geladeira maior, seu amigo agora preparava comida congelada, se ele não estivesse era só colocar no micro-ondas.  Tinha inclusive um trabalho, desde o momento que saia da escola, até ele passar para busca-lo, ajudava na livraria.

Segundo Charles, aprendia as coisas rápido.

Seu quarto agora, tinha uma poltrona, presente do Roman, bem como uma mesa para estudar, com cadeira giratória, presente do Jasper.  Umas cortinas também presente do Roman.

Ele mesmo tinha encontrado uma coisa que considerou um luxo, toalhas de banho de linho, que depois da primeira lavada, pareciam com os lençóis.

O melhor era a seção noturna, como chamava o Rob, os dois sentados, com a comida numa bandeja conversando sobre como tinha ido na escola, o que gostava de estudar, o trabalho na livraria que ele amava.  Na escola o único problema, como estava atrasado nos estudos, era que tinha que conviver com jovens que não tinha sofrido nada na vida, viviam para brincar, rir, planejar alguma festa.   Não encaixo, creio que vai ser assim também quando chegue a universidade.    Terei que escolher alguma coisa que as pessoas levem a sério.   O único com quem consigo conversar, era o tipo que todo mundo goza, porque é o mais inteligente de todos, foi ele quem me deu a dica de como levar os outros.   Lhe ensinei alguns truques para se defender, agora sentamos juntos para comer o lanche, ele quando olha os sanduiches que tenho, fica com água na boca, mas fazemos o seguinte, lhe dou metade do meu, ele metade do seu, perguntei que lhe fazia, me disse que a empregada.  Seu pai é um homem solteiro.

Esperavam a primeira visita da auxiliar do juiz, Rob queria arrumar a casa toda, ele disse que não temos que ser verdadeiros, nada de inventar mentiras, o tiro sempre sai pela culatra.

Quando abriu a porta, que estava ali era o próprio juiz. 

Fiquei curioso, como iam vocês, apertou a mão do Rob, meu filho disse que passe na loja embaixo para comprar um sanduiche que levas na escola.

Ah, eres pai do Bob?

Sim, me disse que lhe ensinaste a se defender.   Ele tem um QI altíssimo, mas sempre quis ser tratado como uma pessoa normal, podia estar numa escola especial, mas diz que tu rivalizas com ele.  Que a conversa dos dois é satisfatória, que tu nunca falas nenhuma besteira.

Estavam os dois sentados na poltrona, Rob, sentado no chão.

Ou seja não tenho muito que falar, já passei na livraria, aonde trabalhas, ele te dedurou em tudo, se matou de rir.   Perdão.

Falei com o senhor Charles, me disse que eres melhor do que acreditas.

Também já falei com o senhor Roman, parece que tens todo mundo comendo da tua mão.

Bom o Beat me diz que tenho que ser honesto com as pessoas, temos nossas reuniões todas as noites, para falar do que fazemos durante o dia, mas ele sempre esconde alguma coisa que acha que não pode falar.

Bom acho que agora tenho que conversar com ele.  Pode nos deixar a sós, depois vou conhecer teu quarto.

Vejo que estas fazendo bem teu trabalho.

Tirando o susto que lhe dei no primeiro dia, tudo bem.

Que susto?

Lhe contou da gargalhada, realmente no dia seguinte, na verdade a semana seguinte tive que aguentar a gozação do Roger, do Jasper, agora me chamam de papai Beat.

Mas quem me ajudou muito mesmo foi Roman, faço uma gozação com ele, dizendo que ele é a avó do Rob.   Me ameaça dizendo que o vai ensinar a andar de sapatos altos.

Se surpreendeu do que veio em seguida.

Já que nossos filhos são amigos, também poderíamos ser. Podíamos marcar saída os quatro, ou mesmo jantares, ou alguma coisa que eles gostem.

Isso em que plano?

No que queiras Beat, te venho observando desde longe todo esse tempo, eres confiável, teu pessoal te respeita, teus amigos igualmente.   O de aqui abaixo, foi sensacional, me disse que o Rob, pede para ele caprichar no sanduiche que comparte com meu filho.  Acha que um dia terá essa oportunidade, ter uma família, mas frisou bem que já pagou a metade do empréstimo que tem.

Sabe, gosto dessa sala, não tem nada a ver como a minha sala, foi decorada pela minha mãe, é uma mulher pesada.  Mas Matt, meu filho o chamamos de Junior em casa, pois dois com o mesmo nome fica difícil, tive um romance, querendo não ser gay, com sua mãe, éramos companheiros na faculdade de direito, quando ficou grávida, nos casamos, mas teve uma gravides complicadíssima, nunca mais pode sair da cama.   Morreu quando ele tinha dois anos, o criamos, entre a senhora que realmente me criou, as vezes minha mãe, que quer lhe fazer todas as vontades, por isso aceitei ser juiz de adoção, para ajudar os garotos.

Não sei se sabes, remontei todo o departamento, coloquei todo mundo a disposição, não sabes a barbaridades que encontramos, ninguém tirava a bunda do assento para saber se as crianças estava bem, mentiam no que escrevia, omitiam coisas.

Mas agora quem leva tudo, é a senhora que era minha auxiliar.  Com mãos de ferro, diga-se de passagem, selecionamos um a um os funcionários, claro apareceram uns quantos, encaminhados pelos políticos, não aceitamos nenhum.

Estou esperando tua resposta, nesse domingo tem um jogo de basquete, eu sempre levo o Matt, embora ela não seja um apaixonado.  Gostas?

A verdade é que não, nunca gostei muito de esportes, tinha pensado em levar o Rob, com os meninos do Roger, a praia, se quiseres pode vir, será um prazer.

Foram olhar o quarto do Rob, ele estava sentado, estudando um tratado sobre psicologia aplicada ao jovens em orfanatos.

Matt, lhe perguntou se era da escola?

Nada é o assunto que o Beat adora estudar.  Eu tenho que manter uma conversação com ele a altura, o que não entendo, escrevo, mostrou um bloco, depois ele me explica.

Ah, combinamos de no final de semana ir à praia com vocês, achas que Junior vai gostar?

Oba, outro dia estávamos falando disso, o quanto nos gostaria aprender a fazer surf.

Para que o senhor saiba, ele sabe tudo sobre mim, que vivia num orfanato, que fui abusado muitas vezes, ele também me conta suas coisas.  Afinal é o único amigo que tenho, tenho que confiar nele.

Beat depois conversou com ele sobre isso.

Ora Beat, ele é inteligente, tinha que testar, ele podia ter-se afastado de mim por isso, mas foi ao contrário, as vezes quando estou pensativo, me pergunta o que me perturba.  Sei que posso falar com ele.

Outro dia descobrimos, uns garotos, que tinha abaixado a calça de um menor no banheiro, ajudamos esse garoto, falamos com o diretor, os que o fizeram como sempre são filhinhos de papai, acham que podem tudo, armamos uma arapuca para eles, filmamos tudo, mostramos para o diretor, que finalmente acreditou na gente, os colocou para fora da escola.   Eu lhe disse que se não tomasse providências, ia passar o vídeo para meu pai que era da polícia.

Beat, ficou de boca aberta, me chamaste de meu pai.

O Juiz Matt, disse que os papeis estão prontos, que o senhor pode ir assinar.

Ficaram rindo os dois de mãos dadas, meu filho Rob.

No domingo foram a praia, em dois carros, na última hora Jasper que tinha brigado com o namorado, pois dizia que dai não saia nada.  Como sempre Beat, parece que quando a vontade de muito sexo acaba, não se sabe levar em frente.

Calma, um dia dará tudo certo.

No carro deles, levavam em cima uma prancha de surf do Jasper, o Matt ia na frente, com ele, os meninos atrás escutando as orientações que Jasper ensinava sobre o surf.

Foi um dia fantástico.  Repetiram muitas vezes, algumas vezes alugavam uma casa na praia para passar o final de semana os quatro.  Ficavam sentados na varanda, escutando os meninos conversarem.

Um dia como quem não quer nada Matt, lhe perguntou se ia ter que esperar muito, pois tinha muita vontade de lhe dar um beijo. Quando o estavam fazendo na cozinha, os meninos entraram, ficaram na porta rindo.  Junior soltou, finalmente, não aguento mais escutar o velho falando de ti.

Anos depois quando finalmente se casaram, os dois estavam na universidade, o salão da casa agora tinha uma mesa grande para o Matt, estudar seus casos, de vez em quando lia os processos, depois passava para o Beat, pois sabia que ele era mestre em ler nas entrelinhas.

Os meninos compartiam quarto, estavam sempre falando, embora estudassem coisas diferentes na universidade, sempre trocavam ideias.   Rob estudava psicologia, Matt, fazia filosofia, bem como psicologia, os dois podiam passar horas e horas discutindo alguma coisa, um deles entrava na sala, pergunta ao Beat, aonde tens aquele livro, citavam o escritor, para dizer ao Rob que eu tenho razão.

Roman, acabou vendendo a boate, estava cansado, agora sou avô de dois netos, tenho que dar exemplo, era com ele que os garotos falavam sobre sexo.

Jasper continuava sem acertar.

O melhor era que Roger agora era o primeiro chefe de polícia da cidade, gay, casado com outro homem, com filhos.

Beat tinha uma ordem, cada um arrumava sua cama, seu quarto, Matt pai, adorava escapar, mas ele não permitia, se não ajudas terás que dormir de pijama uma semana.  Em seguida estava ajudando.

Finalmente sem buscar muito tinha uma família, quando a CIA o chamou de novo, disse que era impossível, pois tinha família, além de ter sido nomeado chefe da delegacia do bairro, não lhe interessavam, mas sempre lhe consultava para alguma coisa.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

   

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  

 

lunes, 20 de septiembre de 2021

RETRACE -

 

                                        RETRACE

 

Agora concordava quando diziam, que com a idade as pessoas se lembravam do passado, as vezes com detalhes, mas do presente, nem o que tinham acabado de comer.

Ele não estava tanto para isso, pois era capaz de recordar tudo, mas o mais interessante, era que realmente agora, que dispunha de tempo, trabalhava menos nos textos, conseguia se lembrar de coisas do seu passado, mas não os nomes, ou a cara da pessoa.

Escutou Dora, ou Doralice, sua melhor amiga o chamando para entrar, pois estava anoitecendo começava a esfriar.

Mas claro estava preparado para isso, sempre tinha amado ver o nascer, bem como o por do sol, como sempre dizia com ele as águas passavam por debaixo da ponte, levando toda a merda que podia ter feito em sua vida.  Não usava outra frase “muita água passou por debaixo da ponte” para dizer do tempo.

A o puto tempo, riu pensando na sua juventude, que o tempo não passava, ele queria escapar da sua família, não queria ser como eles, no marasmo da vida em uma cidade pequena, queria sim sair pelo mundo.     Sua escapatória era os livros, bem como o cinema, agora podia dizer que as cidades com que tinha sonhado, tinha estado ou vivido nelas.

Tinha realizado seus sonhos, bem como inventado outros quando se deu conta que não tinha mais nenhum para conquistar.  

Dora sempre dizia que ele como inventor de coisas, era um mestre, tinha sim inventado, se reinventado ao longo de sua vida mil vezes.   Se lembrou de um filme, “o homem das mil caras ficou rindo sozinho por isso.   Se passasse alguém na praia ia pensar que estava louco.

Sua preocupação nessa época era ser ele mesmo, estava farto das convenções da pequena cidade.

Ao caralho soltou, isso era uma verdade, era sua palavra preferida, soltar um sonoro caralho.

Quando finalmente conseguiu fugir por assim dizer, com a desculpa de ir estudar fora, foi sem auxílio de ninguém.  A suas parcas economias tinham que durar, a sorte que quando fez suas primeiras amizades na universidade, um tinha conseguido um emprego de meio expediente, através de seu pai que era coronel, com jeitinho, conseguiu uma vaga para ele, mas sempre teriam em cima deles, os que estavam ali a anos, mas a verdade era que eles trabalhavam os outros coçavam o saco, como todo bom funcionário público.   Aprendeu o serviço, com a única pessoa que parecia trabalhar ali, uma senhora.  Alias as senhoras, sempre cuidavam dele a vida inteira, talvez porque como descobriria mais tarte era de Nanã Baruque com Olorúm, tinha estudado profundamente sobre isso ao largo da sua vida.   Quando uma das senhoras que trabalhavam ali, achou engraçado, porque como eles trabalhava na parte da tarde, o raro era que era de Londres.

Esta o arrastou um dia sábado, que ia consultar um Babalorixá, muito famoso. Vinha do Brasil, atendia numa casa do Bronx.  Ele desconhecia todo esse mundo, sua família era Católica Apostólica Romana, mas não ia nunca a igreja, mas tudo era motivo para dizer que era pecado.   Ele tomou consciência muito cedo que adorava tudo que era pecado.

Bom, isso acontece com os que vão ficando velho, divagam, mudam de assunto como trocam de cuecas.

O Babalorixá, jogou para ele, ficou parado, tornou a recomeçar tudo, rezando, prestando a atenção total no que fazia, tornou a fazer.  Riu pedindo desculpas, mas é raro essa combinação numa pessoa tão jovem como tu. Aqui diz que eres filho de Naná Burukú, com Olorúm, que segundo o Ifá são os primeiros, mas o mais interessante é que tens a ela de frente, não ao contrário, por isso estava aqui recomeçando o jogo várias vezes.   Lhe explicou, o que se passava.

Tens alguma pergunta?

Contou que na verdade tinha vindo acompanhando a senhora, que não gostava muito de saber como ia ser o futuro, querer saber o número premiado de loteria, achava que a vida tinha que ter surpresas.

Só posso te dizer a curto prazo que sua vida sempre será um eterno reinventar-se, o que será o sal de tua vida, a fara interessante a qualquer nível.  Que aprenderás a conviver com a solidão, que a abraçaras como uma velha amiga.  Qualquer coisa, sempre faça isso, o levou para fora, embaixo de uma árvore, lhe deu uma cuia de água, mostrou como devia fazer.  Isso significa que queres a proteção, com essa conjunção, terra/água, de onde sai a vida.   Uma coisa muito importante, confie sempre em tua intuição, pois com essa conjunção, sempre vai atrair para perto de ti, pessoas que estão perdidas.   Confie em ti mesmo.   Outra coisa, vão te dizer que por culpa dessa conjunção tens alma de velho.      Isso é uma grossa mentira, pois vejo aqui que vens de outro lugar, não me dizem de onde, mas eres novo nesse planeta.

Talvez tua missão seja justamente essa, atrair as pessoas, ajudar a quem precisa, mas te digo uma coisa que está aqui, mostrou como estavam posicionadas duas pedras diferentes, bem como duas pequenas conchas imperfeitas.  Jogou uma três vezes, sempre caiam na mesma posição.  Vê, poderia tentar fazer algum truque, mas eles confirma isso.  Dizem que aprendas a ajudar, quem realmente quer se ajudado, pois muitos pedem ajuda, ficam esperando que faças tudo por eles, como não conseguem ir em frente, dirão que tu eres o culpado.

Tinha toda razão, tinha acontecido muitas vezes, até que aprendeu a separar o joio do trigo.

Depois passou por causa disso, a ser um grande filho da puta.   Ria muito com isso, até que assumiu se era isso que diziam dele, soltava logo na cara das pessoas, “cuidado, sou um grande filho da puta” isso logo assustava as pessoas.

Sua vida toda tinha sido um eterno recomeçar da estaca zero, mas sem medo, pois sabia que a ele tocava isso, que para realizar seus sonhos, tinha que usar caminhos diferentes.

Um dia escutou uma entrevista com um grande arquiteto, que dizia que amava as curvas, pois que as linhas retas eram muito chatas.   Ele achava o mesmo, mas gostava mesmo eram dos zig-zag que podia fazer com sua vida.

Ia até um certo ponto, dizia, até aqui vou, se sigo isso será uma chatice total.

O mesmo era com seus homens, tinha passado pela sua vida, mas nunca chegou à certeza dos que usavam uma palavra que lhe parecia sem sentido “amor”.   Isso não sabia, jamais tinha pensado nisso, morrer de amor por ninguém.  Gostava, mas essa besteira nunca tinha cometido.

Escutou um ruído atrás dele, da porta Dora soltou, meu velho, sempre o chamava assim, desde quando se conheciam a muitíssimos anos atrás.  O tempo está maluco, vais ficar aí sentado.

Só até o sol, mergulhar na água fazendo ruído.

Estás maluco meu velho, foi se embora rindo como sempre fazia.

Sem querer se lembrou da primeira vez que pensou que tinha encontrado alguém, mas em seguida pensou, vou ver no que vai dar.  A pessoa contou sua vida, era complicado, ao mesmo tempo que estava completamente perdida, não sabia como direcionar sua vida.  Tentou, mas não funcionava, pois os sentimentos desencontrados que tinha dentro dele, era difícil.

Quando era garoto, sua mãe ficou viúva, semi analfabeta, tudo que conseguiu enquanto pode foi se prostituido, o foi levando adiante assim.  Manter uma casa, mas claro agora a idade tinha lhe chegado, era uma puta velha, atendendo a homens velhos, que na verdade queriam mais uma amiga para compartir alguns momentos.   A senhora não aceitou isso, o filho que tinha acompanhado a vida inteira essa confusão, tinha sido inclusive abusado por alguns dos homens que ela levava para casa, pois era bonito.  Se confundia, ao mesmo tempo que lhe gostava ser desejado, queria alguém que o amasse, no caso alguém que lhe desse carinho, mas confundia isso com fazer sexo, como forma de retribuição.

Quando percebeu isso, ao mesmo tempo que o via ir de flor em flor, procurando isso, sem saber realmente o que queria.  Ficou com pena, as pessoas vieram lhe contar, lhe vi com fulano, ou com sicrano.   Ele sabia que iria assim pela vida.  Quando tentou falar, lhe respondeu mal, faço o que quero o corpo é meu.

Lhe explicou em que se confundia.  

Olhou bem minha cara, só porque me das carinho, procura me entender, não significa que me amas realmente.  Eu quero isso, alguém que me ame com loucura.

Deixou de aparecer, o encontrava pela noite, sempre acompanhado de pessoas diferentes, a última vez que o viu, estava completamente drogado, no banheiro de uma boate, tentando vomitar, o ajudou, se virou, ficou olhando serio para mim, ao final soltou, o que podia ter sido mas não foi.     Saiu sem dizer olá ou obrigado por me ajudar a vomitar.   Desapareceu no mundo.    Um conhecido muitos anos depois contou que tinha morrido sozinho num hospital com Aids.

Bom com a maldita, como todos chamava a Aids naquela época, perdeu muitos conhecidos, amigos queridos, pessoas que tinham passado pela sua vida.

Entre os 24/30 anos, deu muitos tombos de um lado para outro.  Mas sem reclamar, dizia sempre a Dora, que já era sua amiga, quando caias, caia de frente é mais fácil levantar, se caíres de bunda levarás mais tempo.  Outra que ela odiava quando dizia, que ele era como os gatos, suas merdas ele cobria rapidamente, pois assim não fediam.

Aos trinta, mudou radicalmente, muita gente estranhou, chegou a hora dizia ele, a famosa crise que os homens têm aos 40, ele teve aos 30.  Aos 29 começou gradualmente a se fechar a repensar sua vida, foi tomando consciência que esses dez anos, tinha sido como uma grande festa ao que ele tinha ido separando o que gostava, do que não gostava, estudando isso ou aquilo.   Justamente nessa época pode juntar tudo que tinha estudado, para refazer sua vida, entrou numa empresa que precisava de alguém com bagagem no que ele dominava muito bem a moda.

Sempre tinha tido uma maneira particular de se vestir, nunca tinha seguido moda nenhuma, ele fazia a sua, o resto era resto, mas tinha aprendido como se devia estampar, jogo de cores, pesquisar desenhos, tendências.  Era ferrenho defensor, que em moda não se cria, tudo se copia, se recriava.    Se lembrava do tempo que devorava os catálogos da Sears que sua mãe sempre recebia.  Ao contrário dos outros que viviam com a moda Europeia, sua primeira base tinha sido a moda americana de pós guerra.  Aonde as roupas com volume, eram importantes pois gastavam mais tecidos, faziam as empresas crescerem.  Ao chegar na grande cidade, tinha aprendido sobre a Europeia, bem como estudado a fundo quando estudou figurinos nas escola de teatro.    Uniu os trapos, vamos dizer assim.

Era capaz de misturar tendências, criando outras. Logo foi absorvido pelo seu trabalho, que era montar um equipe que funcionasse, que pudesse, criar estampas, desenhos, que entendesse de estamparia industrial, os foi treinando, mas não tinha tempo para um romance.

Nessa época conheceu muita gente, a famosa foda de uma noite, mas que no dia seguinte se o viam na rua, mudavam de calçada, o chamando de filho da puta, pois quando queriam algo mais, soltava logo que não tinha tempo.

Chegou a um ponto que dizia, que adorava estar sozinho, que a solidão, lhe fazia companhia, conversava com ela.  Era uma verdade, preferia, ficar sentado no sofá confortável de sua pequena casa, com um copo de whisky na mão, pensando em coisas que queria fazer, escutando suas músicas prediletas.   Era outra coisa que o unia a Dora, pois esta podia ter sido uma cantora, mas o que amava mesmo era a música para ela mesma.

Nesse período que poderia dizer que tinha sido excelente, também não tinha tempo, porque preferia ficar desenhando de noite em sua casa, ou fazendo cursos para aprender novas técnicas.   Hoje seria diferente, tudo vinha quase mastigado pelos computadores.

Mesmo assim, era capaz de montar um padrão, para uma grande máquina de estampar, usando sua lógica.    Via que os mais jovens por isso, se repetiam muito, acreditavam que seu traço era único, se aferravam a isso, como se fossem deuses.

Ele ao contrário, tinha os desenhadores que admirava, pois a cada coleção de moda, eram capazes de se reinventar.  Quando tomou consciência disso, passou a fazer o mesmo, buscar dentro das técnicas, novas maneiras de mostrar criatividade.

Talvez por isso, tinha trabalhado até a pouco tempo, quando disse basta, na verdade só atendia uns poucos, para se distrair.  Mas claro, seus clientes ficaram velhos como ele, passando suas fabricas para os filhos, os netos, esses queriam inovações, mal sabia que isso que acabavam produzindo eram copias mal feitas de coisas passadas.   Mas tinha aceitado, nunca dizia nada, pensava “para que vou gastar minha saliva”.

Os mais jovens pensavam que eram os reis, mas nada, estavam era cegos, as tendências nunca duravam mais que um simples suspiro.   Havia que manter a máquina a todo vapor para poder sobreviver, por isso muitos negócios iam a pique.

Ele mesmo tinha trabalhado para empresas que subsistiram até que os diretores foram substituídos por mais jovens ou se aposentaram, porque estavam de saco cheio de aguentar o trabalho, depois de tantos anos trabalhando como loucos, quando paravam, em seguida batiam as botas, poucos se reinventavam.

Ele a partir dos 30 tinha feito uma coisa, a cada coisa que inventava ou criava, ia fazendo um arquivo.   Quando parou, lançou um livro, primeiro o criticaram, depois descobriu que estava sendo usado nas escolas de artes, nas de designers.  Alguma vezes o convidavam para fazer palestras.   Quando ao final do assunto perguntava se alguém tinha alguma pergunta, escutava idiotices, isso cansava.

Uma vez lhe perguntaram se sabia usar computadores?

Riu, soltou, desde os primeiros quando havia que saber programar, para fazer um desenho tosco.  Mas os programas que existe hoje, eu usei as cobaias deles, mas hoje o faço como exercício.   De maldade, pediu para colocarem seu portátil de última geração, construído especialmente para ele, por um velho amigo que tinha feito isso a vida inteira.

Olhou para a pessoa que tinha perguntado, que se achava na última moda.  Veja, achas que estas na última moda não é, olhe isso, tens que treinar tua memória, isso se usou na década dos noventa, ano tal, buscou um arquivo, abriu, olhe basicamente o mesmo que estas usando, só mudaram as cores.

Se foi você que construiu esta estampa, consultaste o manual tal e tal, no meu livro, está na página tal.  Estou te observando todo esse tempo, na tua cara está escrito, esse velho vem aqui falar dessas merdas todas, em que eu sou o rei.    Te digo, ser rei, sem reinado e sem coroa existem muitos.   Ser rei é se manter atual, usando tua própria cabeça, recriando a ti mesmo, não aos outros.

Os aplausos finalmente foram muitos, o professor veio agradecer, para o ano espero que tenhas um tempo para vir aqui.

Meu caro, perdes o teu tempo, talvez o ano que vem, as maquinas estejam elas mesmas desenhando os padrões, ignorando o homem que vai vestir, como dizendo, coloque isso seu idiota, estas ai para isso, seguir o que eu faço, não o que você quer.  Se tiveste prestado atenção realmente no meu livro, teria lido a primeira página que digo, que estar na moda é não seguir nenhuma tendência, o famoso fundo de armário. 

O seu era imenso, o dia que morresse segundo Dora, os homeless iam amar. Bem como dizia dele atualmente que ele um cu inquieto, nunca estava parado.

Estar com alguém tinha passado pagina, já não tinha paciência para algumas besteiras, tinha até tentado, mas chegou a conclusão que estar sozinho, saber viver bem consigo mesmo, isso sim era o essencial.

Estava realmente sozinho a bem mais de 20 anos, podia considerar os melhores de sua vida, tinha trabalhado em Paris, para uma das maiores casas de moda. Karl era duro de pelar, mas ele o entendi a perfeição, quando lhe mostrava um desenho, dizia sua ideia, ele sabia aonde encontrar esse tecido, o que era necessário para esse caimento.

Quando esse morreu, disse, até aqui vou, estava farto de viver em Paris, quando dizia isso olhavam para ele como dizendo, está louco, a gente sonhando com isso ele querendo cair fora, claro já tinha passado do tempo de aposentadoria.

Agora trabalhava para se distrair, para duas editoras, de amigos seus, fazendo capas de livros, ou ilustração para alguma história.   Mas agora usava o laptop, bem como seu próprio banco de imagens.

Karl sempre lhe dizia, se todos tivessem esse banco de imagens que tens, além dessa memoria, estariam ricos, creio que devia mandar guardar teu cérebro, para implantar em alguém com talento, pois isto é cada vez mais raro.   Quando aparece algum, logo se crê o rei do mundo, quando mal sabe o quanto a glória é efêmera se a pessoa não sabe se inventar.

Uma vez o chamaram para dar um curso numa das escolas de moda mais interessantes como se falava no momento.   Perguntou se podia selecionar os alunos.  O olharam espantados, mas raciocinou, não tenho tempo para perder, com os que acho que são o supra sumo, mas na verdade não passam de um batido sem graça.

O deixaram experimentar, apareceram 40 candidatos, selecionou 20, depois cortou para 10, isso só conversando.  O que mais lhe interessou foi justamente um rapaz, que não sabia desenhar, sabia reciclar padrões, fazer mudanças.   Lhe alertou durante o curso inteiro, tens que pensar, não só seguir teu instinto, há que juntar os dois, senão não dá certo.

Não deu outra, foi contratado para uma casa de moda, duas coleções depois se retirou, estava exausto, tinham lhe sugado o que tinha de criatividade, já se repetia.

Veio falar com ele.

Na tua entrevista, me disseste que estampavas camisetas, que querias ir além.  Eu se fosse você, abria um negocio assim, lhe explicou, uma boutique efêmera, como está na moda, preparas digamos 100 camisetas, peças únicas, tamanho único, as estampas, ganhas dinheiro, guarda uma parte, cria outra coleção devagar, faz de outra maneira, assim por diante, mas sempre com essa ideia de coisas efêmeras, camisetas, que se podem usar com qualquer tendências, tive segundo Dora de ser caridoso, o deixou olhar o armário que tinha de camisetas.  Aqui deve ter umas trezentas pelo menos que eu criei ao longo do tempo, mas só as melhores, quando descubro alguma que alguém copiou, as descarto, dou de presente.

O rapaz ganhou muito dinheiro fazendo isso, acrescentou uma linha de foulard, de tecidos estampados um a um por ele. Eram disputados, pois sabiam que eram peças únicas.

Um dia veio lhe agradecer a ajuda.   Só lhe disse uma coisa, nunca caias na conversa de alguém que diz que quer ser teu sócio, para te lançar no mundo, vai sim te explorar, depois cuspir no primeiro momento que falhes.

Um dia encontrou com ele num vernissage da Dora, que nessa época pintava.  Tinhas razão, estão atrás de mim com ofertas loucas, para que deixe de fazer boutiques efêmeras, para que abra uma cadeia de boutiques, quando digo não sobem a oferta.  Tenho vontade de fazer o seguinte, eu mesmo aceitar a oferta, fazer a primeira fantástica, vender a minha parte na marca, desaparecer, ganhar o dinheiro, sem usar o meu nome, depois os mandar a merda.

Ficaram os dois rindo como loucos, ainda se virou para mim me dizendo, se tivesses minha idade ia te arrastar para a cama, te levar a loucura.

De brincadeira lhe disse, topo, mas se fores tu que se apaixone por mim, não tenho culpa, o levei para a cama, esperava que um homem de 60 anos, não podia com ele, ao final estava pedindo mais.  Passou a me chamar sempre, mal sabia que estava desmontando minhas coisas para ir embora.

Mas o filho da puta, fez o que tinha dito, os que entravam com dinheiro, ele tinha cinquenta por cento do nome da marca, abriram uma boutique em cada esquina, no meio do segundo ano, preparou uma coleção, na surdina vendeu sua parte, tinha estudado muito bem o contrato que tinha.   Se mandou, desapareceu no mapa.   O encontrei em NYC, rindo a bessa, fiz o que disseste, além da segunda parte que me disseste na cama, levei todo meu dinheiro para fora. Agora estou fazendo uma pausa.

Tentarei alguma coisa como fiz lá das boutiques efêmeras, teve que arrumar um bom advogado, pois a papelada exigida era imensa, não valia a pena.   Foi rapidamente cantar em outra freguesia.

Depois de um tempo trabalhando na Vogue, quando vi que tinha um bom pecúlio, comprei essa casa em Fire Island, aonde eu podia ver o nascer do sol, bem como o por do sol, bastava mudar de varandas,  as duas estavam abertas no verão, fechadas no inverno.

Nem fazia muito calor, tampouco quando nevava, acendíamos dessas lareiras modernas de metal que no verão se podia desmontar, mas só fizemos isso uma vez, dava muito trabalho, eu odiava esse tipo de trabalho, Dora também.

Para muitos passávamos por um casal aberto, eu dizia que a coisa mais próxima de sexo que tivemos foi uma vez que tínhamos tomado um porre de vinho na Itália, dormimos na mesma cama, de manhã nos examinamos para ver se tínhamos ao menos tirado a roupa, estava intacta, respiramos aliviados, porque estragar nossa amizade.

Quando voltei, ela também deixava Paris, tinha acabado de romper um romance, que ela achava que seria eterno.    Eu dizia que as coisas eram eternas enquanto duravam.

Me disse que tinham se acabado as paixões, mas para ela isso era combustível para pintar, criar coisas, se não estava louca por alguém não fazia merda nenhuma.

Por isso agora se dedica a pequenos desenhos, lhe passava ilustrações que me pediam, a situação tinha invertido, eu pintava quadros grandes.

Alguns pedia explicações.  Eu dizia simplesmente que tinha voltado ao princípio da minha vida, tinha começado pintando, agora voltava ao princípio, o círculo tinha se fechado.  

Quando fiz uma exposição na ilha em pleno verão, se venderam todos os quadros, pois tudo era papel, isso tinha sido assim a vida inteira.   Se as pessoas vissem meu arquivo de papeis, com desenhos, esboços de aquarela, ia dizer esse homem está louco.

Quando fiz 75, me propuseram fazer uma exposição sobre meu trabalho.    Uma retrospectiva como chamava isso.   Lhes disse que não, que pensava em trabalhar mais 10 anos pelo menos.

Alguns riram, como dizendo esse velho pensa em seguir na ativa até os 85 anos.

O ano passado fiz uma exposição em NYC, com 95, tinha me sobrepassado.  O único problema era que era mais lento, pintava com dizia quando me saia do caralho, quando me dava na telha, ou quando tinha uma ideia de que pensava que não tinha executado ainda.

Um dia comecei a pintar um quadro, já estava quase terminando o mesmo, quando Dora entrou, olhou, ficou rindo, saiu sem dizer nenhuma palavra, foi buscar uma foto minha ao lado de um quadro, era o mesmo.   Caímos na gargalhada, a senhora que cuidava da casa uma mexicana veio ver do que estávamos rindo.   Mas não entendeu, só soltou, dois velhos loucos.

De propósito, coloquei na exposição com o título de Replayed, quem comprou perguntou por que do título, perguntei se tinha olhado o catálogo, disse de passagem, peguei um lhe mostrei tinha duas fotos, a 15 anos atrás posando com o primeiro quadro, agora com a cópia. Mas cobrava mais caro pelo novo, virou anedota, tive que contar num programa de entrevista como tinha sido.  Sonhei a noite inteira comigo pintando um quadro, me levantei para ver o nascer do sol, depois fui para o studio com uma garrafa térmica de café, fui pintando, quando estava quase terminando, pensando, como pode ser isso, tenho a sensação que está muito fácil pintar isso. Dora entrou olhou, riu, foi buscar uma foto do mesmo.   Rimos muito, ou seja eu tinha sonhado com o primeiro trabalho, mas me esmerei em melhorar textura, o material é diferente, mas deixei o que tinha feito.   Um “revival” sempre é mais caro, pois o fazemos melhor.

Ainda soltei uma coisa, que agora me importava uma merda dizer.   Se a primeira foda foi boa, é melhor deixar como está, a não ser que a pessoa tenha mais possibilidade.   Porque as vezes a segunda é um fiasco.

A plateia veio abaixo.   O apresentador me chamou a atenção, como podia falar essas coisas assim no ar, mas falou rindo.   Lhe disse, no alto dos meus 95 anos, mando o politicamente correto tomar no cu, coisa mais chata.

No dia seguinte os poucos quadros que não tinham vendido desapareceram.  Algumas pessoas que tinham quadros meus, aproveitaram para vender mais caro do que tinha comprado.

Ou seja, valia alguma coisa ainda.   Meu segundo livro, que percorria todo o percurso desde meu primeiro trabalho na escola de arte, até o atual, foi vendido como um livro de memorias, a maioria das pessoas que tinham comprado esses trabalhos, tinha morrido, os herdeiros claro me deixaram fazer as fotos, para depois vender os mesmos por uma fortuna.

Pensei devia ter pedido uma comissão, para ganhar algum.    Dora me soltou, para que, tens o suficiente para chegar aos 105.   Fiz o sinal da cruz para ela.  No inverno agora ficava difícil fazer alguma coisa, a artrose tinha torcido meus dedos, um médico veio um dia ver se era verdade como eu lhe dizia que desenhava ou pintava.  Ficou de boca aberta.   Pois realmente fazia o que tinha dito, amarrava um troço de camiseta velha na mão, encaixava o pincel, ou um lápis, usava a mão não os dedos para fazer meu trabalho.   Isso era interessante pois ficavam diferentes.

Agora preparava outra exposição, pois no verão, tinha sido muito produtivo. Já não vinham muitos amigos nos visitar, 99% já estavam a sete palmos baixo terra.

Eu, bem como a Dora, já tínhamos feito o testamento, queríamos que nossas cinzas fossem jogadas ali na praia aonde víamos o pôr do sol.     Ela ria da maldade que dizia, se os filhos da puta dos herdeiros, resolvessem simplificar fazer isso no nascer do sol.

Volto para enfiar o dedo no cu deles, soltava.  Riamos a bessa.   Dora sempre tinha tido a mania de representar a cena.   Erámos capazes de ficar horas representando a cena do coitado do herdeiro, sentando com muita pose, de repente sentindo um dedo no seu cu.

Dolores que nos cuidava, diziam, fiquem aí rindo como loucos, passa alguém os considera como tal, vão os dois para o psiquiátrico, eu perco meu emprego.

Ele ficou com aquilo na cabeça, o sobrinho de Dora era basicamente o herdeiro deles, casado com uma mulher rica, viviam em Paris, ela bem o mal o tinha criado, a última vez que os tinha visitado, disse a mesma coisa, que os dois pareciam uns loucos, ele tinha feito uma brincadeira com ele que não gostou, foi embora pegando primeiro ferry.

A um ano atrás apareceu um rapaz procurando por ele, quando Dolores o levou até o studio, levou um susto, era como ele, quando jovem.

Se apresentou como neto do seu irmão.  Estava estudando arte em NYC, tinha conseguido seu endereço com o dono da galeria, aonde tinha feito sua última exposição.  Ele tentou falar com o senhor, mas ninguém atendia o celular.

Ele soltou para ver a reação do rapaz, seu sentido de humor.  Tenho medo de atender, ser algum amigo que já morreu, está chamando um fantasma.  O rapaz se matou de rir, estou imaginando a cena, representou como ele faria.

Tinha uma bolsa, cheia de desenhos, o dono da galeria, diz que são como pinturas vintage, mas estou melhorando.    Mostrou para ele, o deixou olhando seus papeis, enquanto olhava o quadro que ele pintava.

Gosto das cores que o senhor usa, são fortes, tem personalidade.

Sim, trabalho sempre com as cores que mais gosto, a cada dois meses vou a NYC comprar ou peço que me mandem.

Me fale de meu irmão?

Posso ser honesto com o senhor?

Claro, não só pode como deve.  

Nunca entendi porque o odeia tanto, esta sempre falando mal do senhor, me lembro quando era criança, que voltamos a viver com a Bisavó, que queria desmontar o quarto que era do senhor, ela se negou, disse que era o quarto do seu filho querido.  Se mudou de quarto, ficou vivendo até o final nele, antes de morrer me deu a chave, que levava num cinturão velho que segurava suas saias.

Olha essa foto, tirou da carteira uma foto, aqui ela estava com quase 110 anos, lucida completamente, abria a porta quando estávamos os dois em casa, para me mostrar seu quarto, dizia que eu era sua cara.

A primeira vez que meu avô me pegou desenhando, jogou tudo no fogo da lareira, caderno, lápis tudo.

Fiquei olhando de boca aberta sem entender, ela na sua cadeira de rodas, se aproximou, segurou a minha, disse baixinho, é a inveja que ele sempre teve do irmão, por ter coragem de ir embora.

Me contou, que o senhor tinha ido embora, num dia que os dois estavam levando os bois para um pasto da montanha, para aguentarem o verão, que embaixo é sempre seco.

Contava assim, peguei meu filho pequeno, o coloquei na caminhonete, lhe dei uma caixa de metal que guardava minhas economias, o levei até a cidade, comprei um bilhete de ônibus para ele ir para NYC, lhe disse para não voltar, fizesse sucesso ou não, que sua vida não era aqui.

Que ela seguia seu rumo pelas revistas que conseguia, me mostrou todas ali guardadas no seu quarto.

Minha mãe, escutou a história, meu pai, quanto mais eu crescia, me dizia que devia ser uma maldição, pois eu estava cada vez mais perecido contigo.

Sim é uma verdade, levei um susto quando te vi, parecia estar vendo a mim mesmo quando jovem.

Dora estava fazendo a siesta, quando se levantou, os viu conversando na varanda, riu muito, é como ver o passado falando contigo.

Ele foi passar o dia, passou uma semana, ensinou muitos truques de pintura para ele, depois foi ver uma pequena exposição que ele fazia.   O tinha ido buscar no Ferry.   Contou que trabalhava durante o dia de vitrinista na Macy`s, dividia apartamento com um amigo, no Bronx. Vou levando.    Tinha vendido bastante quadros, apesar da falta de publicidade.

Ele tirou seu celular, chamou um amigo que era crítico de arte no NY Times, perguntou o que estava fazendo.   Sabia que ele vivia ali perto, pediu que viesse ver uns quadros.  O dono da galeria quase lambeu os pés do crítico.

Ele passeou a galeria inteira com o amigo de braço dado, assim não tinha que usar a bengala.

Os quadros eram pequenos, como Jerry explicou, era o que podia pintar no seu quarto.

Quando soube que era seu sobrinho, soltou, esse filho da puta é teu tio.   Podia ter-me avisado antes.

O senhor por favor não fale isso, pois quero vencer por mim mesmo.

Claro garoto. Abriu o seu celular, disse o nome de um fotografo conhecido, disse aonde estava, mexa essa bunda, venha fazer umas fotos para mim.

Primeiro fez uma matéria com o Jerry, falando de um novo talento na praça, depois se documentou, disse ao dono da galeria, quando acabe a exposição me avise.  Fez uma outra reportagem, sob o título, uma nova geração, falando do sobrenome de família deles, com uma foto dos dois.

Sem querer o crítico tinha uma foto dos começos dele, a publicou também, bem como um trecho de sua primeira entrevista.

Ele quando saiu da exposição, perguntou aonde ele comprava tinta?

Ah tio, eu compro aonde for mais barato.

Venha comigo, foi a loja que era cliente toda a vida, agora mandavam levar para ele a Fire Island.   Apresentou como seu sobrinho, só vais fazer uma coisa, mande uma fatura para meu advogado, debite na minha conta tudo que ele precisar.   Fizeram como um cartão de crédito como ele tinha.

Jerry, chorou, abraçado a ele.

Pare menino que vais manchar de rímel meu casaco que é de Pierre Cardin.

Depois foi com ele ao seu apartamento, era numa rua não importante do Village, mas nem por isso valia menos atualmente.  Subiram num monta carga.   Quando voltei para NYC, comprei esse apartamento, aqui vivia, pintava, trazia meus últimos homens para fuder.

Hoje vou ter que dormir aqui, veja ali esta o quarto que usava a Dora, quando estava na cidade, ela sempre viveu fora daqui.

Dormimos aqui, mais tarde saímos para jantar.

No dia seguinte de manhã, foi com ele ao seu advogado, passou o apartamento para seu nome, para que não tivesse problema, agora tens material, bem como um lugar para trabalhar.

No dia anterior, tinha recebido o catálogo de sua nova exposição, na galeria que ele sempre expunha, bem como uma crítica do NY Times. Falando de seu trabalho, sem mencionar o tio.

Tinha mostrado da primeira vez um desenho de sua avó, sentada no quarto que era seu, com milhões de papeis que ele colocava na parede.    O tinha reproduzido em tamanho grande, com o título, berço de artistas.

Tinha sido sua primeira obra comprada por um museu.   Dizia essa semana vou até aí, ver o senhor.

No dia seguinte, antes que Dora se levantasse, isso queria dizer quase na hora do almoço, se arrumou, pediu a Dolores que o levasse até o ferry.

Em NYC, estava lhe esperando um dos rapazes que trabalhava para seu advogado, colocou 80% de seu dinheiro, em benefício de seu sobrinho, 20% em nome da Dolores, afinal a pobre os aguentava a muito tempo.  Deixou um envelope com o nome do sobrinho, explicando o que devia fazer, sabia que preparava outra exposição, lhe dizia que em seguida deveria ir para Paris, o dinheiro era para isso.   Aproveite tua vida.

Voltou no último ferry, Dolores como boa guardiã, o estava esperando, vinha com uma bolsa da loja de material de pintura, tinha encomendado, dizendo que devia esperar na entrada do ferry. Assim tinha uma desculpa.

No dia seguinte se levantou tarde, estava cansado, já não tinha idade para tanto.

Se lembrou quando chegou a cidade, que a alemã o tinha levado a um Babalorixá, do Brasil que estava cidade.   Riu muito da lembrança, dizia que viveria muito, isso era normal na sua família, pelo que o sobrinho tinha falado da sua mãe, tinha sido assim.

Ele no fundo já estava farto de inventar coisas para viver, se lembrou de quanto se deu conta que tinha realizado todos seus sonhos, que tinha tido que inventar outros para conseguir sobreviver sem cair em depressão, tinha sido sempre um homem de sonhos.  Ia inventando um atrás do outro, até o momento.   Só não tinha conseguido realizar um, encontrar uma pessoa que amasse, ou quisesse profundamente.

Mas isso o homem tinha dito para ele. De quem é filho, nunca te apegaras a ninguém.  Apesar de Dora ser sua melhor amiga, terem convivido anos e anos, havia períodos que mal se viam, falavam por telefone, ele foi primeiro para Paris, com o trabalho, as vezes a chamava de madrugada, ela atendia porque era ele.

Mas se ela morresse amanhã, sabia que o sobrinho ia encher seu saco, ele pensava que a casa dali era dela.  No seu testamento tinha deixado para Dolores, que sempre tinha vivido ali com eles, mas enquanto Dora vivesse podia estar ali.

Dora na verdade tinha gastado todo o dinheiro que tinha ganho com seus trabalhos, a partir que deixou de pintar, pois se cansava, dizia que tampouco tinha vontade, seu dinheiro foi minguando, pois sempre soltava alguma coisa para os luxos do sobrinho.  Achava que ele ia deixar o seu também para o sobrinho.  Mas fingia que sim, mas nunca tinha gostado do sujeito, tinha vivido sempre as custas da tia, depois da mulher que era rica.

Que se apanhe pensou.

Nessa noite, conversou com Dora que tinha aproveitado a ida a NYC para reparar uma injustiça, fui mudar um pouco meu testamento, deixei algo para Dolores, afinal nos aguenta.

O apartamento ela sabia que tinha passado para seu sobrinho neto.

Nessa noite, depois de ver o por do sol, disse que não tinha fome, tomou um chá, com os biscoitos que fazia Dolores, uma receita que levava marijuana, que era relaxante para dormir.

Se arrumou todo, com uma das roupas mais escandalosas que tinha, inclusive umas babuchas de seda bordada, que ganhou de um dos melhores amantes que teve, um marroquino.

Antes de deitar, tomou todos os comprimidos de duas caixas de remédios fortes para dormir. No dia seguinte, sentado no cadeirão do seu quarto, viu como Dolores vinha desperta-lo.

Saia correndo para o telefone, para chamar o médico da vila.

Ele quando chegou só teve que fazer o atestado de óbito.

O duro foi ver Dora se derrubar.  Podia ler seus pensamentos, esse filho da puta, tinha prometido que só morria depois de mim.

Estava mais preocupada, quem a faria rir agora, saiu dali dizendo a Dolores que avisasse o advogado, pois ele sabia como tinha que ser o enterro desse velho filho da puta.

Ela mesma chamou o Jerry, lhe disse que viesse como advogado, pois esse com certeza vinha numa lancha.

Ela se comoveu, quando o rapaz, ficou sentado no cadeirão segurando a mão do tio, mentalmente pensando, na sua avó, agora sei que vão estar juntos, sorriu imaginando como ia ser a conversa.   Contou a Dora, estou imaginando ele conversando com sua mãe, vai ser uma conversa completamente louca, pois ela tinha o mesmo sentido de humor dele.

No dia seguinte chegou o caixão, o iam levar para incinerar, depois as cinzas voltariam para serem jogadas no mar.  Aqui esta no papel Jerry, no pôr do sol.

Dora soltou o que ele falava, se alguém jogasse do lado que o sol nascia, ele voltaria para enfiar o dedo no cu, eternamente.   Jerry se matou de rir, com lagrimas nos olhos.   Eu venho trazer, a senhora precisa de alguma coisa.

Ela sorriu pensando, até nisso esse garoto é como ele, é a pergunta que ele sempre me fazia desde jovens, se eu precisava de alguma coisa.

Não, estarei bem aqui com a Dolores, o advogado diz que a semana que vem virá ler o testamento, pois não tenho vontade de ir a NYC, me sinto perdida na cidade.

Ele andava pela casa, se sentia mais jovem, quando se via no espelho, era como ver o Jerry, puta merda pensava, devia ter trazido uma maleta para mudar de roupa, ria muito com a ideia. Dora que estava sentada na outra poltrona riu, soltou para Dolores, ele deve estar reclamando que não levou roupa suficiente para o outro lado.   Sempre foi um Dandy. Com suas roupas fundo de armário como chamava. Teremos que mandar agora tudo para os homeless, ou se o Jerry que tem o mesmo corpo que ele, quiser.

Sabe Dolores, sempre me impressionou isso, eu fui ficando velha gorda, mas ele apesar de tudo mantinha sua linha, nunca engordou nenhum gramo.  Tem roupa no seu armário, que teve ter quase a sua idade, ria e chorava ao mesmo tempo.

Eu o conheci assim, era meio caipira, fui a uma festa de um vernissage de uma amiga da escola de Belas Artes, quando o vi, fiquei de boca aberta, aquele rapaz altíssimo, com uma roupa completamente diferente de todo mundo ali.  Jesus, pensei esse homem é um escândalo ambulante, ele se chegou perto de mim com uma taça de champagne, para que feches a boca, bonita. Ficamos conversando, se interessou por mim, foi apresentando as pessoas que interessavam, ao meu ouvido dizia, o resto é resto, mas esses tem o poder na arte em suas mãos.  Dias depois foi conhecer meu studio de merda, mas me incentivou a seguir em frente, eres melhor que a tua amiga.  Logo conseguiu que eu fizesse minha primeira exposição, o primeiro dinheiro que ganhei com arte.     Anos depois me levou para Paris, quando já tinha um lugar para mim em seu apartamento.   Me apaixonei por uma francesa louca, com quem vivi anos, ele nunca se intrometeu, nos encontrávamos quando ele podia, para conversar, mas nunca com ela junto, a odiava.  Essa mulher é porca.   Pior era que era mesmo, mas estava apaixonada.    Me dizia perdes tempo com essas idiotas, devias primeiro amar a ti mesma.

Levei muito tempo para dar o braço a torcer, reconhecer que ele tinha toda a razão.  Ele nunca perdia seu tempo.   Pior era se alguém se aproximava dele para viver as suas custas, mandava rapidamente a merda.   Começou a rir, o único que viveu com ele anos, foi o marroquino, Ahmed, que aguentava todas suas loucuras, no bom sentido e claro, trabalhar como um louco, chegar em casa morto de cansado, beijava o Ahmed, lhe dizia me fazes um cafune, dormia nos braços dele.

Ahmed, era médico, sempre estava cansado, um dia lhe deu na louca, voltou para seu pais, pois dizia que ali, nunca iam o reconhecer como um bom médico.   Foi a única vez que o vi chateado por alguém.   Mas claro depois o trabalho o engoliu outra vez.  Passou anos sozinho.  Creio mesmo nunca mais teve ninguém assim.

Ele ali sentado ao lado delas, sorriu, era uma verdade, tai, talvez tenha amado esse homem, fui atrás dele no Marrocos, anos depois, quando me viu ficou emocionado.  Foi me visitar no hotel que eu estava, mas me disse que não podia me apresentar a sua família, pois tinha se casado tinha filhos.   Agora estou estável, não quero estragar o que tenho.   Mas dormiu todas as noites que ele esteve no Marrocos juntos.  Afinal pediu para ele ir embora, pois ia ficar difícil se separar dele outra vez.

Obedeci a contra gosto, pois eram as férias que não tirava em muitos anos.

Foi o único homem que fui atrás, me lembro que fui ao deserto, peguei uma cuia de barro, fiz o que me ensinaram a fazer para Naná Baruque.    Água e terra se misturando, voltou para Paris, retomou sua vida.

No dia seguinte, veio Jerry, o advogado, trazendo a urna, esperaram o entardecer, viram Jerry rezando por ele na beira da praia, Dolores ainda soltou, a água deve estar um gelo, pois já era o outono.

Ele fez exatamente o que seu tio tinha pedido na carta. Inclusive a música que pediu para cantar que ele não entendia nada.

Quando voltou Dora, lhe perguntou se queria as roupas do seu Tio, ele riu a bessa, vou virar um Dandy como ele.

Se sentaram no salão, ele abriu o testamento, explicava a Dora que não deixava nada para seu sobrinho, porque sabia que ele tinha dinheiro.

Deixava seu dinheiro 80% para o Jerry, contanto que ele fizesse o que tinha em sua carta, 20% para Dolores, para seguir cuidando dela, bem como a casa quando ela morresse.

Dolores, chorava muito.  Pensei que as vezes ele nem me notava.  Mas sabia que não era verdade, entrava no studio com um chá, com seus biscoitos de maria, no maior silencio, quando ia saído ele dizia, obrigado Dolores.

A mim nessa carta além de me orientar como queria que eu fizesse, que falasse com Naná Baruque, que não sei o que é, que o levasse com ela.

Disse o que ia fazer, não queria ficar sentado numa cadeira de rodas como sua mãe, que as pessoas em volta falassem como se ele não existisse.   Já tinha realizado mil sonhos, agora ficava difícil inventar outros.

Me deixou dinheiro para que eu fosse para Paris triunfar na capital do mundo segundo ele.

Que só voltasse quando estivesse na crista do mundo.   Pelo menos vou tentar.

Quando a notícia saiu nos jornais, o sobrinho da Dora apareceu, porque não me chamaram para a leitura do testamento.   Dora já estava farta de mamarem em suas tetas.  

Porque ele não deixou nada para ti, aliás estas fudido como ele dizia, meu dinheiro acabou também agora vivo aqui de favor, pois a casa ele deixou para a Dolores.

Essa mexicana vai herdar a casa, que devia ser tua por direito.

Sim para que não me pusesse num asilo para velhos, para ficares com ela, gostaria muito que falasse bem da Dolores, com educação, que nunca tiveste.  Por favor vá embora.

Saiu furioso, batendo a porta.

Ela se virou para Dolores, ele nunca se enganou com meu sobrinho, sempre disse que seria assim.    Quando contrariado sempre batia a porta, me encheu o saco a vida inteira, nunca foi capaz de fazer como o Jerry, que a primeira coisa que fez foi me perguntar se precisava de alguma coisa.

Morreu semanas depois dormindo.   Pediu num bilhete que suas cinzas tivessem o mesmo destino do amigo.

Jerry e Dolores assim fizeram.

Jerry levou as roupas do tio para seu apartamento em NYC, as pessoas paravam para o olhar na rua, era uma moda totalmente nova.  Era um fundo de armário de várias gerações, pois muita coisas ele tinha comprado nos antiquários, ou brechós da vida.

Depois de sua exposição, da bela reportagem que foi feita a respeito, tinha um quadro do tio, que ele levou depois para o apartamento.   Embarcou para Paris, já com contrato de uma galeria de arte, mandou um bilhete de avião para sua mãe ir a sua primeira exposição na Cidade Luz.  Ao seu pai nunca mais o viu.

Dolores reformou um pouco a casa, a transformou, alugava quartos no verão, no inverno ficava ali curtindo sua vida, as vezes tinha sensação de que os dois estavam ali sentados com ela, vendo o pôr do sol.